domingo, outubro 16, 2005

A tradição já não é o que era…

O Benfica ganhou ontem na “Invicta”, 14 anos depois, com Nuno Gomes a imitar César Brito e a marcar os dois golos da partida.

Os “encarnados” mereceram ganhar, é indiscutível, e recuperaram sete dos oito pontos oferecidos nas primeiras três jornadas da Liga.

A equipa de Koeman esteve defensivamente irrepreensível (grande exibição dos dois centrais) e eficaz no ataque com dois golos em quatro oportunidades.

Obviamente que nem tudo foi perfeito - e sobre isso falaremos noutros “posts” – mas, na luta entre técnicos holandeses, Ronald Koeman voltou a levar a melhor sobre Co Adriaanse.

A já habitual teimosia do treinador dos “dragões” beneficiou o Benfica que soube aguentar o caudal ofensivo dos portistas (uma oportunidade em 90 minutos) e aproveitar a conhecida debilidade defensiva “azul e branca”.

Deixar os recuperados Pedro Emanuel e Jorge Costa de fora, não convocar o médio-trinco-mais-trinco que tem no plantel (Raul Meireles), continuar a apostar em Bosingwa e César Peixoto nas laterais são autênticos atentados ao futebol.

Enquanto o senhor Co Adriaanse continuar a achar que o futebol é só atacar, os adversários do FC Porto vão ter muitas razões para sorrir.

Ontem, depois do jogo, dei por mim a pensar que o senhor Adriaanse seria o técnico indicado para o Real Madrid de Florentino Peres com avançados e mais avançados, a ganhar jogos por 6-5 ou 7-0, mas, também, a perder muitos por 3-4 ou 3-0. Puro espectáculo, zero resultados.

Três notas finais: o senhor Co Adriaanse diz que não viu lenços brancos nas bancadas do "Dragão", percebe-se agora porque é que ele não vê a defesa a meter água, o homem tem problemas de visão; as quatro oportunidades do Benfica (dois golos, o remate de cabeça de Simão a rasar o poste e o contra-ataque frustrado 3 contra 1) nasceram do lado direito do ataque “encarnado”, lado esquerdo da defesa portista, onde “estava” César Peixoto; o facto do senhor Adriaanse ter inventado no “11”, com Diego e Quaresma no banco, deu vantagem aos visitantes.

sexta-feira, outubro 14, 2005

Ganhar, ganhar, ganhar (*)

Amanhã joga-se um dos maiores clássicos do futebol português. No “Dragão”, o FC Porto recebe o Benfica.

Vai ser um jogo interessante entre o líder “azul e branco” e uns “encarnados” em recuperação e também entre dois técnicos da mesma escola, já têm antecedentes e com contas a ajustar.

Há algumas baixas de parte a parte, mas não vão obrigar os treinadores a alterar as tácticas habituais.

À equipa do “Dragão” faltam Pedro Emanuel e Jorge Costa (recuperados de lesão, mas sem ritmo competitivo), Helton e Sokota (lesionados há várias semanas), Hélder Postiga, Sonkaya e Raul Meireles por opção.

No Benfica estão de fora Moreira, Alcides e João Pereira (todos por lesão), Nuno Assis e Carlitos por opção.

Assim, no “11” de Adriaanse devem estar Vítor Baia, Bosingwa, Ricardo Costa, Bruno Alves e César Peixoto; Ibson, Lucho e Jorginho (Diego); Lisandro, Quaresma (Jorginho) e McCarthy.

Já no “11” de Koeman vão estar Quim, Nelson, Luisão, Ricardo Rocha (Andersson) e Leo; Petit, Manuel Fernandes, Simão e Geovanni (Karagounis); Miccoli e Nuno Gomes.

Como se percebe esta vai ser, também, uma luta táctica: ao 4-3-3 dos portistas, respondem os benfiquistas com um 4-4-2.

No papel, o Benfica parece ter vantagem já que cobre as áreas do terreno com vantagem numérica (quatro defesas para três avançados, quatro médios para três médios, dois avançados para dois centrais).

Outra luta interessante vai acontecer entre o ataque demolidor dos “dragões”, que atacam com seis/sete jogadores e a defesa “encarnada”, segura, a melhor dos três grandes.

Resumindo, deve ser um jogo ofensivo entre “águias” e “dragões” porque o FC Porto só sabe jogar ao ataque e o Benfica precisa de ganhar para recuperar o atraso.

Este pode ser o jogo certo para o Benfica quebrar a tradição.

(*) Frase celebrizada por Paulo Futre quando chegou ao estádio da Luz e foi recebido por milhares de adeptos.

domingo, outubro 09, 2005

Dúvida Central (III)

Já aqui se escreveu: o FC Porto é "Massacrante" a atacar e "Medíocre" a defender. A equipa tem demasiada “tracção à frente” e quem paga é a “retaguarda”.

Os “dragões” têm cinco defesas centrais no plantel principal: Jorge Costa, Pedro Emanuel, Ricardo Costa, Pepe e Bruno Alves.

Apesar da fartura, o certo é que Co Adriaanse tem tido problemas na estabilização do sector e sofrido muitos golos (bem mais do que era habitual).

O problema da defesa portista alastra às laterais, onde têm estado dois "(in)adaptados" (Bosingwa e César Peixoto), mas isso são erros na construção da equipa que ficam para outra ocasião.

A verdade é que o técnico holandês já utilizou quatro destes cinco jogadores (só o “capitão” Jorge Costa não foi utilizado: primeiro porque o treinador não quis, agora porque está lesionado). Esta “instabilidade central” é sinal de que o próprio senhor Adriaanse tem dúvidas.

Com lugar garantido só parece estar Pedro Emanuel (em breve regressado de lesão), a segunda opção parece ser Ricardo Costa, mas o jovem parece não ter ainda “estaleca” para estas andanças.

Será que o “Bicho” ainda vai ter uma oportunidade? Qual é a melhor dupla?

E pronto, fica também aberto o debate. Quem quiser e souber, que diga de sua justiça e resolva este dilema.

Dúvida Central (II)

O Sporting manteve os dois centrais titulares da época passada, “trocou” Enakahrire por Tonel, “despachou” Hugo e “subiu” Semedo.

À primeira vista é uma melhoria em relação à época passada porque Polga e Beto continuam, Semedo é um jovem com valor, melhor que Hugo, e Tonel é um jogador que dá garantias de qualidade.

Ora, a defesa dos “leões”, apesar disto, continua a “dar umas casas”.

É certo que tem tido problemas de lesões que têm afectado especialmente as laterais (Rogério e Edson estão “fora de jogo”), mas algo também tem falhado na zona central.

Tudo se agrava quando, em minha opinião, o técnico Peseiro inventa.

Neste momento, penso que poucos observadores têm dúvidas que o ex-Marítimo é o defesa-central em melhor forma. Assim sendo, Tonel tem que jogar, apesar de não ter o “peso” dos concorrentes directos na equipa.

A dúvida maior coloca-se então em saber quem deve fazer “parelha” com o português: Beto ou o brasileiro Polga.

Há vantagens e inconvenientes: um é o “capitão” (?!) de equipa e joga descaído para a direita, o outro é internacional, campeão do mundo e joga sobre a esquerda.

Ambos, em forma, são quase intransponíveis. O certo é que essa fase não tem chegado e os erros têm-se acumulado, mesmo na época passada em que o nigeriano Enak foi muitas vezes preterido injustamente.

Mais uma vez, fica aberto o debate. Quem quiser e souber, que diga de sua justiça e resolva este dilema.

Dúvida Central (I)

O plantel do Benfica é curto em várias posições, mas se há zona do terreno em que a equipa está bem servida é no centro do terreno.

Luisão e Ricardo Rocha foram a dupla no ano passado a que se juntam mais dois brasileiros: o internacional Andersson e o jovem Alcides.

Depois dos primeiros jogos oficiais da época, a dúvida mantém-se e tem dividido sócios, adeptos e comentadores: qual é a melhor dupla?

É (quase) consensual que Luisão tem lugar garantido no “onze” de Ronald Koeman. Dando esse facto como adquirido, quem é o “parceiro ideal”?

A dupla Ricardo Rocha/Andersson faz-me recuar alguns anos e – atenção - salvaguardadas as devidas distâncias, recorda-me a melhor dupla de centrais que vi jogar num qualquer relvado do nosso país: Mozer e Ricardo Gomes (*).

Mozer, à “imagem” de Ricardo Rocha, mais físico, impetuoso, impiedoso, faltoso, forte na marcação que Ricardo Gomes que jogava em “bicos de pés”, quase sem fazer faltas, com grande poder de colocação no terreno.

Ora é precisamente nestas e noutras diferenças (Ricardo Rocha é mais rápido que Andersson) que está o dilema (positivo) de Koeman.

Fica aberto o debate. Quem quiser e souber, que diga de sua justiça e resolva este dilema.

(*) Não posso deixar de acrescentar mais dois nomes de excelentes centrais que jogaram de águia ao peito e que marcaram as respectivas gerações: Germano e Humberto Coelho.

Rendimento Mínimo Garantido

Portugal apurou-se para o Mundial 2006, na Alemanha. É a quarta vez que chegamos a uma fase final, a segunda consecutiva.

Sobre a actuação desta noite, nem vale a pena dizer nada, foi mau de mais para ser verdade.

Gostaria só de, nesta altura, falar sobre o seleccionador nacional.

Conseguimos o apuramento, antes de chegar à última jornada e, portanto sem usar a calculadora…

É verdade que sim, mas também estranho seria se assim não fosse. É que é bom que não nos esqueçamos qual foi o grupo que nos calhou em sorte (e aqui a palavra é mesmo esta).

Não estou a dizer que Luiz Felipe Scolari não fez um bom trabalho, juntando até a ida à final do Euro 2004, o que estou a dizer é que podia e devia fazer melhor.

Temos um bom grupo de trabalho, alguns lugares estão muito bem servidos e é precisamente onde há lacunas que seria bom contar com a experiência de um técnico ganhador como Scolari.

Apetece perguntar: quem é a opção para Nuno Valente? Quem joga no lugar de Deco? O que fazer quando Pauleta estiver em crise de golos? Se a táctica habitual (4-2-3-1) não resultar, qual é o “plano B”? Porque jogam atletas sem ritmo competitivo?

Respostas a estas perguntas. Nada… Só teimosia por parte do técnico brasileiro.

Scolari “não liga às pressões” – diz-se. Isso é positivo, mas também é caso para dizer que: “Pior cego é aquele que não quer ver”.

Insistir com Ricardo aconteça o que acontecer no clube e na equipa das “quinas”, dar a titularidade a Nuno Valente e Maniche sem ver (se estão) como estão a jogar nos seus clubes, não dar nenhuma oportunidade, por exemplo, a Miguelito e João Tomás, dar-se ao luxo de deixar de fora jogadores como João Moutinho são alguns dos aspectos que “não lembram ao diabo”.

Obviamente que “no fim das contas” o que interessa são os resultados e aí, o treinador brasileiro tem currículo para “dar e vender”, mas…

Mais perto da convocatória final, falaremos sobre as 23 opções para o Mundial na Alemanha. Scolari disse esta noite que 20 já estavam escolhidos. Pois…

quinta-feira, outubro 06, 2005

Mais tarde ou mais cedo...

Se havia dúvidas, estas deixaram de existir: José Peseiro não tem condições para continuar no comando técnico do Sporting.

A direcção da SAD leonina, apesar do "processo de reflexão e aperfeiçoamento", já estará a fazer contactos com treinadores.

É o próprio Paulo Autuori quem confirma que recusou um convite do Sporting e que vai continuar a treinar o São Paulo.

Ora, posto isto, como vai Peseiro comandar um grupo sabendo que, mais jogo menos jogo, será "chutado para canto"?

Salvaguardadas as devidas distâncias, porque as razões eram outras, estes caso faz-me lembrar a situação de Mourinho no Benfica.

O jovem técnico sabia - todos sabiam - que a nova direcção de Vilarinho, terminada a época, o trocaria por Toni. Mourinho tentou jogada arriscada, pressionou o presidente e acabou por sair.

Agora, Peseiro nem pressionar pode porque, ao que parece, aconteça o que acontecer, o final desta "estória" está definido: técnico fora de Alvalade.

Quem andará a fazer estes contactos em nome do clube de Alvalade? A dupla Andrade/Meireles? O próprio Dias da Cunha?

Terá a direcção "legitimidade" para contratar um novo treinador havendo eleições à porta?

quarta-feira, outubro 05, 2005

Os ratos e a deserção…

É do senso comum: os ratos são os primeiros a abandonar os navios que estão a afundar.

Vem isto a propósito da atitude inqualificável que Paulo de Andrade e Rui Meireles tiveram especialmente para com o plantel principal do Sporting.

Relembremos os factos: os “leões” perdiam em Paços de Ferreira por 2-0 e, a 10 minutos do fim, estes altos dirigentes da SAD “verde e branca” abandonaram o estágio e não saíram com a equipa.

Que exemplo é este dado pelas principais figuras do futebol do Sporting? Que sinal está a ser dado para sócios e adeptos? O que sente o grupo de trabalho (jogadores e técnicos) quando são abandonados pelos “Generais” em pleno “campo de batalha”?

Esta deserção é, em minha opinião, inacreditável, lamentável, vergonhosa, no mínimo descredibilizante para os dirigentes e, se calhar, explica muito do que se tem passado nos últimos meses em Alvalade, incluindo os constantes casos de indisciplina.

O Sporting decretou esta noite um black-out para um "processo de reflexão e aperfeiçoamento”.

Acho bem…

Podiam, talvez, antes de ponderarem a situação do técnico, começar por reflectir se é com dirigentes desta estirpe que querem continuar. Acredito que haja forma de aperfeiçoar o núcleo directivo da SAD.

segunda-feira, outubro 03, 2005

Jogos de "sorte e azar"

Ronald Koeman aproveitou a conferência de imprensa que antecipava o Benfica – Vitória de Guimarães para duas notas: defender José Peseiro e atacar o sorteio da Liga.

Vamos por partes:

1) Peseiro

Diz o técnico holandês que os comentadores exageraram quando disseram, após o Benfica – Sporting, que tudo tinha sido mau para os “encarnados” e que tudo tinha corrido bem para os “leões”, ao mesmo tempo que apenas três semanas depois já estão a dizer que o que a equipa de Alvalade faz é “uma merda”.

Ora, sou obrigado a concordar com Koeman. Não se pode passar do “céu ao inferno”, do “80” para o “8”, em apenas três semanas. Não se pode chamar “bestial” a um técnico e dias depois chamar-lhe “besta”.

A época não se ganha, nem se perde nem à terceira jornada (onde o Benfica estava a oito pontos), nem à sexta. O campeonato tem 34 jornadas.

É certo que Peseiro comete erros, se calhar mais do que devia enquanto técnico de uma equipa de elite como é o Sporting, e gosta de inventar sob pressão (Polga a lateral esquerdo!!!!!), mas não tem todas as culpas.

Para mim, é simples: os maiores culpados são os dirigentes leoninos. Foram os dirigentes do Sporting que mantiveram Peseiro depois do final da época passada, foram os dirigentes leoninos que reforçaram os poderes do técnico depois da saída do director-geral Carlos Freitas, foram os dirigentes leoninos que fizeram as vontades a Peseiro (saídas de Barbosa e Rui Jorge, entradas de Wender e João Alves, por exemplo).

Talvez por isso é que, agora, apesar da tremenda pressão dos sócios, que já não aguentam Peseiro nem pintado a ouro, os dirigentes da SAD (Dias da Cunha, Paulo Andrade e Rui Meireles) não despeçam o treinador.

Talvez estejam os três com vergonha de assumir que foi um erro a permanência do “mister” Peseiro ao comando da nau “verde e branca”.

2) o calendário

Prefiro, obviamente, acreditar que o sorteio da Liga foi legítimo e legal e que, por isso, as críticas de Koeman não fazem nenhum sentido.

O certo é que não deixa de ser surpreendente ou é, apenas, uma grande coincidência que as três deslocações, teoricamente, mais difíceis do Benfica (Sporting, FC Porto e Braga) fiquem entaladas entre paragens do campeonato para as selecções e jogos da Liga dos Campeões.

Azar, dirão. Espero que seja mesmo só isso.

Estas declarações fizeram-me lembrar José Mourinho que, quer no ano passado, quer este ano, se queixou alto e bom som do calendário inglês e de “coincidências” deste género que sistematicamente beneficiavam o Arsenal em relação ao Chelsea.

domingo, outubro 02, 2005

Selva(jaria)

O ambiente anda quente em Alvalade devido aos últimos (maus) resultados da equipa de futebol e ontem a Assembleia Geral teve momentos de grande tensão.

Os alvos prioritários dos “adeptos” sportinguistas foram, como é hábito nestas alturas, os jornalistas.

Os profissionais da comunicação social foram agredidos verbal e fisicamente por um grupo de participantes na reunião magna dos “leões”.

O que se passa no futebol verde e branco pode ter vários culpados, os jornalistas não estão, seguramente, incluídos nesse lote.

Se os sócios do clube estão descontes têm todo o direito de o exprimir livremente na Reunião Magna do clube, podem até exigir à direcção que tome determinada atitude, não podem é perder toda e qualquer razão passando à agressão.

Gostaria, já agora, de realçar a atitude corajosa de Dias da Cunha neste caso específico.

Primeiro o presidente do Sporting pediu desculpa pelas atitudes dos “adeptos”, admitiu que só aturava cenas daquelas por amor ao clube e depois fez a “escolta” dos jornalistas já de madrugada para que mais nada lhes acontecesse.

Os lenços e a chantagem (*)

Co Adriaanse volta a mostrar a sua "forte personalidade" (para não dizer arrogância) e deixa um sério aviso aos sócios: “Se me quiserem fora do clube basta que me mostrem lenços brancos”.

O técnico holandês reafirma que a direcção do FC Porto sabe quem contratou, as suas características, a sua forma de ser e de jogar. Assim sendo, garante que não vai mudar a forma de jogar da equipa e não vai fazer como outros treinadores e jogar defensivamente.

A Adriaanse há vários ditados portugueses que parecem aplicar-se: “Antes quebrar que torcer”, “Ou és por mim ou és contra mim”, “Quem está mal, mude-se”.

Só o futuro dirá se o técnico vai levar a sua “teoria fundamentalista” até ao fim, entenda-se até à “vitória final”, mas uma coisa é já certa: não é ele que vai mudar.

O “velho” Pinto da Costa (não o da época passada) daria toda a cobertura ao senhor holandês, vamos ver o que acontece se as derrotas inesperadas continuarem a acontecer. O que farão os sócios perante a chantagem do técnico?

Entretanto, na reacção à derrota com o Artmédia, Adriaanse reafirmou que não vai mudar o sistema de jogo, apontou vários erros dos jogadores (e nenhum seu), mas admitiu que a equipa defende mal (segundo o “mister”, no “11”, só três jogadores têm apetência defensiva e os outros vão ter que ser “educados”).

Folgo em saber que o senhor Co anda a leu o posto da “M & M”.

(*) Ainda bem que a sede do FC Porto não é em Fátima :-)

Varridela

Foi uma má semana europeia para os clubes portugueses e repleta de surpresas. Só o Vitória de Guimarães salvou a “honra do convento”.

As derrotas de FC Porto e Sporting são autênticos “case studies”, que já abordamos e, por isso, não vale mais a pena “bater no ceguinho”.

O certo é que foram seis pontos do ranking da UEFA que foram ao ar incrivelmente.

Já a derrota do Benfica foi estúpida porque os “encanados” podiam e deviam ter trazido um melhor resultado de Old Trafford.

A “coisa” só não foi pior porque Villareal e Lille empataram.

O Sporting de Braga empatou, mas fez um grande jogo e merecia claramente ter ganho. As lesões dificultaram a vida a Jesualdo Ferreira, mas há o lado positivo: os arsenalistas ficam mais livres para a Liga.

Pena só mesmo as cenas lamentáveis de final de partida. Seguramente virá aí a mão pesada da UEFA.

O Vitória de Setúbal acabou eliminado, como se esperava, mas “caiu de pé” e esteve perto de forçar, pelo menos, ao prolongamento em Itália.

Assim, só o Guimarães conquistou os três pontos, com uma vitória na Polónia e pode ter iniciado a recuperação anímica que precisa para o campeonato.

Feitas as contas, das seis equipas sobram três e Portugal é ultrapassado pela Alemanha no “ranking” da UEFA. Acaba por ser normal e o sexto lugar até nem é nada mau.

Esperemos que a próxima jornada traga mais pontos e contos.

sábado, outubro 01, 2005

Outras bolas (2)

Como já tinha avisado, este blog não é só sobre futebol e, por isso, cá fica mais um apontamento de outra modalidade.

Tiago Monteiro terminou a época de Fórmula 1 com um balanço extremamente positivo.

Ao volante de um “Jordan”, um dos piores carros do “Circo”, o piloto português suplantou todas as expectativas.

· Conseguiu, na maioria da temporada, ficar à frente de Narain Karthikeyan, o colega de equipa, e, obviamente, dos Minardi.
· Bateu o recorde do melhor “rookie” no que diz respeito às provas terminadas. Tiago Monteiro só não terminou uma das 19 etapas.
· Fez pontos em duas provas: Estados Unidos e Bélgica

Não tem ainda confirmada a presença na próxima temporada mas, uma coisa é certa, merecia estar entre os “20 mais”.

sexta-feira, setembro 30, 2005

Crédito e Débito (*)

O Sporting foi, esta noite, humilhado em casa diante do Halmstads e fica fora da Taça UEFA.

Contra uma equipa acessível, a quem tinham ganho na Suécia, os “leões” desperdiçaram e acabaram derrotados, com mais uma má exibição e um coro de assobios no final.

No final, José Peseiro veio assumir as responsabilidades pela derrota, pedir desculpa aos sócios e dizer que achava que tinha condições para continuar.

O jogo de hoje em Alvalade teve pelo menos um lado positivo: obrigou o treinador a baixar a “juba” e a mostrar alguma humildade.

Era fatal como o destino: aquelas tristes declarações após o Sporting – Setúbal e a substituição de Liedson iam atingi-lo, como se fossem um “boomerang”.

“Os sócios assobiaram-me mas eu acho que tenho crédito e não em débito para com eles” – foi algo assim que Peseiro disse.

Ora, a justificação do técnico tinha a ver com o “bom jogo da equipa na época passada e as boas campanhas na SuperLiga e na Taça UEFA”.

A modéstia é algo que fica bem a todos, especialmente a quem – apesar das “boas campanhas” – ainda NADA ganhou e este ano já ficou fora de jogo na Liga dos Campeões e da Taça UEFA.

Só umas últimas notas para o jogo desta noite:

· Nelson fez duas defesas de “outro mundo” mas falhou no segundo golo
· Paíto não é jogador para ser titular do Sporting
· Tonel não merecia ter saído da equipa
· João Moutinho está a pregar no deserto
· Os “leões” não estão adaptados ao 4-3-3

(*) Peseiro esqueceu-se de actualizar o saldo da conta. Vamos ver se o divulga após o jogo frente ao Paços de Ferreira.

M &M

O FC Porto é quase Massacrante a atacar, mas é Medíocre a defender – isso mesmo ficou provado no jogo diante do Artmédia.

Co Adriaanse vive num mundo só dele e esquece-se que o futebol é um jogo feito de equilíbrios.

Quem joga para ao ataque arrisca-se a vencer mais vezes que os adversários que não o fazem – é verdade – mas também é verdade que sem uma boa defesa, dificilmente se conquistam títulos.

Os “dragões” podiam ter esmagado o Artmédia, tal é o caudal ofensivo da equipa, mas a verdade é que os “azuis e brancos” não sabem defender, defendem com muito poucos e têm lacunas sérias no sector.

A táctica do holandês é tremendamente ofensiva e isso é bom para a vista, mas os sócios portistas, antes do espectáculo, devem querer vitórias.

Mais uma vez volto ao exemplo Mourinho só para dizer que as suas equipas, antes de tudo o resto – que é muito – são fortíssimas a defender.

Voltemos ao FC Porto de Co Adriaanse e atentemos no seguinte:

· Os dois defesas laterais são adaptações (Bosingwa é médio defensivo, César Peixoto é extremo-esquerdo) e, por isso, tem pouca rotina de lugar, o que dificulta em termos defensivos.
· Os dois médios centro (Ibson e Lucho) não são “trincos”, vão trocando de posição entre si (mais atrás ou mais à frente), dando grande ritmo ofensivo à equipa, mas nenhum é um “Costinha”. Mais uma descompensação defensiva.
· Os centrais não dão a segurança necessária, a segurança a que o Porto e Baia estavam habituados. Ricardo Costa ainda é muito novo, Pedro Emanuel está lesionado e falta a voz de comando do “capitão”, que também já não tem pernas
· Os extremos (Quaresma e Jorginho) não são propriamente conhecidos pelo seu a-vontade e pela sua vontade de defender.
· O ataque está a falhar muitas oportunidades, o que se nota mais quando a equipa começa a sofrer golos.

Ora isto tudo somado explica os seis golos sofridos na Liga dos Campeões e os zero pontos conquistados até agora.

Na Liga interna, a “coisa” vai dando porque, enfim, é o campeonato que temos.

Co Adriaanse diz que se sente envergonhado pela derrota frente aos eslovacos mas também já disse que não vai alterar a estratégia.

O homem é teimoso, mas eu acho que se ele quer continuar a jogar assim tem que descobrir dois laterais que defendam e um central que comande a defesa.

O mercado reabre em Janeiro, até lá, os adversários vão rezar para que as baldas na defesa continuem e os falhanços no ataque também.

Quem não arrisca…

Todos os que habitualmente acompanham o futebol sabem que, na esmagadora maioria dos casos, quem jogo para empatar perde.

Foi isto que aconteceu ao Benfica em Manchester. Faltou vontade de arriscar, para ganhar.

Diante de um Man United “meia dose”, só com seis titulares em campo, os “encarnados” perderam o jogo e perderam uma ocasião soberana para quebrarem o enguiço do Old Trafford.

A equipa até entrou bem, criou duas grandes ocasiões de golo (Miccoli e Ricardo Rocha) e foi controlando o jogo até ao lance do golo da equipa da casa.

Na segunda parte, o Benfica voltou a entrar bem, empatou com um grande golo e tudo parecia encaminhado para os portugueses irem à procura dos três pontos.

Foi aqui que Koeman falhou: ao tirar Miccoli e não Beto (que fez uma exibição miserável), o treinador holandês deu a entender ao resto da equipa e ao adversário que ia defender.

Ora, convidado a atacar, o Manchester fê-lo e marcou na marcação de um canto naquela que terá sido a única falha da defesa “encarnada” durante todo o jogo.

As substituições, em desespero, a cinco minutos do fim, já nada resolviam… e lá se foram os três pontos, ingloriamente.

O Benfica entrou em campo com duas “novidades”: Ricardo Rocha no lugar de Andersson e Beto no lugar do tocado Geovanni.

Na defesa a minha primeira reacção foi de susto: “Mas, está a sair o mais sereno e menos faltoso defesa do Benfica”. Acabei por me lembrar que o português é mais rápido que o brasileiro e rezei para que houvesse poucas faltas.

Luisão e Rocha foram grandes diante de Van Nistelrooy e “só” falharam em dois lances: um deu golo, o outro deu bola na barra.

No meio campo, a reacção foi de perplexidade: “Porque raio, vai o Koeman voltar a adaptar o Beto à direita, quando tem Geovanni e João Pereira?”.

A minha apreensão foi-se agravando com os minutos a passar. Beto não é meio direito – já o sabia – o que desconhecia – porque é só nos grandes jogos que se vê quem tem “estaleca” – era que o ex-Beira-Mar treme como varas verdes nos grandes palcos.

No mini-campeonato da Champions só não se complicou porque, no outro jogo do grupo, aconteceu um empate.

Os dois jogos com o Villareal vão ser absolutamente decisivos.

domingo, setembro 25, 2005

“Deixem-nos sonhar!”(*)

O Benfica vai jogar terça-feira no “Teatro dos Sonhos” frente ao Manchester United na segunda jornada da Liga dos Campeões.

Os “encarnados” vão, agora sim, voltar aos verdadeiros palcos da Europa, onde sempre deviam ter estado, defrontando uma das grandes equipas da Europa e do Mundo.

Na actual conjuntura este é, seguramente, o jogo mais fácil do Benfica em toda a época.

As razões são claras e objectivas: a equipa da Luz vai jogar contra uma fortíssima equipa em Old Trafford; o Benfica não é, obviamente, favorito e, se perder, é um resultado “normal”; a equipa de Koeman tem três pontos da primeira partida frente ao Lille; tudo o que vier para além disto é lucro (de prestígio, desportivo e monetário).

Em teoria, o Benfica não terá grandes hipóteses porque continua a ter um plantel curto e inexperiente que, ainda por cima, tem jogadores "nucleares" em baixo de forma: os quatro habituais do meio-campo são exemplo disso.

Esperemos que, em Inglaterra, a equipa portuguesa possa, pelo menos, contar com o Miccoli dos jogos europeus e o Nuno Gomes dos últimos jogos nacionais.

(*) Como sabem esta frase foi celebrizada pelo “Bom Gigante” quando era seleccionador nacional… É nesta altura em que José Torres atravessa uma fase difícil da sua vida que quero lembrar o grande jogador que foi de “águia” ou de “quinas” ao peito. Um abraço.

quarta-feira, setembro 21, 2005

Outras bolas…

Este blog não é só sobre futebol e, por isso, sempre que se justificar, vamos trazer aqui outros desportos. Hoje, o basquetebol merece atenção.

Em primeiro lugar, é de felicitar a basquetebolista Ticha Penicheiro que alcançou um feito histórico para si e para Portugal.

A base das Sacramento Monarchs conseguiu, depois de oito épocas na WNBA, o principal campeonato de “basket” feminino do mundo, o título maior da prova.

Para além disso, a portuguesa é a campeã das assistências na Liga e participa todos os anos no “All Star Game”.

É sem dúvida impressionante a grande campanha da jogadora nacional que jogava no Santarém.

Em segundo lugar, gostaria de dar os parabéns também ao Benfica por ter feito justiça para com o “Eusébio do basquetebol português”.

Depois de alguns anos afastados, por razões mais ou menos incompreensíveis, os “encarnados” e Carlos Lisboa chegaram a um acordo e o antigo “camisola 7” vai liderar a nova estrutura profissional do clube para a modalidade.

Há símbolos e referências que é fundamental saber preservar a bem do passado, mas também do futuro dos clubes.

A fava

Alguém tinha que ser o primeiro e a “fava” calhou a Rui Rodrigues, mais conhecido por “Juca”, que deixou de ser o técnico do Marítimo.

Este treinador, que passou de provisório a definitivo na época passada, não aguentou agora mais do que quatro jornadas, dois empates e duas derrotas.

Já tinha ficado surpreendido por Juca ter assumido o cargo de técnico principal no ano passado e, mais surpreendido fiquei, por ter começado esta época.

Registo o facto do próprio Carlos Pereira, presidente do clube, também ter tido dúvidas porque, recordo, o Marítimo foi o último dos 18 clubes a confirmar a equipa técnica.

Confesso que ainda vi pouco este Marítimo, versão 2005/06, mas há dois aspectos que me saltam à vista e me causam alguma impressão:

1) Como é possível que os insulares joguem sem um único português no “11” titular?

Obviamente, que este caso não é seguramente único em todo o mundo, mas não é por isso que não deixa de ser criticável. A lei “Bosman” permite que isto aconteça, mas deveria ser obrigatório haver uma quota de jogadores nacionais.

2) Como é possível que o quarto orçamento da Liga profissional desbarate assim o dinheiro de todos nós.

Sim, porque o dinheiro que o Governo regional da Madeira lá coloca é dos nossos impostos e, eu, por mim, não aceito andar a pagar equipas de futebol. No entanto, se, por absurdo, isso tem que acontecer – nem que seja indirectamente – então, tenho que exigir bons resultados e vitórias.

Para além da queda de Juca, também o treinador da União de Leiria está na “corda bamba”. José Gomes é jovem e não tem currículo e, por isso, a pressão para “mostrar serviço” é maior.

O futebol que temos…

Depois do “caso Miguel”, aí está a segunda versão do “Perdoa-me”: para manter o cargo, Norton de Matos teve que vir explicar as suas palavras depois de ter denunciado ordenados em atraso no Setúbal.

Todo este caso levanta-me várias inquietações:

1) Como é possível que um clube profissional da Liga já tenha dificuldades de tesouraria à quarta jornada?
2) Como é possível que o senhor Chumbita, presidente do clube, não se justifique perante os atrasos nos ordenados e, ao mesmo tempo, admita despedir um treinador só porque este faz um alerta sério?
3) Como é possível que ninguém da Liga profissional se pronuncie sobre isto?
4) Será que Norton de Matos devia ter-se prestado a este papel?

Pode questionar-se se um atraso de 10 dias nos salários (parece que é mais ou menos isso que está em causa) já justificava um alerta pública por parte de Norton de Matos.

Eu, por mim, penso que sim… quem trabalha merece receber aquilo que lhe é devido e foi prometido (os prazos são para ser cumpridos). No entanto, já acho duvidoso que seja positivo que um treinador tenha que se rebaixar para continuar no Bonfim.

Por outro lado, é bom que não nos esqueçamos que este mesmo técnico vem de uma experiência “traumática” no Salgueiros, que terminou como se sabe.

Todo este caso tem, desde já, um lado positivo e um outro negativo: com esta atitude, Norton de Matos “ganhou” o balneário, mas fica com a direcção à perna que não vai perdoar qualquer deslize.

Estamos em Setembro e já se fala em ordenados em atraso. Como estaremos em Dezembro ou em Março ou no final da época?

Quantos outros clubes dos campeonatos profissionais estarão nas mesmas condições do Vitória de Setúbal.

Já agora só mais uma dúvida: o que fez a SAD sadina ao dinheiro das transferências que realizou no final da época passada?

Não terá, seguramente, gasto tudo em novos jogadores, porque a esmagadora maioria dos que contratou vieram de escalões inferiores, a preços acessíveis.

“A fome e a vontade de comer”

Faz hoje cinco que José Mourinho se estreou como técnico profissional. O Benfica teve o privilégio de apadrinhar este treinador, infelizmente não o soube aproveitar.

Quando chegou à Luz a dúvida era geral. O jovem técnico ia estrear-se no comando técnico de uma equipa profissional e era logo o Benfica.

Foram poucos meses, mas o certo é que os “encarnados” melhoraram e, com um bando de miúdos (onde estavam, por exemplo, Miguel, Maniche e João Tomás), estava a ser formada uma equipa.

Tudo terminou de forma intempestiva após um Benfica – Sporting, em que a equipa de Mourinho venceu por 3-0.

Na direcção já estava Manuel Vilarinho, que teria um pré-acordo com Toni para o final da temporada. Mourinho, inchado, arrogante e plenamente convencido daquilo que podia e sabia (como hoje se comprova) foi exigir, logo ali, a renovação do vínculo. O Benfica não aceitou e José Mourinho saiu.

O técnico passou pela União de Leiria e fez um grande trabalho, o que chamou a atenção do FC Porto. Nos “dragões” o êxito foi total (Campeonatos, Taças nacionais e internacionais e a inimaginável Liga dos Campeões).

A partir daqui, saiu-lhe o “jackpot”. Um dos clubes interessados no treinador português foi o “poço sem fundo” chamado Chelsea. Assim se completou a dupla ideal: “a fome com a vontade de comer”.

A Premier League já lá está, as Taças também. Fica a faltar a “Champions”.

Após estes cinco anos, já não há dúvidas: o homem é mesmo o melhor do mundo, é “the special one”, como lhe chamam os ingleses.

Títulos atrás de títulos, recordes atrás de recordes e unanimidade total quanto à qualidade técnica, táctica e de gestão de grupo do Zé.

A contratação de Mourinho terá sido, seguramente, a única coisa que Vale e Azevedo fez de positivo enquanto presidente do Benfica.

Será que hoje os dirigentes “encarnados” estão arrependidos de não terem respondido afirmativamente à “chantagem” de Mourinho?

Apesar de tudo, continua a achar que “valores mais altos se levantam”…

domingo, setembro 18, 2005

Falta de chá

Há uns dias elogiei Co Adriaanse, agora sou obrigado a criticá-lo porque “quem anda à chuva molha-se”.

Não sei se é de estar inchado das vitórias no campeonato ou de ter digerido mal a derrota frente ao Rangers, o certo é que o “mister” portista perdeu a cabeça.

É óbvio que a nossa Liga não é a melhor do mundo (e Adriaanse, enquanto “profissional de topo”, deveria saber disso), os jogos são muito faltosos, há muita polémica na arbitragem, a organização é feita com os pés, há poucos jogadores de classe internacional…

Tudo isso já sabemos e não precisamos que o treinador dos “dragões” nos venha dizer que está “muito preocupado com o futebol português” porque não dá espectáculo e não marca golos.

O homem não se pode esquecer que nos últimos anos, FC Porto e Sporting chegaram a finais europeias e que a Selecção é vice-campeã da Europa.

Não é suficiente – talvez – mas é seguramente mais do que fez a Holanda do senhor Co.

Como elogio, alguns já compararam Adriaanse a Mourinho… Cuidado com as precipitações. É que, arrogante por arrogante, eu prefiro os arrogantes que ganham.

Parece-me bem que o treinador do FC Porto tente “disciplinar” McCarthy e Quaresma, se acha que isso é em benefício do grupo de trabalho. Já me parece absolutamente dispensável que venha tentar mostrar-se superior em relação aos “comuns mortais” dos coitadinhos dos portugueses e nos dê lições de moral.

Caceteiros

O Vitória de Guimarães tem dois “jogadores” que abomino. Acho que o que eles fazem em campo não é jogar à bola, é simplesmente dar porrada em tudo o que mexe.

Flávio Meireles e Moreno são “jogadores” treinados por Jaime Pacheco. Ora, esta combinação é explosiva e juntou-se a “fome” com a “vontade de comer”.

Vão ser seguramente raros os jogos em que, pelo menos um destes dois elementos, não leve o “amarelo”.

Pior que a colecção de cartões no final das 34 jornadas, pode ser o facto destes dois “jogadores” poder também enviar uma mão cheia de jogadores para o “estaleiro”.

O último exemplo é Delibasic. O avançado do Sporting de Braga sofreu uma entrada de Moreno e vai ficar, pelo menos, quatro meses a ver a “bola” pela televisão.

Quero acreditar que o "jogador" vimaranense não fez de propósito, mas o certo é que a atitude (extremamente) agressiva é recorrente e, desta vez, teve mesmo consequências graves.

É nestas ocasiões que me lembro sempre da dupla João Pinto – Paulinho Santos. Foi caso único, mas podia e devia ter feito jurisprudência: o médio do FC Porto ficou sem jogar durante as semanas em que o avançado do Benfica esteve ausente.

No caso mais recente, o Braga ficou sem o avançado, mas não consta que Moreno tenha sofrido qualquer penalização.

Só as imagens do lance já arrepiam, agravadas com a confirmação da lesão… é caso para perguntar: Se o regulamento existe porque não é mais vezes utilizado?

sábado, setembro 17, 2005

“A táctica é ganhar”

Ronald Koeman fez esta declaração antes da partida com o Lille para a Liga dos Campeões.

O treinador dos “encarnados” tem razão ao reforçar que, no fim de contas, o importante são os três pontos em qualquer jogo, mas não é verdade que a táctica seja irrelevante.

Aliás, o próprio técnico holandês reconheceu isso mesmo ao deixar o 3-4-3, com que vinha a jogar, para actuar em 4-4-2, que se adapta muito melhor às características dos seus jogadores.

Na abertura da Champions, Koeman juntou a táctica à vitória frente aos franceses do Lille.

É verdade que não fez mais que a sua obrigação contra o adversário mais fraco do grupo, mas também é verdade que, com os melhores jogadores, nas posições correctas, a equipa melhorou.

Por outro lado, há que lembrar também que todas as grandes equipas têm um sistema definido e dificilmente o alteram, pelo menos, de início.

Eurolândia

Devido a dificuldades de agenda, só hoje me é possível comentar a semana europeia.

O FC Porto perdeu frente aos escoceses do Glasgow Rangers por 3-2 e desperdiçou uma boa oportunidade de começar, desde já, a garantir um lugar na fase seguinte da Liga dos Campeões.

Os “dragões” eram favoritos e em campo mereciam outro resultado, mas uma defesa que sofreu golos a mais, um ataque que marcou golos a menos e um árbitro que se enganou demais impediram que isso acontecesse.

Em princípio, os Rangers são o adversário directo dos portistas para o apuramento o que torna este resultado ainda mais negativo.

Obviamente que a qualificação continua a ser possível, mas já vai ser preciso fazer umas continhas ou ir ganhar a Itália.

Já o Benfica fez o que tinha a fazer: ganhar em casa ao adversário mais acessível do grupo.

Koeman, desta vez, não inventou, colocou os jogadores “en su sítio” e teve a sorte de ter tido um golo na melhor altura possível.

A exibição de Miccoli deixou “água na boca” e o entendimento com Nuno Gomes ainda pode melhorar.

O Vitória de Setúbal defrontou uma equipa manifestamente superior, mas não deslustrou.

É certo que o empate a uma bola em casa diante da Sampdória deixa a eliminatória complicada, mas tudo pode ainda acontecer. No entanto, os “sadinos” não se podem deslumbrar até porque a prioridade tem que ser a Liga interna e não a UEFA.

Quem também empatou foi o Braga mas em Belgrado. É, em teoria, um bom resultado diante do experiente Estrela Vermelha.

Os “arsenalistas”, que estão a dar cartas a nível interno, já mostram argumentos à Europa e podem chegar à fase de grupos se conseguirem uma vitória em casa.

A lesão grave de Delibasic pode complicar as contas a Jesualdo Ferreira, mas o plantel parece ter soluções.

Na Suécia o Sporting cumpriu a obrigação de ganhar ao último classificado do campeonato, apesar de ter actuado em regime de “rendimento mínimo”.

As estreias a titular de Wender e João Alves foram positivas e o jogo da segunda mão vai servir para cumprir calendário e para a goleada.

No último jogo da noite, o Guimarães renasceu das “cinzas” e conseguiu uma vitória importante diante dos campeões polacos.

Diante do Wisla Cracóvia, Jaime Pacheco fez várias alterações no “11” e a equipa parece ter gostado das “novidades”.

O golo do “Zidane da Tunísia” é um monumento que devia ser classificado pela UNESCO como património mundial.

Resumindo, para as nossas contas na UEFA, a “coisa” não correu mal: Benfica entrou a vencer na Champions, Sporting, Guimarães e Braga estão com um pé na fase de grupos da UEFA.

domingo, setembro 11, 2005

Jackpot

Foi o próprio Co Adriaanse que o admitiu no final da partida frente ao Rio Ave: “Este é um cenário de sonho para um treinador”.

Quando uma equipa vence, no final do jogo, por 3-0 com todos os golos a serem marcados pelos jogadores que saíram do banco, qualquer técnico se pode dar por muito satisfeito.

O FC Porto pressionava o Rio Ave mas tardava em marcar. Arriscando tudo, entraram Hugo Almeida, Quaresma e Alan que se juntaram a Sokota e Jorginho.

Como diria Quinito, “toda a carne foi colocada no assador” e, em sete minutos (entre os 87 e os 94 minutos), passou-se de um cenário de “dois pontos perdidos” para o limiar da goleada.

Quaresma marcou um grande golo, um golo “à Quaresma” de pé direito, no lado direito e, a partir daqui, tudo foi fácil com Alan e Hugo Almeida a também "molharem a sopa".

É certo que os “dragões” não tiveram um início de Liga complicado e até nem têm jogado muito, mas uma coisa é certa: já se nota uma evolução e os 26 remates feitos ontem são a prova disso.

Adriaanse pode ainda não ter toda a segurança defensiva que deseja, mas como é, parece ser, um técnico de ataque “isso” fica para “segundas núpcias”.

Aliás, o holandês não foi de modas e já chegou a dizer que ganhar em casa por menos de três é um mau resultado.

Ontem cumpriu e, para já, Adriaanse parece satisfeito: “O FC Porto fez boas escolhas no defeso. Tenho muitas opções: jogadores altos, baixos, de equipa, mais individualistas... óptimas alternativas para responder às adversidades e exigências dos jogos e que só complicam a vida aos adversários”.

Fora das quatro linhas, o ex-técnico do AZ Alkmaar também continua a marcar pontos: depois de ter “despachado” Leo Lima está, agora, a tentar “domar” o sul-africano Benni McCarthy (ou o seu empresário) e a “ensinar” Quaresma a ser colectivo.

Não sei se os “azuis e brancos” vão ganhar a Liga, o que sei é que têm muitas opções no plantel e parecem ter um técnico preparado para conduzir esta nau.

Duvido que os outros Grandes possam dizer o mesmo…

Pior era impossível…

Está confirmado: o Benfica consegue esta época o pior início de campeonato de sempre. À terceira jornada tem 1 ponto em nove possíveis.

No entanto, o que é para mim ainda mais preocupante é a instabilidade táctica da equipa e a falta de fio de jogo.

É certo que a expulsão de Ricardo Rocha foi decisiva, mas as substituições (entrada de Beto para lateral-direito e de Alcides para central) são elucidativas.

Ronald Koeman voltou a insistir nos três centrais quando parece óbvio que a equipa não está rotinada com essa táctica, especialmente os laterais, que são absolutamente decisivos nesse sistema.

Não se pode jogar - e querer ganhar - sem treinar e criar aquilo que os treinadores chamam de "automatismos".

Resumindo, vamos lá ver se nos entendemos: o Nelson não é defesa esquerdo, o Beto não é defesa direito, Carlitos não é jogador para ser titular do Benfica, o Miccoli não é ponta de lança, o Simão não pode fazer tudo…

Por outro lado, não percebo como é possível que Karagounis faça um treino e jogue a titular frente ao Sporting, como é possível que Miccoli treine uma semana e jogue a titular, como é possível que Nelson chegue do Boavista, faça dois ou três treinos e jogue a titular fora da sua posição, como é possível que Leo vá para o banco e não seja opção quando falta um defesa esquerdo.

Há situações que não se entendem: como é que um treinador do Benfica muda de táctica três vezes no mesmo jogo? Como é possível que o Benfica, depois de quatro jogos oficiais, ainda não tenha uma táctica definida?

Esta noite, só no último quarto de hora, já em desespero, os “encarnados” se encheram de brio e vieram para a frente arriscando e criando oportunidades, mas já era tarde.

O Benfica tem agora dois jogos fundamentais em que é obrigatório conseguir duas vitórias: contra o Lille para a Liga dos Campeões e com a União de Leiria para a Liga.

Cheira-me que o “kit de sócios” vai ter um novo produto: lenços brancos.

sábado, setembro 10, 2005

Aí, se ele cai…

Esta noite há “derby” em Lisboa. No Alvalade XXI defrontam-se os adversários de sempre e a expectativa é grande. Koeman parece “fora de jogo”.

É certo que ainda só vamos na jornada três da Liga, mas a actual conjuntura torna este jogo já (quase) decisivo para um dos intervenientes.

Se o Benfica perder fica a oito pontos da frente e faz o pior arranque de campeonato de sempre. O Sporting pode fazer o pleno (9 pontos) e esquecer, definitivamente, o início de época do ano passado.

É curioso como os papéis dos dois vizinhos da Segunda Circular se trocaram de uma época para a outra, mas os “cenários” futuros ficam para próximos posts.

Vamos agora só fazer uma previsão daquilo que se poderá passar logo à noite.

Antes de mais – confesso - este é um dos clássicos que mais dúvidas me deixa em relação às equipas a apresentar, especialmente no que diz respeito ao Benfica.

Por várias razões: primeiro porque estamos, ainda, em princípio de época, depois porque chegaram reforços de última hora e o campeonato esteve parado para a selecção e, por fim, porque – no que diz respeito aos “encarnados” – parece haver ainda dúvidas do treinador quanto à táctica certa a utilizar.

Nos “leões”, já se sabe, não jogam Ricardo (em descanso), Beto, Edson e Custódio (lesionados) e podem estrear-se Wender e João Alves.

Nos campeões nacionais estreiam-se Karagounis e Miccoli e falta Petit, por lesão.

Entretanto, ontem, Peseiro confirmou a titularidade de Sá Pinto, que vai capitanear a equipa da casa.

Posto isto, o Sporting deve entrar em campo com uma táctica nova (4-3-3): Nelson, Rogério, Polga, Tonel e Tello, na defesa; Luís Loureiro, João Moutinho e Sá Pinto, no meio-campo, e um trio de ataque com Liedson no centro, Douala, na direita, e Wender na esquerda.

Pode, no entanto, o técnico leonino manter o 4-4-2 e aí haveria troca de brasileiros com Deivid a entrar para o lugar de Wender e Douala a jogar mais atrás.

Já no Benfica, as interrogações são maiores. Por um lado, é necessário não esquecer que Ronald Koeman andou, toda a pré-temporada e primeiros jogos oficiais, a jogar em 4-2-3-1 mas, de repente, contra o Gil Vicente, em casa, alterou tudo e jogou numa espécie de 3-4-3, que mais parecia um 3-4-2-1 (com Simão e Nuno Assis atrás de Nuno Gomes).

A equipa entrou bem, até porque a equipa de Barcelos ficou baralhada, mas acabou por perder o jogo.

Agora, apesar disso, o técnico holandês parece disposto a insistir nesta táctica e, ao que dizem os jornais de hoje, a arriscar nos dois novos jogadores logo de início.

Moreira na baliza; Andersson, Luisão e Ricardo Rocha, na defesa; Nelson, Manuel Fernandes, Karagounis e João Pereira (ou Leo) no meio campo; Simão à esquerda, Micolli no centro e Carlitos (?) na direita.

Ora, partindo do princípio que é este o “onze” e já dando de barato a titularidade de Carlitos no lugar de Geovanni (que, há primeira vista, não faz sentido), há outra coisa que salta à vista:

Se o Sporting actuar em 4-3-3, como parece, a táctica de 3-4-3 do Benfica parece-me completamente errada. Lembro-me sempre de um jogo que a equipa de Souness foi fazer às Antas contra o FC Porto de Jardel, Drulovic e Capucho (salvo erro) em que passou o jogo todo a “apanhar bonés” com três centrais.

E não é preciso ser nenhum génio para perceber porquê. Basta pegar numa folhinha e fazer o desenho táctico das equipas para perceber que, dificilmente, estas duas tácticas podem ser “compatíveis”.

A confirmar-se, o Benfica terá três centrais a marcar um único ponta de lança e ninguém, directamente, a marcar os dois extremos – a não ser que recue os alas e, aí, fique com gente a mais na defesa e gente a menos no meio campo (2 “encarnados” contra 3 “verdes”). Enquanto isso, o ataque estaria a “dar-se” à defesa “leonina”: três avançados contra quatro defesas.

Koeman tem que vencer este jogo, sob pena dos “lenços brancos” começarem a surgir, e parece disposto a arriscar tudo: táctica “maluca” e jogadores sem treino de equipa.

José Peseiro tem, para além de cinco pontos de avanço e de jogar em casa, a vantagem de ter a táctica e a equipa mais estabilizadas.

O Sporting é – por tudo isto – claramente favorito.

domingo, setembro 04, 2005

Nas teias da lei…

Miguel já está no Valência, depois de ter custado ao clube “che” oito milhões de euros, mas o caso ainda não foi dado por encerrado pelo Benfica.

Os “encarnados” vão, agora, levar o assunto para os tribunais civis e exigem ao jogador mais dois milhões de euros.

Luís Filipe Vieira não perdoa ao antigo lateral direito da Luz, nem aos dois senhores que o acompanharam neste imbróglio (Paulo Barbosa e Dias Ferreira).

Uma das bases da argumentação do Benfica é o parecer da Comissão Arbitral Paritária que deu, por unanimidade, razão ao campeão nacional.

Este é um caso que interessa não só ao Benfica, mas também a todos os clubes e jogadores. O que ficar decidido vão fazer “estória” e marcar as futuras relações entre as partes.

Não se pode assinar e depois dizer que não se assinou, não se pode dizer que não se assinou e depois apresentar propostas para venda, não se pode querer sair a qualquer preço.

É também altura dos jogadores terem atenção a quem entregam as suas vidas desportivas. Alguns “empresários” e “especialistas” não querem saber dos atletas, querem saber, tão só e apenas, dos euros.

SIM ou (n)ÃO

No último dia de transferências do mercado de Inverno, o campeão europeu ofereceu 18 milhões de euros ao Benfica por Simão. Os “encarnados” queriam 20 e recusaram.

A dúvida é: Vieira e Veiga fizeram bem ou mal ao não terem vendido o "capitão" por esta verba elevada (bem superior aos 12 milhões que o jogador custou)?

Seguramente que a opinião não é unânime, nem sequer entre os sócios e adeptos do Benfica, os mais inquietos nessa quarta-feira louca.

Em minha opinião – e mesmo correndo o risco de nunca mais haver uma proposta tão elevada – o Benfica fez bem ao aguentar o extremo.

As razões são várias: não só porque Simão é um jogador fundamental no esquema da equipa (Trappatoni dizia “Graças a Deus que temos Simão), pelo que joga e pela mística que tem, mas também pelo facto (que não pode ser negligenciado) de estarmos a poucas horas do fecho das inscrições e de, portanto, o Benfica ficar sem hipóteses de colmatar a baixa.

Por outro lado, ninguém perceberia que a equipa da Luz vendesse o seu melhor jogador 24 horas depois de se ter reforçado com dois internacionais.

Basicamente, o que abortou o negócio foi o “timming”. Se o Liverpool se tem lembrado do português 15 dias/três semanas antes, seguramente que teria havido “fumo branco”, assim…

Percebo que Simão tenha ficado um pouco abalado e desiludido - porque ia ganhar bom dinheiro, porque ia jogar para Inglaterra, porque ia jogar no Liverpool campeão europeu – mas acredito que o “capitão” vai continuar a honrar a camisola do Benfica como sempre fez, a jogar, a fazer jogar, a marcar e a dar a marcar.

O “20” “encarnado” vai, se tudo correr bem, ter outras boas oportunidades e, já foi dito pelos responsáveis, na altura certa, pela verba desejada, Simão vai poder sair a bem e por bem.

Vem aí a Liga dos Campeões e o Mundial da Alemanha. Ao Simão resta continuar a jogar bem e a aguardar pelo momento certo… ao Benfica resta esperar que o jogador “produza” e, ao mesmo tempo, preparar o futuro procurando um jogador à altura.

“Wender” e comprar grandes e “p(M)iccoli” jogadores

Fecharam, pelo menos até Janeiro, as contratações no futebol português. O último dia de mercado foi de loucos.

No Benfica entraram dois jogadores (Karagounis e Miccoli), no Sporting outros dois (João Alves e Wender), no FC Porto um (Marek Cech).

Os “grandes” tentaram, assim, equilibrar os plantéis com jogadores que viessem acrescentar algo.

Entre os “encarnados” havia duas lacunas evidentes (um “10” e um “matador”), entre outros acertos que se podiam fazer.

O “playmaker” acabou por chegar (embora os “entendidos” consideram que o internacional grego não é um verdadeiro construtor de jogo), mas o ponta-de-lança ficou em casa. O italiano Miccoli é avançado, tem um remate fácil, faz alguns golos, mas não é o homem que se esperava.

Agora, resta a Koeman conseguir o milagre de integrar bem estes dois jogadores no “11” e descobrir como fazer golos, sempre e só com a bola pelo chão.

José Veiga tinha prometido dois reforços importantes, verdadeiras mais-valias e, beneficiando do final do prazo, cumpriu, em teoria, esse objectivo. Faltou, no entanto, tapar a mais evidente das falhas da equipa: o “9” não veio. Talvez tenha que chegar no mercado de Inverno, vamos ver se não será já tarde de mais.

O Benfica terá, seguramente, uma das equipas mais baixas da Liga profissional (Leo, Nelson, Petit, Manuel Fernandes, Karagounis, Simão e Miccoli) e isso é um dos problemas do treinador, especialmente nos jogos da Liga dos Campeões.

Ao Sporting chegaram dois jogadores do Sporting de Braga: Wender era namoro antigo, João Alves veio preencher a vaga de Rochemback, que foi jogar para Inglaterra. O Braga fez-se caro e vendeu por bom dinheiro (um milhão pelo avançado, 2.5 milhões por 50% do médio).

Wender vem ocupar uma das lacunas dos “leões” mas, também por isso, Peseiro vai ter que mudar a táctica para o encaixar e começar a jogar com extremos. Vamos ver como a equipa se adapta

O português com nome de craque é um bom jogador e seria a minha escolha. É jovem, sabe jogar e tem ainda margem de progressão. Rochemback era titular indiscutível em Alvalade, mas estava emprestado e, por isso, foi um bom negócio da SAD.

Já os “dragões” contrataram um jovem eslovaco desconhecido que faz toda a ala esquerda. Era indiscutivelmente uma das lacunas do plantel portista, especialmente tendo em atenção o castigo a Nuno Valente e a irregularidade de Leandro. Os dois jogadores acabaram por sair e agora, Cech vai ter a concorrência do adaptado César Peixoto.

Resumindo e concluindo a equipa de Co Adriaanse parece ter muitas e boas opções em (quase) todas as posições. A equipa parece muito equilibrada, falta resolver a questão da defesa (algo instável perante a velocidade adversária) e começar a concretizar as oportunidades criadas.

No Sporting, o plantel tem mais opções que na época passada. A questão é saber se José Peseiro tem mãozinhas para conduzir esta camioneta. A entrada de Wender pode, ou não, destabilizar o equilíbrio da equipa.

O campeão Benfica é o que, por incrível que pareça, está com mais problemas. Não só porque já está atrasado na tabela classificativa, mas também porque o treinador, de repente, parece ter ficado com dúvidas em relação à táctica a utilizar. Por outro lado, continua a faltar o verdadeiro “matador” e alguém que possa substituir Simão e ou Geovanni.

Em Janeiro saberemos o que os treinadores acham dos jogadores que têm à disposição. O “mercado de transferências” vai voltar a abrir…

domingo, agosto 28, 2005

No divã…

Normalmente quando um jogador fica fora dos convocados diz-se que foi para "a bancada". No caso de Ricardo ele deve é estar "no divã" do psicólogo.

O guarda-redes do Sporting vai ser “poupado” por José Peseiro, pelo menos, nos próximos dois jogos da Liga depois dos erros nas partidas frente a Udinese e Belenenses.

Ricardo precisa – segundo o treinador “leonino” - de arejar a cabeça para recuperar a tranquilidade e demonstrar toda a qualidade que tem.

Os sócios de Alvalade já estavam a perder a paciência com o “76” e esta pode ter sido realmente a melhor solução para o clube e o atleta.

Se acontecesse mais algum lapso nos tempos mais recentes, a vida do jogador do Montijo ficaria complicadíssima.

O clima em torno de Ricardo tem sido complicado: primeiro a “estória” da selecção e o “fantasma Baía”, que lhe tirou clima entre portistas; depois o facto de ter trocado o Benfica pelo Sporting criou anti-corpos entre lampiões e, por fim, as várias “casas” dadas ao serviço da equipa de Alvalade que até já levou velhas glórias leoninas a pedir a cabeça do guarda-redes.

A solução seria – e se calhar ainda será – mais tarde ou mais cedo ir actuar para o estrangeiro.

Agora, Nelson vai defender a baliza nos próximos dois jogos. Deve ser a sua última oportunidade de “mostrar serviço”. É um bom guarda-redes, mas a última apresentação, diante do Atlético de Madrid, não foi nada positiva.

Jo(gadores)

O prazo para a contratação de novos jogadores termina na próxima quarta-feira e o Benfica continua à procura de (dois) avançados.

Depois dos falhanços de Tomasson e Kalou e das tentativas, mais ou menos públicas, mais ou menos concretas, de jogadores como Júlio Cruz, Zalayeta, Kezman, Saviola, Nilmar… os dirigentes “encarnados” reafirmam que os jogadores vão mesmo chegar.

Por favor, não me venham é com a “estória” do “timming” e da “melhoria do mercado a cada dia que passa”. Isso já ninguém acredita.

O que se passa é simples: o Benfica ainda não tem os jogadores que quer(ia) porque não tem/não teve dinheiro para os comprar.

Finalmente, José Veiga disse, na sexta-feira, que este é um processo difícil porque o Benfica não nada em dinheiro.

Ora, esta deve ter sido a primeira vez, nas últimas semanas, que o Director-geral ou mais alguém da SAD “encarnada” faz uma declaração com o mínimo de senso.

É verdade que a equipa de Koeman precisa de avançados (um mais fixo e um mais polivalente) e de um médio construtor de jogo e também é verdade que não pode, não deve, ser apenas “mais um”. Quem vier tem que representar uma verdadeira mais valia para o plantel – e é isso que a SAD tem procurado.

O que não pode acontecer é, por um lado, ter-se declarações do tipo: “O avançado que vai chegar é tão bom ou melhor que o Tomasson” ou “Todos vão ficar de boca aberta a pensar como foi possível o Benfica contratar este jogador” e, ao mesmo tempo, dar-se a sensação de que se estão a falhar todos os objectivos.

Com o tempo a passar e a equipa a perder pontos, arriscamo-nos a venha um tal de Jô, avançado de 18 anos, que ninguém conhece.

Realmente ficamos de boca aberta, porque das duas uma: ou está aqui um novo “fenómeno” capaz de marcar muitos golos, estavam todos a dormir e o Benfica descobriu a “pólvora” ou, afinal, é, apenas, mais um”Pringle”.

Até quarta-feira saberemos o que vem aí… depois voltaremos ao assunto.

Já lá vão cinco…

Koeman inventou, Koeman perdeu… “elementar meu caro Watson”, diria Sherlock Holmes.

Esta é dos livros meus amigos: Quando uma equipa muda (quase) tudo, sem ter sido devidamente ensaiado e treinado, a probabilidade de perder é muito grande.

O Benfica jogou hoje frente ao Gil Vicente com três centrais, um lateral direito que é médio, um lateral esquerdo que é lateral direito, um “suporter” (segundo avançado) que é extremo e um ponta-de-lança que precisa de alguém ao lado.

Ora, depois do susto da equipa de Barcelos, que demorou 20 minutos a perceber o que o treinador holandês tinha “cozinhado”, o jogo não correu nada bem aos “encarnados”.

É certo que a equipa da Luz teve várias ocasiões para marcar e que Jorge Baptista voltou a fazer uma grande exibição na baliza, é verdade que o árbitro não assinalou duas grandes penalidades e que o Benfica falhou outra, é óbvio que as lesões de Ricardo Rocha (só amarelo naquele lance?!) e Petit complicaram as coisas, mas…

Mas também não é menos verdade que o Benfica marcou um golo em três jogos oficiais, que o campeão falhou muitos passes sempre que tentou jogar mais rápido, que os “encarnados” não têm ninguém que pense o jogo e que a defesa não pode sofrer um golo daquela forma.

Koeman tem culpa na derrota porque nunca ensaiou esta táctica em nenhum jogo particular, Koeman tem culpa porque não emendou a tempo, Koeman tem culpa porque não pressionou os dirigentes a completar o plantel com os jogadores desejados.

Feitas as contas, o Benfica tem cinco pontos de atraso em duas jornadas…

sábado, agosto 06, 2005

Bola de praia

Estive três semanas de férias mas, apesar disso, fui acompanhando o que se foi passando no fabuloso mundo da bola. Tomei vários apontamentos no meu “Bloco de Notas”.

Benfica

· Tomasson era o alvo prioritário para o reforço do ataque da equipa de Koeman. Acabou por escolher o Estugarda de Trapattoni deixando Veiga “descalço”.
· Os pontas de lança continuam sem aparecer e, apesar do tempo continuar a correr, os dirigentes não baixam a fasquia e insistem que ainda vão chegar duas “trutas”… será verdade? O treinador começa a desesperar.
· Miguel continua “encalhado” e é caso para dizer “nem o jogador joga, nem o Benfica recebe a massa”. À primeira e à segunda vistas o atleta não tem a razão do seu lado, mas as más companhias…
· Os “encarnados” hipotecaram os passes de alguns jogadores para dar como garantia à empresa que construiu o estádio. O Benfica tenta encontrar soluções para pagar o mais depressa possível a nova Catedral. Se a gestão for criteriosa não vai haver problemas.
· Entre as novidades, o campeão nacional está a preparar o “naming” não só do estádio, mas também dos pavilhões, da piscina e do Centro de Estágio. Na dicotomia “Razão e Coração” as opiniões são distintas: esta não é uma solução que eu adore, mas não me choca se isso permitir fazer dinheiro sem ter que vender os melhores jogadores. Por outro lado, e mais importante, qualquer que seja o nome do estádio, para mim e para todos os adeptos do clube, este será SEMPRE o “Estádio da Luz”.
· Dentro das “quatro linhas” é evidente que há problemas no ataque (faltam pontas de lança) e um médio criativo. Se pudesse haver equipas “perfeitas” ainda se pedia um médio defensivo com “cabedal” e um extremo que pudesse jogar nas duas alas. Beto a (grande) surpresa, Anderson já a confirmação, Kariaka a incógnita e Carlitos a desilusão.

Sporting

· Os “leões”, através de José Peseiro, pressionam Wender para este trocar o Minho por Alvalade. O Braga queixa-se, o técnico diz que é legal. Moralmente…
· Manoel e Labarthe, aquisições para esta época, foram dispensados ainda na pré-época. Se no caso do médio não há grande surpresa (é jovem e o meio campo é povoado), no caso do avançado, contratado por Peseiro, há grande surpresa porque foi dispensado por… Peseiro. A justificação não convence: Manoel é mais polivalente que Silva e podia dar outro tipo de ajuda.
· Os senhores gestores da SAD parecem agora interessados em seguir as ideias do Benfica no que diz respeito ao “naming”… curioso
· A equipa continua forte mas desequilibrada. Faltam extremos (mesmo que Douala continue). Tonel e Loureiro são boas opções de banco, Semedo e Nani dois miúdos com futuro e Deivid pode ser um bom complemento para Liedson.

FC Porto
· Co Adrianse queria 24/25 mas ficou com 28 jogadores. Dizem algumas fontes que o técnico queria dispensar Jorge Costa e Sokota mas a administração não deixou.
· Sandro, médio defensivo contratado ao Setúbal, nem chegou a aquecer e Kromkamp acabou por não chegar.
· No novo esquema do técnico holandês a maior surpresa é Postiga. O jovem português deixa de ser ponta-de-lança e passa a ser o “10” da equipa, o organizador. Como será depois da recuperação de Diego?
· Jorginho e Lisandro estão nas alas, apesar de serem adaptações e Raul Meireles é a grande revelação da temporada (pegou de estaca ao lado de Lucho no meio-campo).

Três notas finais:
· O Vitória de Guimarães, de Jaime Pacheco, provou no particular frente ao Benfica, que vai ser o líder da cacetada. Flávio Meireles e Moreno estão nas “sete quintas”.
· Figo acabou por assinar mesmo pelo Inter. Terá perdido algum dinheiro mas vai poder voltar a jogar ao mais alto nível. O Real Madrid terá escolhido mal o primeiro galáctico a sair.
· Nas férias tive oportunidade de comparar, quase todos os dias, o trabalho da “Bola Branca” com o da concorrência. A diferença é abissal. Parabéns ao pessoal da RR.

segunda-feira, julho 11, 2005

"Doente da Bola"... a banhos

Nas próximas semanas, o "Doente da Bola" vai estar "numa praia perto de si" e incontactável por qualquer via informática.

Reabriremos nos primeiros dias de Agosto com "fome de bola" ao que se for passando "no país e no mundo".

Sim, porque eu "vou andar por aí"...

quarta-feira, julho 06, 2005

Os “gangsters”

Miguel baldou-se aos treinos no Benfica porque, segundo diz (não sei se ele, se o advogado, se o empresário), a renovação que assinou em Novembro de 2003 não é válida e, portanto, o contrato terminou a 30 de Junho.

Pois, eu não sou advogado e portanto não posso argumentar a esse nível. Agora, o que gostaria era de recordar alguns factos:

1 - o jogador queixa-se, agora, de irregularidades num contrato que assinou há ano e meio.

2 – o jogador, ao que conste, nunca se queixou do aumento de ordenado que passou a receber desde essa data.

3 – o próprio Miguel confirmou, poucos dias antes do desaparecimento, a uma rádio espanhola, que tinha mais três anos de contrato com o Benfica.

4 – o contrato foi validado e registado na Liga e na Federação

5 – o Miguel alega que não tem condições psicológicas para continuar a jogar em Portugal, mas, por exemplo, recusou uma proposta do Dínamo de Moscovo.

6 – o empresário de Miguel é o agente FIFA Paulo Barbosa; o advogado de Miguel é o senhor Dias Ferreira

Ora, posto isto, o Benfica diz-se tranquilo, desculpabilizou o jogador e atirou-se aos “gangsters” que o rodeiam.

Agora, as entidades competentes que decidam, mas parece-me que, se por algum mistério, a FIFA der autorização ao defesa-direito para jogar, sem que o Benfica receba a devida compensação, então muita coisa vai mal e fica a saber-se que não há “gangsters” só em Portugal.

quarta-feira, junho 29, 2005

O dilema do “leão”

O Sporting abriu hoje a “oficina” para a próxima época, foi o primeiro clube a fazê-lo porque tem que jogar a pré-eliminatória da Liga dos Campeões.

Novidades poucas: os três reforços confirmados: Edson, Labarthe e Manoel, a presença de Liedson, a ausência de Enakarhire e o regresso de alguns jogadores que estavam emprestados. Outros jogadores só entram ao serviço na segunda-feira.

Numa altura em que o “levezinho” parece, agora, que veio para ficar, contrariado ou não, o defesa central nigeriano pode mesmo estar a caminho da Rússia.

A estes dois casos, o Sporting dá a mesma resposta: "são jogadores do clube, têm contrato, sem o dinheiro que queremos não há negócios".

Não dispondo de todos os dados da questão, esta parece-me a atitude correcta correndo, no entanto, os “leões” o risco dos jogadores ficarem contrariados, não renderem o que se espera deles e depois saírem a “custo zero”.

Há ainda uma outra questão que é necessário ponderar: é que, se nenhum dos jogadores com mercado sair, não entra dinheiro fresco o que pode impossibilitar o reforço do plantel.

Estes são riscos que a administração da SAD parece disposta a correr. Aguardemos...

domingo, junho 19, 2005

Uma questão de garantias…

Dão-se alvíssaras a quem conseguir explicar os pormenores do “caso Diego/Benfica”.

O médio internacional sub-20 do Brasil garante que já assinou contrato por cinco anos com o Benfica.

José Veiga, director-geral dos “encarnados”, garante que nada se passa e que, se o jogador entrar na Luz, ele sai por outra porta.

Não sei o que se passa, o que é certo é que, garantidamente, seja o que for, não é bom sinal…

“Mister”io

Ronald Koeman vai treinar o Benfica, Co Adrianse é o “homem do leme” do FC Porto. Dois holandeses…

Depois de dois italianos, agora dois holandeses no comando de duas equipas de top em Portugal.

Koeman ganhou dois títulos e uma Taça pelo Ajax, Co Adrianse fez um grande trabalho no modesto AZ Alkmaar.

Ambos prometem futebol de ataque, ao que parece baseado no 4-3-3.

Fora isto pouco mais se sabe… temos que aguardar.

Defeso

Sem querer fazer concorrência ao meu colega Carlos Manuel, vou aqui analisar esta época de contratações de pré-época que vai ainda a meio.

O FC Porto lidera, isolado, esta tabela comprando tudo o que mexe. Para já, nove jogadores contratados e dois regressos confirmados (Helton, Paulo Ribeiro, Bruno Alves, Sandro, Paulo Assunção, Lucho Gonzalez, Alan, Anderson, Jorginho, Lisandro Lopez e Sokota).

Este número é provisório porque ainda falta, pelo menos, um defesa direito, eventualmente, um (outro) ponta de lança (McCarthy garante que tem propostas) e, quem sabe, um extremo-esquerdo.

No Sporting a confusão é grande, parece haver alguma instabilidade (directiva e do plantel), fala-se de muitas saídas mas, obviamente, nem tudo deve ser verdade.

Para já estão confirmadas três entradas: o defesa esquerdo Edson, o médio Labarthe (já contratado no ano passado) e o avançado Manoel.

Falta perceber quem sai (efectivamente) mas, independentemente disso, parecem faltar laterais (atrás e à frente).

Já o Benfica contratou, até agora, o defesa Andersson (que viria para o lugar de Luisão que os “encarnados” tentam agora segurar a todo o custo), o médio Beto (para dar hipótese de rotatividade a Petit e Manuel Fernandes) e Karyaka (extremo-esquerdo, uma das lacunas mais evidentes do plantel).

Com a saída de Miguel em perspectiva (€€€ "oblige"), aos “encarnados” ficam a faltar (indiscutivelmente) um ponta de lança “matador” e um médio construtor de jogo. Depois há ainda a hipótese de vir mais um médio defensivo (de preferência com “cabedal”) e um defesa-esquerdo.

Entretanto, fora do circuito dos três grandes, há outras duas equipas que estão a dominar, até agora, o “campeonato de Verão”: o Gil Vicente e o Belenenses já trouxeram um camião de jogadores para os respectivos plantéis.

quarta-feira, junho 01, 2005

Foi assim…

Já em pleno defeso, esta é a altura indicada para fazer o balance da época que agora terminou.

Foi uma época estranha esta: os três grandes perderam muitos pontos e o futebol praticado foi muito inconsistente.

A vitória na SuperLiga sorriu ao Benfica depois de 11 anos de “jejum”.

“A festa foi bonita, pá”, mas os adeptos não podem embandeirar em arco. Mais do que a vitória dos “encarnados”, este foi o campeonato em que FC Porto e Sporting perderam a hipótese de vencer.

Não podemos esquecer que, por exemplo, os “dragões” fizeram menos 20 pontos e o próprio Benfica, agora campeão, fez menos 9 do que na época passada.

O novo campeão não jogou bem e esteve sempre em “esforço”, rezando para que não houvesse lesões.

Na próxima época, seja quem for o treinador, vão ser necessários vários reforços para que o Benfica não vá à Liga dos Campeões “buscar o cheque”, como já disse o Toni.

O FC Porto teve uma época muito instável, como nunca se tinha visto por aquelas bandas, com três treinadores e carradas de jogadores a entrarem e a saírem.

Apesar disso, com Couceiro, até melhorou e lutou pelo título até à última jornada.

Na próxima época, se acertarem nas contratações, e regressar a estabilidade, os “azuis e brancos” podem voltar a ser candidatos ao título.

Apesar da má época, a equipa de Pinto da Costa ainda conquistou a SuperTaça portuguesa, a Taça Intercontinental e garantiu entrada directa na Liga dos Campeões.

Já o Sporting foi a equipa do “quase”: esteve “quase” a ser campeão, esteve “quase” a vencer a Taça UEFA, esteve “quase” a seguir em frente na Taça de Portugal e esteve “quase” a entrar directamente na Liga dos Campeões.

Os “leões” foram a equipa mais instável da frente e, por isso, “pagaram a factura” e acabaram em terceiro lugar.

A espaços, a equipa de Peseiro praticou o melhor futebol que se viu em Portugal mas isso de pouco serve quando, no jogo a seguir, se perde um jogo com uma péssima exibição.

Se conseguir manter a estrutura, com alguns retoques, especialmente nas alas (ofensivas e defensivas), o Sporting pode ser o mais sério candidato ao título na próxima época.

A dúvida maior chama-se José Peseiro. O treinador não vai, seguramente, ter o benefício da dúvida, como no início da temporada e vai ter que, rapidamente, mostrar serviço, especialmente agora que viu os seus poderes serem aumentados depois da saída de Carlos Freitas.

Na época que agora terminou, destaque ainda para o fantástico Sporting de Braga (que só perdeu fôlego depois da lesão de João Alves), para o Rio Ave de Carlos Brito (finalmente recompensado com um contrato melhor), e para o final de época do Penafiel e Académica.

Pela negativa: o Beir-Mar. Não se percebe como é que a equipa de Aveiro conseguiu descer de divisão. Tinha um lote de jogadores de fazer inveja a muitas do topo da tabela.

Por exemplo: Srinicek, Alcaraz, Tininho, Beto e Paul Murray, McPhee, Kingsley e Tanque Silva.
Última nota para o Vitória de Setúbal que, com toda a justiça, conquistou a Taça de Portugal (mais de 30 anos depois) contra um Benfica de “fim de estação”, cansado de jogar mas, especialmente, ainda de “ressaca”.

terça-feira, maio 31, 2005

Ciao

Giovanni Trapattoni confirmou esta tarde aquilo que já se sabia há semanas: vai deixar o Benfica, essencialmente porque tem saudades da família.

A decisão da “velha raposa” tem que ser respeitada. Aos 66 anos, Trap quer regressar a Roma.

Trapattoni devolveu ao Benfica aquilo que o clube mais queria e que procurava há já 11 anos: o título de campeão nacional. Isso é o mais importante e é isso que fica para a história.

Só por isto – e já não é pouco – sócios e adeptos do Benfica têm que estar agradecidos ao técnico italiano.

Claro que, para além da vitória, o Benfica podia e devia ter jogado melhor mas a verdade é que, como diz o ditado, “Sem ovos não se fazem omoletes”.

Já foi dito por todos que os “encarnados” tinham o plantel mais curto dos três grandes, especialmente porque algumas das contratações falharam, o que foi dito por poucos é que, provavelmente, sem Trapattoni o milagre da conquista do título não teria sido possível.

Agora, a administração da SAD só tem duas coisas a fazer: agradecer ao senhor Giovanni Trapattoni os bons serviços prestados à nação benfiquista e, de forma rápida mas segura, encontrar um sucessor à altura do prestígio do clube.

A época que aí vem é fundamental para o Benfica, com a defesa do título e o regresso à Liga dos Campeões, e a equipa tem que se apresentar à altura.

Já começou o falatório em torno do novo treinador e eu não vou entrar nesse “diz que diz, vem não vem”, apesar de ter uma aposta.

Posso é deixar o perfil: treinador estrangeiro e jovem, competente e com currículo, disciplinador, mas amigo dos jogadores e, já agora, com futebol ofensivo e vistoso para a vista.

PS: É óbvio, no entanto, que um eventual regresso de Camacho (e aqui estou a abrir uma excepção e a avançar com um nome porque são circunstâncias diferentes) teria também fortes vantagens porque é competente, exigente com jogadores e Direcção e, especialmente, porque já conhece o plantel e o campeonato português.

domingo, maio 29, 2005

Faltou a cereja… ficou o bolo

O Benfica perdeu a Taça de Portugal diante do Vitória de Setúbal, que foi um justo vencedor.

Os “encarnados”, cansados de tantas festas e borgas após a conquista do título, nunca pareceram capazes de conquistar a “dobradinha”, 18 anos depois.

Os sadinos voltaram aos triunfos 38 anos depois e mereceram, “sem espinhas” esta conquista.

À equipa de Trapattoni, espremida até à última, faltou a “cereja”, mas ficou o “bolo”.

Agora vai ser preciso manter a estrutura do plantel e encontrar cinco ou seis jogadores, que sejam efectivos reforços.

domingo, maio 22, 2005

BENFICA CAMPEÃO

O Benfica terminou hoje um jejum de 11 anos... e que fome tinham os seis milhões de adeptos.

Agora apetece dizer: JÁ ESTÁ

"Ninguém pára o Benfica", dizem os adeptos e "bora" fesetejar.

Depois, vamos para a dobradinha...

O jogo das vossas vidas…

O Benfica está a 90 minutos de quebrar um jejum de 11 anos e dar uma alegria imensa aos milhões de benfiquistas espalhados pelo Mundo. Por isso, não pode falhar.

Os “encarnados” têm um jogo difícil no Bessa, contra um Boavista já tranquilo sem nada a ganhar ou a perder.

Na última vez que a equipa de Trapattoni defrontou uma equipa tranquila com a obrigação de vencer falhou (Penafiel), numa péssima exibição.

Agora, isso não pode acontecer, nem que os “axadrezados” apareçam super-motivados. Dizem as “más-linguas” que o FC Porto, para além de um prémio de vários milhares de contos para incentivar à vitória, também já pagou os meses de salários em atraso aos jogadores do Boavista.

Não sabemos se isso é verdade, mas, mesmo que seja, um Benfica concentrado, motivado e com objectivo tão claro, tem – porque tem - que ganhar ao Boavista.

Depois o Benfica ainda tem a final da Taça de Portugal para jogar. É outra competição para ganhar mas, vamos por partes…

PS1: Giovanni Trapattoni já disse a um jornal italiano que quer voltar a casa. Não sei quais são as causas de tal decisão e, espero, que sejam só saudades. Por mim, para além do merecido agradecimento ao senhor, não fico muito triste com a sua saída.

É verdade que o homem não tinha muitos ovos, mas é verdade que saíram poucas boas omeletes daquela fábrica e, sinceramente, a concretizar-se, não foi o Benfica que ganhou, foram os outros que perderam.

PS2: Quem também parece que vai sair é José Veiga, o gestor do futebol “encarnado”. O antigo empresário formou a equipa nos últimos dois anos e a verdade é que o Benfica parece regressado aos títulos (primeiro a Taça, agora a hipótese de “dobradinha”).

Também é verdade que, apesar de (muito) menos, ainda foram cometidos alguns erros nas contratações e houve dinheiro (que é escasso) mal gasto, mas o que é certo é que a equipa ganhou com ele ao leme e foi feita frente ao “amigo” Pinto da Costa.

Tenho pena que Veiga e Vieira se tenham desentendido, espero que, seja qual for a solução, o Benfica não fique a perder.

Se se confirmar a vitória, uma quota-parte da mesma tem (custe a quem custar) que ser atribuída ao gestor José Veiga, apesar de tudo, bem melhor que o empresário Veiga.

domingo, maio 15, 2005

Falta um pontinho assim…

O Benfica está a (1) um singelo ponto de ser campeão nacional depois de 11 anos de jejum.
Parece impossível mas é verdade: os “encarnados” estão quase a “matar o borrego” e a ganhar o campeonato.

O jogo desta noite foi equilibrado, teve poucas ocasiões de golo e a equipa de Trapattoni acabou por ter a sorte que lhe faltou noutras ocasiões.

Agora os jogadores do Benfica não têm desculpa: faltam 90 minutos e os “encarnados” têm mesmo que ganhar.

Há seis milhões de adeptos à espera disto…

sexta-feira, maio 13, 2005

“Revienga”

O Jorge Perestrelo devia estar este sábado na Luz a assistir ao Benfica – Sporting, decisivo para a SuperLiga.

Não vai estar porque o coração não aguentou esta “revienga” da vida… O “derby” fica mais pobre, o futebol português também e a rádio está de luto.

O Jorge Perestrelo era, para o bem e para o mal, um caso único.

Já tinha passado a minha “fase Perestrelo” e já não tinha muita paciência para as asneiras no meio dos relatos, mas, por outro lado, já tenho saudades daquela loucura que eram os jogos da selecção (ele a cantar o hino nacional aquando de um golo), a cantar o hino do fcp ou a gritar, a plenos pulmões, "eu te amo sporting" quando se sabe agora que era benfiquista do coração.

Jorge Perestrelo era um artista na sua profissão e é sempre uma pena quando se perde um "jogador" desta craveira.

Os palpites para o “dia D”

O “Dia Decisivo”, o “Derby”, o jogo de toDas as emoções é amanhã. TuDo Deve ficar Decidido e Benfica e Sporting vão entrar para ganhar.

Os “encarnados” estão na máxima força (!), com todo o plantel à disposição mas, apesar disso, as opções de Trapattoni não são grandes.

Na baliza vai estar Quim, na defesa Miguel, Luisão, Ricardo Rocha e Dos Santos.

No meio-campo o trio do costume: Petit, Manuel Fernandes e Nuno Assis.

Na frente também não há novidades: Geovanni, Nuno Gomes e Simão.

Obviamente que é necessário não esquecer que o “miúdo” Fernandes e Nuno Gomes vêm de lesões, que Miguel e Simão não estão – há muito – a 100%.

O problema é que não há opções e são estes que vão ter que jogar…

No Sporting faltam Enakarihre, Carlos Martins (por lesão) e Liedson (por castigo) mas José Peseiro tem muito por onde escolher.

Na baliza Ricardo, depois Miguel Garcia, Beto, Andersson Polga e Rui Jorge.

No meio-campo o losango habitual. Desta vez aposto em Custódio e João Moutinho, Pedro Barbosa e Tello.

Na frente Douala e Pinilla.

Claro que sempre pode jogar Sá Pinto (ou na frente ou no meio-campo) Rochemback (regressado de lesão) ou Hugo Viana.

segunda-feira, maio 02, 2005

Grande apito

Este foi mais um fim-de-semana futebolístico fértil em casos e polémicas arbitrais.

Os “senhores do apito” voltaram a ser os principais protagonistas da jornada 31 da SuperLiga.

No Benfica – Belenenses, Mário Mendes não viu uma grande penalidade de Neca sobre Nuno Gomes e depois, talvez com peso na consciência, “forçou a nota” no “penalty” assinalado. É certo que a bola bateu no braço do jogador do Belém, mas…

No FC Porto – Marítimo, o golo que deu os três pontos aos “dragões” foi marcado por McCarthy em, clara, posição de fora de jogo. Há depois um golo anulado a Diego por fora de jogo posicional de dois jogadores “azuis e brancos”. Duvidoso…

Já no Braga – Sporting, ainda com o resultado a zero na segunda parte, Wender sofre falta na área “leonina”… e nada. Nos descontos, Pinilla pode ter sofrido carga quando tentava o quarto golo. As imagens não esclarecem e também já não resolvia nada.

O que é certo é que os três grandes acabaram por ser beneficiados e razão tem o presidente do Braga quando diz que assim é muito difícil algum dos pequenos intrometer-se na luta pelo título.

Faltam três jornadas para terminar o campeonato e está tudo embrulhado na frente. Vamos ver como termina...

segunda-feira, abril 18, 2005

Brevemente…

Esta é uma fase quente da SuperLiga e os temas de discussão são “como as cerejas”.

Se não houver mais problemas “técnicos”, brevemente vamos falar sobre o FC Porto e o caso “Apito Dourado” (não é “gralha” são mesmo estes dois tópicos em conjunto), a disputa entre Quim e Moreira, a polémica dos jogadores emprestados e o esfriamento das relações entre Benfica e Sporting.

Já agora o caso “Sporting de Braga”, os êxitos de Carlos Brito, o contrato de Inácio e o fenómeno Mourinho também podem ser analisados em breve.

Da pressão… à depressão em dois actos

O futebol é um desporto fantástico, por ser imprevisível. Se houvesse dúvidas os dois últimos jogos do Benfica servem para o provar.

Os “encarnados” perderam cinco pontos nos últimos dois jogos e “destruíram” cinco sextos do avanço de que dispunham para o segundo classificado.

O que é interessante nestes jogos é que os pontos foram perdidos em partidas em que o Benfica dominou e merecia ter ganho.

O que é curioso é que estes jogos (frente a Rio Ave e União de Leiria) equivaleram, seguramente, a duas das melhores exibições da equipa de Trapattoni em toda a temporada.

Quer contra a equipa do fantástico Carlos Brito, que ainda não perdeu em casa, quer contra a equipa de Costinha, o Benfica criou oportunidades mais do que suficientes para, não só ganhar, mas até golear.

Se houve jogos em que critiquei fortemente a equipa de Trapattoni – e a equipa até ganhou – agora não o posso fazer porque o Benfica esteve bem e nem os erros da “velha raposa” nas substituições me fazem atacar o plantel.

O que é certo é que foram perdidos cinco pontos e o Braga, Sporting e FC Porto estão aí ao “bater da porta”.

A pressão dos 11 anos sem vitórias está a fazer-se notar em jogadores sem experiência de títulos. Os nervos de Petit e o abaixamento de Simão fazem o resto. Salva-se o grande Manuel Fernandes e o “renascido” Mantorras.

Para a semana o Benfica joga com a “filial” e os três pontos devem estar garantidos – deve estar no contrato.

sábado, abril 16, 2005

desculpas...

Por motivos de ordem “técnica” estivemos impossibilitados de comentar a actualidade desportiva.

Resolvidos esses problemas, em breve voltaremos.

terça-feira, março 22, 2005

Gosto muito de te ver leãozinho…

O Sporting derrotou esta noite o FC Porto e, para além de ter reentrado na luta pelo título, deu uma alegria aos milhões de benfiquistas que hoje foram “lagartos”.

Num campeonato estranho como este, em que os grandes vão de derrota em derrota, o título parece agora, a oito jornadas do fim, encaminhar-se para o Benfica.

Os “encarnados” têm neste momento seis pontos de vantagem sobre um quarteto: para além dos dois grandes, também Braga e Boavista.

No jogo de Alvalade só podia dar vitória do Sporting, face não só às incidências do mesmo (duas expulsões entre a equipa de Couceiro), mas também face ao futebol praticado.

Os “dragões” pouco ou nada mostraram, mesmo quando estiveram com “11” e só um Sporting de “serviços mínimos” permitiu aos adeptos leoninos só tranquilizarem ao minuto 94.

Depois das expulsões o FC Porto pouco ou nada podia fazer. Já o Sporting perdeu uma oportunidade de ouro de golear o adversário, tendo especialmente em atenção que na primeira volta os “azuis e brancos” venceram por 3-0.

José Peseiro tem um bom lote de jogadores, encontrou uma fórmula que resulta, mas continua a falhar nas substituições. Isso nota-se especialmente quanto a “táctica tipo” não engrena logo desde o início do jogo.

As próximas duas jornadas vão ser importantes: o Benfica recebe o Marítimo e vai a Vila do Conde, o Boavista recebe Sporting e FC Porto.

Os “encarnados” têm agora uma derrota de “margem de erro” mas não se podem distrair: nas últimas duas jornadas recebem os “leões” e depois vão ao Bessa.

Veiga-empresário, Veiga-gestor

Dizem as “más línguas” que José Veiga e Luís Filipe Vieira já não estão a viver no “melhor dos mundos” e que há fortes divergências entre os dois quanto ao rumo desportivo do Benfica.

Diz-se até que Veiga já não está a preparar a nova época e que, por isso, vai deixar a SAD “encarnada”.

Não sei se isso é verdade, mas sobre este “caso” vale a pena lembrar algumas coisas.

A “associação” Vieira/Veiga começou quando o actual presidente era gestor o futebol profissional e Veiga era (o mais bem sucedido) empresário de jogadores.

O objectivo era reconstruir uma equipa que tinha “batido no fundo” com um sexto lugar na SuperLiga. O caminho não era fácil porque dinheiro é coisa que não abunda.

A estratégia nos últimos três anos foi fazer o esforço de não vender nenhum jogador fundamental para o plantel. A excepção foi Tiago, que agora está no Chelsea.

Esta ideia resultou, melhorou a equipa, e os resultados começaram a aparecer: depois do 6º, subida para 4º, depois 2º e, na última época, 2º e Taça de Portugal.

Falta agora o equilíbrio financeiro que permita não destruir a equipa e, mesmo assim, contratar mais-valias.

Serve este último parágrafo para voltar à “estória” de Veiga.

Apesar de preferir o Veiga-gestor (que “despachou” muitos dos jogadores do Veiga-empresário) devo dizer que continua a haver erros incompreensíveis na construção do plantel que, seguramente, deitaram dinheiro à rua (Paulo Almeida, Everson, Delibasic, Karadas…).

Na próxima época, com Veiga ou sem ele, com Trapattoni outro, espero que as lacunas do plantel sejam colmatadas.

O que é certo é que, se o Benfica quebrar o "enguiço" e ganhar o título, 11 anos depois, muita da culpa é também da dupla Vieira – Veiga, que, curiosamente, deixaram o último jogo do Benfica em Setúbal abraçados.

quinta-feira, março 17, 2005

Pressão

A nove jornadas do fim da SuperLiga, o Benfica está com três pontos de vantagem sobre o segundo classificado.

Agora é que se vai ver se esta equipa, que está há 11 anos sem ganhar o título, tem ou não “unhas” para esta “guitarra”.

À primeira vista, tendo em atenção o que já se passou nesta época completamente atípica, parece que não.

Em (quase) todos os jogos com equipas “grandes” os “encarnados” perderam: contra o FC Porto (para a Super-Taça e na Luz para o campeonato), contra o Anderlecht (na pré-eliminatória da Liga dos Campeões), contra o Sporting (para a SuperLiga) e contra Estugarda e CSKA (Taça UEFA).

A destoar deste cenário absolutamente negro só o empate no Dragão (o último triunfo vem do último título nacional) e, já agora, a vitória frente ao Nacional, na Madeira, onde os “outros” perderam pontos.

Quando faltam 27 pontos para disputar e a equipa de Trapattoni tem, na teoria, o calendário mais acessível, é chegada a altura de perceber se o Benfica aguenta a “pressão” de seis milhões de adeptos, ansiosos por “matar este borrego”.

Talvez nunca como nesta fase da época seja tão importante ter um técnico como a “velha raposa” a orientar uma equipa tão “curta” e tão “inexperiente” como é este Benfica.

Vem aí mais uma jornada da SuperLiga – uma daquelas que pode já começar a ser decisiva. Com três pontos de vantagem, uma viagem difícil a Setúbal, e um Sporting – FC Porto para assistir, é altura de perceber se o Benfica tem “estofo de campeão”.

A equipa tem tido “estrelinha” (o jogo frente ao Nacional é disso exemplo), falta saber se isso é suficiente para suplantar os adversários, as fracas exibições e a tremenda pressão que é estar na frente.

quarta-feira, março 16, 2005

A “benfiquisação” do FC Porto

Parece impossível mas o FC Porto desta época parece o Benfica de há 11 anos.

Os “encarnados” tinham acabado de ser campeões nacionais com o técnico Toni. A direcção decidiu entregar o comando técnico a Artur Jorge e a revolução começou…

Do plantel vencedor sobraram poucos atletas e chegou o primeiro autocarro de jogadores, alguns de muito duvidosa qualidade.

Desde essa época de Artur Jorge até à chegada de Luís Filipe Vieira à “cadeira do poder”, o Benfica andou de “revolução” em “revolução”, de “treinador” em “treinador”, 15, 20 novos jogadores todos as épocas e resultados… zero.

A estabilidade voltou com a direcção actual e os resultados, lentamente, começam a ser visíveis: do sexto lugar da primeira época, a equipa subiu para quarto, depois foi segundo e, no ano passado, voltou a ficar em segundo na SuperLiga mas já venceu a Taça de Portugal – numa época muito difícil marcada pela morte de Miki Fehér e Bruno Baião.

Nas últimas épocas, do núcleo duro, o Benfica só perdeu Tiago, para o Chelsea. Vamos ver até quando vai ser possível manter esta política.

No FC Porto a estabilidade era um “bem sagrado”, imagem de marca de Pinto da Costa.
Depois do “fenómeno Mourinho”, em que os “dragões” venceram quase tudo, a equipa “azul e branca” ficou com um dilema: “o homem vai-se embora, e agora? Quem contratamos? O que fazemos a este plantel de campeões?

A escolha do experiente presidente do FC Porto foi radical: “vamos cortar a direito”. Vendemos quem somos “obrigados” a vender (Barcelona e Chelsea fizeram propostas irrecusáveis) mas vencemos também outros jogadores importantes na equipa Mourinho: Derlei, Carlos Alberto, Pedro Mendes, Alenitchev, mais os empréstimos de César Peixoto e Hugo Almeida.
Este segundo grupo de “vendas” não parece ser explicável de forma racional e os resultados estão à vista.

Para colmatar esta “sangria” foram contratados (muitos) jogadores brasileiros, alguns que ainda não justificaram qualidade para jogar no campeão europeu.

Se em relação a alguns não há dúvidas quanto à qualidade (Diego e Fabiano são mesmo grandes jogadores), já em relação a outros… muitas dúvidas se colocam (Leandro, Leo Lima, Pepe, Ibson, Leandro do Bonfim, Cláudio Pitbull, mais Quaresma e Hélder Postiga) e não se sabe se vão ter tempo para “mostrar serviço”.

A questão está em saber o que quer fazer Pinto da Costa: “apagar” esta época, fazer nova “revolução” no plantel, trazer mais um camião de jogadores (esperando desta vez não falhar) ou dar tempo a esta “escola de samba” e ao terceiro (!) treinador da época.

segunda-feira, março 14, 2005

Fazer omeletes sem ovos

Aproveitando as derrotas caseiras dos outros grandes, o Benfica tem, a nove jornadas do fim, três pontos de vantagem sobre o FC Porto e seis sobre o Sporting.

Esta é, para quem tem visto este campeonato e analisa os plantéis das equipas, uma situação quase inacreditável.

Os “encarnados” têm, dos três, o plantel mais curto, especialmente da defesa para a frente.

Petit e Manuel Fernandes (este miúdo vale o peso em ouro) estão “sozinhos” na tarefa de defender o miolo do meio-campo, Nuno Assis é o “10” e não há mais nenhum, Simão é o único extremo-esquerdo (já ele adaptado).

No ataque, Nuno Gomes não está nas suas temporadas (muito por culpa das lesões e da falta de um parceiro na frente), Mantorras (ainda?) não dá para 90 minutos.

Valha a defesa que vai terminar a época bem composta com Miguel e João Pereira na direita (também joga na frente dando descanso a Geovanni), Luisão, Ricardo Rocha, Alcides e André Luiz no meio e Dos Santos na esquerda.

Depois há os erros crassos: Paulo Almeida, que nada fez para merecer a contratação, Everson, que ainda não jogou devido a lesão e só se senta no banco, Delibasic, que não foi visto.

Fyssas, Karadas, Carlitos (esperança a que falta continuidade) e Bruno Aguiar só num Benfica com poucos recursos se justifica a manutenção na equipa.

Confesso que não sou fã de Giovanni Trapattoni - antes pelo contrário - e já o expressei várias vezes. Não gosto do futebol que o Benfica está a praticar, mas o que é certo é que, sem jogar bem e sofrendo em todas as partidas, a equipa da Luz arrisca-se a ser campeão, muito por culpa das “baldas” dos adversários.

O que é certo é que a política do Benfica tem sido não vender os seus diamantes.

Isso tem melhorado a equipa nas últimas épocas (visível na melhoria classificativa desde o catastrófico sexto lugar), mas tem dificultado a contratação de mais valias. É este equilibrio que falta encontrar (comprar bem e vender melhor sem destruir o plantel).

Entretanto, a “velha raposa”, contra tudo e contra todos, incluindo sócios e adeptos, vai tentando levar a “carta a Garcia” mesmo sem ter ovos suficientes para fazer boas omeletes.

Faltam 9 jogos, 27 pontos. A equipa da Luz tem, na teoria, o melhor calendário dos três e, parece, ser o grupo mais estável.

terça-feira, março 01, 2005

Clássico numa SuperLiga nada clássica

FC Porto e Benfica empataram no clássico do “Dragão”. Em dia de aniversário, os “encarnados” não queriam desiludir os adeptos e lá conseguiram arrancar um ponto, o que já não acontecia há 10 anos.

O jogo foi equilibrado e o domínio repartido: as “águias” entraram melhor, os dragões reagiram e perderam uma oportunidade clara. Na segunda parte, entraram melhor os de Couceiro mas, mesmo antes do golo de McCarthy, Nuno Assis e Geovanni perderam duas grandes “chances”. Após o empate do Benfica voltou o equilíbrio com McCarthy, primeiro, e Nuno Gomes, depois, a “perdoarem”.

Face a isto, nada ficou resolvido – como aconteceria com qualquer resultado – e tudo ficou ainda mais baralhado na frente.

O Sporting “despachou” o Estoril como lhe competia (com mais dois do “levezinho” e o “regresso” do Niculae) e, agora, os três grandes seguem empatados em primeiro lugar com 42 pontos.

A “complicar” as contas Boavista e Braga estão logo a seguir com 40 pontos.

“Isto” é coisa nunca vista na (chamada) SuperLiga portuguesa e já vamos na jornada 23.

O campeonato está como nunca e está difícil perceber o que vai acontecer.

O Sporting apresenta o melhor futebol, mas é uma equipa com “paragens”, “intermitente”, que, com uma defesa instável, pode prejudicar o futebol ofensivo.

Há, no entanto, entre a equipa de Alvalade uma “espinha dorsal” intocável: Ricardo (no melhor momento de forma desde que está de “leão” ao peito), Enakarihre (este nigeriano é um verdadeiro achado), Custódio (pêndulo da equipa. A equipa desce de produção na sua ausência e o plantel não tem substituto directo), Carlos Martins (o “maestro”, apesar de ter perdido gás após a lesão) e, claro, Liedson (o “levezinho” resolve).

Depois ainda há: Rogério, Polga, Rochemback, Hugo Viana, os “renascidos” Sá Pinto e Niculae (belo regresso contra o Estoril), os capitães Beto e Pedro Barbosa, Douala (grande início de época) e o miúdo Moutinho.

No Benfica, os adeptos rezam para que não haja lesões graves e castigos prolongados.

A equipa não tem grandes opções mas se Trapattoni tiver todo o plantel à disposição pode conseguir lutar pelo título.

Luisão, Miguel, Petit, Manuel Fernandes e Simão são “obrigatórios” em qualquer Benfica nesta época e, por isso, são massacrados com muitos minutos.

Por exemplo, o “capitão” nem sequer tem um suplente para a sua posição no plantel. O que acontece se o “20” “encarnado” não puder jogar durante quatro ou cinco jogos? Adaptações e a obrigatória perda de qualidade.

Numa segunda linha: Ricardo Rocha, Nuno Gomes, Geovanni e Nuno Assis (que, normalmente, completam os titulares).

Depois: Karadas, Alcides, João Pereira e Dos Santos (que ainda dão garantias).

A partir daqui ou não sabemos (tipo Everson e André Luiz que nunca jogaram) ou não queremos saber (tipo Paulo Almeida).

Há, obviamente, o “caso” da baliza: Moreira e Quim são dois grandes guarda-redes e a baliza fica bem entregue. Eu apostaria no mais jovem (por todas as razões… e mais uma – saiu injustamente da equipa após Belém).

O FC Porto vive uma época completamente atípica (três técnicos e carradas de jogadores utilizados).

Agora, com José Couceiro tem “obrigação” de melhorar, até porque tem um lote de jogadores impressionante, apesar de também desequilibrado (faltam extremos).

Vítor Baia, Jorge Costa, Nuno Valente, Costinha, Maniche e McCarthy fazem parte do “núcleo duro”.

Seitaridis, Ricardo Costa (grande época está a fazer), Diego já são confirmações.

Depois há os intermitentes (por exemplo Quaresma e Bosingwa) e os novos que ainda conhecemos mal e que mal conhecem o clube (Ibson, Bonfim, Leo Lima, Cláudio Pittbull…). A juntar a estes há ainda o Fenómeno Fabiano (grande jogador que parece zangado com o futebol e as boas exibições).