quarta-feira, novembro 23, 2005

Não havia necessidade

Abel Xavier foi hoje suspenso pela UEFA por 18 meses por ter acusado doping num jogo internacional ao serviço do Middlesbrough.

A análise e a contra analise confirmaram a presença de um esteróide anabolizante de nome "dianabol".

O jogador sempre se disse inocente e defendeu a "existência de uma explicação" para o seu caso.

O que é certo é que a UEFA não foi em conversas e deu um castigo exemplar ao atleta português, que lhe deve te acabado com a carreira.

Não percebo como é que um jogador que jogou em todos os principais campeonatos do mundo (Espanha, Itália, Inglaterra, entre outros) se deixa vergar ao “doping”.

Com este curriculum (a que se junta a camisola das “quinas”), Abel Xavier tinha que saber sair pela “porta grande” e não pela “porta dos fundos”, sem dignidade.

Os jogadores têm que ter a capacidade de perceber quando estão no final da carreira e não andarem a arrastar-se em campo, muito menos com “ajudas exteriores”.

Apesar dos muitos penteados "à maneira" não tiveste cabeça. Não devias ter acabado assim... “Não havia necessidade”.

As lesões, as lacunas e os erros

Esta é uma situação que se tem arrastado há semanas no Benfica e que merece reflexão e, já agora, justificações.

As lesões de Simão e Miccoli e tudo o que se tem passado à volta destes casos não é normal e deveria ser bem explicado por quem de direito no Benfica.

O avançado italiano lesionou-se nos primeiros minutos da partida frente ao FC Porto, há mais de um mês, jogou cinco minutos frente ao Sporting de Braga e regressou à titularidade no jogo de ontem em Paris.

Depois de 40 minutos em campo e, após uma corrida, Miccoli voltou a ressentir-se e teve que sair.

Estava recuperado e foi azar? – como diz Koeman – ou não estava em condições de jogar?

Já o “capitão” lesionou-se no final do jogo da Taça de Portugal frente ao Leixões e, desde aí, tem andado intermitentemente entre o joga, não joga, recupera não recupera.

O que é certo é que, forçado ou não, sempre que Simão entra em campo desde esse jogo do Bessa não rende o que é habitual e, pior do que isso, fica fora dos jogos seguintes.

Simão precisaria de parar mesmo, recuperar a 100% e só então voltar ao nível a que nos habituou, para bem dele e do clube.

É certo que o “20” é um jogador fundamental no Benfica, mas a direcção do clube, a equipa técnica e a equipa médica não podem continuar a brincar com o atleta.

A estes dois casos estranhos, juntam-se ainda outros dois: Quim e Karagounis.

O guarda-redes foi operado a uma hérnia inguinal e – dizia-se – o tempo de recuperação era de nove dias. O que é certo é que, passadas várias semanas, o jogador continua a queixar-se de dores e está a jogar limitado.

Já o médio grego lesionou-se na partida frente ao Lille e desde aí tem-se arrastado em campo, sem conseguir “mostrar serviço”.

Os mesmos que se gabam que o Benfica tem o melhor departamento médico do país deveriam vir explicar estes quatro casos. O holandês preparador físico também deveria vir dizer de sua justiça.

As lacunas do plantel “encarnado” não podem servir para forçar os jogadores para além do limite.

Por favor, não se esqueçam do Mantorras. Um caso como este não se pode repetir.

Mal menor

O Benfica empatou a zero frente ao Lille na quinta jornada da Liga dos Campeões e adiou as decisões do grupo para a última jornada.

Agora, os “encarnados” “só” têm que ganhar ao Manchester United em casa. O jogo decisivo na Luz está marcado para dia 7 de Dezembro. Falaremos sobre este jogo decisivo mais perto do dia “D”.

Em relação jogo de ontem, o que é que se pode dizer?

Primeiro, ia morrendo de susto quando, por volta das 15 horas, fiquei a saber o “onze” que Ronald Koeman ia apresentar em França.

Não é possível, pensei eu, devo estar a ler isto mal. Umas horas depois, a confirmação.

Entretanto, começou o jogo e, resultado desta equipa, a defesa esteve quase irrepreensível (só me lembro de dois ou três sustos) mas, de ataque, “zero”. O único remate à baliza dos franceses foi de Mantorras, aos 94 minutos.

Como se podiam criar situações de perigo se não havia ninguém para alimentar os dois avançados, os únicos com tendências ofensivas?

Como é possível que o Benfica se acobarde desta maneira num estádio “português” em Paris? Foram sete defesas em 11, como se o Lille fosse a mais forte equipa do mundo.

É certo que o Benfica não tinha Simão (só isso é metade da equipa), Karagounis e Miccoli (que esteve, mas não esteve) e o plantel – devido às lacunas já conhecidas – não tem opções, mas ainda havia Geovanni e, especialmente, Karyaka que podiam e deviam ter jogado.

Este é mais um jogo da Champions em que fica a sensação de que os campeões nacionais não deram tudo o que podiam.

Conclusão voltamos à “máquina de calcular”… e eu tive vontade vontade de chorar por ver o Benfica a jogar (!?!) assim.

Nota final para a espectacular ajuda dos emigrantes que, quase encheram o "Stade de France", sempre apoiando o Benfica.

“Injecção assistida”

A Comissão Disciplinar da Liga de clubes instaurou um processo de inquérito a Nuno Gomes devido ao “gesto” no jogo frente ao Sporting de Braga.

De recordar que, após o terceiro golo dos arsenalistas, o “21” fez o gesto de injecção, insinuando que os jogadores do Sporting de Braga estavam dopados.

Há nesta “estória” dois pontos que merecem análise.

Primeiro, o lado do avançado do Benfica.

Das duas uma: ou o jogador tem a certeza do que está a dizer e tem que avançar com provas ou foi simplesmente um desabafo no “calor do jogo” e uma atitude desesperante de “mau perder” e, portanto, vai ter que rapidamente pedir desculpas públicas.

Agora, o lado da Comissão Disciplinar.

Se Nuno Gomes não apresentar provas, tem que ser castigado. Já houve no passado uma situação semelhante com Costinha que, ao serviço do FC Porto, foi castigado depois de um gesto. Este critério tem que ser mantido, independentemente dos jogadores em causa.

Posto isto, acho inacreditável que os senhores “juízes da bola” precisem de queixinhas de terceiros para actuar. Será que não têm olhinhos na cara?

Nota final para o FC Porto. Foram os “dragões” que fizeram queixa do, na altura, “capitão” dos “encarnados”. Ainda bem que os portistas estão atentos aos lances duvidosos. Fico à espera de ver o que vão fazer no futuro, mesmo em relação aos jogadores do próprio clube. Atenção que “quem anda à chuva, molha-se”.

terça-feira, novembro 22, 2005

Dia “D”

O Benfica joga esta terça-feira a quinta jornada do grupo “D” da Liga dos Campeões. O jogo é frente ao Lille e os “encarnados” jogam em “casa” no Stade de France.

À equipa de Koeman, na esperança de ainda evitar a máquina de calcular, só a vitória interessa.

Os campeões nacionais foram os únicos, até agora, a ganhar aos franceses na Champions (golo no último minuto de Miccoli), precisam de repetir o triunfo, mas não vai ser fácil.

As razões são várias e estão dos dois lados da barricada:

· o Lille está motivado (por resultados internos e externos), quer vingar-se da derrota da primeira volta, os jogadores são fortes fisicamente e rápidos no ataque
· o Benfica não tem Simão e não sabe se vai ter Quim, não tem equipa para “pegar no jogo” e está em “crise” após quatro jogos sem vencer

Posto isto, os “encarnados” têm que dar tudo por tudo, superar-se e esperar que os jogadores “nucleares” apareçam.

A defesa tem que recuperar a consistência que teve, por exemplo, em Manchester United, Villarreal e “Dragão”, Nelson tem que fazer um jogo à Nelson, os dois “trincos” têm que voltar a pegar na equipa, o “Soneca” tem que entrar em campo, Karyaka tem que “explodir” e os dois da frente têm que voltar a entender-se.

Estou consciente que estou a pedir quase o impossível, mas sonhar (ainda) não paga imposto.

Sem o “capitão” Simão, mas já com Miccoli, Koeman deve voltar ao 4-4-2, que deu bons frutos à equipa:

Quim (?); Nelson, Luisão, Andersson e Leo; Petit e Manuel Fernandes, Geovanni e Karyaka; Miccoli e Nuno Gomes.

Ao que parece, o técnico holandês tem dúvidas quanto ao defesa esquerdo (Ricardo Rocha pode ser titular).

Nota final para a “novela” Simão.

Não entendo como é possível que se ande a brincar com a saúde (física) de um jogador porque das duas uma: ou o “20” está lesionado e tem que parar de vez, ou não está e tem que jogar.

Agora, esta intermitência do joga, agrava lesão, não joga, recupera, joga, agrava lesão, não recupera, tem que parar.

O jogador acaba por se prejudicar a si próprio e ao clube.

segunda-feira, novembro 21, 2005

A ponta do iceberg

O futebol sénior do Farense, o clube mais representativo do Algarve dos últimos anos, fechou as portas. Há muitos clubes à beira do precipício.

Foi vertiginosa a queda do clube algarvio, que passou de uma presença na UEFA, para o desaparecimento em poucos anos.

É inexplicável como uma zona tão importante para o nosso país deixa cair um dos seus porta-estandartes.

Entretanto, a crise no nosso futebol agrava-se e alastra a outros clubes do país, de todas as divisões.

O primeiro a dar o sinal de alerta foi outro histórico: o Salgueiros e, já esta época, Vitória de Setúbal, Estoril, Ovarense, Marco têm tido problemas em pagar os salários.

Os atletas avançaram para pré-avisos de rescisão de contratos (alguns com sete meses de ordenados em atraso), mas, incrivelmente, alguns dirigentes conseguem culpar o Sindicato de Jogadores por estar a “patrocinar” estas atitudes.

Os senhores dirigentes deviam era estar a procurar soluções para pagar o que devem e, assim, cumprir os seus compromissos com os atletas.

Todos assinaram os contratos de livre vontade e, se não estão a ser cumpridos, a culpa não é, seguramente, dos jogadores.

O problema maior do nosso futebol é a incompetência dos nossos dirigentes que não sabem gerir os clubes com o dinheiro que têm e, “com mais olhos que barriga”, prometem e não cumprem.

Os dirigentes federativos e da Liga têm que pôr mão nisto: os clubes têm que ser obrigados (para além do pagamento de impostos) a dar garantias bancárias para os salários dos jogadores.

Por outro lado, talvez não fosse mal pensado reduzir o número de clubes por divisão (12 ou 14 equipas) e criar tectos salariais (ao estilo da NBA).

Por fim, os dirigentes dos clubes têm que ser pessoas capazes e não uns artolas que se servem do futebol para ganhar protagonismo e/ou “lavar dinheiro”.

domingo, novembro 20, 2005

O primeiro balanço

Joga-se este fim-de-semana a jornada 11 da Liga, o que quer dizer que está jogado o primeiro terço do campeonato.

Esta tem sido uma época de altos e baixos. Os três grandes já estiveram, alternadamente, na mó de cima e na mó de baixo.

Reafirmo o que já tinha escrito: o FC Porto, apesar das teimosias de Co Adriaanse, é a equipa que está melhor apetrechada para chegar ao título.

Os “dragões” reencontraram algum equilíbrio quando descobriram que no futebol também é preciso defender.

O Sporting, depois de ter despachado José Peseiro, só pode melhorar.

A questão é saber se, com novo presidente, administrador, director e treinador, consegue a estabilidade necessária para levar o barco de Alvalade a bom porto.

Por outro lado, continua a incógnita Paulo Bento que já fez coisas boas, mas que está a ter reacções inesperadas e que provam a sua inexperiência.

O Sporting de Braga, de Jesualdo Ferreira, está a comprovar que é, mesmo, candidato ao título e que o trabalho desenvolvido na época passada não foi por acaso.

Vamos ver como a equipa resiste à pressão, que cada vez será maior, e como se aguenta se continuarem as lesões que a têm afligido.

Já o Benfica volta a estar em situação delicada na tabela, já depois de ter conseguido um período de cinco vitórias consecutivas.

Os “encarnados” têm oito pontos de atraso, provam que têm um plantel curto que não “aguenta” a lesão de Simão.

Para além dos “grandes”, destaque colectivo para Nacional da Madeira e Vitória de Setúbal. Desilusão maior é o Vitória de Guimarães, mas também o Penafiel de Luís Castro.

O mercado de transferências reabre em Janeiro. Falaremos sobre isto daqui a algumas semanas.

As confirmações

O Benfica confirmou, esta noite, a crise de resultados desde que está sem Simão e o Braga confirmou que é, efectivamente, candidato ao título.

Depois do jogo desta noite no municipal de Braga há vários tópicos que convém realçar:

· A vitória da equipa de Jesualdo Ferreira é inquestionável
· O Sporting de Braga é líder da Liga com justiça
· A derrota do Benfica é inapelável e já são quatro jogos sem vencer
· Os “arsenalistas” jogaram para ganhar, os “encarnados” para não perder
· A exibição do árbitro João Ferreira é absolutamente lamentável
· A segunda parte do campeão nacional foi zero
· Simão e Quim não estavam a 100% e não deviam ter jogado
· Geovanni e Beto não jogaram mesmo

Posto isto, o Benfica recua até à quarta jornada e volta a ter oito pontos de atraso.

A situação complica-se para Koeman e ainda faltam muitos jogos até à reabertura do mercado. Terça-feira é "dia D" na Liga dos Campeões.

Espero que os dirigentes do Benfica venham agora comentar o penalty inventado de que beneficiaram em Braga.

Não nos podemos apenas queixar quando somos prejudicados e assobiar para o ar quando um lance nos beneficia. Já agora, o terceiro golo do Braga é fora de jogo, mas isso não altera o resultado.

segunda-feira, novembro 14, 2005

A lei da rolha

Num curto espaço de tempo dois jogadores do Benfica foram multados por prestarem declarações sem prévia autorização do clube.

Mantorras falou a um programa da SIC, com cachecol do Sporting ao pescoço, e Simão falou à Sporttv da possibilidade de sair em Janeiro. Resultado: ordenado mais leve no final do mês.

Ao que parece, no princípio da época, todos os jogadores do plantel são obrigados a assinar um documento em que as regras são explicadas.

Para mim, as situações dos dois jogadores são diferentes.

Por um lado, parece-me negativo, castrador, anti-democrático que os jogadores sejam impedidos de falar, sempre e quando o entenderem (já são crescidos, têm cabeça e até empresários para se aconselharem, por isso…).

Sou contra estas limitações aos jogadores, como sou, por exemplo, contra os estúpidos black-outs que os clubes usam e abusam sempre que lhes “dá jeito” por esta ou aquela razão.

Por outro lado, no entanto, não me parece nada bem que um jogador de determinado clube (no caso o Benfica) aparece com um ornamento de uma equipa rival (no caso o Sporting), especialmente estando consciente do que tinha assinado no início da temporada.

Agora, que o mal está feito, está na altura de seguir em frente. Os jogadores pagam a multa e o assunto deve morrer aqui. Penso que não se devem alimentar mais polémicas.

Já agora, só uma nota final: se o Benfica dá tanta importância às entrevistas que os seus jogadores dão, parece-me que falharam ao deixar o jovem Rui Nereu tão exposto após a partida em Villarreal. Se calhar, essa desatenção pagou-se em pontos e contos no jogo da “segunda mão” na Luz.

Outras bolas (3)

Depois de Ticha Penicheiro e Tiago Monteiro o terceiro destaque nesta secção vai para Vanessa Fernandes.

A atleta portuguesa, filha de Venceslau Fernandes (ciclista destacado dos anos 80), é o nome em grande destaque no triatlo mundial.

Apesar de ter apenas 19 anos, Vanessa Fernandes terminou o Mundial em quarto lugar, ficou nos primeiros lugares dos Jogos Olímpicos e, este ano, ganhou quatro provas da Taça Mundial.

Atenção que a jovem ganhou as quatro provas em que participou até ao momento, ou seja, tem 100% de aproveitamento.

O que é incrível é que Vanessa Fernandes, ao que parece por falta de verbas da Federação de Triatlo, não participou em mais nenhuma etapa da competição.

A questão que se coloca é: como é possível que não se dê condições a estes jovens que já provaram que são capazes de prestigiar-se, a si próprios e, já agora, ao país?

É que, para além, da Vanessa há outros jovens que já se destacaram nas respectivas modalidades (Emanuel Silva, na canoagem, Diana Gomes ou Tiago Venâncio, na natação, Nuno Merino, no trampolim, etc,etc) e que estão, ou deveriam estar já no plano “Pequim 2008”.

Será que estão? Será que tem condições de treino?

domingo, novembro 13, 2005

Rei de África

Não sou grande fã de Manuel José-treinador, mas é obrigatório reconhecer que o homem tem mérito.

O “seu” Al-Ahly conquistou a Liga dos Campeões africanos, a segunda sob o seu comando, e soma já mais de 50 jogos consecutivos sem perder.

Manuel José está a fazer um grande trabalho no Egipto e não é de modas: tem a melhor equipa africana do momento. Não sei se é verdade, o certo é que os resultados parecem darem-lhe razão.

Depois de em Portugal ter falhado em Sporting e Benfica, mas conseguido bons trabalhos em Leiria e Boavista, talvez Manuel José esteja no ponto para assumir um outro cargo num campeonato mais importante, ou mais mediático.

Seja qual for o seu futuro, seguramente, no Egipto vai ser tratado com todo o respeito. Vamos continuar a acompanhar a carreira do técnico e as suas picardias com o homem do momento: José Mourinho (pelo menos desde os tempos de Leiria).

sábado, novembro 05, 2005

“Cartão vermelho” (*)

Não, não vou falar sobre o “Ensaio sobre a Cegueira”, nem sobre nenhum outro livro de José Saramago, mas sobre o erro grosseiro da equipa de arbitragem no jogo de Alvalade.

Sim, porque o erro é da equipa de arbitragem. O senhor Augusto Duarte não se pode só desculpar com a falta de vista de António Neiva.

Quando na época passada se deu o polémico lance apitado por Olegário Benquerença (golo de Petit sobre o FC Porto que o árbitro não viu), muito se falou, muito se escreveu, muito se viu, mas nada se fez.

Agora, alguns meses passados, cá estamos outra vez, com um lance ainda mais evidente. Se algumas almas ainda têm dúvidas no primeiro lance, ninguém pode sequer pestanejar agora.

Estava 1-0, nunca saberemos o que aconteceria se tem sido validado o golo de Renato, o que sabemos é que seguramente tudo teria sido diferente.

Como sempre vai falar-se sobre este golo da União de Leiria (não tanto como o golo do Benfica porque não é um jogo grande e porque não há a mínima dúvida), mas nada se vai fazer.

Talvez o senhor Neiva fique, durante uma ou duas semanas, a ver (!?) o futebol pela televisão e… nada mais.

Gostaria, no entanto, de me solidarizar com o árbitro assistente. É que, se fosse eu que estivesse sem óculos, também não teria visto a bola dentro da baliza.

Notas finais:
· patética a imagem do fiscal de linha a limpar a vista enquanto fala com o árbitro após o lance;
· lamentáveis as declarações de Paulo Bento que quase justificou este erro com lances noutros jogos em que alegadamente terá sido prejudicado;
· o treinador ainda veio dizer que os outros [as outras equipas] são mais beneficiadas porque se “choram muito” (onde esteve Paulo Bento durante o “reinado” de Dias da Cunha?!);
· ficamos à espera que a comissão disciplinar da Liga, depois do sumaríssimo a Petit, faça o mesmo a Fábio Felício que ontem agrediu João Moutinho;


(*) Talvez esta se torne mais uma rubrica deste blog para analisar os erros grosseiros da arbitragem.

quinta-feira, novembro 03, 2005

“Febre amarela”

O Benfica perdeu em casa com o Villarreal e, pior do que isso, complicou muito as contas para a segunda fase da Liga dos Campeões.

É verdade que o jogo não foi grande coisa e que na primeira parte os espanhóis até foram superiores mas, por aquilo que fez no segundo tempo, a equipa da Luz merecia outro resultado.

Não aconteceu, é pena, mas é assim o futebol.

Que razões para esta derrota? Várias.

• Simão jogou tocado e a equipa ressentiu-se (muito) disso
• Geovanni não esteve em campo
• Karagounis não tem pernas para 90 minutos
• Nelson fez o pior jogo desde que está no Benfica
• Mantorras e João Pereira acrescentaram (?!) pouco à equipa
• Petit e Manuel Fernandes não podem fazer tudo
• Nereu teve culpa no golo sofrido, mas ninguém marcou o brasileiro
• O guarda-redes do Villarreal não foi “apertado”
• Nuno Gomes teve pouco jogo
• Não há Miccoli
• Koeman podia ter apostado em Karyaka

Agora, faltam dois jogos e a situação no “grupo D” está deveras “embrulhada” com o Lille também a entrar nas contas.

Faltam dois jogos (fora com os franceses e em casa com o Manchester United), objectivo: seis pontos… ou começam as contas.

quarta-feira, novembro 02, 2005

“Tudo ou (quase) nada”

O Benfica defronta, esta noite, aquele que é, em teoria, o seu adversário directo na qualificação para a segunda fase da “Champions”.

Por isso mesmo, só há um resultado possível: os “encarnados” têm que afundar o “submarino amarelo”.

Mas atenção, como a própria “alcunha” indica, o Villarreal é uma equipa “matreira”, que aparece e desaparece nos jogos, especialista no contra-ataque, com jogadores fortes na frente.

Qualquer equipa com Forlan, José Mari e Figueroa a serem servidos por Riquelme merece toda a atenção.

Para além disso, como já aqui se escreveu (“Sorriso amarelo”), o Benfica tem, por contingências (leia-se lacunas) do plantel, dificuldades em assumir o jogo, especialmente se tiver pela frente equipas semelhantes.

Sendo assim, da mesma forma que disse que o jogo com o Manchester United em Old Trafford era o mais fácil do grupo, digo agora que este é o mais difícil – o jogo do “Tudo ou (quase) nada”.

É certo que a defesa do Benfica está a funcionar bem, falta saber se consegue, mantendo essa consistência defensiva, prender o adversário atrás sem correr demasiados riscos nas costas.

Parece que Simão vai jogar e essa é a primeira boa notícia do dia. Falta saber em que condições estará o “capitão”.

Aliás, essa é uma dúvida que alastra a outros jogadores da equipa: como estão Geovanni ou Karagounis?

O plantel é curto – não é novidade - por isso, as “faltas” notam-se e muito (*).

(*) Nunca mais chega Janeiro, mas sobre isso falaremos num outro "post".

terça-feira, novembro 01, 2005

Afinal, quem tem Co tem medo

O FC Porto perdeu em Itália frente ao Inter de Milão (2-1) muito por culpa do seu técnico, que se amedrontou.

O treinador holandês, que apregoa o futebol de ataque e que não muda de atitude consoante o adversário, deu esta noite (mais) dois enormes tiros nos pés.

Depois de ter controlado na primeira parte, os “azuis e brancos” fizeram, ao contrário do que defende o treinador, duas substituições claramente de tracção atrás e não conseguiram aguentar-se.

Depois de ter dado a mão à palmatória – sem o admitir – após a derrota frente ao Benfica, em que fez mudanças para equilibrar a equipa, hoje o senhor Adriaanse errou nas substituições e perdeu o jogo por culpa própria.

No Guisepe Meazza, o senhor Adriaanse parecia um tal de Norton de Matos no estádio do Dragão.

Espero que Mancini lhe diga que, neste jogo, o Inter podia ter jogado sem guarda-redes.

PS: Como sempre, Co Adriaanse descarta qualquer responsabilidade na derrota.

segunda-feira, outubro 31, 2005

“Fora de jogo”

Estava prometido que não se falaria de assuntos colaterais ao jogo jogado e às quatro linhas neste espaço. No entanto, sinto-me tentado a abrir uma nova rubrica para as excepções.

Depois do “Outras bolas” (em que se fala de outros desportos que não o desporto-rei), aqui está o “Fora de Jogo”.

Para a estreia, a personagem principal é Chumbita Nunes, presidente do Vitória de Setúbal.

Está prometido que é nesta semana que os jogadores do plantel sadino vão receber parte dos salários em atraso. A última vez que a maioria viu “a cor do dinheiro” foi em Julho. Em causa estará uma verba a rondar os 275 mil euros.

Para além de ser grave que um clube profissional (ou qualquer empresa) não tenha dinheiro para pagar aos seus funcionários (especialmente quando tem – ou deveria ter - que apresentar contas em dia e garantias bancárias), há ainda um outro dado “curioso”.

É que, enquanto os jogadores estão com vários meses de salários em atraso, ficou a saber-se, durante a assembleia geral do clube, que o senhor Chumbita tem o seu ordenado de presidente em dia.

Ora, a questão que se coloca é: “Onde está a moralidade disto?”. “Como pode um líder de um grupo motivar as suas "tropas" se está em condições de completa desigualdade?”.

A pérola é que o senhor Chumbita justifica o facto de ter as suas contas em dia (ao que consta oito mil euros mensais) com o facto do dinheiro que recebe do Setúbal ser o seu único rendimento!!!

A sério! Não me diga. Já agora que outros rendimentos recebem os atletas do plantel profissional do Vitória de Setúbal?

Por favor, senhor Chumbita, faça um favor ao Setúbal: demita-se.

quinta-feira, outubro 27, 2005

O erro da baliza

O Benfica confirmou ontem, pela voz do Director-geral, após o jogo com o Leixões, que não vai, pelo menos para já, contratar um novo guarda-redes.

José Veiga diz que não faz sentido contratar um jogador que só pode alinhar na “Champions”.

Entretanto, Moreira está lesionado nos próximos seis meses e Quim está “fora de jogo” 10/15 dias.

Tendo em conta todas estas permissas, acho bem.

Terminou assim mais esta novela em que o nosso campeonato é pródigo. Ficam, no entanto, algumas notas.

· Não entendo como é que o campeão nacional, que está em quatro competições (Liga portuguesa, Liga dos Campeões, Taça de Portugal e SuperTaça), comete o erro de ter apenas duas opções para um lugar específico como a baliza.
· Não entendo como é que, depois de “casa arrombada”, os “encarnados” querem pôr “trancas na porta”, ou seja, tentar um regime de excepção para ir buscar um outro guarda-redes.
· É que, das duas uma: ou era “obrigado” a ter um terceiro homem (Yannick está emprestado), ou tinha que ter confiança absoluta nos miúdos da equipa “B”.
· Não entendo como é que a UEFA tem regras que não são seguidas pela Liga Portuguesa (não só no que diz respeito aos “keepers” mas também aos atletas desempregados).
· Não entendo a pressa da Liga para, agora, ir marcar uma Assembleia-Geral e discutir estes dois assuntos. Em princípio, devem ser aprovados, mas a questão é que tudo já devia estar definido e harmonizado há muito tempo.

sexta-feira, outubro 21, 2005

Leãozinho

Paulo Bento foi, finalmente, confirmado como técnico principal do Sporting, depois de dois dias de pressões (*) e indefinições.

Como já aqui tinha escrito era difícil, por várias razões, que os “leões” conseguissem contratar um treinador com currículo.

Por um lado, há a questão da própria “instabilidade interna” do clube, com eleições a curto prazo; por outro lado, há o “pormaior” do “Project Finance”, que impede que se paguem grandes salários aos profissionais.

Com estes dois condicionalismos, o novo presidente tinha, quase obrigatoriamente, que escolher uma solução interna ou um ex-“leão”.

Filipe Soares Franco, com a ajuda do “regressado” Carlos Freitas, escolheu Paulo Bento, numa decisão arriscada, mas que terá sido bem ponderada.

O antigo médio tinha, como jogador, cultura táctica e forte personalidade (nunca se escondeu e nunca deixou de dizer o que achava que tinha que dizer).

Bento, 36 anos, está em Alvalade há mais de cinco anos, depois de ter passado por Oviedo, Benfica, Guimarães e Estrela da Amadora, para além da Selecção Nacional.

Conhece bem o clube, os dirigentes, o plantel (muitos ainda foram seus colegas) e – diz quem o conhece – não pactua com indisciplinas (um dos males da equipa), mas sabe dialogar. Tudo isto é (muito) positivo…

A sua lacuna (se é que se pode dizer assim) é a falta de experiência: nunca treinou uma equipa grande, aliás, nunca treinou uma equipa sénior e, por isso, falta ver se tem mãozinhas para este “barco” que tem navegado em mar revolto.

O título de juniores, conquistado na época passada, pode ser um bom indicador, mas com “graúdos”, a “coisa” pia mais fina. O exemplo máximo desta diferença é Carlos Queirós, que ganhou tudo com “miúdos” e nada com seniores.

Estabilizada a equipa, com novo treinador e um director-desportivo que percebe de futebol, os “leões” têm tudo para melhorar.

É certo que já foram perdidas a Liga dos Campeões e a Taça UEFA, mas o Sporting tem ainda a Taça de Portugal e está, apenas, a cinco pontos do líder Sporting de Braga.

Como jogador, eu era fã de Paulo Bento… como treinador, esperamos para ver. Só posso desejar-lhe boa sorte…

(*) Se é verdade que as claques tentaram impedir a subida de Paulo Bento a técnico principal, incluindo com telefonemas para dirigentes, é mais uma atitude lamentável, num clube que tem estado sem comando.

quarta-feira, outubro 19, 2005

“Vassourada” (*)

O presidente do Sporting apresentou a demissão de todos os cargos, um dia depois de ter aceite as renúncias de José Peseiro e Paulo Andrade.

As situações do técnico e do administrador eram, como já escrevi, insustentáveis e, assim, acabou por ser tomada a decisão correcta para bem do clube.

Já a decisão de Dias da Cunha pode ser algo surpreendente, apesar desta hipótese ter sido avançada como uma das mais prováveis.

A solução parece ir desembocar em eleições antecipadas, para antes do início da próxima temporada, por forma a que a nova Administração e a nova equipa técnica tenham tempo de preparar o plantel.

Até lá, o clube fica entregue a Filipe Soares Franco, número “dois” de Dias da Cunha, ex-presidente do Estoril e que cometeu algumas “gaffes” já em Alvalade (aquela do Papa é de "bradar aos céus").

“Isto” deve ainda implicar que, para a equipa técnica, seja encontrada uma solução mais ou menos provisória. Não acredito que nenhum técnico de prestígio aceite tomar conta do Sporting numa altura em que as eleições estão à porta.

Só uma nota: Este senhor Soares Franco não estava demitido? Como é isto de cooptar um dirigente que tinha batido com a porta?

(*) Pedido feito por adeptos leoninos depois da derrota em casa contra a Académica.

“Sorriso amarelo”

O Benfica podia e devia ter ganho, ontem, no El Madrigal em Villarreal. O empate soube a pouco.

Os “encarnados” jogaram melhor, controlaram a maior parte do encontro, criaram boas oportunidades, marcaram um grande golo e, já agora, tiveram um árbitro que não ajudou muito.

Na actual conjuntura da equipa de Koeman, como se viu no “Dragão”, contra equipas fortes, o Benfica tem vantagens em jogar fora: a defesa está forte e consistente, os meios centro estão em grande forma e os avançados podem sair rápido para o ataque.

Ontem, contra o “Submarino Amarelo”, foi isto que aconteceu, faltou só que o ataque conseguisse sair mais vezes para a frente.

Resumindo, por um lado, “faltaram” Simão e Geovanni - que tardam em ser consistentes – e, por outro, ainda não esteve o verdadeiro Karagounis que só consegue fazer 45/60 minutos em ritmo de passeio.

Do lado do Villarreal só se viram 20 minutos de alguma pressão, do início da segunda parte até ao golo.

Depois de terem descansado na Liga espanhola, Riquelme, Forlan e Figueroa pouco fizeram, neste jogo, para justificar o estatuto de estrelas que ostentam. Acredito que, muito por culpa do Benfica.

Destaque ainda para a estreia de Rui Nereu que fez três boas defesas e pareceu não acusar a responsabilidade. Agora, calma, não esperem que o miúdo defenda tudo e não o crucifiquem ao primeiro erro.

Entretanto, na Champions, o Benfica está em segundo lugar ao fim da primeira volta.

É bom, mas podia ser melhor: fica a sensação de que, nos dois jogos fora, os campeões nacionais, podiam ter conseguido mais pontos.

Atenção que agora, ao contrário do que dizem os comentadores, vem aí, por aquilo que já expliquei, a fase mais difícil do calendário: jogos em casa com Manchester e Villarreal (o Benfica vai ter que pegar no jogo) e fora com o Lille (onde vai ter que ganhar onde os outros empataram).

Nota final para a atitude em campo do Benfica, que já não se atemoriza nos palcos internacionais. Como me relembrou um amigo meu, a equipa está muito mais “crescida” em relação, por exemplo, à exibição em Trondheim, onde só um grande Moreira salvou uma derrota certa.

segunda-feira, outubro 17, 2005

Outras bolas (2)

Como já tinha avisado, este blog não é só sobre futebol e, por isso, cá fica mais um apontamento de outra modalidade.

Tiago Monteiro terminou a época de Fórmula 1 com um balanço extremamente positivo.

Ao volante de um “Jordan”, um dos piores carros do “Circo”, o piloto português suplantou todas as expectativas.

· Conseguiu, na maioria da temporada, ficar à frente de Narain Karthikeyan, o colega de equipa, e, obviamente, dos Minardi.
· Bateu o recorde do melhor “rookie” no que diz respeito às provas terminadas. Tiago Monteiro só não terminou uma das 19 etapas.
· Fez pontos em duas provas: Estados Unidos e Bélgica

Não tem ainda confirmada a presença na próxima temporada mas, uma coisa é certa, merecia estar entre os “20 mais”.

domingo, outubro 16, 2005

A tradição já não é o que era…

O Benfica ganhou ontem na “Invicta”, 14 anos depois, com Nuno Gomes a imitar César Brito e a marcar os dois golos da partida.

Os “encarnados” mereceram ganhar, é indiscutível, e recuperaram sete dos oito pontos oferecidos nas primeiras três jornadas da Liga.

A equipa de Koeman esteve defensivamente irrepreensível (grande exibição dos dois centrais) e eficaz no ataque com dois golos em quatro oportunidades.

Obviamente que nem tudo foi perfeito - e sobre isso falaremos noutros “posts” – mas, na luta entre técnicos holandeses, Ronald Koeman voltou a levar a melhor sobre Co Adriaanse.

A já habitual teimosia do treinador dos “dragões” beneficiou o Benfica que soube aguentar o caudal ofensivo dos portistas (uma oportunidade em 90 minutos) e aproveitar a conhecida debilidade defensiva “azul e branca”.

Deixar os recuperados Pedro Emanuel e Jorge Costa de fora, não convocar o médio-trinco-mais-trinco que tem no plantel (Raul Meireles), continuar a apostar em Bosingwa e César Peixoto nas laterais são autênticos atentados ao futebol.

Enquanto o senhor Co Adriaanse continuar a achar que o futebol é só atacar, os adversários do FC Porto vão ter muitas razões para sorrir.

Ontem, depois do jogo, dei por mim a pensar que o senhor Adriaanse seria o técnico indicado para o Real Madrid de Florentino Peres com avançados e mais avançados, a ganhar jogos por 6-5 ou 7-0, mas, também, a perder muitos por 3-4 ou 3-0. Puro espectáculo, zero resultados.

Três notas finais: o senhor Co Adriaanse diz que não viu lenços brancos nas bancadas do "Dragão", percebe-se agora porque é que ele não vê a defesa a meter água, o homem tem problemas de visão; as quatro oportunidades do Benfica (dois golos, o remate de cabeça de Simão a rasar o poste e o contra-ataque frustrado 3 contra 1) nasceram do lado direito do ataque “encarnado”, lado esquerdo da defesa portista, onde “estava” César Peixoto; o facto do senhor Adriaanse ter inventado no “11”, com Diego e Quaresma no banco, deu vantagem aos visitantes.

sexta-feira, outubro 14, 2005

Ganhar, ganhar, ganhar (*)

Amanhã joga-se um dos maiores clássicos do futebol português. No “Dragão”, o FC Porto recebe o Benfica.

Vai ser um jogo interessante entre o líder “azul e branco” e uns “encarnados” em recuperação e também entre dois técnicos da mesma escola, já têm antecedentes e com contas a ajustar.

Há algumas baixas de parte a parte, mas não vão obrigar os treinadores a alterar as tácticas habituais.

À equipa do “Dragão” faltam Pedro Emanuel e Jorge Costa (recuperados de lesão, mas sem ritmo competitivo), Helton e Sokota (lesionados há várias semanas), Hélder Postiga, Sonkaya e Raul Meireles por opção.

No Benfica estão de fora Moreira, Alcides e João Pereira (todos por lesão), Nuno Assis e Carlitos por opção.

Assim, no “11” de Adriaanse devem estar Vítor Baia, Bosingwa, Ricardo Costa, Bruno Alves e César Peixoto; Ibson, Lucho e Jorginho (Diego); Lisandro, Quaresma (Jorginho) e McCarthy.

Já no “11” de Koeman vão estar Quim, Nelson, Luisão, Ricardo Rocha (Andersson) e Leo; Petit, Manuel Fernandes, Simão e Geovanni (Karagounis); Miccoli e Nuno Gomes.

Como se percebe esta vai ser, também, uma luta táctica: ao 4-3-3 dos portistas, respondem os benfiquistas com um 4-4-2.

No papel, o Benfica parece ter vantagem já que cobre as áreas do terreno com vantagem numérica (quatro defesas para três avançados, quatro médios para três médios, dois avançados para dois centrais).

Outra luta interessante vai acontecer entre o ataque demolidor dos “dragões”, que atacam com seis/sete jogadores e a defesa “encarnada”, segura, a melhor dos três grandes.

Resumindo, deve ser um jogo ofensivo entre “águias” e “dragões” porque o FC Porto só sabe jogar ao ataque e o Benfica precisa de ganhar para recuperar o atraso.

Este pode ser o jogo certo para o Benfica quebrar a tradição.

(*) Frase celebrizada por Paulo Futre quando chegou ao estádio da Luz e foi recebido por milhares de adeptos.

domingo, outubro 09, 2005

Dúvida Central (III)

Já aqui se escreveu: o FC Porto é "Massacrante" a atacar e "Medíocre" a defender. A equipa tem demasiada “tracção à frente” e quem paga é a “retaguarda”.

Os “dragões” têm cinco defesas centrais no plantel principal: Jorge Costa, Pedro Emanuel, Ricardo Costa, Pepe e Bruno Alves.

Apesar da fartura, o certo é que Co Adriaanse tem tido problemas na estabilização do sector e sofrido muitos golos (bem mais do que era habitual).

O problema da defesa portista alastra às laterais, onde têm estado dois "(in)adaptados" (Bosingwa e César Peixoto), mas isso são erros na construção da equipa que ficam para outra ocasião.

A verdade é que o técnico holandês já utilizou quatro destes cinco jogadores (só o “capitão” Jorge Costa não foi utilizado: primeiro porque o treinador não quis, agora porque está lesionado). Esta “instabilidade central” é sinal de que o próprio senhor Adriaanse tem dúvidas.

Com lugar garantido só parece estar Pedro Emanuel (em breve regressado de lesão), a segunda opção parece ser Ricardo Costa, mas o jovem parece não ter ainda “estaleca” para estas andanças.

Será que o “Bicho” ainda vai ter uma oportunidade? Qual é a melhor dupla?

E pronto, fica também aberto o debate. Quem quiser e souber, que diga de sua justiça e resolva este dilema.

Dúvida Central (II)

O Sporting manteve os dois centrais titulares da época passada, “trocou” Enakahrire por Tonel, “despachou” Hugo e “subiu” Semedo.

À primeira vista é uma melhoria em relação à época passada porque Polga e Beto continuam, Semedo é um jovem com valor, melhor que Hugo, e Tonel é um jogador que dá garantias de qualidade.

Ora, a defesa dos “leões”, apesar disto, continua a “dar umas casas”.

É certo que tem tido problemas de lesões que têm afectado especialmente as laterais (Rogério e Edson estão “fora de jogo”), mas algo também tem falhado na zona central.

Tudo se agrava quando, em minha opinião, o técnico Peseiro inventa.

Neste momento, penso que poucos observadores têm dúvidas que o ex-Marítimo é o defesa-central em melhor forma. Assim sendo, Tonel tem que jogar, apesar de não ter o “peso” dos concorrentes directos na equipa.

A dúvida maior coloca-se então em saber quem deve fazer “parelha” com o português: Beto ou o brasileiro Polga.

Há vantagens e inconvenientes: um é o “capitão” (?!) de equipa e joga descaído para a direita, o outro é internacional, campeão do mundo e joga sobre a esquerda.

Ambos, em forma, são quase intransponíveis. O certo é que essa fase não tem chegado e os erros têm-se acumulado, mesmo na época passada em que o nigeriano Enak foi muitas vezes preterido injustamente.

Mais uma vez, fica aberto o debate. Quem quiser e souber, que diga de sua justiça e resolva este dilema.

Dúvida Central (I)

O plantel do Benfica é curto em várias posições, mas se há zona do terreno em que a equipa está bem servida é no centro do terreno.

Luisão e Ricardo Rocha foram a dupla no ano passado a que se juntam mais dois brasileiros: o internacional Andersson e o jovem Alcides.

Depois dos primeiros jogos oficiais da época, a dúvida mantém-se e tem dividido sócios, adeptos e comentadores: qual é a melhor dupla?

É (quase) consensual que Luisão tem lugar garantido no “onze” de Ronald Koeman. Dando esse facto como adquirido, quem é o “parceiro ideal”?

A dupla Ricardo Rocha/Andersson faz-me recuar alguns anos e – atenção - salvaguardadas as devidas distâncias, recorda-me a melhor dupla de centrais que vi jogar num qualquer relvado do nosso país: Mozer e Ricardo Gomes (*).

Mozer, à “imagem” de Ricardo Rocha, mais físico, impetuoso, impiedoso, faltoso, forte na marcação que Ricardo Gomes que jogava em “bicos de pés”, quase sem fazer faltas, com grande poder de colocação no terreno.

Ora é precisamente nestas e noutras diferenças (Ricardo Rocha é mais rápido que Andersson) que está o dilema (positivo) de Koeman.

Fica aberto o debate. Quem quiser e souber, que diga de sua justiça e resolva este dilema.

(*) Não posso deixar de acrescentar mais dois nomes de excelentes centrais que jogaram de águia ao peito e que marcaram as respectivas gerações: Germano e Humberto Coelho.

Rendimento Mínimo Garantido

Portugal apurou-se para o Mundial 2006, na Alemanha. É a quarta vez que chegamos a uma fase final, a segunda consecutiva.

Sobre a actuação desta noite, nem vale a pena dizer nada, foi mau de mais para ser verdade.

Gostaria só de, nesta altura, falar sobre o seleccionador nacional.

Conseguimos o apuramento, antes de chegar à última jornada e, portanto sem usar a calculadora…

É verdade que sim, mas também estranho seria se assim não fosse. É que é bom que não nos esqueçamos qual foi o grupo que nos calhou em sorte (e aqui a palavra é mesmo esta).

Não estou a dizer que Luiz Felipe Scolari não fez um bom trabalho, juntando até a ida à final do Euro 2004, o que estou a dizer é que podia e devia fazer melhor.

Temos um bom grupo de trabalho, alguns lugares estão muito bem servidos e é precisamente onde há lacunas que seria bom contar com a experiência de um técnico ganhador como Scolari.

Apetece perguntar: quem é a opção para Nuno Valente? Quem joga no lugar de Deco? O que fazer quando Pauleta estiver em crise de golos? Se a táctica habitual (4-2-3-1) não resultar, qual é o “plano B”? Porque jogam atletas sem ritmo competitivo?

Respostas a estas perguntas. Nada… Só teimosia por parte do técnico brasileiro.

Scolari “não liga às pressões” – diz-se. Isso é positivo, mas também é caso para dizer que: “Pior cego é aquele que não quer ver”.

Insistir com Ricardo aconteça o que acontecer no clube e na equipa das “quinas”, dar a titularidade a Nuno Valente e Maniche sem ver (se estão) como estão a jogar nos seus clubes, não dar nenhuma oportunidade, por exemplo, a Miguelito e João Tomás, dar-se ao luxo de deixar de fora jogadores como João Moutinho são alguns dos aspectos que “não lembram ao diabo”.

Obviamente que “no fim das contas” o que interessa são os resultados e aí, o treinador brasileiro tem currículo para “dar e vender”, mas…

Mais perto da convocatória final, falaremos sobre as 23 opções para o Mundial na Alemanha. Scolari disse esta noite que 20 já estavam escolhidos. Pois…

quinta-feira, outubro 06, 2005

Mais tarde ou mais cedo...

Se havia dúvidas, estas deixaram de existir: José Peseiro não tem condições para continuar no comando técnico do Sporting.

A direcção da SAD leonina, apesar do "processo de reflexão e aperfeiçoamento", já estará a fazer contactos com treinadores.

É o próprio Paulo Autuori quem confirma que recusou um convite do Sporting e que vai continuar a treinar o São Paulo.

Ora, posto isto, como vai Peseiro comandar um grupo sabendo que, mais jogo menos jogo, será "chutado para canto"?

Salvaguardadas as devidas distâncias, porque as razões eram outras, estes caso faz-me lembrar a situação de Mourinho no Benfica.

O jovem técnico sabia - todos sabiam - que a nova direcção de Vilarinho, terminada a época, o trocaria por Toni. Mourinho tentou jogada arriscada, pressionou o presidente e acabou por sair.

Agora, Peseiro nem pressionar pode porque, ao que parece, aconteça o que acontecer, o final desta "estória" está definido: técnico fora de Alvalade.

Quem andará a fazer estes contactos em nome do clube de Alvalade? A dupla Andrade/Meireles? O próprio Dias da Cunha?

Terá a direcção "legitimidade" para contratar um novo treinador havendo eleições à porta?

quarta-feira, outubro 05, 2005

Os ratos e a deserção…

É do senso comum: os ratos são os primeiros a abandonar os navios que estão a afundar.

Vem isto a propósito da atitude inqualificável que Paulo de Andrade e Rui Meireles tiveram especialmente para com o plantel principal do Sporting.

Relembremos os factos: os “leões” perdiam em Paços de Ferreira por 2-0 e, a 10 minutos do fim, estes altos dirigentes da SAD “verde e branca” abandonaram o estágio e não saíram com a equipa.

Que exemplo é este dado pelas principais figuras do futebol do Sporting? Que sinal está a ser dado para sócios e adeptos? O que sente o grupo de trabalho (jogadores e técnicos) quando são abandonados pelos “Generais” em pleno “campo de batalha”?

Esta deserção é, em minha opinião, inacreditável, lamentável, vergonhosa, no mínimo descredibilizante para os dirigentes e, se calhar, explica muito do que se tem passado nos últimos meses em Alvalade, incluindo os constantes casos de indisciplina.

O Sporting decretou esta noite um black-out para um "processo de reflexão e aperfeiçoamento”.

Acho bem…

Podiam, talvez, antes de ponderarem a situação do técnico, começar por reflectir se é com dirigentes desta estirpe que querem continuar. Acredito que haja forma de aperfeiçoar o núcleo directivo da SAD.

segunda-feira, outubro 03, 2005

Jogos de "sorte e azar"

Ronald Koeman aproveitou a conferência de imprensa que antecipava o Benfica – Vitória de Guimarães para duas notas: defender José Peseiro e atacar o sorteio da Liga.

Vamos por partes:

1) Peseiro

Diz o técnico holandês que os comentadores exageraram quando disseram, após o Benfica – Sporting, que tudo tinha sido mau para os “encarnados” e que tudo tinha corrido bem para os “leões”, ao mesmo tempo que apenas três semanas depois já estão a dizer que o que a equipa de Alvalade faz é “uma merda”.

Ora, sou obrigado a concordar com Koeman. Não se pode passar do “céu ao inferno”, do “80” para o “8”, em apenas três semanas. Não se pode chamar “bestial” a um técnico e dias depois chamar-lhe “besta”.

A época não se ganha, nem se perde nem à terceira jornada (onde o Benfica estava a oito pontos), nem à sexta. O campeonato tem 34 jornadas.

É certo que Peseiro comete erros, se calhar mais do que devia enquanto técnico de uma equipa de elite como é o Sporting, e gosta de inventar sob pressão (Polga a lateral esquerdo!!!!!), mas não tem todas as culpas.

Para mim, é simples: os maiores culpados são os dirigentes leoninos. Foram os dirigentes do Sporting que mantiveram Peseiro depois do final da época passada, foram os dirigentes leoninos que reforçaram os poderes do técnico depois da saída do director-geral Carlos Freitas, foram os dirigentes leoninos que fizeram as vontades a Peseiro (saídas de Barbosa e Rui Jorge, entradas de Wender e João Alves, por exemplo).

Talvez por isso é que, agora, apesar da tremenda pressão dos sócios, que já não aguentam Peseiro nem pintado a ouro, os dirigentes da SAD (Dias da Cunha, Paulo Andrade e Rui Meireles) não despeçam o treinador.

Talvez estejam os três com vergonha de assumir que foi um erro a permanência do “mister” Peseiro ao comando da nau “verde e branca”.

2) o calendário

Prefiro, obviamente, acreditar que o sorteio da Liga foi legítimo e legal e que, por isso, as críticas de Koeman não fazem nenhum sentido.

O certo é que não deixa de ser surpreendente ou é, apenas, uma grande coincidência que as três deslocações, teoricamente, mais difíceis do Benfica (Sporting, FC Porto e Braga) fiquem entaladas entre paragens do campeonato para as selecções e jogos da Liga dos Campeões.

Azar, dirão. Espero que seja mesmo só isso.

Estas declarações fizeram-me lembrar José Mourinho que, quer no ano passado, quer este ano, se queixou alto e bom som do calendário inglês e de “coincidências” deste género que sistematicamente beneficiavam o Arsenal em relação ao Chelsea.

domingo, outubro 02, 2005

Selva(jaria)

O ambiente anda quente em Alvalade devido aos últimos (maus) resultados da equipa de futebol e ontem a Assembleia Geral teve momentos de grande tensão.

Os alvos prioritários dos “adeptos” sportinguistas foram, como é hábito nestas alturas, os jornalistas.

Os profissionais da comunicação social foram agredidos verbal e fisicamente por um grupo de participantes na reunião magna dos “leões”.

O que se passa no futebol verde e branco pode ter vários culpados, os jornalistas não estão, seguramente, incluídos nesse lote.

Se os sócios do clube estão descontes têm todo o direito de o exprimir livremente na Reunião Magna do clube, podem até exigir à direcção que tome determinada atitude, não podem é perder toda e qualquer razão passando à agressão.

Gostaria, já agora, de realçar a atitude corajosa de Dias da Cunha neste caso específico.

Primeiro o presidente do Sporting pediu desculpa pelas atitudes dos “adeptos”, admitiu que só aturava cenas daquelas por amor ao clube e depois fez a “escolta” dos jornalistas já de madrugada para que mais nada lhes acontecesse.

Os lenços e a chantagem (*)

Co Adriaanse volta a mostrar a sua "forte personalidade" (para não dizer arrogância) e deixa um sério aviso aos sócios: “Se me quiserem fora do clube basta que me mostrem lenços brancos”.

O técnico holandês reafirma que a direcção do FC Porto sabe quem contratou, as suas características, a sua forma de ser e de jogar. Assim sendo, garante que não vai mudar a forma de jogar da equipa e não vai fazer como outros treinadores e jogar defensivamente.

A Adriaanse há vários ditados portugueses que parecem aplicar-se: “Antes quebrar que torcer”, “Ou és por mim ou és contra mim”, “Quem está mal, mude-se”.

Só o futuro dirá se o técnico vai levar a sua “teoria fundamentalista” até ao fim, entenda-se até à “vitória final”, mas uma coisa é já certa: não é ele que vai mudar.

O “velho” Pinto da Costa (não o da época passada) daria toda a cobertura ao senhor holandês, vamos ver o que acontece se as derrotas inesperadas continuarem a acontecer. O que farão os sócios perante a chantagem do técnico?

Entretanto, na reacção à derrota com o Artmédia, Adriaanse reafirmou que não vai mudar o sistema de jogo, apontou vários erros dos jogadores (e nenhum seu), mas admitiu que a equipa defende mal (segundo o “mister”, no “11”, só três jogadores têm apetência defensiva e os outros vão ter que ser “educados”).

Folgo em saber que o senhor Co anda a leu o posto da “M & M”.

(*) Ainda bem que a sede do FC Porto não é em Fátima :-)

Varridela

Foi uma má semana europeia para os clubes portugueses e repleta de surpresas. Só o Vitória de Guimarães salvou a “honra do convento”.

As derrotas de FC Porto e Sporting são autênticos “case studies”, que já abordamos e, por isso, não vale mais a pena “bater no ceguinho”.

O certo é que foram seis pontos do ranking da UEFA que foram ao ar incrivelmente.

Já a derrota do Benfica foi estúpida porque os “encanados” podiam e deviam ter trazido um melhor resultado de Old Trafford.

A “coisa” só não foi pior porque Villareal e Lille empataram.

O Sporting de Braga empatou, mas fez um grande jogo e merecia claramente ter ganho. As lesões dificultaram a vida a Jesualdo Ferreira, mas há o lado positivo: os arsenalistas ficam mais livres para a Liga.

Pena só mesmo as cenas lamentáveis de final de partida. Seguramente virá aí a mão pesada da UEFA.

O Vitória de Setúbal acabou eliminado, como se esperava, mas “caiu de pé” e esteve perto de forçar, pelo menos, ao prolongamento em Itália.

Assim, só o Guimarães conquistou os três pontos, com uma vitória na Polónia e pode ter iniciado a recuperação anímica que precisa para o campeonato.

Feitas as contas, das seis equipas sobram três e Portugal é ultrapassado pela Alemanha no “ranking” da UEFA. Acaba por ser normal e o sexto lugar até nem é nada mau.

Esperemos que a próxima jornada traga mais pontos e contos.

sábado, outubro 01, 2005

Outras bolas (2)

Como já tinha avisado, este blog não é só sobre futebol e, por isso, cá fica mais um apontamento de outra modalidade.

Tiago Monteiro terminou a época de Fórmula 1 com um balanço extremamente positivo.

Ao volante de um “Jordan”, um dos piores carros do “Circo”, o piloto português suplantou todas as expectativas.

· Conseguiu, na maioria da temporada, ficar à frente de Narain Karthikeyan, o colega de equipa, e, obviamente, dos Minardi.
· Bateu o recorde do melhor “rookie” no que diz respeito às provas terminadas. Tiago Monteiro só não terminou uma das 19 etapas.
· Fez pontos em duas provas: Estados Unidos e Bélgica

Não tem ainda confirmada a presença na próxima temporada mas, uma coisa é certa, merecia estar entre os “20 mais”.

sexta-feira, setembro 30, 2005

Crédito e Débito (*)

O Sporting foi, esta noite, humilhado em casa diante do Halmstads e fica fora da Taça UEFA.

Contra uma equipa acessível, a quem tinham ganho na Suécia, os “leões” desperdiçaram e acabaram derrotados, com mais uma má exibição e um coro de assobios no final.

No final, José Peseiro veio assumir as responsabilidades pela derrota, pedir desculpa aos sócios e dizer que achava que tinha condições para continuar.

O jogo de hoje em Alvalade teve pelo menos um lado positivo: obrigou o treinador a baixar a “juba” e a mostrar alguma humildade.

Era fatal como o destino: aquelas tristes declarações após o Sporting – Setúbal e a substituição de Liedson iam atingi-lo, como se fossem um “boomerang”.

“Os sócios assobiaram-me mas eu acho que tenho crédito e não em débito para com eles” – foi algo assim que Peseiro disse.

Ora, a justificação do técnico tinha a ver com o “bom jogo da equipa na época passada e as boas campanhas na SuperLiga e na Taça UEFA”.

A modéstia é algo que fica bem a todos, especialmente a quem – apesar das “boas campanhas” – ainda NADA ganhou e este ano já ficou fora de jogo na Liga dos Campeões e da Taça UEFA.

Só umas últimas notas para o jogo desta noite:

· Nelson fez duas defesas de “outro mundo” mas falhou no segundo golo
· Paíto não é jogador para ser titular do Sporting
· Tonel não merecia ter saído da equipa
· João Moutinho está a pregar no deserto
· Os “leões” não estão adaptados ao 4-3-3

(*) Peseiro esqueceu-se de actualizar o saldo da conta. Vamos ver se o divulga após o jogo frente ao Paços de Ferreira.

M &M

O FC Porto é quase Massacrante a atacar, mas é Medíocre a defender – isso mesmo ficou provado no jogo diante do Artmédia.

Co Adriaanse vive num mundo só dele e esquece-se que o futebol é um jogo feito de equilíbrios.

Quem joga para ao ataque arrisca-se a vencer mais vezes que os adversários que não o fazem – é verdade – mas também é verdade que sem uma boa defesa, dificilmente se conquistam títulos.

Os “dragões” podiam ter esmagado o Artmédia, tal é o caudal ofensivo da equipa, mas a verdade é que os “azuis e brancos” não sabem defender, defendem com muito poucos e têm lacunas sérias no sector.

A táctica do holandês é tremendamente ofensiva e isso é bom para a vista, mas os sócios portistas, antes do espectáculo, devem querer vitórias.

Mais uma vez volto ao exemplo Mourinho só para dizer que as suas equipas, antes de tudo o resto – que é muito – são fortíssimas a defender.

Voltemos ao FC Porto de Co Adriaanse e atentemos no seguinte:

· Os dois defesas laterais são adaptações (Bosingwa é médio defensivo, César Peixoto é extremo-esquerdo) e, por isso, tem pouca rotina de lugar, o que dificulta em termos defensivos.
· Os dois médios centro (Ibson e Lucho) não são “trincos”, vão trocando de posição entre si (mais atrás ou mais à frente), dando grande ritmo ofensivo à equipa, mas nenhum é um “Costinha”. Mais uma descompensação defensiva.
· Os centrais não dão a segurança necessária, a segurança a que o Porto e Baia estavam habituados. Ricardo Costa ainda é muito novo, Pedro Emanuel está lesionado e falta a voz de comando do “capitão”, que também já não tem pernas
· Os extremos (Quaresma e Jorginho) não são propriamente conhecidos pelo seu a-vontade e pela sua vontade de defender.
· O ataque está a falhar muitas oportunidades, o que se nota mais quando a equipa começa a sofrer golos.

Ora isto tudo somado explica os seis golos sofridos na Liga dos Campeões e os zero pontos conquistados até agora.

Na Liga interna, a “coisa” vai dando porque, enfim, é o campeonato que temos.

Co Adriaanse diz que se sente envergonhado pela derrota frente aos eslovacos mas também já disse que não vai alterar a estratégia.

O homem é teimoso, mas eu acho que se ele quer continuar a jogar assim tem que descobrir dois laterais que defendam e um central que comande a defesa.

O mercado reabre em Janeiro, até lá, os adversários vão rezar para que as baldas na defesa continuem e os falhanços no ataque também.

Quem não arrisca…

Todos os que habitualmente acompanham o futebol sabem que, na esmagadora maioria dos casos, quem jogo para empatar perde.

Foi isto que aconteceu ao Benfica em Manchester. Faltou vontade de arriscar, para ganhar.

Diante de um Man United “meia dose”, só com seis titulares em campo, os “encarnados” perderam o jogo e perderam uma ocasião soberana para quebrarem o enguiço do Old Trafford.

A equipa até entrou bem, criou duas grandes ocasiões de golo (Miccoli e Ricardo Rocha) e foi controlando o jogo até ao lance do golo da equipa da casa.

Na segunda parte, o Benfica voltou a entrar bem, empatou com um grande golo e tudo parecia encaminhado para os portugueses irem à procura dos três pontos.

Foi aqui que Koeman falhou: ao tirar Miccoli e não Beto (que fez uma exibição miserável), o treinador holandês deu a entender ao resto da equipa e ao adversário que ia defender.

Ora, convidado a atacar, o Manchester fê-lo e marcou na marcação de um canto naquela que terá sido a única falha da defesa “encarnada” durante todo o jogo.

As substituições, em desespero, a cinco minutos do fim, já nada resolviam… e lá se foram os três pontos, ingloriamente.

O Benfica entrou em campo com duas “novidades”: Ricardo Rocha no lugar de Andersson e Beto no lugar do tocado Geovanni.

Na defesa a minha primeira reacção foi de susto: “Mas, está a sair o mais sereno e menos faltoso defesa do Benfica”. Acabei por me lembrar que o português é mais rápido que o brasileiro e rezei para que houvesse poucas faltas.

Luisão e Rocha foram grandes diante de Van Nistelrooy e “só” falharam em dois lances: um deu golo, o outro deu bola na barra.

No meio campo, a reacção foi de perplexidade: “Porque raio, vai o Koeman voltar a adaptar o Beto à direita, quando tem Geovanni e João Pereira?”.

A minha apreensão foi-se agravando com os minutos a passar. Beto não é meio direito – já o sabia – o que desconhecia – porque é só nos grandes jogos que se vê quem tem “estaleca” – era que o ex-Beira-Mar treme como varas verdes nos grandes palcos.

No mini-campeonato da Champions só não se complicou porque, no outro jogo do grupo, aconteceu um empate.

Os dois jogos com o Villareal vão ser absolutamente decisivos.

domingo, setembro 25, 2005

“Deixem-nos sonhar!”(*)

O Benfica vai jogar terça-feira no “Teatro dos Sonhos” frente ao Manchester United na segunda jornada da Liga dos Campeões.

Os “encarnados” vão, agora sim, voltar aos verdadeiros palcos da Europa, onde sempre deviam ter estado, defrontando uma das grandes equipas da Europa e do Mundo.

Na actual conjuntura este é, seguramente, o jogo mais fácil do Benfica em toda a época.

As razões são claras e objectivas: a equipa da Luz vai jogar contra uma fortíssima equipa em Old Trafford; o Benfica não é, obviamente, favorito e, se perder, é um resultado “normal”; a equipa de Koeman tem três pontos da primeira partida frente ao Lille; tudo o que vier para além disto é lucro (de prestígio, desportivo e monetário).

Em teoria, o Benfica não terá grandes hipóteses porque continua a ter um plantel curto e inexperiente que, ainda por cima, tem jogadores "nucleares" em baixo de forma: os quatro habituais do meio-campo são exemplo disso.

Esperemos que, em Inglaterra, a equipa portuguesa possa, pelo menos, contar com o Miccoli dos jogos europeus e o Nuno Gomes dos últimos jogos nacionais.

(*) Como sabem esta frase foi celebrizada pelo “Bom Gigante” quando era seleccionador nacional… É nesta altura em que José Torres atravessa uma fase difícil da sua vida que quero lembrar o grande jogador que foi de “águia” ou de “quinas” ao peito. Um abraço.

quarta-feira, setembro 21, 2005

Outras bolas…

Este blog não é só sobre futebol e, por isso, sempre que se justificar, vamos trazer aqui outros desportos. Hoje, o basquetebol merece atenção.

Em primeiro lugar, é de felicitar a basquetebolista Ticha Penicheiro que alcançou um feito histórico para si e para Portugal.

A base das Sacramento Monarchs conseguiu, depois de oito épocas na WNBA, o principal campeonato de “basket” feminino do mundo, o título maior da prova.

Para além disso, a portuguesa é a campeã das assistências na Liga e participa todos os anos no “All Star Game”.

É sem dúvida impressionante a grande campanha da jogadora nacional que jogava no Santarém.

Em segundo lugar, gostaria de dar os parabéns também ao Benfica por ter feito justiça para com o “Eusébio do basquetebol português”.

Depois de alguns anos afastados, por razões mais ou menos incompreensíveis, os “encarnados” e Carlos Lisboa chegaram a um acordo e o antigo “camisola 7” vai liderar a nova estrutura profissional do clube para a modalidade.

Há símbolos e referências que é fundamental saber preservar a bem do passado, mas também do futuro dos clubes.

A fava

Alguém tinha que ser o primeiro e a “fava” calhou a Rui Rodrigues, mais conhecido por “Juca”, que deixou de ser o técnico do Marítimo.

Este treinador, que passou de provisório a definitivo na época passada, não aguentou agora mais do que quatro jornadas, dois empates e duas derrotas.

Já tinha ficado surpreendido por Juca ter assumido o cargo de técnico principal no ano passado e, mais surpreendido fiquei, por ter começado esta época.

Registo o facto do próprio Carlos Pereira, presidente do clube, também ter tido dúvidas porque, recordo, o Marítimo foi o último dos 18 clubes a confirmar a equipa técnica.

Confesso que ainda vi pouco este Marítimo, versão 2005/06, mas há dois aspectos que me saltam à vista e me causam alguma impressão:

1) Como é possível que os insulares joguem sem um único português no “11” titular?

Obviamente, que este caso não é seguramente único em todo o mundo, mas não é por isso que não deixa de ser criticável. A lei “Bosman” permite que isto aconteça, mas deveria ser obrigatório haver uma quota de jogadores nacionais.

2) Como é possível que o quarto orçamento da Liga profissional desbarate assim o dinheiro de todos nós.

Sim, porque o dinheiro que o Governo regional da Madeira lá coloca é dos nossos impostos e, eu, por mim, não aceito andar a pagar equipas de futebol. No entanto, se, por absurdo, isso tem que acontecer – nem que seja indirectamente – então, tenho que exigir bons resultados e vitórias.

Para além da queda de Juca, também o treinador da União de Leiria está na “corda bamba”. José Gomes é jovem e não tem currículo e, por isso, a pressão para “mostrar serviço” é maior.

O futebol que temos…

Depois do “caso Miguel”, aí está a segunda versão do “Perdoa-me”: para manter o cargo, Norton de Matos teve que vir explicar as suas palavras depois de ter denunciado ordenados em atraso no Setúbal.

Todo este caso levanta-me várias inquietações:

1) Como é possível que um clube profissional da Liga já tenha dificuldades de tesouraria à quarta jornada?
2) Como é possível que o senhor Chumbita, presidente do clube, não se justifique perante os atrasos nos ordenados e, ao mesmo tempo, admita despedir um treinador só porque este faz um alerta sério?
3) Como é possível que ninguém da Liga profissional se pronuncie sobre isto?
4) Será que Norton de Matos devia ter-se prestado a este papel?

Pode questionar-se se um atraso de 10 dias nos salários (parece que é mais ou menos isso que está em causa) já justificava um alerta pública por parte de Norton de Matos.

Eu, por mim, penso que sim… quem trabalha merece receber aquilo que lhe é devido e foi prometido (os prazos são para ser cumpridos). No entanto, já acho duvidoso que seja positivo que um treinador tenha que se rebaixar para continuar no Bonfim.

Por outro lado, é bom que não nos esqueçamos que este mesmo técnico vem de uma experiência “traumática” no Salgueiros, que terminou como se sabe.

Todo este caso tem, desde já, um lado positivo e um outro negativo: com esta atitude, Norton de Matos “ganhou” o balneário, mas fica com a direcção à perna que não vai perdoar qualquer deslize.

Estamos em Setembro e já se fala em ordenados em atraso. Como estaremos em Dezembro ou em Março ou no final da época?

Quantos outros clubes dos campeonatos profissionais estarão nas mesmas condições do Vitória de Setúbal.

Já agora só mais uma dúvida: o que fez a SAD sadina ao dinheiro das transferências que realizou no final da época passada?

Não terá, seguramente, gasto tudo em novos jogadores, porque a esmagadora maioria dos que contratou vieram de escalões inferiores, a preços acessíveis.

“A fome e a vontade de comer”

Faz hoje cinco que José Mourinho se estreou como técnico profissional. O Benfica teve o privilégio de apadrinhar este treinador, infelizmente não o soube aproveitar.

Quando chegou à Luz a dúvida era geral. O jovem técnico ia estrear-se no comando técnico de uma equipa profissional e era logo o Benfica.

Foram poucos meses, mas o certo é que os “encarnados” melhoraram e, com um bando de miúdos (onde estavam, por exemplo, Miguel, Maniche e João Tomás), estava a ser formada uma equipa.

Tudo terminou de forma intempestiva após um Benfica – Sporting, em que a equipa de Mourinho venceu por 3-0.

Na direcção já estava Manuel Vilarinho, que teria um pré-acordo com Toni para o final da temporada. Mourinho, inchado, arrogante e plenamente convencido daquilo que podia e sabia (como hoje se comprova) foi exigir, logo ali, a renovação do vínculo. O Benfica não aceitou e José Mourinho saiu.

O técnico passou pela União de Leiria e fez um grande trabalho, o que chamou a atenção do FC Porto. Nos “dragões” o êxito foi total (Campeonatos, Taças nacionais e internacionais e a inimaginável Liga dos Campeões).

A partir daqui, saiu-lhe o “jackpot”. Um dos clubes interessados no treinador português foi o “poço sem fundo” chamado Chelsea. Assim se completou a dupla ideal: “a fome com a vontade de comer”.

A Premier League já lá está, as Taças também. Fica a faltar a “Champions”.

Após estes cinco anos, já não há dúvidas: o homem é mesmo o melhor do mundo, é “the special one”, como lhe chamam os ingleses.

Títulos atrás de títulos, recordes atrás de recordes e unanimidade total quanto à qualidade técnica, táctica e de gestão de grupo do Zé.

A contratação de Mourinho terá sido, seguramente, a única coisa que Vale e Azevedo fez de positivo enquanto presidente do Benfica.

Será que hoje os dirigentes “encarnados” estão arrependidos de não terem respondido afirmativamente à “chantagem” de Mourinho?

Apesar de tudo, continua a achar que “valores mais altos se levantam”…

domingo, setembro 18, 2005

Falta de chá

Há uns dias elogiei Co Adriaanse, agora sou obrigado a criticá-lo porque “quem anda à chuva molha-se”.

Não sei se é de estar inchado das vitórias no campeonato ou de ter digerido mal a derrota frente ao Rangers, o certo é que o “mister” portista perdeu a cabeça.

É óbvio que a nossa Liga não é a melhor do mundo (e Adriaanse, enquanto “profissional de topo”, deveria saber disso), os jogos são muito faltosos, há muita polémica na arbitragem, a organização é feita com os pés, há poucos jogadores de classe internacional…

Tudo isso já sabemos e não precisamos que o treinador dos “dragões” nos venha dizer que está “muito preocupado com o futebol português” porque não dá espectáculo e não marca golos.

O homem não se pode esquecer que nos últimos anos, FC Porto e Sporting chegaram a finais europeias e que a Selecção é vice-campeã da Europa.

Não é suficiente – talvez – mas é seguramente mais do que fez a Holanda do senhor Co.

Como elogio, alguns já compararam Adriaanse a Mourinho… Cuidado com as precipitações. É que, arrogante por arrogante, eu prefiro os arrogantes que ganham.

Parece-me bem que o treinador do FC Porto tente “disciplinar” McCarthy e Quaresma, se acha que isso é em benefício do grupo de trabalho. Já me parece absolutamente dispensável que venha tentar mostrar-se superior em relação aos “comuns mortais” dos coitadinhos dos portugueses e nos dê lições de moral.

Caceteiros

O Vitória de Guimarães tem dois “jogadores” que abomino. Acho que o que eles fazem em campo não é jogar à bola, é simplesmente dar porrada em tudo o que mexe.

Flávio Meireles e Moreno são “jogadores” treinados por Jaime Pacheco. Ora, esta combinação é explosiva e juntou-se a “fome” com a “vontade de comer”.

Vão ser seguramente raros os jogos em que, pelo menos um destes dois elementos, não leve o “amarelo”.

Pior que a colecção de cartões no final das 34 jornadas, pode ser o facto destes dois “jogadores” poder também enviar uma mão cheia de jogadores para o “estaleiro”.

O último exemplo é Delibasic. O avançado do Sporting de Braga sofreu uma entrada de Moreno e vai ficar, pelo menos, quatro meses a ver a “bola” pela televisão.

Quero acreditar que o "jogador" vimaranense não fez de propósito, mas o certo é que a atitude (extremamente) agressiva é recorrente e, desta vez, teve mesmo consequências graves.

É nestas ocasiões que me lembro sempre da dupla João Pinto – Paulinho Santos. Foi caso único, mas podia e devia ter feito jurisprudência: o médio do FC Porto ficou sem jogar durante as semanas em que o avançado do Benfica esteve ausente.

No caso mais recente, o Braga ficou sem o avançado, mas não consta que Moreno tenha sofrido qualquer penalização.

Só as imagens do lance já arrepiam, agravadas com a confirmação da lesão… é caso para perguntar: Se o regulamento existe porque não é mais vezes utilizado?

sábado, setembro 17, 2005

“A táctica é ganhar”

Ronald Koeman fez esta declaração antes da partida com o Lille para a Liga dos Campeões.

O treinador dos “encarnados” tem razão ao reforçar que, no fim de contas, o importante são os três pontos em qualquer jogo, mas não é verdade que a táctica seja irrelevante.

Aliás, o próprio técnico holandês reconheceu isso mesmo ao deixar o 3-4-3, com que vinha a jogar, para actuar em 4-4-2, que se adapta muito melhor às características dos seus jogadores.

Na abertura da Champions, Koeman juntou a táctica à vitória frente aos franceses do Lille.

É verdade que não fez mais que a sua obrigação contra o adversário mais fraco do grupo, mas também é verdade que, com os melhores jogadores, nas posições correctas, a equipa melhorou.

Por outro lado, há que lembrar também que todas as grandes equipas têm um sistema definido e dificilmente o alteram, pelo menos, de início.

Eurolândia

Devido a dificuldades de agenda, só hoje me é possível comentar a semana europeia.

O FC Porto perdeu frente aos escoceses do Glasgow Rangers por 3-2 e desperdiçou uma boa oportunidade de começar, desde já, a garantir um lugar na fase seguinte da Liga dos Campeões.

Os “dragões” eram favoritos e em campo mereciam outro resultado, mas uma defesa que sofreu golos a mais, um ataque que marcou golos a menos e um árbitro que se enganou demais impediram que isso acontecesse.

Em princípio, os Rangers são o adversário directo dos portistas para o apuramento o que torna este resultado ainda mais negativo.

Obviamente que a qualificação continua a ser possível, mas já vai ser preciso fazer umas continhas ou ir ganhar a Itália.

Já o Benfica fez o que tinha a fazer: ganhar em casa ao adversário mais acessível do grupo.

Koeman, desta vez, não inventou, colocou os jogadores “en su sítio” e teve a sorte de ter tido um golo na melhor altura possível.

A exibição de Miccoli deixou “água na boca” e o entendimento com Nuno Gomes ainda pode melhorar.

O Vitória de Setúbal defrontou uma equipa manifestamente superior, mas não deslustrou.

É certo que o empate a uma bola em casa diante da Sampdória deixa a eliminatória complicada, mas tudo pode ainda acontecer. No entanto, os “sadinos” não se podem deslumbrar até porque a prioridade tem que ser a Liga interna e não a UEFA.

Quem também empatou foi o Braga mas em Belgrado. É, em teoria, um bom resultado diante do experiente Estrela Vermelha.

Os “arsenalistas”, que estão a dar cartas a nível interno, já mostram argumentos à Europa e podem chegar à fase de grupos se conseguirem uma vitória em casa.

A lesão grave de Delibasic pode complicar as contas a Jesualdo Ferreira, mas o plantel parece ter soluções.

Na Suécia o Sporting cumpriu a obrigação de ganhar ao último classificado do campeonato, apesar de ter actuado em regime de “rendimento mínimo”.

As estreias a titular de Wender e João Alves foram positivas e o jogo da segunda mão vai servir para cumprir calendário e para a goleada.

No último jogo da noite, o Guimarães renasceu das “cinzas” e conseguiu uma vitória importante diante dos campeões polacos.

Diante do Wisla Cracóvia, Jaime Pacheco fez várias alterações no “11” e a equipa parece ter gostado das “novidades”.

O golo do “Zidane da Tunísia” é um monumento que devia ser classificado pela UNESCO como património mundial.

Resumindo, para as nossas contas na UEFA, a “coisa” não correu mal: Benfica entrou a vencer na Champions, Sporting, Guimarães e Braga estão com um pé na fase de grupos da UEFA.

domingo, setembro 11, 2005

Jackpot

Foi o próprio Co Adriaanse que o admitiu no final da partida frente ao Rio Ave: “Este é um cenário de sonho para um treinador”.

Quando uma equipa vence, no final do jogo, por 3-0 com todos os golos a serem marcados pelos jogadores que saíram do banco, qualquer técnico se pode dar por muito satisfeito.

O FC Porto pressionava o Rio Ave mas tardava em marcar. Arriscando tudo, entraram Hugo Almeida, Quaresma e Alan que se juntaram a Sokota e Jorginho.

Como diria Quinito, “toda a carne foi colocada no assador” e, em sete minutos (entre os 87 e os 94 minutos), passou-se de um cenário de “dois pontos perdidos” para o limiar da goleada.

Quaresma marcou um grande golo, um golo “à Quaresma” de pé direito, no lado direito e, a partir daqui, tudo foi fácil com Alan e Hugo Almeida a também "molharem a sopa".

É certo que os “dragões” não tiveram um início de Liga complicado e até nem têm jogado muito, mas uma coisa é certa: já se nota uma evolução e os 26 remates feitos ontem são a prova disso.

Adriaanse pode ainda não ter toda a segurança defensiva que deseja, mas como é, parece ser, um técnico de ataque “isso” fica para “segundas núpcias”.

Aliás, o holandês não foi de modas e já chegou a dizer que ganhar em casa por menos de três é um mau resultado.

Ontem cumpriu e, para já, Adriaanse parece satisfeito: “O FC Porto fez boas escolhas no defeso. Tenho muitas opções: jogadores altos, baixos, de equipa, mais individualistas... óptimas alternativas para responder às adversidades e exigências dos jogos e que só complicam a vida aos adversários”.

Fora das quatro linhas, o ex-técnico do AZ Alkmaar também continua a marcar pontos: depois de ter “despachado” Leo Lima está, agora, a tentar “domar” o sul-africano Benni McCarthy (ou o seu empresário) e a “ensinar” Quaresma a ser colectivo.

Não sei se os “azuis e brancos” vão ganhar a Liga, o que sei é que têm muitas opções no plantel e parecem ter um técnico preparado para conduzir esta nau.

Duvido que os outros Grandes possam dizer o mesmo…

Pior era impossível…

Está confirmado: o Benfica consegue esta época o pior início de campeonato de sempre. À terceira jornada tem 1 ponto em nove possíveis.

No entanto, o que é para mim ainda mais preocupante é a instabilidade táctica da equipa e a falta de fio de jogo.

É certo que a expulsão de Ricardo Rocha foi decisiva, mas as substituições (entrada de Beto para lateral-direito e de Alcides para central) são elucidativas.

Ronald Koeman voltou a insistir nos três centrais quando parece óbvio que a equipa não está rotinada com essa táctica, especialmente os laterais, que são absolutamente decisivos nesse sistema.

Não se pode jogar - e querer ganhar - sem treinar e criar aquilo que os treinadores chamam de "automatismos".

Resumindo, vamos lá ver se nos entendemos: o Nelson não é defesa esquerdo, o Beto não é defesa direito, Carlitos não é jogador para ser titular do Benfica, o Miccoli não é ponta de lança, o Simão não pode fazer tudo…

Por outro lado, não percebo como é possível que Karagounis faça um treino e jogue a titular frente ao Sporting, como é possível que Miccoli treine uma semana e jogue a titular, como é possível que Nelson chegue do Boavista, faça dois ou três treinos e jogue a titular fora da sua posição, como é possível que Leo vá para o banco e não seja opção quando falta um defesa esquerdo.

Há situações que não se entendem: como é que um treinador do Benfica muda de táctica três vezes no mesmo jogo? Como é possível que o Benfica, depois de quatro jogos oficiais, ainda não tenha uma táctica definida?

Esta noite, só no último quarto de hora, já em desespero, os “encarnados” se encheram de brio e vieram para a frente arriscando e criando oportunidades, mas já era tarde.

O Benfica tem agora dois jogos fundamentais em que é obrigatório conseguir duas vitórias: contra o Lille para a Liga dos Campeões e com a União de Leiria para a Liga.

Cheira-me que o “kit de sócios” vai ter um novo produto: lenços brancos.

sábado, setembro 10, 2005

Aí, se ele cai…

Esta noite há “derby” em Lisboa. No Alvalade XXI defrontam-se os adversários de sempre e a expectativa é grande. Koeman parece “fora de jogo”.

É certo que ainda só vamos na jornada três da Liga, mas a actual conjuntura torna este jogo já (quase) decisivo para um dos intervenientes.

Se o Benfica perder fica a oito pontos da frente e faz o pior arranque de campeonato de sempre. O Sporting pode fazer o pleno (9 pontos) e esquecer, definitivamente, o início de época do ano passado.

É curioso como os papéis dos dois vizinhos da Segunda Circular se trocaram de uma época para a outra, mas os “cenários” futuros ficam para próximos posts.

Vamos agora só fazer uma previsão daquilo que se poderá passar logo à noite.

Antes de mais – confesso - este é um dos clássicos que mais dúvidas me deixa em relação às equipas a apresentar, especialmente no que diz respeito ao Benfica.

Por várias razões: primeiro porque estamos, ainda, em princípio de época, depois porque chegaram reforços de última hora e o campeonato esteve parado para a selecção e, por fim, porque – no que diz respeito aos “encarnados” – parece haver ainda dúvidas do treinador quanto à táctica certa a utilizar.

Nos “leões”, já se sabe, não jogam Ricardo (em descanso), Beto, Edson e Custódio (lesionados) e podem estrear-se Wender e João Alves.

Nos campeões nacionais estreiam-se Karagounis e Miccoli e falta Petit, por lesão.

Entretanto, ontem, Peseiro confirmou a titularidade de Sá Pinto, que vai capitanear a equipa da casa.

Posto isto, o Sporting deve entrar em campo com uma táctica nova (4-3-3): Nelson, Rogério, Polga, Tonel e Tello, na defesa; Luís Loureiro, João Moutinho e Sá Pinto, no meio-campo, e um trio de ataque com Liedson no centro, Douala, na direita, e Wender na esquerda.

Pode, no entanto, o técnico leonino manter o 4-4-2 e aí haveria troca de brasileiros com Deivid a entrar para o lugar de Wender e Douala a jogar mais atrás.

Já no Benfica, as interrogações são maiores. Por um lado, é necessário não esquecer que Ronald Koeman andou, toda a pré-temporada e primeiros jogos oficiais, a jogar em 4-2-3-1 mas, de repente, contra o Gil Vicente, em casa, alterou tudo e jogou numa espécie de 3-4-3, que mais parecia um 3-4-2-1 (com Simão e Nuno Assis atrás de Nuno Gomes).

A equipa entrou bem, até porque a equipa de Barcelos ficou baralhada, mas acabou por perder o jogo.

Agora, apesar disso, o técnico holandês parece disposto a insistir nesta táctica e, ao que dizem os jornais de hoje, a arriscar nos dois novos jogadores logo de início.

Moreira na baliza; Andersson, Luisão e Ricardo Rocha, na defesa; Nelson, Manuel Fernandes, Karagounis e João Pereira (ou Leo) no meio campo; Simão à esquerda, Micolli no centro e Carlitos (?) na direita.

Ora, partindo do princípio que é este o “onze” e já dando de barato a titularidade de Carlitos no lugar de Geovanni (que, há primeira vista, não faz sentido), há outra coisa que salta à vista:

Se o Sporting actuar em 4-3-3, como parece, a táctica de 3-4-3 do Benfica parece-me completamente errada. Lembro-me sempre de um jogo que a equipa de Souness foi fazer às Antas contra o FC Porto de Jardel, Drulovic e Capucho (salvo erro) em que passou o jogo todo a “apanhar bonés” com três centrais.

E não é preciso ser nenhum génio para perceber porquê. Basta pegar numa folhinha e fazer o desenho táctico das equipas para perceber que, dificilmente, estas duas tácticas podem ser “compatíveis”.

A confirmar-se, o Benfica terá três centrais a marcar um único ponta de lança e ninguém, directamente, a marcar os dois extremos – a não ser que recue os alas e, aí, fique com gente a mais na defesa e gente a menos no meio campo (2 “encarnados” contra 3 “verdes”). Enquanto isso, o ataque estaria a “dar-se” à defesa “leonina”: três avançados contra quatro defesas.

Koeman tem que vencer este jogo, sob pena dos “lenços brancos” começarem a surgir, e parece disposto a arriscar tudo: táctica “maluca” e jogadores sem treino de equipa.

José Peseiro tem, para além de cinco pontos de avanço e de jogar em casa, a vantagem de ter a táctica e a equipa mais estabilizadas.

O Sporting é – por tudo isto – claramente favorito.

domingo, setembro 04, 2005

Nas teias da lei…

Miguel já está no Valência, depois de ter custado ao clube “che” oito milhões de euros, mas o caso ainda não foi dado por encerrado pelo Benfica.

Os “encarnados” vão, agora, levar o assunto para os tribunais civis e exigem ao jogador mais dois milhões de euros.

Luís Filipe Vieira não perdoa ao antigo lateral direito da Luz, nem aos dois senhores que o acompanharam neste imbróglio (Paulo Barbosa e Dias Ferreira).

Uma das bases da argumentação do Benfica é o parecer da Comissão Arbitral Paritária que deu, por unanimidade, razão ao campeão nacional.

Este é um caso que interessa não só ao Benfica, mas também a todos os clubes e jogadores. O que ficar decidido vão fazer “estória” e marcar as futuras relações entre as partes.

Não se pode assinar e depois dizer que não se assinou, não se pode dizer que não se assinou e depois apresentar propostas para venda, não se pode querer sair a qualquer preço.

É também altura dos jogadores terem atenção a quem entregam as suas vidas desportivas. Alguns “empresários” e “especialistas” não querem saber dos atletas, querem saber, tão só e apenas, dos euros.

SIM ou (n)ÃO

No último dia de transferências do mercado de Inverno, o campeão europeu ofereceu 18 milhões de euros ao Benfica por Simão. Os “encarnados” queriam 20 e recusaram.

A dúvida é: Vieira e Veiga fizeram bem ou mal ao não terem vendido o "capitão" por esta verba elevada (bem superior aos 12 milhões que o jogador custou)?

Seguramente que a opinião não é unânime, nem sequer entre os sócios e adeptos do Benfica, os mais inquietos nessa quarta-feira louca.

Em minha opinião – e mesmo correndo o risco de nunca mais haver uma proposta tão elevada – o Benfica fez bem ao aguentar o extremo.

As razões são várias: não só porque Simão é um jogador fundamental no esquema da equipa (Trappatoni dizia “Graças a Deus que temos Simão), pelo que joga e pela mística que tem, mas também pelo facto (que não pode ser negligenciado) de estarmos a poucas horas do fecho das inscrições e de, portanto, o Benfica ficar sem hipóteses de colmatar a baixa.

Por outro lado, ninguém perceberia que a equipa da Luz vendesse o seu melhor jogador 24 horas depois de se ter reforçado com dois internacionais.

Basicamente, o que abortou o negócio foi o “timming”. Se o Liverpool se tem lembrado do português 15 dias/três semanas antes, seguramente que teria havido “fumo branco”, assim…

Percebo que Simão tenha ficado um pouco abalado e desiludido - porque ia ganhar bom dinheiro, porque ia jogar para Inglaterra, porque ia jogar no Liverpool campeão europeu – mas acredito que o “capitão” vai continuar a honrar a camisola do Benfica como sempre fez, a jogar, a fazer jogar, a marcar e a dar a marcar.

O “20” “encarnado” vai, se tudo correr bem, ter outras boas oportunidades e, já foi dito pelos responsáveis, na altura certa, pela verba desejada, Simão vai poder sair a bem e por bem.

Vem aí a Liga dos Campeões e o Mundial da Alemanha. Ao Simão resta continuar a jogar bem e a aguardar pelo momento certo… ao Benfica resta esperar que o jogador “produza” e, ao mesmo tempo, preparar o futuro procurando um jogador à altura.

“Wender” e comprar grandes e “p(M)iccoli” jogadores

Fecharam, pelo menos até Janeiro, as contratações no futebol português. O último dia de mercado foi de loucos.

No Benfica entraram dois jogadores (Karagounis e Miccoli), no Sporting outros dois (João Alves e Wender), no FC Porto um (Marek Cech).

Os “grandes” tentaram, assim, equilibrar os plantéis com jogadores que viessem acrescentar algo.

Entre os “encarnados” havia duas lacunas evidentes (um “10” e um “matador”), entre outros acertos que se podiam fazer.

O “playmaker” acabou por chegar (embora os “entendidos” consideram que o internacional grego não é um verdadeiro construtor de jogo), mas o ponta-de-lança ficou em casa. O italiano Miccoli é avançado, tem um remate fácil, faz alguns golos, mas não é o homem que se esperava.

Agora, resta a Koeman conseguir o milagre de integrar bem estes dois jogadores no “11” e descobrir como fazer golos, sempre e só com a bola pelo chão.

José Veiga tinha prometido dois reforços importantes, verdadeiras mais-valias e, beneficiando do final do prazo, cumpriu, em teoria, esse objectivo. Faltou, no entanto, tapar a mais evidente das falhas da equipa: o “9” não veio. Talvez tenha que chegar no mercado de Inverno, vamos ver se não será já tarde de mais.

O Benfica terá, seguramente, uma das equipas mais baixas da Liga profissional (Leo, Nelson, Petit, Manuel Fernandes, Karagounis, Simão e Miccoli) e isso é um dos problemas do treinador, especialmente nos jogos da Liga dos Campeões.

Ao Sporting chegaram dois jogadores do Sporting de Braga: Wender era namoro antigo, João Alves veio preencher a vaga de Rochemback, que foi jogar para Inglaterra. O Braga fez-se caro e vendeu por bom dinheiro (um milhão pelo avançado, 2.5 milhões por 50% do médio).

Wender vem ocupar uma das lacunas dos “leões” mas, também por isso, Peseiro vai ter que mudar a táctica para o encaixar e começar a jogar com extremos. Vamos ver como a equipa se adapta

O português com nome de craque é um bom jogador e seria a minha escolha. É jovem, sabe jogar e tem ainda margem de progressão. Rochemback era titular indiscutível em Alvalade, mas estava emprestado e, por isso, foi um bom negócio da SAD.

Já os “dragões” contrataram um jovem eslovaco desconhecido que faz toda a ala esquerda. Era indiscutivelmente uma das lacunas do plantel portista, especialmente tendo em atenção o castigo a Nuno Valente e a irregularidade de Leandro. Os dois jogadores acabaram por sair e agora, Cech vai ter a concorrência do adaptado César Peixoto.

Resumindo e concluindo a equipa de Co Adriaanse parece ter muitas e boas opções em (quase) todas as posições. A equipa parece muito equilibrada, falta resolver a questão da defesa (algo instável perante a velocidade adversária) e começar a concretizar as oportunidades criadas.

No Sporting, o plantel tem mais opções que na época passada. A questão é saber se José Peseiro tem mãozinhas para conduzir esta camioneta. A entrada de Wender pode, ou não, destabilizar o equilíbrio da equipa.

O campeão Benfica é o que, por incrível que pareça, está com mais problemas. Não só porque já está atrasado na tabela classificativa, mas também porque o treinador, de repente, parece ter ficado com dúvidas em relação à táctica a utilizar. Por outro lado, continua a faltar o verdadeiro “matador” e alguém que possa substituir Simão e ou Geovanni.

Em Janeiro saberemos o que os treinadores acham dos jogadores que têm à disposição. O “mercado de transferências” vai voltar a abrir…

domingo, agosto 28, 2005

No divã…

Normalmente quando um jogador fica fora dos convocados diz-se que foi para "a bancada". No caso de Ricardo ele deve é estar "no divã" do psicólogo.

O guarda-redes do Sporting vai ser “poupado” por José Peseiro, pelo menos, nos próximos dois jogos da Liga depois dos erros nas partidas frente a Udinese e Belenenses.

Ricardo precisa – segundo o treinador “leonino” - de arejar a cabeça para recuperar a tranquilidade e demonstrar toda a qualidade que tem.

Os sócios de Alvalade já estavam a perder a paciência com o “76” e esta pode ter sido realmente a melhor solução para o clube e o atleta.

Se acontecesse mais algum lapso nos tempos mais recentes, a vida do jogador do Montijo ficaria complicadíssima.

O clima em torno de Ricardo tem sido complicado: primeiro a “estória” da selecção e o “fantasma Baía”, que lhe tirou clima entre portistas; depois o facto de ter trocado o Benfica pelo Sporting criou anti-corpos entre lampiões e, por fim, as várias “casas” dadas ao serviço da equipa de Alvalade que até já levou velhas glórias leoninas a pedir a cabeça do guarda-redes.

A solução seria – e se calhar ainda será – mais tarde ou mais cedo ir actuar para o estrangeiro.

Agora, Nelson vai defender a baliza nos próximos dois jogos. Deve ser a sua última oportunidade de “mostrar serviço”. É um bom guarda-redes, mas a última apresentação, diante do Atlético de Madrid, não foi nada positiva.

Jo(gadores)

O prazo para a contratação de novos jogadores termina na próxima quarta-feira e o Benfica continua à procura de (dois) avançados.

Depois dos falhanços de Tomasson e Kalou e das tentativas, mais ou menos públicas, mais ou menos concretas, de jogadores como Júlio Cruz, Zalayeta, Kezman, Saviola, Nilmar… os dirigentes “encarnados” reafirmam que os jogadores vão mesmo chegar.

Por favor, não me venham é com a “estória” do “timming” e da “melhoria do mercado a cada dia que passa”. Isso já ninguém acredita.

O que se passa é simples: o Benfica ainda não tem os jogadores que quer(ia) porque não tem/não teve dinheiro para os comprar.

Finalmente, José Veiga disse, na sexta-feira, que este é um processo difícil porque o Benfica não nada em dinheiro.

Ora, esta deve ter sido a primeira vez, nas últimas semanas, que o Director-geral ou mais alguém da SAD “encarnada” faz uma declaração com o mínimo de senso.

É verdade que a equipa de Koeman precisa de avançados (um mais fixo e um mais polivalente) e de um médio construtor de jogo e também é verdade que não pode, não deve, ser apenas “mais um”. Quem vier tem que representar uma verdadeira mais valia para o plantel – e é isso que a SAD tem procurado.

O que não pode acontecer é, por um lado, ter-se declarações do tipo: “O avançado que vai chegar é tão bom ou melhor que o Tomasson” ou “Todos vão ficar de boca aberta a pensar como foi possível o Benfica contratar este jogador” e, ao mesmo tempo, dar-se a sensação de que se estão a falhar todos os objectivos.

Com o tempo a passar e a equipa a perder pontos, arriscamo-nos a venha um tal de Jô, avançado de 18 anos, que ninguém conhece.

Realmente ficamos de boca aberta, porque das duas uma: ou está aqui um novo “fenómeno” capaz de marcar muitos golos, estavam todos a dormir e o Benfica descobriu a “pólvora” ou, afinal, é, apenas, mais um”Pringle”.

Até quarta-feira saberemos o que vem aí… depois voltaremos ao assunto.

Já lá vão cinco…

Koeman inventou, Koeman perdeu… “elementar meu caro Watson”, diria Sherlock Holmes.

Esta é dos livros meus amigos: Quando uma equipa muda (quase) tudo, sem ter sido devidamente ensaiado e treinado, a probabilidade de perder é muito grande.

O Benfica jogou hoje frente ao Gil Vicente com três centrais, um lateral direito que é médio, um lateral esquerdo que é lateral direito, um “suporter” (segundo avançado) que é extremo e um ponta-de-lança que precisa de alguém ao lado.

Ora, depois do susto da equipa de Barcelos, que demorou 20 minutos a perceber o que o treinador holandês tinha “cozinhado”, o jogo não correu nada bem aos “encarnados”.

É certo que a equipa da Luz teve várias ocasiões para marcar e que Jorge Baptista voltou a fazer uma grande exibição na baliza, é verdade que o árbitro não assinalou duas grandes penalidades e que o Benfica falhou outra, é óbvio que as lesões de Ricardo Rocha (só amarelo naquele lance?!) e Petit complicaram as coisas, mas…

Mas também não é menos verdade que o Benfica marcou um golo em três jogos oficiais, que o campeão falhou muitos passes sempre que tentou jogar mais rápido, que os “encarnados” não têm ninguém que pense o jogo e que a defesa não pode sofrer um golo daquela forma.

Koeman tem culpa na derrota porque nunca ensaiou esta táctica em nenhum jogo particular, Koeman tem culpa porque não emendou a tempo, Koeman tem culpa porque não pressionou os dirigentes a completar o plantel com os jogadores desejados.

Feitas as contas, o Benfica tem cinco pontos de atraso em duas jornadas…

sábado, agosto 06, 2005

Bola de praia

Estive três semanas de férias mas, apesar disso, fui acompanhando o que se foi passando no fabuloso mundo da bola. Tomei vários apontamentos no meu “Bloco de Notas”.

Benfica

· Tomasson era o alvo prioritário para o reforço do ataque da equipa de Koeman. Acabou por escolher o Estugarda de Trapattoni deixando Veiga “descalço”.
· Os pontas de lança continuam sem aparecer e, apesar do tempo continuar a correr, os dirigentes não baixam a fasquia e insistem que ainda vão chegar duas “trutas”… será verdade? O treinador começa a desesperar.
· Miguel continua “encalhado” e é caso para dizer “nem o jogador joga, nem o Benfica recebe a massa”. À primeira e à segunda vistas o atleta não tem a razão do seu lado, mas as más companhias…
· Os “encarnados” hipotecaram os passes de alguns jogadores para dar como garantia à empresa que construiu o estádio. O Benfica tenta encontrar soluções para pagar o mais depressa possível a nova Catedral. Se a gestão for criteriosa não vai haver problemas.
· Entre as novidades, o campeão nacional está a preparar o “naming” não só do estádio, mas também dos pavilhões, da piscina e do Centro de Estágio. Na dicotomia “Razão e Coração” as opiniões são distintas: esta não é uma solução que eu adore, mas não me choca se isso permitir fazer dinheiro sem ter que vender os melhores jogadores. Por outro lado, e mais importante, qualquer que seja o nome do estádio, para mim e para todos os adeptos do clube, este será SEMPRE o “Estádio da Luz”.
· Dentro das “quatro linhas” é evidente que há problemas no ataque (faltam pontas de lança) e um médio criativo. Se pudesse haver equipas “perfeitas” ainda se pedia um médio defensivo com “cabedal” e um extremo que pudesse jogar nas duas alas. Beto a (grande) surpresa, Anderson já a confirmação, Kariaka a incógnita e Carlitos a desilusão.

Sporting

· Os “leões”, através de José Peseiro, pressionam Wender para este trocar o Minho por Alvalade. O Braga queixa-se, o técnico diz que é legal. Moralmente…
· Manoel e Labarthe, aquisições para esta época, foram dispensados ainda na pré-época. Se no caso do médio não há grande surpresa (é jovem e o meio campo é povoado), no caso do avançado, contratado por Peseiro, há grande surpresa porque foi dispensado por… Peseiro. A justificação não convence: Manoel é mais polivalente que Silva e podia dar outro tipo de ajuda.
· Os senhores gestores da SAD parecem agora interessados em seguir as ideias do Benfica no que diz respeito ao “naming”… curioso
· A equipa continua forte mas desequilibrada. Faltam extremos (mesmo que Douala continue). Tonel e Loureiro são boas opções de banco, Semedo e Nani dois miúdos com futuro e Deivid pode ser um bom complemento para Liedson.

FC Porto
· Co Adrianse queria 24/25 mas ficou com 28 jogadores. Dizem algumas fontes que o técnico queria dispensar Jorge Costa e Sokota mas a administração não deixou.
· Sandro, médio defensivo contratado ao Setúbal, nem chegou a aquecer e Kromkamp acabou por não chegar.
· No novo esquema do técnico holandês a maior surpresa é Postiga. O jovem português deixa de ser ponta-de-lança e passa a ser o “10” da equipa, o organizador. Como será depois da recuperação de Diego?
· Jorginho e Lisandro estão nas alas, apesar de serem adaptações e Raul Meireles é a grande revelação da temporada (pegou de estaca ao lado de Lucho no meio-campo).

Três notas finais:
· O Vitória de Guimarães, de Jaime Pacheco, provou no particular frente ao Benfica, que vai ser o líder da cacetada. Flávio Meireles e Moreno estão nas “sete quintas”.
· Figo acabou por assinar mesmo pelo Inter. Terá perdido algum dinheiro mas vai poder voltar a jogar ao mais alto nível. O Real Madrid terá escolhido mal o primeiro galáctico a sair.
· Nas férias tive oportunidade de comparar, quase todos os dias, o trabalho da “Bola Branca” com o da concorrência. A diferença é abissal. Parabéns ao pessoal da RR.