terça-feira, maio 31, 2005

Ciao

Giovanni Trapattoni confirmou esta tarde aquilo que já se sabia há semanas: vai deixar o Benfica, essencialmente porque tem saudades da família.

A decisão da “velha raposa” tem que ser respeitada. Aos 66 anos, Trap quer regressar a Roma.

Trapattoni devolveu ao Benfica aquilo que o clube mais queria e que procurava há já 11 anos: o título de campeão nacional. Isso é o mais importante e é isso que fica para a história.

Só por isto – e já não é pouco – sócios e adeptos do Benfica têm que estar agradecidos ao técnico italiano.

Claro que, para além da vitória, o Benfica podia e devia ter jogado melhor mas a verdade é que, como diz o ditado, “Sem ovos não se fazem omoletes”.

Já foi dito por todos que os “encarnados” tinham o plantel mais curto dos três grandes, especialmente porque algumas das contratações falharam, o que foi dito por poucos é que, provavelmente, sem Trapattoni o milagre da conquista do título não teria sido possível.

Agora, a administração da SAD só tem duas coisas a fazer: agradecer ao senhor Giovanni Trapattoni os bons serviços prestados à nação benfiquista e, de forma rápida mas segura, encontrar um sucessor à altura do prestígio do clube.

A época que aí vem é fundamental para o Benfica, com a defesa do título e o regresso à Liga dos Campeões, e a equipa tem que se apresentar à altura.

Já começou o falatório em torno do novo treinador e eu não vou entrar nesse “diz que diz, vem não vem”, apesar de ter uma aposta.

Posso é deixar o perfil: treinador estrangeiro e jovem, competente e com currículo, disciplinador, mas amigo dos jogadores e, já agora, com futebol ofensivo e vistoso para a vista.

PS: É óbvio, no entanto, que um eventual regresso de Camacho (e aqui estou a abrir uma excepção e a avançar com um nome porque são circunstâncias diferentes) teria também fortes vantagens porque é competente, exigente com jogadores e Direcção e, especialmente, porque já conhece o plantel e o campeonato português.

domingo, maio 29, 2005

Faltou a cereja… ficou o bolo

O Benfica perdeu a Taça de Portugal diante do Vitória de Setúbal, que foi um justo vencedor.

Os “encarnados”, cansados de tantas festas e borgas após a conquista do título, nunca pareceram capazes de conquistar a “dobradinha”, 18 anos depois.

Os sadinos voltaram aos triunfos 38 anos depois e mereceram, “sem espinhas” esta conquista.

À equipa de Trapattoni, espremida até à última, faltou a “cereja”, mas ficou o “bolo”.

Agora vai ser preciso manter a estrutura do plantel e encontrar cinco ou seis jogadores, que sejam efectivos reforços.

domingo, maio 22, 2005

BENFICA CAMPEÃO

O Benfica terminou hoje um jejum de 11 anos... e que fome tinham os seis milhões de adeptos.

Agora apetece dizer: JÁ ESTÁ

"Ninguém pára o Benfica", dizem os adeptos e "bora" fesetejar.

Depois, vamos para a dobradinha...

O jogo das vossas vidas…

O Benfica está a 90 minutos de quebrar um jejum de 11 anos e dar uma alegria imensa aos milhões de benfiquistas espalhados pelo Mundo. Por isso, não pode falhar.

Os “encarnados” têm um jogo difícil no Bessa, contra um Boavista já tranquilo sem nada a ganhar ou a perder.

Na última vez que a equipa de Trapattoni defrontou uma equipa tranquila com a obrigação de vencer falhou (Penafiel), numa péssima exibição.

Agora, isso não pode acontecer, nem que os “axadrezados” apareçam super-motivados. Dizem as “más-linguas” que o FC Porto, para além de um prémio de vários milhares de contos para incentivar à vitória, também já pagou os meses de salários em atraso aos jogadores do Boavista.

Não sabemos se isso é verdade, mas, mesmo que seja, um Benfica concentrado, motivado e com objectivo tão claro, tem – porque tem - que ganhar ao Boavista.

Depois o Benfica ainda tem a final da Taça de Portugal para jogar. É outra competição para ganhar mas, vamos por partes…

PS1: Giovanni Trapattoni já disse a um jornal italiano que quer voltar a casa. Não sei quais são as causas de tal decisão e, espero, que sejam só saudades. Por mim, para além do merecido agradecimento ao senhor, não fico muito triste com a sua saída.

É verdade que o homem não tinha muitos ovos, mas é verdade que saíram poucas boas omeletes daquela fábrica e, sinceramente, a concretizar-se, não foi o Benfica que ganhou, foram os outros que perderam.

PS2: Quem também parece que vai sair é José Veiga, o gestor do futebol “encarnado”. O antigo empresário formou a equipa nos últimos dois anos e a verdade é que o Benfica parece regressado aos títulos (primeiro a Taça, agora a hipótese de “dobradinha”).

Também é verdade que, apesar de (muito) menos, ainda foram cometidos alguns erros nas contratações e houve dinheiro (que é escasso) mal gasto, mas o que é certo é que a equipa ganhou com ele ao leme e foi feita frente ao “amigo” Pinto da Costa.

Tenho pena que Veiga e Vieira se tenham desentendido, espero que, seja qual for a solução, o Benfica não fique a perder.

Se se confirmar a vitória, uma quota-parte da mesma tem (custe a quem custar) que ser atribuída ao gestor José Veiga, apesar de tudo, bem melhor que o empresário Veiga.

domingo, maio 15, 2005

Falta um pontinho assim…

O Benfica está a (1) um singelo ponto de ser campeão nacional depois de 11 anos de jejum.
Parece impossível mas é verdade: os “encarnados” estão quase a “matar o borrego” e a ganhar o campeonato.

O jogo desta noite foi equilibrado, teve poucas ocasiões de golo e a equipa de Trapattoni acabou por ter a sorte que lhe faltou noutras ocasiões.

Agora os jogadores do Benfica não têm desculpa: faltam 90 minutos e os “encarnados” têm mesmo que ganhar.

Há seis milhões de adeptos à espera disto…

sexta-feira, maio 13, 2005

“Revienga”

O Jorge Perestrelo devia estar este sábado na Luz a assistir ao Benfica – Sporting, decisivo para a SuperLiga.

Não vai estar porque o coração não aguentou esta “revienga” da vida… O “derby” fica mais pobre, o futebol português também e a rádio está de luto.

O Jorge Perestrelo era, para o bem e para o mal, um caso único.

Já tinha passado a minha “fase Perestrelo” e já não tinha muita paciência para as asneiras no meio dos relatos, mas, por outro lado, já tenho saudades daquela loucura que eram os jogos da selecção (ele a cantar o hino nacional aquando de um golo), a cantar o hino do fcp ou a gritar, a plenos pulmões, "eu te amo sporting" quando se sabe agora que era benfiquista do coração.

Jorge Perestrelo era um artista na sua profissão e é sempre uma pena quando se perde um "jogador" desta craveira.

Os palpites para o “dia D”

O “Dia Decisivo”, o “Derby”, o jogo de toDas as emoções é amanhã. TuDo Deve ficar Decidido e Benfica e Sporting vão entrar para ganhar.

Os “encarnados” estão na máxima força (!), com todo o plantel à disposição mas, apesar disso, as opções de Trapattoni não são grandes.

Na baliza vai estar Quim, na defesa Miguel, Luisão, Ricardo Rocha e Dos Santos.

No meio-campo o trio do costume: Petit, Manuel Fernandes e Nuno Assis.

Na frente também não há novidades: Geovanni, Nuno Gomes e Simão.

Obviamente que é necessário não esquecer que o “miúdo” Fernandes e Nuno Gomes vêm de lesões, que Miguel e Simão não estão – há muito – a 100%.

O problema é que não há opções e são estes que vão ter que jogar…

No Sporting faltam Enakarihre, Carlos Martins (por lesão) e Liedson (por castigo) mas José Peseiro tem muito por onde escolher.

Na baliza Ricardo, depois Miguel Garcia, Beto, Andersson Polga e Rui Jorge.

No meio-campo o losango habitual. Desta vez aposto em Custódio e João Moutinho, Pedro Barbosa e Tello.

Na frente Douala e Pinilla.

Claro que sempre pode jogar Sá Pinto (ou na frente ou no meio-campo) Rochemback (regressado de lesão) ou Hugo Viana.

segunda-feira, maio 02, 2005

Grande apito

Este foi mais um fim-de-semana futebolístico fértil em casos e polémicas arbitrais.

Os “senhores do apito” voltaram a ser os principais protagonistas da jornada 31 da SuperLiga.

No Benfica – Belenenses, Mário Mendes não viu uma grande penalidade de Neca sobre Nuno Gomes e depois, talvez com peso na consciência, “forçou a nota” no “penalty” assinalado. É certo que a bola bateu no braço do jogador do Belém, mas…

No FC Porto – Marítimo, o golo que deu os três pontos aos “dragões” foi marcado por McCarthy em, clara, posição de fora de jogo. Há depois um golo anulado a Diego por fora de jogo posicional de dois jogadores “azuis e brancos”. Duvidoso…

Já no Braga – Sporting, ainda com o resultado a zero na segunda parte, Wender sofre falta na área “leonina”… e nada. Nos descontos, Pinilla pode ter sofrido carga quando tentava o quarto golo. As imagens não esclarecem e também já não resolvia nada.

O que é certo é que os três grandes acabaram por ser beneficiados e razão tem o presidente do Braga quando diz que assim é muito difícil algum dos pequenos intrometer-se na luta pelo título.

Faltam três jornadas para terminar o campeonato e está tudo embrulhado na frente. Vamos ver como termina...

segunda-feira, abril 18, 2005

Brevemente…

Esta é uma fase quente da SuperLiga e os temas de discussão são “como as cerejas”.

Se não houver mais problemas “técnicos”, brevemente vamos falar sobre o FC Porto e o caso “Apito Dourado” (não é “gralha” são mesmo estes dois tópicos em conjunto), a disputa entre Quim e Moreira, a polémica dos jogadores emprestados e o esfriamento das relações entre Benfica e Sporting.

Já agora o caso “Sporting de Braga”, os êxitos de Carlos Brito, o contrato de Inácio e o fenómeno Mourinho também podem ser analisados em breve.

Da pressão… à depressão em dois actos

O futebol é um desporto fantástico, por ser imprevisível. Se houvesse dúvidas os dois últimos jogos do Benfica servem para o provar.

Os “encarnados” perderam cinco pontos nos últimos dois jogos e “destruíram” cinco sextos do avanço de que dispunham para o segundo classificado.

O que é interessante nestes jogos é que os pontos foram perdidos em partidas em que o Benfica dominou e merecia ter ganho.

O que é curioso é que estes jogos (frente a Rio Ave e União de Leiria) equivaleram, seguramente, a duas das melhores exibições da equipa de Trapattoni em toda a temporada.

Quer contra a equipa do fantástico Carlos Brito, que ainda não perdeu em casa, quer contra a equipa de Costinha, o Benfica criou oportunidades mais do que suficientes para, não só ganhar, mas até golear.

Se houve jogos em que critiquei fortemente a equipa de Trapattoni – e a equipa até ganhou – agora não o posso fazer porque o Benfica esteve bem e nem os erros da “velha raposa” nas substituições me fazem atacar o plantel.

O que é certo é que foram perdidos cinco pontos e o Braga, Sporting e FC Porto estão aí ao “bater da porta”.

A pressão dos 11 anos sem vitórias está a fazer-se notar em jogadores sem experiência de títulos. Os nervos de Petit e o abaixamento de Simão fazem o resto. Salva-se o grande Manuel Fernandes e o “renascido” Mantorras.

Para a semana o Benfica joga com a “filial” e os três pontos devem estar garantidos – deve estar no contrato.

sábado, abril 16, 2005

desculpas...

Por motivos de ordem “técnica” estivemos impossibilitados de comentar a actualidade desportiva.

Resolvidos esses problemas, em breve voltaremos.

terça-feira, março 22, 2005

Gosto muito de te ver leãozinho…

O Sporting derrotou esta noite o FC Porto e, para além de ter reentrado na luta pelo título, deu uma alegria aos milhões de benfiquistas que hoje foram “lagartos”.

Num campeonato estranho como este, em que os grandes vão de derrota em derrota, o título parece agora, a oito jornadas do fim, encaminhar-se para o Benfica.

Os “encarnados” têm neste momento seis pontos de vantagem sobre um quarteto: para além dos dois grandes, também Braga e Boavista.

No jogo de Alvalade só podia dar vitória do Sporting, face não só às incidências do mesmo (duas expulsões entre a equipa de Couceiro), mas também face ao futebol praticado.

Os “dragões” pouco ou nada mostraram, mesmo quando estiveram com “11” e só um Sporting de “serviços mínimos” permitiu aos adeptos leoninos só tranquilizarem ao minuto 94.

Depois das expulsões o FC Porto pouco ou nada podia fazer. Já o Sporting perdeu uma oportunidade de ouro de golear o adversário, tendo especialmente em atenção que na primeira volta os “azuis e brancos” venceram por 3-0.

José Peseiro tem um bom lote de jogadores, encontrou uma fórmula que resulta, mas continua a falhar nas substituições. Isso nota-se especialmente quanto a “táctica tipo” não engrena logo desde o início do jogo.

As próximas duas jornadas vão ser importantes: o Benfica recebe o Marítimo e vai a Vila do Conde, o Boavista recebe Sporting e FC Porto.

Os “encarnados” têm agora uma derrota de “margem de erro” mas não se podem distrair: nas últimas duas jornadas recebem os “leões” e depois vão ao Bessa.

Veiga-empresário, Veiga-gestor

Dizem as “más línguas” que José Veiga e Luís Filipe Vieira já não estão a viver no “melhor dos mundos” e que há fortes divergências entre os dois quanto ao rumo desportivo do Benfica.

Diz-se até que Veiga já não está a preparar a nova época e que, por isso, vai deixar a SAD “encarnada”.

Não sei se isso é verdade, mas sobre este “caso” vale a pena lembrar algumas coisas.

A “associação” Vieira/Veiga começou quando o actual presidente era gestor o futebol profissional e Veiga era (o mais bem sucedido) empresário de jogadores.

O objectivo era reconstruir uma equipa que tinha “batido no fundo” com um sexto lugar na SuperLiga. O caminho não era fácil porque dinheiro é coisa que não abunda.

A estratégia nos últimos três anos foi fazer o esforço de não vender nenhum jogador fundamental para o plantel. A excepção foi Tiago, que agora está no Chelsea.

Esta ideia resultou, melhorou a equipa, e os resultados começaram a aparecer: depois do 6º, subida para 4º, depois 2º e, na última época, 2º e Taça de Portugal.

Falta agora o equilíbrio financeiro que permita não destruir a equipa e, mesmo assim, contratar mais-valias.

Serve este último parágrafo para voltar à “estória” de Veiga.

Apesar de preferir o Veiga-gestor (que “despachou” muitos dos jogadores do Veiga-empresário) devo dizer que continua a haver erros incompreensíveis na construção do plantel que, seguramente, deitaram dinheiro à rua (Paulo Almeida, Everson, Delibasic, Karadas…).

Na próxima época, com Veiga ou sem ele, com Trapattoni outro, espero que as lacunas do plantel sejam colmatadas.

O que é certo é que, se o Benfica quebrar o "enguiço" e ganhar o título, 11 anos depois, muita da culpa é também da dupla Vieira – Veiga, que, curiosamente, deixaram o último jogo do Benfica em Setúbal abraçados.

quinta-feira, março 17, 2005

Pressão

A nove jornadas do fim da SuperLiga, o Benfica está com três pontos de vantagem sobre o segundo classificado.

Agora é que se vai ver se esta equipa, que está há 11 anos sem ganhar o título, tem ou não “unhas” para esta “guitarra”.

À primeira vista, tendo em atenção o que já se passou nesta época completamente atípica, parece que não.

Em (quase) todos os jogos com equipas “grandes” os “encarnados” perderam: contra o FC Porto (para a Super-Taça e na Luz para o campeonato), contra o Anderlecht (na pré-eliminatória da Liga dos Campeões), contra o Sporting (para a SuperLiga) e contra Estugarda e CSKA (Taça UEFA).

A destoar deste cenário absolutamente negro só o empate no Dragão (o último triunfo vem do último título nacional) e, já agora, a vitória frente ao Nacional, na Madeira, onde os “outros” perderam pontos.

Quando faltam 27 pontos para disputar e a equipa de Trapattoni tem, na teoria, o calendário mais acessível, é chegada a altura de perceber se o Benfica aguenta a “pressão” de seis milhões de adeptos, ansiosos por “matar este borrego”.

Talvez nunca como nesta fase da época seja tão importante ter um técnico como a “velha raposa” a orientar uma equipa tão “curta” e tão “inexperiente” como é este Benfica.

Vem aí mais uma jornada da SuperLiga – uma daquelas que pode já começar a ser decisiva. Com três pontos de vantagem, uma viagem difícil a Setúbal, e um Sporting – FC Porto para assistir, é altura de perceber se o Benfica tem “estofo de campeão”.

A equipa tem tido “estrelinha” (o jogo frente ao Nacional é disso exemplo), falta saber se isso é suficiente para suplantar os adversários, as fracas exibições e a tremenda pressão que é estar na frente.

quarta-feira, março 16, 2005

A “benfiquisação” do FC Porto

Parece impossível mas o FC Porto desta época parece o Benfica de há 11 anos.

Os “encarnados” tinham acabado de ser campeões nacionais com o técnico Toni. A direcção decidiu entregar o comando técnico a Artur Jorge e a revolução começou…

Do plantel vencedor sobraram poucos atletas e chegou o primeiro autocarro de jogadores, alguns de muito duvidosa qualidade.

Desde essa época de Artur Jorge até à chegada de Luís Filipe Vieira à “cadeira do poder”, o Benfica andou de “revolução” em “revolução”, de “treinador” em “treinador”, 15, 20 novos jogadores todos as épocas e resultados… zero.

A estabilidade voltou com a direcção actual e os resultados, lentamente, começam a ser visíveis: do sexto lugar da primeira época, a equipa subiu para quarto, depois foi segundo e, no ano passado, voltou a ficar em segundo na SuperLiga mas já venceu a Taça de Portugal – numa época muito difícil marcada pela morte de Miki Fehér e Bruno Baião.

Nas últimas épocas, do núcleo duro, o Benfica só perdeu Tiago, para o Chelsea. Vamos ver até quando vai ser possível manter esta política.

No FC Porto a estabilidade era um “bem sagrado”, imagem de marca de Pinto da Costa.
Depois do “fenómeno Mourinho”, em que os “dragões” venceram quase tudo, a equipa “azul e branca” ficou com um dilema: “o homem vai-se embora, e agora? Quem contratamos? O que fazemos a este plantel de campeões?

A escolha do experiente presidente do FC Porto foi radical: “vamos cortar a direito”. Vendemos quem somos “obrigados” a vender (Barcelona e Chelsea fizeram propostas irrecusáveis) mas vencemos também outros jogadores importantes na equipa Mourinho: Derlei, Carlos Alberto, Pedro Mendes, Alenitchev, mais os empréstimos de César Peixoto e Hugo Almeida.
Este segundo grupo de “vendas” não parece ser explicável de forma racional e os resultados estão à vista.

Para colmatar esta “sangria” foram contratados (muitos) jogadores brasileiros, alguns que ainda não justificaram qualidade para jogar no campeão europeu.

Se em relação a alguns não há dúvidas quanto à qualidade (Diego e Fabiano são mesmo grandes jogadores), já em relação a outros… muitas dúvidas se colocam (Leandro, Leo Lima, Pepe, Ibson, Leandro do Bonfim, Cláudio Pitbull, mais Quaresma e Hélder Postiga) e não se sabe se vão ter tempo para “mostrar serviço”.

A questão está em saber o que quer fazer Pinto da Costa: “apagar” esta época, fazer nova “revolução” no plantel, trazer mais um camião de jogadores (esperando desta vez não falhar) ou dar tempo a esta “escola de samba” e ao terceiro (!) treinador da época.

segunda-feira, março 14, 2005

Fazer omeletes sem ovos

Aproveitando as derrotas caseiras dos outros grandes, o Benfica tem, a nove jornadas do fim, três pontos de vantagem sobre o FC Porto e seis sobre o Sporting.

Esta é, para quem tem visto este campeonato e analisa os plantéis das equipas, uma situação quase inacreditável.

Os “encarnados” têm, dos três, o plantel mais curto, especialmente da defesa para a frente.

Petit e Manuel Fernandes (este miúdo vale o peso em ouro) estão “sozinhos” na tarefa de defender o miolo do meio-campo, Nuno Assis é o “10” e não há mais nenhum, Simão é o único extremo-esquerdo (já ele adaptado).

No ataque, Nuno Gomes não está nas suas temporadas (muito por culpa das lesões e da falta de um parceiro na frente), Mantorras (ainda?) não dá para 90 minutos.

Valha a defesa que vai terminar a época bem composta com Miguel e João Pereira na direita (também joga na frente dando descanso a Geovanni), Luisão, Ricardo Rocha, Alcides e André Luiz no meio e Dos Santos na esquerda.

Depois há os erros crassos: Paulo Almeida, que nada fez para merecer a contratação, Everson, que ainda não jogou devido a lesão e só se senta no banco, Delibasic, que não foi visto.

Fyssas, Karadas, Carlitos (esperança a que falta continuidade) e Bruno Aguiar só num Benfica com poucos recursos se justifica a manutenção na equipa.

Confesso que não sou fã de Giovanni Trapattoni - antes pelo contrário - e já o expressei várias vezes. Não gosto do futebol que o Benfica está a praticar, mas o que é certo é que, sem jogar bem e sofrendo em todas as partidas, a equipa da Luz arrisca-se a ser campeão, muito por culpa das “baldas” dos adversários.

O que é certo é que a política do Benfica tem sido não vender os seus diamantes.

Isso tem melhorado a equipa nas últimas épocas (visível na melhoria classificativa desde o catastrófico sexto lugar), mas tem dificultado a contratação de mais valias. É este equilibrio que falta encontrar (comprar bem e vender melhor sem destruir o plantel).

Entretanto, a “velha raposa”, contra tudo e contra todos, incluindo sócios e adeptos, vai tentando levar a “carta a Garcia” mesmo sem ter ovos suficientes para fazer boas omeletes.

Faltam 9 jogos, 27 pontos. A equipa da Luz tem, na teoria, o melhor calendário dos três e, parece, ser o grupo mais estável.

terça-feira, março 01, 2005

Clássico numa SuperLiga nada clássica

FC Porto e Benfica empataram no clássico do “Dragão”. Em dia de aniversário, os “encarnados” não queriam desiludir os adeptos e lá conseguiram arrancar um ponto, o que já não acontecia há 10 anos.

O jogo foi equilibrado e o domínio repartido: as “águias” entraram melhor, os dragões reagiram e perderam uma oportunidade clara. Na segunda parte, entraram melhor os de Couceiro mas, mesmo antes do golo de McCarthy, Nuno Assis e Geovanni perderam duas grandes “chances”. Após o empate do Benfica voltou o equilíbrio com McCarthy, primeiro, e Nuno Gomes, depois, a “perdoarem”.

Face a isto, nada ficou resolvido – como aconteceria com qualquer resultado – e tudo ficou ainda mais baralhado na frente.

O Sporting “despachou” o Estoril como lhe competia (com mais dois do “levezinho” e o “regresso” do Niculae) e, agora, os três grandes seguem empatados em primeiro lugar com 42 pontos.

A “complicar” as contas Boavista e Braga estão logo a seguir com 40 pontos.

“Isto” é coisa nunca vista na (chamada) SuperLiga portuguesa e já vamos na jornada 23.

O campeonato está como nunca e está difícil perceber o que vai acontecer.

O Sporting apresenta o melhor futebol, mas é uma equipa com “paragens”, “intermitente”, que, com uma defesa instável, pode prejudicar o futebol ofensivo.

Há, no entanto, entre a equipa de Alvalade uma “espinha dorsal” intocável: Ricardo (no melhor momento de forma desde que está de “leão” ao peito), Enakarihre (este nigeriano é um verdadeiro achado), Custódio (pêndulo da equipa. A equipa desce de produção na sua ausência e o plantel não tem substituto directo), Carlos Martins (o “maestro”, apesar de ter perdido gás após a lesão) e, claro, Liedson (o “levezinho” resolve).

Depois ainda há: Rogério, Polga, Rochemback, Hugo Viana, os “renascidos” Sá Pinto e Niculae (belo regresso contra o Estoril), os capitães Beto e Pedro Barbosa, Douala (grande início de época) e o miúdo Moutinho.

No Benfica, os adeptos rezam para que não haja lesões graves e castigos prolongados.

A equipa não tem grandes opções mas se Trapattoni tiver todo o plantel à disposição pode conseguir lutar pelo título.

Luisão, Miguel, Petit, Manuel Fernandes e Simão são “obrigatórios” em qualquer Benfica nesta época e, por isso, são massacrados com muitos minutos.

Por exemplo, o “capitão” nem sequer tem um suplente para a sua posição no plantel. O que acontece se o “20” “encarnado” não puder jogar durante quatro ou cinco jogos? Adaptações e a obrigatória perda de qualidade.

Numa segunda linha: Ricardo Rocha, Nuno Gomes, Geovanni e Nuno Assis (que, normalmente, completam os titulares).

Depois: Karadas, Alcides, João Pereira e Dos Santos (que ainda dão garantias).

A partir daqui ou não sabemos (tipo Everson e André Luiz que nunca jogaram) ou não queremos saber (tipo Paulo Almeida).

Há, obviamente, o “caso” da baliza: Moreira e Quim são dois grandes guarda-redes e a baliza fica bem entregue. Eu apostaria no mais jovem (por todas as razões… e mais uma – saiu injustamente da equipa após Belém).

O FC Porto vive uma época completamente atípica (três técnicos e carradas de jogadores utilizados).

Agora, com José Couceiro tem “obrigação” de melhorar, até porque tem um lote de jogadores impressionante, apesar de também desequilibrado (faltam extremos).

Vítor Baia, Jorge Costa, Nuno Valente, Costinha, Maniche e McCarthy fazem parte do “núcleo duro”.

Seitaridis, Ricardo Costa (grande época está a fazer), Diego já são confirmações.

Depois há os intermitentes (por exemplo Quaresma e Bosingwa) e os novos que ainda conhecemos mal e que mal conhecem o clube (Ibson, Bonfim, Leo Lima, Cláudio Pittbull…). A juntar a estes há ainda o Fenómeno Fabiano (grande jogador que parece zangado com o futebol e as boas exibições).

sábado, fevereiro 26, 2005

O Clássico

Vem aí o FC Porto – Benfica, o jogo grande da jornada 23 da SuperLiga. As duas equipas estão empatadas na frente e esta pode ser uma partida importante, mas ainda não decisiva.

Os “dragões” são favoritos (porque jogam em casa, porque têm mais opções no plantel, porque o técnico acabou de chegar e não tem “anti corpos”, porque têm tradição de vitoria nos grandes jogos), mas o Benfica deve querer – em dia de aniversário – oferecer uma prenda aos adeptos e dar um pontapé nas más exibições.

Num campeonato estranho como este, em que toda a gente perde (muitos) pontos e há vários candidatos aos lugares da frente, todos as vitórias acabam por ser fundamentais. Essa importância aumenta quando, como neste caso, o jogo vale não três mas seis pontos.

Os “azuis e brancos” estão na máxima força (só falta Bosingwa e até o capitão Jorge Costa está recuperado) e, por isso, José Couceiro pode usar todos os trunfos.

Na baliza, claro, Vítor Baia.

Na defesa, com o “Bicho” com falta de ritmo, a dupla de centrais deve ser Pedro Emanuel e o jovem Ricardo Costa, que vai ganhando estatuto no “Dragão”. Nas alas, sem dúvidas, Seitaridis (à direita) e Nuno Valente (na esquerda).

No meio campo, três devem ter entrada garantida: o “ministro” Costinha, o “todo o terreno” Maniche e o “artista” Diego (também em dia de aniversário).

Na frente, dois jogam: McCarthy e Quaresma.

Fica a faltar um jogador para completar o “11”: ou mais um médio defensivo (Raúl Meireles ou Paulo Machado), um médio centro (Ibson ou Leo Lima), um extremo (Pittbull) ou um ponta de lança (Luís Fabiano ou Hélder Postiga).

Viva a fartura…

Já no Benfica também não há muitas dúvidas, ma aqui porque não há tantas opções.

Na baliza vai jogar Quim, apesar da saída de Moreira continuar mal explicada.

Na defesa, Miguel deve voltar à direita mas, se não estiver a 100% joga João Pereira. A dupla de centrais vai ser constituída por Luisão e Alcides (André Luiz está lesionado e Ricardo Rocha já treina mas…). Na esquerda deve regressar Dos Santos, ficando Fyssas no banco.

No meio campo, sem espinhas, Petit (mesmo com fadiga muscular), Manuel Fernandes e Nuno Assis.

Na frente, mais um trio que não deixa dúvidas: Geovanni, Nuno Gomes e o capitão Simão (apesar do “sumaríssimo”).

Resumindo, este é sempre jogo de “tripla” mas o favoritismo é claramente do FC Porto que, em caso de vitória, alcança o 15ª jogo consecutivo sem perder diante do Benfica nos jogos em casa.

Do árbitro só se espera uma boa arbitragem, sem caso e que os adeptos nem se lembram do nome do senhor.

PS: Esperando pelo resultado estará o Sporting que nessa mesma noite defronta o Estoril.

sexta-feira, fevereiro 25, 2005

As minhas escolhas

Estamos já na segunda volta, a SuperLiga está “estranha”, como nunca visto, com várias equipas a lutar pela vitória à distância de uma vitória.

Falaremos sobre isto mais tarde. Para já – e numa altura em que já fechou o mercado de Inverno, vou deixar aqui as minhas escolhas para reforçar os planteis dos três grandes.

Para a baliza 3 nomes, dois veteranos e uma jovem esperança: Helton, da União de Leiria, Marcos, do Marítimo, e (atenção a este miúdo – internacional sub-18) Paulo Ribeiro, do Vitória de Setúbal.

Na lateral direita – ao contrário do que é habitual – há qualidade em quantidade. Lanço para a “mesa” quatro nomes que não deixariam ficar mal nenhuma equipa: destaque primeiro para dois jogadores que, ainda na época passada, estavam na Liga de Honra: Nelson, do Boavista, e Rui Duarte, do Estoril. Depois Amaral, brasileiro do Belenenses, e Abel, do Sporting de Braga.

Do lado contrário não há tanta gente, mas os dois nomes indicados dão garantias: Miguelito, do Rio Ave, e Jorge Luiz, dos arsenalistas.

Para a zona central há um nome incontornável que só “perde” pela idade: Mitchell Van der Gaag. Depois lanço mais quatro nomes: Tonel (parceiro do holandês no Marítimo), Nunes, central do Braga, José António, titular da Académica, e Hugo Alcântara, do Setúbal.

No meio campo defensivo, mais três nomes: Sandro (do Vitória de Setúbal), Paul Murray (do Beira-Mar) e Alexandre (não tem jogado no Guimarães mas impressionou-me).

No apoio, o chamado box-to-box, há um nome de que toda a gente fala e que tem nome de craque: João Alves (do Sporting de Braga), mas eu junto mais dois nomes que podem merecer atenção: Lucas, do Boavista (muito trabalhador e que pode actuar em várias posições) e Vandinho (também do Braga que tem a vantagem de ter mais “cabedal”). Acrescento mais um nome de um jogador que na época passada deu muito nas vistas mas que este ano ainda não apareceu: Dionattan.

Na posição de “playmaker” o destaque vai para Jorginho (Setúbal), que já esteve envolvido numa novela este ano. Zé Pedro (Belenenses) e Jaime, do Braga, são também bons jogadores, apesar de muito “intermitentes” ao longo da época. Atenção ainda a McPhee do Beira-Mar, que tem jogado muito encostado na ala direita, mas que no centro pode ser um caso sério.

Para o ataque, nas alas, pela esquerda temos dois miúdos que têm a espaços aparecido e resolvido jogos: Targino (Guimarães) e Diogo Valente (Boavista). Manduca, do Marítimo, começou muito bem o campeonato, agora tem andado mais “desaparecido”. Wender é outro “caso” (salvaguardadas as devidas distâncias podia ser o novo Derlei jogando à esquerda ou ao centro – na frente ou embalado de trás).

Na direita, para além de McPhee, há ainda o inevitável Alan (do Marítimo) e o Manuel José, do Setúbal – e que bem que ele marca livres, e dois supersónicos: Zé Manel, do Boavista, e Luciano, da Briosa.

Na posição de ponta de lança deixo quatro nomes com características diferentes: Marcel (atenção ao “matador” da Académica – este não engana, que o diga o Coritiba onde foi o melhor marcador há duas épocas) e Adriano (quem sabe não esquece). Antchouet e, especialmente, Wesley são outros dois nomes a não perder de vista.

Para liderar esta equipa de estrelas dois nomes indiscutíveis da época: Jesualdo Ferreira e Carlos Brito.

quinta-feira, fevereiro 17, 2005

O regresso do mister

Depois de alguns meses de ausência, cá estou mais uma vez para dar umas dicas aos meus colegas que estão a trabalhar.

Eu cá continuo à espera que o telefone toque e que me apareça um projecto apetecível.

Fechou no final de Janeiro o chamado “mercado de Inverno”. Quase todas as equipas foram às compras.

A excepção foi o Rio Ave, de Carlos Brito, que, no entanto, perdeu o seu “maestro”: Ricardo Nascimento foi ganhar uns trocos para o Oriente.

Os campeões de compras foram a Académica e o FC Porto que quase se transformaram em empresas de “import”/”export”.

Bom, mas isso são outras “estórias”. Aquilo que eu gostaria de deixar claro é que, apesar das muitas compras” ainda há muitos e bons jogadores que poderiam interessar especialmente aos três grandes que continuam a ter planteis desequilibrados.

Ao campeão nacional faltam extremos (depois das saídas de Derlei, César Peixoto e Maciel), um suplente para o Seitaridis e, já agora, um outro “camisa 10” porque aquele Leo Lima parece-me um erro de “casting”.

No Sporting é”pública e notória” a falta de um médio defensivo, que possa substituir o jovem Custódio, um outro médio que possa “fazer” de Rochemback.

Por outro lado, dando de barato que a equipa de Alvalade joga mesmo sem extremos, faltam ainda laterais para a defesa.

O Benfica fez três contratações de Natal mas “esqueceu” um extremo-esquerdo para dar descanso a Simão (ou que o capitão vá jogar do lado direito) e de um médio-centro que possa substituir Petit ou Manuel Fernandes.

É que de Paulo Almeida já pouco se espera e de Everson pouco se sabe.

No próximo texto conheça as minhas escolhas para melhorar estas equipas com jogadores que já estão na SuperLiga.