domingo, junho 11, 2006

Bola de Berlim (5)

ou... "a água na fervura"

A selecção nacional estreia-se este domingo no Mundial da Alemanha e é altura de deixar claro: Portugal é candidato a ganhar o Grupo "D", é obrigado a passar aos oitavos de final, mas nada mais.

Ganhar a Angola, ganhar ao Irão, não perder com o México, que, por acaso, está à nossa frente no ranking da FIFA, são resultados essenciais e - diria - normais.

Tudo o que vier para lá disso é (muito) bem vindo. Depois, na fase a eliminar, tudo é possível.

A equipa das "quinas" defrontará - se lá chegar - alguém do chamado "grupo da morte" e os principais candidatos são Argentina e Holanda.

Aqui a coisa já pia mais fino...

O próprio técnico já colocou um objectivo, ligeiramente mais optimista, ao lembrar que Portugal é o sétimo colocado a nível mundial e que, por isso, deve alcançar os quartos-de-final. Aliás, Scolari só renova com a selecção portuguesa se chegar, pelo menos, a esse objectivo.

Acho que não devemos exagerar nas expectativas, até porque há o risco do "excesso de confiança" - muito próprio dos portugueses - degenerar no "catastrofismo".

É necessário ter a cabeça no lugar e perceber que Brasil, Argentina, Itália, França - pelo menos estes - são superiores a Portugal e, portanto, não estamos na primeira linha de favoritos.

A equipa

Não há grandes dúvidas quanto ao "11" a apresentar pela equipa das "quinas" ou não fosse Luiz Felipe Scolari o treinador.

Ricardo
Miguel, Fernando Meira, Ricardo Carvalho e Nuno Valente
Costinha, Petit e Deco
Figo, Pauleta e Cristiano Ronaldo

A única alteração, para além da lesão de Jorge Andrade, é a "troca" de Maniche por Petit. Costinha, o nome de que se fala, mantém a confiança do "mister", apesar de não parecer ter ritmo para justificar a titularidade.

Parece-me óbvia a titularidade de Petit, já o facto de Tiago continuar no banco é bastante discutível.

Quanto a Nuno Valente... é como São Tomé: "Esperar para ver".

No resto não há novidades:
  • Só espero que Ronaldo esteja concentrado, apenas, em jogar à bola e a fazer miséria, futebolistica, nos adversários.
  • Que Figo continue em grande forma, como tem demonstrado
  • Que Deco volte aos grandes jogos, ao nível do Barça
  • Que Pauleta mantenha o espírito "matador"
  • Que Tiago e Simão entrem para somar sempre que for necessário
  • Que Nuno Gomes esteja em condições de ajudar
Primeiro balanço

Depois de cinco jogos, destaque para a primeira surpresa, o empate de Trinidade e Tobago diante da Suécia e para um futebol pouco atractivo, no geral.

O azarado da prova é o guarda-redes do Paraguai que esteve seis minutos em campo e conseguiu sofrer um auto-golo e lesionar-se, terminando a sua participação.

Exibições dignas de registo para as defesas de Trinidade e Tobago e Equador.

Grandes golos a abrir e a fechar o jogo alemão.

sexta-feira, junho 09, 2006

O caso... ou o caos

Ficou resolvido (?) esta sexta-feira mais um caso - ou um caos – do futebol português: afinal, o Gil Vicente vai, ao que parece, manter-se na primeira Liga.

São vários os tópicos que merecem atenção na análise de todo este “embróglio”.

Nota prévia: o Gil Vicente garantiu dentro das quatro linhas o direito a permanecer no principal escalão e, assim, o Belenenses desceria de divisão.

É no campo que os campeonatos devem decidir-se, estamos todos de acordo quanto a isso, mas também é verdade que conhecemos as regras do organizador do futebol mundial.

Diz a FIFA que qualquer clube que faça queixa aos tribunais civis desce, automaticamente, de divisão.

Pode (e deve) discutir-se se esta regra é legítima ou faz sentido. Por mim é, no mínimo, prepotente (já para não chamar fascisoide).

Mas, o certo é que a regra existe e é conhecida por todos, em todo o mundo e, até prova em contrário, deve (tem) que ser respeitada.

Ora, posto isto, no âmbito do chamado “caso Mateus”, três clubes queixaram-se do Gil Vicente por alegada inscrição irregular do jogador angolano.

Após Mateus ter feito quatro jogos e da equipa de Barcelos se ter queixado aos tribunais civis, o “caldo entornou-se” e a polémica durou meses.

Na semana passada, os jornais davam conta da decisão da Comissão Disciplinar da Liga que daria razão à queixa do Belém e, portanto, o Gil desceria ao segundo escalão, por ter envolvido os tribunais civis no caso.

Seria o cumprir da tal regra da FIFA e assim, à primeira vista, seriam cumpridos os regulamentos (apesar do que aconteceu dentro das quatro linhas).

No entanto, hoje foram conhecidos novos pormenores que “deram a volta ao texto”.

Segundo a decisão desta sexta-feira, afinal, o caso é arquivado e fica tudo na mesma, com os “galos” na primeira e o Belenenses na segunda.

O que se alterou entretanto?

Ao que parece, um dos elementos da comissão disciplinar que numa primeira instância tinha pedido escusa, por ser familiar de um dirigente do Gil, voltou atrás e foi mesmo votar dando o seu volto à turma de Barcelos, empatando o caso a 2-2.

Face à igualdade foi o presidente do órgão que usou o seu “voto de qualidade” e acabou por dar razão ao Gil, depois de numa primeira decisão ter decidido em sentido contrário.

Assim, em poucos dias, a decisão virou completamente porque dois dos quatro elementos mudaram as intenções de voto.

O que se passou entretanto para que isso acontecesse não se sabe.

O que parece estranho é que um familiar de uma parte envolvida (familiar de dirigente do Gil Vicente) tenha voto na matéria e que outro elemento mude de opinião de um dia para o outro.

No mínimo estranho.

Primeira consequência os elementos da Liga que acabaram por ser derrotados, face à cambalhota, decidiram apresentar a demissão, por uma questão de dignidade – digo eu.

É o futebol que temos. Uma palhaçada.

Claro que “isto” ainda não acabou. O Belenenses vai, seguramente, recorrer.

terça-feira, junho 06, 2006

Bola de Berlim (4)

ou... a (des)concentração de um grupo

O treino da tarde da selecção nacional na Alemanha fica para a "estória", com 12500 emigrantes em delírio nas bancadas esgotadas do estádio.

Segundo parece, foi batido o recorde de assistência de um treino da equipa das "quinas", com a loucura a passar das bancadas para o relvado, até com a presença da autarca da pequena cidade.

Eu entendo o entusiasmo dos emigrantes, mas convém não esquecer que os comandados de Scolari não estão em nenhuma feira ou romaria, estão a preparar um Mundial de futebol.

A menos de uma semana do primeiro jogo, é essencial que a equipa se deixe de brincadeiras e, finalmente, se concentre no essencial.

Está na altura de haver treinos à porta fechada, longe dos olhares dos emigrantes, para que se possa preparar convenientemente o jogo de Angola e todos os que se seguirem.

Aliás, a reacção de Scolari, terminando abruptamente o apronto porque uma bola demorou a regressar da bancada, é demonstrativa de que nem tudo está bem...

segunda-feira, junho 05, 2006

Tarde...

Confirmou-se aquilo que já se suspeitava há alguns meses: Nélson foi mesmo operado a uma hérnia inguinal.

A forma como este processo foi conduzido deixa-me, no entanto, várias interrogações:
  • Porque obrigou o Benfica o atleta a "jogar" até final da época quando era visivel que não estava em condições?
  • Porque o convocou a selecção de Sub-21?
  • Porque foi Nélson operado na mesma clínica onde correram mal as operações a Manuel Fernandes e Quim?
  • Porque foi o jogador operado em segredo?

Claro que, agora, dados os antecedentes, já ninguém arrisca tempos de recuperação.

Só espero que a operação, desta vez, tenha corrido mesmo bem e que o jogador esteja a 100% no início da época.

Bola de Berlim (3)

A selecção nacional chegou este domingo ao quartel-general de Marienfeld, na Alemanha.

Foi impressionante o apoio de muitos milhares de emigrantes desde o aeroporto e o centro de estágio da equipa das "quinas".

Alguns dos nossos compatriotas esperaram desde manhã para ver os craques e aí faltou algum bom senso aos responsáveis que podiam e deviam ter autorizado um contacto (ainda que breve) entre os jogadores e a claque lusa.

Duas nota ainda para o treino ligeiro realizado já realizado no campo do hotel: o apronto foi ligeiro para os titulares da partida frente ao Luxemburgo (à excepção de Costinha) e todos os 23 jogadores estiveram presentes (incluindo Boa Morte e Nuno Gomes).

Esta segunda-feira há dois treinos.

O primeiro jogo de Portugal é no domingo frente a Angola.

"O ovo ou a galinha?"

Esta é uma das dúvidas existenciais do mundo: quem nasceu primeiro, o ovo ou a galinha? Há várias teorias e as duas respostas são dadas como certas.

Numa transposição para o mundo do futebol, há também uma dúvida semelhante que costuma ocupar técnicos, jornalistas, comentadores e adeptos: É um treinador ou são os jogadores que definem a táctica de uma equipa?
  • Alguns defendem que um técnico chega a determinado clube e impõe as suas ideias, moldando os jogadores que tem à disposição.
  • Outros preferem dizer que os jogadores obrigam o treinador a adaptar-se ao grupo.

Vem isto a propósito daquela que parece ser a primeira dúvida séria de Fernando Santos no Benfica: que táctica utilizar (4-3-3 ou 4-4-2)?

No centro da "polémica" três jogadores: Simão, Rui Costa e Miccoli.

Aqui colocam-se dois cenários, partindo do princípio que o "maestro" é titular:

  1. Simão fica: aí a solução mais óbvia parece ser o 4-3-3 (a táctica favorita do "mister"), com o "20" numa ala e Rui Costa a pautar o jogo à frente de dois médios mais defensivos. Neste cenário, a continuidade de Miccoli deixará de ser fundamental já que o ponta-de-lança terá que ter outras características.
  2. Simão sai: sem o extremo já é mais provável que os "encarnados" joguem em 4-4-2 "losango" com Rui Costa na frente de um tridente que saiba fazer as compensações defensivas e ofensivas, sem extremos, mas que tenha dois avançados (um deles sendo Miccoli pela rapidez e facilidade de remate).

Não tenho certezas sobre qual é a posição correcta, mas prefiro que um treinador, especialmente na primeira época num clube, se adapte à "matéria prima" que tem à disposição.

Claro que, no treino, deve o técnico ter, pelo menos, um plano "A" e um plano "B" para as várias situações de jogo.

Esta é mais uma situação em que, por exemplo, "the special one" está bem preparado já que as suas equipas tanto jogam em 4-3-3 como 4-4-2 "losango". Mourinho tem ainda o plano "C", de emergência, em que joga apenas com três defesas.

domingo, junho 04, 2006

Bola de Berlim (2)

ou ... "Pior cego é o que não quer ver"

Ser teimoso é uma das características (defeitos) mais usuais do ser humano mas, como em tudo na vida, há limites. Quero acreditar que os limites do seleccionador chegaram esta noite, depois de ter visto o Portugal - Luxemburgo.

Após as exibições de alguns dos "intocáveis" do senhor Scolari por terras francesas, a uma semana do início do Mundial, parece-me que ficou claro para todos que alguns jogadores não estão em condições de começar a prova como titulares.

  • Só um cego não vê que Petit está melhor que Costinha
  • Só um inconsciente não percebe que Tiago bate aos pontos Maniche
  • Só um teimoso não entende que Nuno Valente está também fora de forma

Quero acreditar naqueles que defendem que estes jogadores, por terem jogado pouco ou nada, vão evoluir com os treinos e acabar por aparecer mais fortes nesta fase da época. Pois, é mesmo esperar para ver, mas lá que não parece...

Para além destes três casos mais evidentes, há outros - de outro tipo - que também merecem análise.

  • Cristiano Ronaldo tem que pôr - ou alguém por ele - a cabeça no lugar
  • Fernando Meira não está ainda bem entrosado com a equipa e nota-se muito a falta de Jorge Andrade
  • Deco terá feito o seu pior jogo desde que chegou à selecção
  • Boa Morte e Nuno Gomes vão à Alemanha para jogar ou vão ser o "Tiago do Euro 2004"?

As análises podem prosseguir ainda por outras questões, agora mais tácticas. Ficam duas interrogações:

  • Porque não experimentou Scolari jogar com dois pontas de lança?
  • Porque não experimentou Scolari jogar com três defesas?

Falta uma semana para o Portugal -Angola...

sábado, junho 03, 2006

"Bola de Berlim"

Estreia hoje mais uma rubrica aqui no "Doente da Bola", rubrica essa que vai acompanhar o Campeonato do Mundo na Alemanha.

Agora que a selecção já está no Luxemburgo, última paragem antes de Marienfeld, chegou a altura de fazer um balanço da primeira fase do estágio.

Basicamente, há dois tópicos que merecem análise: o calor de Évora e a fragilidade dos adversários nesta fase. Tomemos como exemplo a selecção brasileira.

  1. O "escrete canarinho" está na Suíça a adaptar-se ao frio e a treinar em altitude... Face a isto, realmente parece estranho que Portugal prepare uma competição na Alemanha na zona mais quente do país (o Alentejo). É que ainda não nos esquecemos do que aconteceu há quatro anos quando a equipa das "quinas" esteve em Macau.
  2. Nos últimos dois encontros de preparação, os "penta" campeões defrontaram os sub-2o do Fluminense e uma equipa suiça da segunda divisão... Portugal escolheu Cabo Verde e Luxemburgo. Outras selecções há que preferem adversários fortes: o México escolheu França e Holanda.

Sobre a escolha de Évora não há grandes justificações por parte da FPF e a única coisa que se sabe é que a ida para o Alentejo permitiu um grande desconto (a Federação paga 20 ou 25% da factura). Esta é uma boa justificação para alguns, agora resta saber se os treinos com 37 graus não destruiram as reservas dos jogadores.

Quanto aos adversários escolhidos, Scolari explica que prefere jogos acessíveis para não obrigar a equipa a dar o máximo e, ao mesmo tempo, tentar evitar (mais) lesões.

Aqui, como em muitos temas da vida, não há verdades absolutas, mas em minha opinião a "opção Évora" é discutível em termos de preparação da equipa e nem o preço de saldo pode servir de justificação.

Já quanto aos jogos, apesar de perceber, a justificação do seleccionador preferia adversários mais fortes que dessem estaleca à "equipa das quinas".

Como se vê não há consenso e, no fim de contas, o que vai contar são os resultados. Se a prova correr bem e se se provar que Scolari tinha razão, cá estarei para o reconhecer.

sexta-feira, junho 02, 2006

O que correu mal?

A selecção de sub-21 foi eliminada na primeira fase do Europeu da categoria disputado em casa, depois de duas derrotas e uma vitória.

A questão que se coloca é: O que é que aconteceu para termos passado de uma equipa vitoriosa na qualificação, para uma selecção banal na fase final?

Vamos então apontar razões para o descalabro:
  • "Chefe" desaparecido em combate (Jogadores nunca viram Scolari)
  • Seleccionador das "esperanças" furioso com o "Chefe" (Agostinho Oliveira desautorizado)
  • Jogadores fundamentais desmotivados (ex-Quaresma)
  • Jogadores titulares fora de forma (ex-Hugo Almeida)
  • Escolhas polémicas (porquê Nélson - lesionado - e não João Pereira ou Miguel Garcia?)
  • Escolhas estranhas (porquê Morais e não um defesa-esquerdo de raiz?)
  • Erros no banco durante as partidas
  • Excesso de confiança e não gestão de expectativas

Deste torneio pontos positivos:

  • Fantástico o apoio do público à selecção na hora da derrota, destaque para o público de Guimarães
  • Equipa francesa com uma grande equipa
  • Jogodores bem interessantes noutras selecções

Posto isto, o que vai acontecer?

  • Agostinho Oliveira vai continuar? Dificilmente depois do que aconteceu com Luiz Felipe Scolari

quinta-feira, maio 25, 2006

O Maestro

Agora já não há dúvidas: Rui Costa vai mesmo ser jogador do Benfica na próxima época e vai ser apresentado esta quinta-feira na Luz - notícia confirmada e avançada pela RR às 23h58.

O "maestro" está assim de regresso ao clube que o formou depois de sete anos na Fiorentina e cinco no AC Milan.

Depois deste "introito" deixem-me pôr as "cartas na mesa": sou favorável ao regresso de Rui Costa ainda como jogador.

Sim, eu sei que tem 34 anos, que já não aguenta o ritmo de três jogos por semana, que já não aguenta 90 minutos ao mesmo alto nivel, que não gosta muito de defender, que - se calhar - não vai gostar se tiver que ficar no banco em algum jogo.

Mas também sei que Rui Costa é, ainda, um grande jogador, sei que quando jogar vai jogar bem, sei que vai trazer experiência e carisma a um plantel com poucos jogadores experientes... e ainda, sei que vai trazer adeptos ao estádio e, já agora, ajudar a fazer dinheiro.

Se Fernando Santos e os capitães de equipa conseguirem voltar a unir o plantel como estava na época passada, Rui Costa pode ser uma grande ajuda.

Mas atenção, ainda mais importante que o "10", vai ser saber-se quem dos fundamentais vai ficar e quem vai ser contratado para equilibrar o plantel, de molde, a dar-lhe opções válidas para todas as posições.

quarta-feira, maio 24, 2006

Entrada com o pé esquerdo

A selecção de "esperanças" sofreu ontem uma derrota "sem espinhas" frente à França na primeira jornada do Campeonato Europeu de Sub-21.

O domínio francês foi tal que o resultado até foi escasso, dada a qualidade da exibição gaulesa, especialmente no primeiro tempo.

Foi a vitória (clara) do colectivismo contra o individualismo luso. O chutão para a frente e as arrancadas individuais foram mais que muitas e sempre sem efeitos práticos.

Não sei se foi excesso de euforia, nervosismo colectivo ou desmotivação de alguns, o certo é que a equipa das "quinas" não jogou aquilo que pode e sabe.

Eu não estava no "80" antes do Euro, mas também não passei para o "8".

Continuo a acreditar, espero é que a equipa se concentre, aproveite o factor casa, e volte a ganhar a força colectiva que demonstrou na qualificação.

Aposta ou "às postas"?

Depois de Sporting e FC Porto e ao que parece Vitória de Setúbal e Sporting de Braga, agora é o Benfica que se prepara para acabar com a equipa B.

São várias as justificações dos clubes: questões financeiras (quanto custa sustentar um outro plantel de 25 jogadores), questões desportivas (falta de competitividade nas divisões inferiores que não permitem que os jogadores jovens evoluam) e questões administrativas (as regras não permitem que os "B" cheguem à Divisão de Honra).

Acredito que sejam razões válidas e que devem ter sido devidamente ponderadas pelas administrações das SAD respectivas.

No entanto, pessoalmente, não concordo com esta decisão e não aceito estas justificações, pesados os prós e contras.

Um clube como o Benfica e um país como Portugal, que não nadam em dinheiro, têm que apostar nos jovens e na promoção dos seus miúdos para continuar a facturar e a evoluir.

No caso dos "encarnados" a decisão é ainda mais estranha por duas razões: primeiro porque nunca esteve em posição de subida para os campeonatos profissionais (e portanto não se pode queixar dos regulamentos) e, em segundo lugar, ao que parece, vão trocar o "Benfica B" (que está na II Divisão B) pelo regressado Alverca (da III), outra vez como "satélite".

Isto tudo numa altura em que, finalmente, está operacional o Centro de Estágio do Seixal e, por outro lado, se estão - bem - a realizar protocolos com vários pequenos clubes em Portugal e no estrangeiro.

De que vale apostar numa "maternidade", se se afastam as "mães"? Estranho.

O que vão os dirigentes fazer com os miúdos que estão na equipa secundária, alguns dos quais já contratados para esta época? Fica a pergunta.

PS: Num post anterior pedi o reforço da estrutura com a entrada de um coordenador técnico para as camadas jovens, pelo contrário, ao que parece nem esse homem vai aparecer e ainda cortam as vazas a Carraça.

segunda-feira, maio 22, 2006

"Santos da casa não fazem milagres"

Fernando Santos é o novo treinador do Benfica, notícia que apanhou 99% dos benfiquistas surpresos e de "boca aberta".

Eu ainda não estou recuperado do choque e, seguramente, o engenheiro não era a minha primeira escolha, nem a segunda, nem a terceira...

O senhor engenheiro já esteve, entre outros, no FC Porto e no Sporting e só nos “dragões” venceu (1) um campeonato em três épocas.

Mas, pior que os resultados fraquinhos, o que mais dúvidas me deixa no treinador Fernando Santos é, por um lado, a falta de pulso e a falta de carisma para comandar um plantel e, por outro, a instabilidade táctica e o esquecimento do banco.

Sinceramente, o que me parece é que o também ex-técnico de Estoril, Estrela da Amadora, Panathinaikos e AEK vai ser uma mistura de José Peseiro com Ronald Koeman... e isso não é nada positivo.

Espero, obviamente, estar enganado e estou preparado para dar o “braço a torcer”.

A primeira boa notícia que Fernando Santos me daria era a de não destruir (ou ver destruir) o plantel actual: vendas minimalistas (como nas últimas duas épocas) e poucas contratações, mas boas (jogadores que venham “somar” e equilibrar o grupo).

A segunda boa notícia era o treinador, ao contrário dos dois antecessores, apostar nas camadas jovens.

A terceira boa notícia era, desde logo, perceber qual o “plano A” e o “plano B” táctico da equipa.

PS: Digam o que disserem, não acredito que o falsamente chamado “engenheiro do penta” tenha sido a primeira escolha do Benfica.

quinta-feira, maio 18, 2006

Barça

O Barcelona, favorito incontestado, cumpriu o que dele se esperava e ganhou a Liga dos Campeões.

No entanto, o triunfo de Paris não foi fácil com o Arsenal a vender muito cara a derrota..

Com um Ronaldinho em sub-rendimento (se isso é possível), um Van Bommel apagado e um Oleguer com grandes dificuldades, os catalães sentiram dificuldades em pegar no jogo.

Aliás, foram os “gunners” as duas primeiras oportunidades, com Thierry Henry endiabrado que só não conseguiu bater o guarda-redes Valdez (grande exibição).

Depois veio o lance do jogo, com o árbitro como protagonista, a expulsar Lehman e a não validar o golo do Barça.

A partir daqui, o Arsenal encolheu-se, uniu-se na defesa, marcou de bola parada por Sol Campbell, e dificultou muitíssimo a vida ao Barça, apesar de ter jogado cerca de 70 minutos em vantagem numérica.

A equipa catalã ganhou o jogo também nas substituições, com Rijkaard a fazer entrar três que “somaram”, ao contrário de Wenger que não conseguiu aguentar a equipa.

No último quarto de hora, só deu Barça e deu-se a reviravolta justa. Ganharam os melhores.

Feitas as contas finais da UEFA: Espanha – 2 Inglaterra – 0

Geração Benfica

Numa altura em que o Benfica procura treinador para a equipa principal, convém que a administração da SAD não perca de vista todo o futebol do clube.

Não basta, por isso, encontrar um “mister” competente, com provas dadas, e que, de preferência, conheça os “encarnados” e o campeonato luso.

Parece essencial que seja também contratado um coordenador para todas as camadas jovens: experiente, conhecedor e com “carta branca” para avaliar e dar uma identidade às equipas desde os “BB” até às escolas.

Aqui, arrisco três nomes com curriculo nesta área: Nelo Vingada, Agostinho Oliveira ou Rui Caçador.

A equipa da Luz tem que restruturar todo esse departamento para poder rentabilizar os miúdos que tem.

Por exemplo, onde estão os juniores que foram campeões de juniores há duas épocas? Onde estão os atletas que subiram a equipa B à segunda divisão? Porque não aproveitou Koeman as camadas jovens? Será que, em três anos, só Manuel Fernandes era “aproveitável”?

Se calhar sim, se tivermos em consideração a última lista de convocados da selecção Sub-18. Em 26 jogadores, nem um do Benfica.

Preocupante...

quarta-feira, maio 17, 2006

Clube Scolari

A convocatória de Luiz Felipe Scolari tem vários ângulos de análise, todos eles discutíveis. Mas, vendo bem, a lista não tem novidades.

Nota prévia

O técnico brasileiro trabalha na selecção como se fosse um clube e, assim sendo, depois de ter encontrado o grupo de trabalho em 2004, só o altera se for obrigado.

É neste princípio que jogadores como Costinha, Maniche, Nuno Valente, Quim e até Hugo Viana são chamados, independentemente do que estejam a fazer nos seus clubes.

É também graças a este factor que jogadores como Tonel, Miguelito, Pedro Mendes ou João Tomás não foram convocados.

O Euro Sub-21 foi outro factor condicionador das escolhas do técnico. Ficou claro que Scolari não contou com Moutinho e Quaresma devido às “esperanças”.

Face a estes pressupostos vamos à análise.

O que fez Scolari

Na baliza, para além de Ricardo e Quim, chamou Bruno Vale (titular das “esperanças”), tal como tinha feito em 2004 com Moreira, em detrimento de Paulo Santos.

Na defesa, a dúvida era: “Quem vai ser o substituto de Jorge Andrade?”. Das opções disponíveis (Tonel, Ricardo Rocha, Nunes), Scolari escolheu Ricardo Costa, precisamente o que tem menos minutos, mas o que mais jogos tem nas selecções desde os jovens (mais uma vez “o grupo”).

No meio-campo, sabendo-se das polémicas chamadas de Costinha e Maniche, a dúvida era saber quem ia ser o suplente de Deco (João Moutinho ou Hugo Viana). “Ganhou” o segundo – novamente o mais experiente, apesar de menos rodado.

No ataque, mais uma dúvida: Quem seria o quarto extremo: Boa Morte ou Quaresma. Lugar para o primeiro, outra vez, pela mesma razão, tem mais jogos, participou na qualificação, está mais integrado.

Posto isto, Luiz Felipe Scolari tem um grupo restrito de jogadores (como um clube) e deles não abdica, independentemente do que estiver a acontecer à sua volta, independente da forma dos “seus” jogadores e dos “outros” que possam aparecer.

Análise

Esta forma de trabalhar de Felipão tem, claro, vantagens e inconvenientes:

O facto de ter um grupo fechado, cria espírito de grupo, moraliza os jogadores, dá-lhes confiança e “obriga” os “eleitos” a seguirem as indicações do técnico “até à morte”. Exemplos disso: a defesa que foi feita por Ricardo ou Costinha (precisamente dois dos mais criticados em alturas diferentes).

Não conheço nenhum outro técnico que defenda tanto os seus jogadores e isso trás, obviamente, efeitos positivos.

Por outro lado, o autismo, cegueira, do “mister” é injusto para os jogadores que apareçam em forma. Que motivação têm esses atletas para continuar a trabalhar e evoluir se souberem que o treinador nem sequer procura alternativas e vai aos jogos observá-los.

Já agora, deixo mais duas achas para a fogueira em jeito de pergunta: era melhor ter Quaresma e Moutinho suplentes nos “AA” ou titulares nos Sub-21? Não seria preferível ter os jogadores em melhor forma, independentemente de fazerem ou não parte do “Clube Scolari”?

Claro que as ausências de Quaresma e Moutinho tiram magia à selecção e deixam a equipa muito dependente de Cristiano Ronaldo e Deco. Se houver algum "azar"...

Se o homem quer convocar só e apenas os integrantes do “Clube Scolari”, isso é lá com ele... depois responde é pelos resultados que conseguir ou não conseguir.

Deixo aqui um caso, se calhar, O caso da selecção: Costinha. Não estando a jogar, não seria convocável, quem seria chamado? Custódio ou Raul Meireles das “esperanças”, Luís Loureiro que chegou a ser chamado, uma adaptação (tipo João Paulo), um “remendo” (tipo Manuel Fernandes que é um “8”) ou um trinco de uma equipa pequena que nunca tenha sido convocado (os caceteiros Tiago ou Flávio Meireles). Enfim, não seria fácil.

Vamos ver se nos entendemos, o currículum de Scolari fala por si, ele tem total legitimidade para escolher quem quiser... Eu até acabo por perceber a ideia, mas acho que é uma teoria que deveria ser aplicada num clube e não numa selecção.

O que faria eu?

Confesso que teria feito três ou quatro escolhas diferentes nos “23”, mas também compreendo que nem em todas as posições há muitas opções.

Em vez de Ricardo Costa, Tonel. Se o argumento é a polivalência então levaria Ricardo Rocha.

Em vez de Hugo Viana, João Moutinho

Em vez de Boa Morte, Quaresma

Em vez de Postiga, João Tomás

Depois, a minha maior dúvida: Costinha, Pedro Mendes poderia entrar e, no caso de ser necessário um segundo trinco, avançaria Fernando Meira.

Posto isto, não vale a pena bater mais no ceguinho, as escolhas estão feitas e agora é esperar...

Apesar de tudo, uma coisa é certa: estes 23 são, em teoria, mais fortes dos 23 que estiveram no Oriente.

segunda-feira, maio 15, 2006

"A cereja no topo da bola" (*)

Como se esperava, o FC Porto venceu a Taça de Portugal e conquistou a "dobradinha" na época 2005/06.

É a 13ª Taça de Portugal e a quinta dupla do historial dos "dragões".

A vitória "azul e branca", no Jamor, foi justa, com mais um golo de Adriano, após assistência de Quaresma, mas o Vitória (que defendia o título) vendeu cara a derrota.

O FC Porto dominou a maior parte do tempo, criou uma mão cheia de oportunidades e - apesar de ter apresentado o "11" mais ofensivo da época - voltou a falhar na concretização.

Do lado sadino destaque para o guarda-redes Rubinho, apesar do falhanço em alguns cruzamentos, e para Carlitos, "renascido das cinzas".

Nota final para Co Adriaanse, que conquistou o segundo título da época, e o dedicou aos adeptos, mas especialmente aos pais que morreram há poucas semanas no espaço de dois dias.

(*) Frase ouvida na Sporttv

domingo, maio 14, 2006

Balanço – Despromoções

Penafiel, Guimarães, Rio Ave e Belenenses foram os quatro clubes despromovidos na Liga.

Entre os “eleitos” estão dois históricos do campeonato português (Belenenses e Guimarães), clubes com grandes tradições e massas adeptas “intensas” (especialmente os minhotos).

Ainda hoje estou a tentar perceber o que aconteceu para clubes com as estruturas destes dois descerem de divisão. Assim se prova também que os orçamentos não ganham jogos.

Aliás, sou de opinião que o Vitória tinha equipa para lutar pela Europa: Geromel, Cleber, Paito(!), Svard, Otacílio, Neca, Benachour, Paulo Sérgio, Targino, Wesley, Antchouet, Saganowsky, entre outros, são jogadores de qualidade que deveriam conduzir o clube calmamente ao quinto, sexto lugar da tabela.

Então, o que aconteceu: demora na construção do plantel, equipa desequilibrada (defesa com poucas opções, meio campo sem extremos), treinadores com filosofias completamente opostas e, ao que parece, empresários metediços.

Do lado da turma do Restelo parece-me que o mais grave (para além dos ordenados em atraso) foi a precipitação no despedimento de Carlos Carvalhal e a falta de um avançado que pudesse compensar a ausência de Meyong na Taça de África.

Claro que, para a próxima época, estas duas equipas não têm outra hipótese que não seja subir de divisão, mas a coisa não vai ser fácil, dada a tremenda concorrência que todos os anos acontece na II Liga.

O Rio Ave foi, desde o início, uma das equipas que eu apontei como candidata à descida, tal como Naval, Paços de Ferreira e Gil Vicente, e, por isso, não me surpreendeu.

Do Penafiel, destaco o profissionalismo de todo o grupo de trabalho (desde o presidente aos jogadores, passando pelos jogadores). Luís Castro é um bom “mister” mas, claramente, não conseguiu suprir as baixas no plantel do ano passado. As lesões também não ajudaram.

E pronto… assim aconteceu.

Apito final na época 2005/06, o futebol regressa oficialmente lá para Agosto.

Chefe… mas pouco (*)

Foram esta noite conhecidos os 22 convocados da selecção de “esperanças” para o Europeu da categoria.

Analisando a convocatória de Agostinho Oliveira, que certamente passou pelo crivo do Chefe Scolari, assaltam-me algumas ideias.

· Portugal tem o dever e a obrigação de se apresentar na maior força possível, neste torneio organizado em casa.
· Obviamente que jogadores como Quaresma e João Moutinho são grandes reforços para as “esperanças” mas, se a ideia era dar todas as condições aos miúdos, então Cristiano Ronaldo deveria ter sido chamado.
· Pelo que se percebe, Hugo Viana vai ser convocado para a Alemanha e a minha pergunta é: o que é que ele jogou no último ano para merecer tal honra? Será que, por exemplo, João Moutinho não merecia mais essa convocatória?
· Havendo coincidência de datas entre o Europeu de Sub-21 e o Mundial de seniores (erro claro da FIFA), a prioridade tem que ser, sempre, a selecção principal.
· Será que Luiz Felipe Scolari ainda vai fazer a surpresa de “repetir convocatórias”, ou seja, será que vai haver “repetentes” (como aconteceu com Moreira em 2004)?
· Entretanto, não há um único lateral esquerdo de raiz entre os convocados.

Aqui estão eles:

GUARDA-REDES: Bruno Vale, Daniel Fernandes e Paulo Ribeiro.

DEFESAS: José Castro, Semedo, Nelson, Morais, Pedro Ribeiro e Rolando.

MÉDIOS: Bruno Amaro, Custódio, Diogo Valente, João Moutinho, Manuel Fernandes, Raul Meireles, Filipe Oliveira, Nani e Quaresma.

AVANÇADOS: Hugo Almeida, Lourenço, Ricardo Vaz Tê e Varela.

O Campeonato da Europa de Sub-21 vai decorrer entre os dias 23 de Maio e 4 de Junho.

PS1: Espero que esta polémica entre Agostinho Oliveira e Scolari não vá acabar com a saída do técnico português da Federação.

PS2: Se, por acaso, Portugal tiver um mau resultado neste Euro, será que é o treinador brasileiro que vai assumir as responsabilidades enquanto "Chefe dos Sub-21"?

(*) Lapidar a declaração do jogador Rolando que diz que o seu chefe é Agostinho Oliveira e que nunca viu Scolari junto da equipa.

sexta-feira, maio 12, 2006

Balanço - Europa

Terminou a Liga e foi o Braga que voltou a ganhar o "campeonato dos pequenos" pelo segundo ano consecutivo. Quem também vai à Europa é o Nacional da Madeira.

A "fava" calhou ao Boavista que, mais uma vez, "morreu na praia" e ficou no sexto lugar da classificação no campeonato.

Face ao que aconteceu nas quatro linhas durante as 34 jornadas, os resultados foram justas e vai à Taça UEFA quem merece.

Curiosamente, os dois clubes felizardos e o que ficou de fora vão mudar de treinador.

Faz alguma confusão a decisão da SAD bracarense de abdicar do professor Jesualdo Ferreira (depois de três anos e meio de trabalho e três idas à UEFA), naquele que é um passo bem arriscado, mas o sortudo acaba por ser a turma "axadrezada" que aproveitou a "oferta".

Os "insulares" também não conseguiram a renovação do técnico Manuel Machado, que decidiu regressar ao Continente, depois de dois anos a conduzir as suas equipas à Europa.

A primeira volta do Nacional chegou mesmo em aberto a hipótese da equipa sonhar com "voos mais altos" e que levaram até o presidente do clube a produzir declarações, no mínimo, precipitadas.

Ao que parece Machado vai, agora, tentar revigorar a Académica enquanto para a Madeira segue Carlos Brito, que deixou o Bessa.

Quem também vai jogar as competições europeias pelo segundo ano consecutivo, por via da Taça de Portugal, é o Vitória de Setúbal.

Depois de uma época muito complicada, com ordenados em atraso, saída de treinador e alguns jogadores, reconstrução do plantel e estreia de um técnico, o oitavo lugar final e a repetição da presença no Jamor já é um prémio merecido.

Em breve... as despromoções.

"Bola de Prata"

Final de época... Aqui ficam também as minhas escolhas:

JOGADOR: Lucho
CONFIRMAÇÃO: João Moutinho
REVELAÇÃO: Manu
DECEPÇÃO: Robert
TREINADOR: Jorge Jesus
CONFIRMAÇÃO: Manuel Machado
REVELAÇÃO: Paulo Bento
DECEPÇÃO: Couceiro e Pontes

quinta-feira, maio 11, 2006

Balanço – título

Como normalmente acontece, a classificação da Liga é, no final das contas, justa e, assim sendo, a vitória do FC Porto não merece contestação.

Há grande mérito de Co Adriaanse – que foi teimoso, manteve as suas ideias e melhorou os seus jogadores – mas também é justo dizer que os “dragões” tinham o melhor plantel.

Helton, Pepe, Paulo Assunção, Lucho, Quaresma e Adriano foram os principais responsáveis, dentro de campo, pelos triunfos.

Apesar de alguns percalços (especialmente na Champions), os “azuis e brancos” preparam-se para uma “dobradinha”.

O Sporting terminou no segundo lugar, depois de uma boa recuperação no campeonato, por culpa de Paulo Bento.

Os “leões” ganharam consistência, estabilidade e os resultados foram aparecendo.

A “verde esperança” terminou em casa na derrota frente ao FC Porto, mas o segundo posto foi garantido com alguma tranquilidade.

Para a próxima época a responsabilidade aumenta e vem aí a Liga dos Campeões.

No Benfica esta foi uma época com mais baixos que altos. O terceiro lugar no campeonato é um mau resultado e a SuperTaça não serve, obviamente, de compensação.

Por outro lado, a eliminação da Taça de Portugal em casa não ajudou e o sonho da Liga Milionária não pode servir para disfarçar uma época cinzenta.

Ronald Koeman perdeu o balneário em Janeiro e a equipa, em vez de melhorar, piorou... e, por isso, o técnico saiu.

Em breve a Europa e as Despromoções.

11 x 11

Terminou a Liga 2005/2006 e esta é a altura certa para fazer os habituais balanços da época.

Vou começar por escolher os dois melhores "onzes" (um só com "grandes", outro só com "pequenos"):

GUARDA-REDES: Hélton - Marcos
DEFESA DIREITO: Abel - Manuel José
DEFESA CENTRAL: Pepe - João Paulo
DEFESA CENTRAL: Luisão - Van der Gaag
DEFESA ESQUERDO: Leo - Miguelito
MÉDIO TRINCO: Paulo Assunção - Andrés Madrid
MÉDIO BOX-TO-BOX: Lucho - Júnior
MÉDIO DIREITO: Quaresma - Edson
MÉDIO OFENSIVO: João Moutinho - Benachour
MÉDIO ESQUERDO: Simão - Manu
AVANÇADO: Liedson - Saganowsky

quarta-feira, maio 10, 2006

“Esperanças”

Ao que parece Luiz Felipe Scolari já escolheu os 23 jogadores que vão ao Mundial da Alemanha.

O facto de ele ainda não ter revelado quem são os eleitos, isso é lá com ele, mas parece-me que, pelo menos, uma pessoa já deveria conhecer a lista.

Por uma questão de profissionalismo, por uma questão de boa gestão, por uma questão de eficácia, por uma questão de amizade, por uma questão de respeito… Agostinho Oliveira já tinha que saber quem vai à fase final do Mundial.

O técnico das “esperanças” merecia, por todas as razões e mais uma (o facto de jogar em casa), preparar o Europeu sub-21 nas melhores condições possíveis e sabendo, antecipadamente, com quem pode contar.

É que – é bom não esquecer – estamos a falar de uma boa mão cheia de jogadores que podem dar o contributo às duas selecções (e já nem estou a falar de Cristiano Ronaldo).

Bruno Vale, Raul Meireles, Hugo Viana, João Moutinho, Quaresma e Hugo Almeida são os seis que, em minha opinião, por uma razão ou por outra, aspiram chegar já aos “AA”.

Aliás, na minha escolha, João Moutinho e Quaresma teriam já – de caras - carimbado o passaporte para a Alemanha.

Scolari está a gerir mal este dossier e Agostinho Oliveira não merecia.

terça-feira, maio 09, 2006

Já está

O PSV veio mesmo buscar Ronald Koeman ao Benfica e ainda pagou por cima. Os sócios e adeptos "encarnados" estão agradecidos ao clube holandês.

Parece-me, como já escrevi, que Koeman não tinha condições para continuar e, por isso, aplaudo a decisão.

Agora, no entanto, é necessário calma e ponderação: é verdade que a época não correu bem (apesar da Liga dos Campeões), mas não se pode pensar que é necessário reconstruir tudo.

A SAD tem (algum) tempo para contratar o técnico e tem que o fazer bem. Depois não se pode "vingar" no plantel.

O Benfica tem que manter a estratégia que resultou nos últimos anos (aguentar a estrutura base da equipa, vender - no máximo - um titular, e conseguir 4/5 reforços que "somem").

Os "encarnados" não podem perder cinco ou seis titulares de uma vez só e comprar um "camião" de jogadores, a maioria de duvidosa qualidade.

Claro que sendo estrangeiro (obrigatoriamente), convinha que o novo "mister" conhecesse o Benfica e o futebol português. Com este perfil, são poucas as opções...

sábado, maio 06, 2006

Infelicidades, vulgaridades e "gravidades"

Nota Prévia: Alguém que me disse que os sportinguistas podem estar descansados quanto à Champions porque está tudo tratado para o Benfica não ganhar ao Paços de Ferreira. Será verdade? (*)

Está ao rubro a luta pelo segundo lugar na Liga, a disputa já começou fora de campo e com alguns contornos graves.

Depois das infelizes declarações de Ronald Koeman sobre os estranhos golos de Vila do Conde, surgiu um comentário também ele infeliz de Liedson.

Como se isto não bastasse, os dois presidentes dos clubes decidiram apimentar ainda mais a discussão com resposta e contra-resposta.

Luís Filipe Vieira chamou ao "levezinho" um "vulgar jogador" e Filipe Soares Franco truncou essas declarações ao dizer: "Se ele é vulgar o que dizer do plantel do Benfica".

Do presidente do Benfica são conhecidas as dificuldades no domínio da língua portuguesa, o que não se esperava era que o doutor/gestor Soares Franco não soubesse a diferença entre "vulgar jogador" e "jogador vulgar".

(*) Esta é a minha primeira incursão (e espero que última) pelo lado "escuro" do futebol portuguÊs. Espero, sinceramente, que seja só um boato.

quarta-feira, maio 03, 2006

A regra e a excepção

Eu sou a favor que os treinadores cumpram os seus contratos e, também por isso, dificilmente aceito uma "chicotada psicológica" (*).

Ao que parece, os holandeses do PSV estão interessados em contratar Ronald Koeman para o lugar de Guus Hiddink que decidiu ir treinar a Rússia.

De recordar que, neste caso, os dirigentes "encarnados" têm mantido um discurso coerente: "Koeman tem mais um ano de contrato, o Benfica não despede nem indemniza treinadores".

O clube da Luz tem duas hipóteses: ignora a oferta e mantém o holandês, cumpre o contrato e arrisca mais uma época; ou aceita este "brinde", transfere o técnico, ganha uns trocos e encontra novo "timoneiro" para a sua equipa de futebol.

Os defensores de Ronald Koeman no Benfica lembram que os seus comandados fizeram mais pontos que a equipa de Trapattoni no campeonato, ganharam duas vezes ao FC Porto e, ainda mais importante, fizeram uma boa campanha na Liga dos Campeões.

Estes são, obviamente, argumentos válidos que devem ser levados em consideração numa análise séria da situação mas há, no entanto, o outro "reverso da medalha".

A instabilidade táctica e exibicional, a dificuldade em "ler" o jogo e fazer substituições, a falta de comando e de solidariedade do grupo de trabalho em algumas situações...

Tudo isto junto levou a que a equipa não tivesse ganho nada e - não me lixem - isso é o que realmente interessa.

Resumindo, se alguém me perguntasse, eu diria que a decisão correcta seria: aceitar a proposta do PSV, escolher um novo "mister" depressa e bem e começar a preparar a nova época de maneira a ter um plantel mais forte e mais equilibrado.

(*) No entanto, todas as regras têm excepção...

terça-feira, maio 02, 2006

Dois em um

Mais uma vez Ronald Koeman voltou a errar e, desta vez, duplamente: primeiro dentro de campo, depois na sala de imprensa na Luz.

Vamos por partes:

Primeiro, não se percebe porque razão Ronald Koeman mudou a táctica habitual e, pior que isso, jogou com uma estratégia a que os jogadores não estão nem habituados (treinados) nem têm características para tal.

Segundo, independentemente do "castigo" a Robert e Geovanni (que desconheço e, por isso, não discuto), não entendo porque jogou Marco Ferreira e não Nélson (se está lesionado não devia ter sido convocado), porque jogou Manduca nas costas de Miccoli e não nas alas, porque jogou Beto e não Karagounis no meio-campo e, já agora, porque jogou o italiano sozinho na frente.

Terceiro: se está a fazer testes para a próxima temporada faz mal: ainda havia dois jogos oficiais para fazer e ganhar, as experiências fazem-se na pré-temporada e em jogos particulares.

Quarto, já na sala de imprensa, Koeman fez declarações infelizes sobre o jogo do Sporting e os profissionais do Rio Ave.

Porque, das duas uma: ou tem a certeza de que se passou alguma coisa e isso é grave e tem que ser provado ou foi só uma declaração em desespero de causa e, portanto, escusada e demonstrativa de que o técnico holandês não está a aguentar a pressão.

No mínimo, Ronald Koeman deveria pedir desculpa aos profissionais do Rio Ave que estão a lutar galhardamente pela permanência.

Estas são mais duas manchas no curriculum de Koeman na Luz, mas continua a ser garantido pelos dirigentes que o treinador se vai manter. Enfim...

segunda-feira, maio 01, 2006

The special one

José Mourinho confirmou o segundo título consecutivo do Chelsea na Premier League (o seu quarto depois de dois no FC Porto).

Logo desde o início do campeonato inglês que se esperava a vitória dos "blues", tal o arranque demolidor da "equipa dos portugueses".

Depois, segundo Mourinho, por "desmotivação", a equipa perdeu gás e deixou o Manchester United recuperar até aos nove pontos de atraso.

Realmente, a equipa de Stamford Bridge fez alguns jogos abaixo do que seria aceitável e vários jogadores estiveram, durante toda a época, abaixo do que podem e sabem fazer: por exemplo Duff e Robben.

No entanto, quando suou o alarme e foi preciso, o Chelsea voltou às vitórias e, este fim-de-semana, frente ao principal adversário, não deu a mínima hipótese. Grande exibição, defesa irrepreensível, pressing constante no meio-campo.

Mourinho voltou a demonstrar toda a sua valia e, agora, até pode tornar a bater o recorde de pontos que tinha alcançado na época passada.

Ficam, no entanto, dois amargos de boca - independentemente da valorização ou não que é feita pelos media ingleses -: um é a Taça de Inglaterra (único título que lhe falta) e outro a Liga dos Campeões (seguramente a prioridade das prioridades na próxima época).

Mantendo a estrutura fortíssima do plantel e mais quatro jogadores [um extremo que jogue nos dois flancos (Simão), um médio criativo (Ballack), um defesa (depende da "posição" de Gallas) e um avançado (Schevchenko seria a primeira opção)] pode continuar o domínio interno e a conquista europeia.

Dinheiro a Abramovich não falta, sabedoria a Mourinho também não

sábado, abril 29, 2006

Obviamente, ganhou

Sem surpresa, Filipe Soares Franco venceu as eleições no Sporting e é o 35º presidente do clube de Alvalade.

Ganhou o candidato do sistema, ganhou o candidato da continuidade, ganhou o candidato da banca, ganhou o candidato da SAD Futebol, ganhou o candidato do "novo projecto".

Agora vem aí a venda de património não desportivo para - dizem - evitar a transferência de activos desportivos.

Soares Franco garante que o "project finance" (que bem que fica aqui esta expressão) vai ser renegociado, a dívida amortizada e, assim, o projecto vai sair reforçado e o futebol mais forte.

Estou para ver é o que acontece se a "coisa" não se resolver com esta solução milagrosa da vendas do património imobiliário.

O novo presidente conseguiu 74.2% dos votos (bem mais que os 2/3 que "exigia") mas, curiosamente, foi o presidente da sua lista que menos votos teve: Rogério Alves (Assembleia Geral) 74.7%, Agostinho Abade (Conselho Fiscal) 74.3% e no Conselho Leonino a lista A alcançou 74.5% dos votos.

Mas também, com adversários da nível de Abrantes Mendes e Guilherme Lemos, a goleada não era difícil.

sexta-feira, abril 28, 2006

Afinal...

Luiz Felipe Scolari recusou a proposta milionária da Federação Inglesa de Futebol e diz-se empenhado na defesa da selecção lusa.

Ao contrário do que tudo parecia indicar, Scolari repetiu mesmo o "número" do Euro 2004 quando, na altura, recusou o Benfica.

Independentemente de tudo o resto, foi positivo este passo atrás dado pelo técnico brasileiro. Esperemos que ele, de uma vez por todas, se concentre na "Equipa das Quinas" e consiga repetir um bom grupo.

Quanto ao futuro, logo se vê... e convites mais ou menos tentadores não lhe vão faltar.

quinta-feira, abril 27, 2006

"More than words"

Se ainda havia dúvidas, estas terminaram quando a Federação Inglesa veio a Portugal falar com Luiz Felipe Scolari: Felipão vai mesmo deixar a nossa selecção para ir para Terras de Sua Majestade.

Os constantes desmentidos de Scolari e o "Só falo depois do Mundial" deixaram hoje de fazer sentido.

Não tenho nada contra o facto de cada um procurar o melhor para si e, eventualmente, mudar de emprego (neste caso de selecção para treinar), o que me preocupa é o "timming".

É que - é bom não esquecer - estamos a pouco mais de um mês da fase final do Mundial e a cerca de três semanas da saída da lista de convocados.

O que me deixa inquieto é perceber que o treinador da minha selecção não está 100% concentrado na "equipa das quinas".

A partir de agora, quem me garante que Scolari vai dar o seu melhor por Portugal? O que acontecerá se Portugal defrontar a Inglaterra?

Esta situação entre Scolari e os ingleses é ainda mais estranha quanto nos lembramos bem do que aconteceu no Euro 2004 quando se descobriu que o Benfica estava interessado no técnico brasileiro.

Aí, e bem, em defesa do grupo (a selecção nacional), Scolari, face àquele contacto precipitado dos "encarnados" ter sido tornado público, garantiu que não ia para a Luz e que ia honrar o seu compromisso com a FPF.

Foi nessa conferência de imprensa, quase em fúria, que Scolari ganhou o grupo e o país.

Lamentavelmente, desta vez, não só não desmentiu as negociações, como não cortou com as mesmas e, pior do que isso, fugiu aos jornalistas.

O Mundial 2006 está a começar mal...

quarta-feira, abril 26, 2006

"Coração de Leão"

Não sou, nunca fui, fã do jogador Ricardo Sá Pinto, desde os tempos do Salgueiros e sempre me fez confusão o "amor" que a maior parte dos sportinguistas tem ao actual "camisa 10".

Sempre contrariei a opinião dos "leões" que, na luta de Pintos, gostavam de dizer que Sá era melhor que João, na altura o "menino de ouro" do Benfica.

Claro que fui "obrigado" a tolerar o jogador sempre que vestia a camisola das "quinas", numa altura em que não havia melhores opções para a frente de ataque da "equipa de todos nós".

Da sua carreira, vamos sempre recordar a luta contra as lesões graves e, claro, quer queira quer não queira, a agressão ao seleccionador nacional Artur Jorge.

Sá Pinto não é um jogador tecnicamente perfeito, longe disso, e tem como (única) mais valia o "coração" e a entrega ao jogo - isso ninguém lhe pode negar.

Fora isso, confesso, não vejo mais nada de especial no actual capitão leonino que, de cabeça quente (a sua imagem de marca) decidiu acabar a carreira dois jogos antes.

Registo para memória futura...

Aqui fica a notícia que marcou a noite de 24 de Abril (curioso o simbolismo):

"Foi arquivada parte do processo "Apito Dourado", que dizia respeito ao jogo FC Porto-Estrela da Amadora, que implica o presidente portista Pinto da Costa e o ex-árbitro Jacinto Paixão.

Segundo o advogado de Jacinto Paixão, o Ministério Público do Porto decidiu-se pelo arquivamento por falta de indícios de crime.

Pragal Colaço sublinha que além do seu constituinte, todos os outros arguidos foram ilibados, entre os quais estão Pinto da Costa, Reinaldo Teles, António Garrido, António Araújo.

Jacinto Paixão pretende agora avançar com uma acção de indemnização contra o Estado e não deverá regressar à arbitragem, diz o advogado Pragal Colaço."


Como dizem na Euronews: "No comments".

domingo, abril 23, 2006

FC Porto Campeão

No fim de contas, os "dragões" venceram o campeonato e venceram bem. São uns justos vencedores e, acho, que ninguém tem dúvidas disso.

É normal - digamos assim - que após uma maratona ganhe a melhor equipa, a que tem mais armas, a mais equilibrada.

Não havia dúvidas desde o princípio da Liga - e eu escrevi-o bem cedo - que o FC Porto tinha o melhor plantel e a dúvida que se chegou a colocar era saber se a equipa se ia adaptar aos métodos de Co Adriaanse.

A instabilidade que a equipa revelou especialmente na primeira fase do campeonato, enquanto andou envolvida na Liga dos Campeões, chegou a deixar a ideia de que o Benfica ou o Sporting poderiam chegar ao título, mesmo tendo menos armas.

O técnico holandês entrou com uma táctica "revolucionária", depois alterou para uma versão mais "convencional" e, na última fase, após a derrota no jogo da Reboleira, voltou a apostar num 3-3-4 (às vezes 3-4-3), mas já com os jogadores mais "habituados".

A equipa ganhou consistência, deixou de sofrer golos e ganhou bem todas as partidas finais, incluindo o decisivo jogo com o Sporting.

Mérito especial para Co Adriaanse, que chegou a ser insultado e agredido, mas foi com as suas ideias (algumas dificeis de digerir) até ao fim e provou que se pode arriscar, inovar e ganhar. Depois de uma época no Dragão vê-se trabalho e vê-se evolução em vários jogadores por "culpa" do "mister".

Quanto aos jogadores, faço seis destaques: Helton (deu a segurança que Baia parece ter perdido) , Pepe (extraordinária melhoria na táctica de três defesas a confirmar na próxima época), Paulo Assunção (decisivo na dupla função defesa/meio-campo que equilibrava a equipa), Lucho (o nome diz tudo, enorme jogador), Quaresma (a época da afirmação, consistente e decisivo), Adriano (contratação de Inverno que, como dizem no Brasil, "veio para somar").

Claro que há sempre espaço para evoluir e é sempre uma pena ver um jogador como Diego ser "desaproveitado" neste sistema.

Se o FC Porto mantiver esta estrutura e fizer os acertos sérios, vai ser um caso sério, não só em Portugal mas, outra vez, na Europa.

sexta-feira, abril 21, 2006

Quim

A situação de Quim no Benfica merece ser considerado um "case study" e vem dar razão àquele ditado que diz: "O que nasce torto, tarde ou nunca se endireita".

O guarda-redes chegou aos "encarnados" quando no plantel já estava Moreira e tinha chegado Yannick.

A minha pergunta foi, logo na altura, para que é que o Benfica quer Quim? Um internacional para ficar no banco? Tirar o lugar a uma jovem promessa?

A explicação que mais se ouvia tinha a ver com o facto do titular (Moreira) estar nos Jogos Olímpicos. E assim se contratou um jogador por culpa de três ou quatro jogos (primeiro erro).

Depois, com o início da Liga e o regresso de Moreira, Quim foi para o banco e só ganhou a titularidade depois da derrota do Benfica (4-1) no Restelo. Trapattoni "culpou" injustamente Moreira e deu a baliza a Quim (segundo erro). Apesar disso, a equipa da Luz foi campeã e Quim não comprometeu.

Nova época, novo técnico e Koeman volta a optar por Moreira. Assim seguiu até à lesão do titular no jogo do Vitória de Guimarães.

Face a este contratempo, Quim calçou as luvas e a baliza do campeão nacional continuava bem entregue. Entretanto, Yannick, que tinha feito o primeiro jogo oficial, cansado de esperar por oportunidades, foi emprestado ao Marselha (terceiro erro).

A situação complicou-se com a lesão de Quim, ficando o Benfica "entregue" ao miúdo da Equipa "B".

Com jogos importantes pela frente, incluindo Liga dos Campeões, a equipa tremeu quando se percebeu que Rui Nereu não era (não podia ser) ainda opção.

Esta constatação "obrigou" Quim, que entretanto tinha sido operado, a regressar antecipadamente e a jogar debilitado (quarto erro). O exemplo máximo foi a partida frente ao Sporting de Braga com o Benfica a sofrer três golos, dois por "culpa" do "camisa 12".

Entretanto, Quim recuperou, os "encarnados" não sofriam golos há vários jogos e a equipa estava a subir na tabela.

Na reabertura de mercado, em Janeiro, com Moreira ainda lesionado, os "encarnados" contrataram um novo guarda-redes e, imediatamente, com apenas dois treinos, Moretto ficou o dono da baliza (quinto erro).

Atenção, em minha opinião - vale o que vale - Moreira e Moretto são melhores que Quim, mas o certo é que o jogador não merecia ter sofrido o que sofreu e especialmente não merecia ter jogado lesionado, acabando por se prejudicar a si e ao clube.

Se Koeman ficar no Benfica, o mais certo é Quim deixar o clube. É capaz de ser a melhor solução, especialmente pelo jogador que merece uma equipa onde possa jogar com regularidade.

Convém, já agora, é que os dirigentes da SAD acautelem o plantel com três (3) guarda-redes de qualidade.

quinta-feira, abril 20, 2006

Outras bolas (4)

Depois de Ticha Penicheiro, Tiago Monteiro e Vanessa Fernandes, a rubrica "Outras bolas" regressa para enaltecer mais uma campeã em particular e uma modalidade que tem dado várias alegrias ao país.

A judoca Telma Monteiro lidera o ranking internacional da sua categoria (-52 kg), segundo a União Europeia de Judo, isto depois de ter vencido a etapa mundial em Moscovo.

De recordar que, já no ano passado, Telma Monteiro tinha conseguido a medalha de bronze quer no Europeu quer no Mundial.

No entanto, o judo não é só esta atleta e nas últimas semanas também João Neto, Diogo Lima, Pedro Dias, João Cardoso e João Pina conquistaram medalhas em provas importantes.

terça-feira, abril 18, 2006

Objectivo: Permanência

Faltam três jornadas para terminar o campeonato, há nove pontos em disputa e 10 equipas em busca de salvação.

Em cima, o FC Porto já é campeão e, em baixo, o Penafiel já desceu. Tudo o resto está por decidir. Há, portanto, três vagas por preencher abaixo da “linha de água”.

Se a Liga terminasse hoje Gil Vicente, Vitória de Guimarães e Rio Ave eram os “felizes” contemplados com a descida de divisão.

Nas últimas jornadas, a equipa de Vítor Pontes tem feito muitos pontos mas, para seu azar, os adversários directos também começaram a pontuar mais.

Por exemplo, na última jornada, seis dos últimos 10 classificados venceram e, agora, os tão falados 40 pontos podem não chegar. Vão ser várias as “discussões directas” nesta altura quente do campeonato e tudo vai ficar decidido aí.

Feita uma análise rápida do que está para a frente destes 10 clubes ainda, matematicamente, em risco tudo deve ficar decidido entre quatro (para além dos três já citados, também a Naval) por terem, obviamente, menos pontos mas também devido aos calendários.

Na teoria, o calendário mais dificil é o de Guimarães (Boavista, FC Porto e Estrela da Amadora), mas o Rio Ave, mesmo tendo mais um ponto (34) que os vimaranenses não está muito melhor, apesar de ter uma partida com um adversário directo (Gil Vicente, Sporting e Leiria).

Os de Barcelos, com 33 pontos, para além do jogo com os de Vila do Conde defrontam também o europeu Braga e o quase tranquilo Belenenses, enquanto a equipa da Naval joga contra Sporting, Leiria e o despromovido Penafiel.

Claro que as outras equipas (Paços de Ferreira, Académica, Belenenses, Estrela da Amadora, Marítimo) que estão até aos 40 pontos (da União de Leiria) ainda podem vir a cair na zona de descida mas, se os resultados foram “normais” estarão safos e essa meta pontual, já definida pelos técnicos, vai ser suficiente.

Voltaremos, seguramente, a este tema quando houver certezas. Haverá muito para dizer nessa altura.

sexta-feira, abril 14, 2006

Recauchutagem encarnada

A poucas jornadas do fim do campeonato, está na altura das equipas começarem a trabalhar para o reforço dos plantéis. Depois de FC Porto e Sporting, agora o Benfica.

A primeira dúvida é, desde logo, o treinador: Koeman tem mais um ano de contrato e o apoio de José Veiga, mas isso não é total garantia, até porque, ao que consta, o próprio gestor do futebol pode estar de saída.

Independentemente da questão do técnico, que obviamente pode condicionar (e alterar) tudo o resto, há outras decisões que é obrigatório tomar.

  • É verdade que Simão já está vendido? Se sim, é fundamental que seja por bom dinheiro e que, depois, se compre (bem) o substituto.
  • Luisão é para manter ou não? Se não, vai ser preciso olho para ir buscar um outro “comandante”
  • Para além destes dois casos mais “graves” e admitindo que mais ninguém sai por “força do mercado”, será necessário arrumar a casa: Quim, Ricardo Rocha, Nuno Assis, Karyaka, Marco Ferreira, Marcel e, especialmente, Robert e Miccoli (por razões diferentes) serão outros casos a resolver.
  • Por outro lado, na defesa, faltam opções para as laterais (onde só há Nélson e Léo).
  • No meio-campo, para além da evidente ausência de um “10” para comandar o joga da equipa, falta um trinco que seja verdadeira opção a Petit e Manuel Fernandes.
  • Nas alas também há vagas para preencher, mesmo na hipótese mínima de Simão continuar na Luz, quer na direita quer na esquerda.
  • Na frente idem, até porque garantidos para a próxima época só estão Nuno Gomes, Mantorras e o polivalente Geovanni.

Como se vê há muitos (demasiados) casos por resolver (o mister, jogadores contrariados, jogadores com mercado, jogadores inadaptados) e muitas lacunas por preencher num plantel que deve ser equilibrado e ter opções válidas para todas as posições.

Para além de dinheiro, é fundamental saber comprar. O Benfica não quererá repetir os erros cometidos, especialmente, nas "contratações de Inverno" em que a chegada de Robert é paradigmática do que poderia ter sido... e não foi.

Recauchutagem verde

A poucas jornadas do fim do campeonato, está na altura das equipas começarem a trabalhar para o reforço dos plantéis. Vamos analisar o Sporting.

Acreditando que Paulo Bento vai, obviamente, manter-se no comando técnico dos “leões”, também parece provável que a táctica mais utilizada não sofra alterações.

O “4-4-2 losango” parece encaixar-se bem com as características dos jogadores de Alvalade - a excepção é Douala que parece um “peixe fora de água” – mas o plantel é curto em algumas posições.

  • Em primeiro lugar, o Sporting tem que resolver quatro casos: os empréstimos de Romagnoli, Koke, Abel e, especialmente, Caneira.
  • Para além destes “assuntos pendentes”, à defesa faltam, pelo menos, um defesa-central e um lateral-esquerdo.
  • O fim de carreira de Sá Pinto abre vaga no meio-campo, que poderá ser colmatada por João Alves, mas isso não será suficiente, até porque se nota a falta de um médio para o vértice esquerdo (ao jeito de Hugo Viana).
  • No ataque, para além de Liedson, Deivid e Koke (?) talvez não fosse mau procurar um ponta-de-lança com caracteristicas diferentes.
  • Depois, falta perceber se se querem ou não extremos, nem que seja como segunda opção. Se sim, falta um extremo-esquerdo, para Douala poder jogar do lado direito e Nani aparecer nas duas alas.

O Sporting, se mantiver a estrutura e os jogadores essenciais (incluindo os emprestados) pode, mesmo sem muito dinheiro (falta perceber se o património vai mesmo ser vendido ou não), continuar a evoluir.

Recauchutagem azul

A poucas jornadas do fim do campeonato, está na altura das equipas começarem a trabalhar para o reforço dos plantéis. Vamos analisar o FC Porto.

Olhando para o grupo à disposição de Co Adriaanse e admitindo que o técnico vai querer manter para a próxima época a mesma estrutura táctica (3-3-4 ou 3-4-3) parecem óbvias as lacunas a colmatar. Vamos por partes:

  • Com Bosingwa e Cech como únicas opções para as alas da defesa parece obrigatória a chegada de um jogador para cada lado.
  • Com o “castigo” a Diego, a “intermitência” de Jorginho e a juventude de Anderson não seria de espantar se um “10” chegasse ao Dragão.
  • Para completar o quarteto de ataque (McCarthy, Adriano e Hugo Almeida) falta um avançado já que Sokota, devido aos constantes problemas físicos, não parece capaz de cumprir uma época completa.
  • Notou-se também durante a época alguma instabilidade na esquerda do ataque (foram várias as opções testadas: César Peixoto, Lisandro, Ivanildo, Anderson, Cech e até Quaresma e Alan – os dois homens da direita), o que pode indiciar a entrada de um jogador para essa posição – e duvido que Diogo Valente, já contratado ao Boavista, seja essa opção única.

Estas são as lacunas mais evidentes e tudo o resto dependerá da disponibilidade financeira e/ou de vendas: Lucho tem seguramente (muito) mercado e Pepe poderia precisar de um concorrente à altura no sistema de três defesas.

Claro que o FC Porto já tem, entre os três "grandes", o melhor plantel e a maior riqueza de opções, por isso, mantidos os jogadores essenciais, tudo o que vier "é lucro".

quinta-feira, abril 13, 2006

Vai... mas volta?

Faltam quatro jogos para o Benfica terminar a época oficialmente, mas, na realidade, a temporada terminou após a eliminação da Liga dos Campeões em Barcelona.

Única vantagem deste facto: agora sobra muito tempo para preparar o futuro com antecedência, tentando melhorar o plantel dando mais e melhores opções ao técnico em todas as posições.

Falaremos, em breve, sobre o actual plantel dos "encarnados", assim como dos outros "grandes", mas agora vamos ver apenas quem é que os (ainda) campeões nacionais têm emprestado que possa servir para a próxima época.

Relembremos que cedidos, só na Liga principal, estão João Pereira, João Vilela e Rodolfo Lima (ao Gil Vicente), José Fonte (Paços de Ferreira), Carlitos e Hélio Roque (Vitória de Setúbal), Manu e Amoreirinha (Estrela da Amadora) e José Rui (Penafiel). Estão ainda no Marselha o guarda-redes Yannick e o defesa-central André Luiz.

A maior parte dos atletas referidos são jovens (sub-21 ou menos) e por isso têm o benefício da dúvida e devem continuar a ser observados.

No entanto, há, desde já, dois que me parece dificilmente jogarão na principal equipa "encarnada": Rodolfo Lima (suplente no Gil e que também não se impôs o ano passado no Belenenses, isto já para não falar no facto de já não ser uma jovem promessa) e Zé Rui (suplente no Penafiel, mesmo depois da saída de Ndoye).

Depois há o oposto: o jogador que, durante a época, pelo que fez pelo Estrela da Amadora, provou poder ser útil ao Benfica: Manú (jogador rápido, tecnicista e que joga nas duas alas). Lugar garantido no próximo plantel, seguramente.

Yannick e João Pereira são dois jogadores que não me chocaria se voltassem à Luz: o primeiro para o lugar do Quim, que deve estar de malas feitas, ao que parece de regresso a Braga, e o segundo porque só há Nélson para a posição de lateral direito e, para gastar dinheiro, haverá outras posições mais prioritárias.

Carlitos (bom final de época em Setúbal), Hélio Roque e João Vilela estão em evolução e o empréstimo por mais uma temporada numa equipa de primeira divisão onde possam jogar com regularidade parece ser a melhor opção.

André Luiz, Amoreirinha e José Fonte são três defesas centrais, um experiente e dois jogos, que têm o seu regresso condicionado a eventuais mexidas no sector (Luisão está em alta depois da excelente campanha na "Champions" e Ricardo Rocha, amuado, quer sair).

Obviamente que o ideial seria manter os mesmos defesas, mas "o óptimo é inimigo do bom" e parece difícil segurar, pelo menos, o "girafa" que também vai estar no Mundial. Se alguns destes sair, aumentam as possibilidades dos atrás referidos.

Já agora, não fazia mal nenhum, antes pelo contrário, olhar com atenção para a "equipa B". Seguramente que há jogadores interessantes por lá e que podem ajudar a compor o ramalhete.

quarta-feira, abril 12, 2006

Podia ter sido pior...

Quatro meses e meio de castigo, pena suspensa até final do ano e 2500 euros de multa - é este o castigo de Sérgio Conceição na Bélgica.

Na prática, o antigo internacional português vai estar "fora de jogo" até 11 de Agosto, o que não é nada mau se nos lembrarmos de todo o lance e do que era pedido pela acusação (três anos de suspensão).

De recordar que o jogador cuspiu num adversário, foi expulso, reclamou e, furioso, tirou a camisola e "ofereceu-a" ao árbitro da partida.

Para amenizar a pena muito terão contribuido as declarações do jogador agredido - que admitiu que vinha provocando o capitão Sérgio Conceição desde o início da partida - e do próprio árbitro que não considera que o português o tenha tentado agredir quando lhe "passou" a camisola.

Todos sabemos que o Sérgio Conceição tem um temperamento explosivo, mas já deu muito ao futebol - incluindo na Bélgica - em que foi considerado o melhor jogador do campeonato passado - e isso também terá sido levado em linha de conta.

Sérgio bem podes agradecer aos deuses do futebol que te protegeram.

Espero que voltes na próxima época em forma e com a cabeça no lugar. Não merecias acabar a carreira na secretaria e sendo lembrado como aquele que cospe em adversários e agride árbitros.

terça-feira, abril 11, 2006

Palavra de Honra

“Eu não tenho outra palavra. A palavra que dei é a palavra que vou cumprir: eu não sou candidato nas próximas eleições” – Filipe Soares Franco a 20 de Março.

Amanhã vamos ver se o actual presidente leonino mantém o que várias vezes prometeu.

Ao que parece, continua válido aquele ditado: “O que ontem era verdade, amanhã é mentira”.

É pena... são os dirigentes que temos.

Mas, infelizmente, esta “palavra de honra” não é apenas problema do Sporting ou do mundo do futebol, também a política sofre deste mal.

PS: Gostava de ser obrigado, amanhã, a fazer um post a pedir desculpa a Filipe Soares Franco porque, afinal, ele vai cumprir a sua palavra.

segunda-feira, abril 10, 2006

A "Peseirização" de Koeman

Ao que parece, Ronald Koeman vai cumprir o contrato que tem com o Benfica e, assim, comandar a equipa de futebol por mais uma época. A confirmação foi feita por José Veiga depois do jogo de Barcelona para a Liga dos Campeões.

Eu sou, por princípio, defensor do cumprimento dos contratos de treinadores e muito dificilmente sou adepto de "chicotadas psicológicas" a meio das épocas.

É verdade que o Benfica venceu a SuperTaça, é verdade que voltou à "Europa" e chegou aos quartos de final da "Champions", mas também é verdade que foi eliminado em casa pelo Vitória de Guimarães da Taça de Portugal e vai acabar a Liga no terceiro lugar.

Para além destes factos, deve ainda acrescentar-se a falta de mão no balneário, que levou à desunião do grupo (um dos pontos fortes da equipa), especialmente após o "mercado de Inverno", as fracas exibições e, pior do que isso, a falta de vontade do plantel em alguns jogos.

A concluir, podem também apontar-se erros na elaboração das equipas: porquê "queimar" Nelson (primeiro à esquerda e agora a obrigá-lo a jogar lesionado)?; porquê continuar a apostar em Robert (que não demonstra a minima vontade em campo, nem se consegue ligar com os colegas)?; porquê substituir jogadores por catálogo e não olhar às necessidades em campo?; porquê emprestar jogadores (João Pereira e Dos Santos) e depois não encontrar substitutos?; porquê não apostar na equipa "B", pelo menos para suprir as necessidades imediatas do plantel principal?

Tal como com Peseiro no Sporting, a "margem de erro" vai ser mínima, os sócios e adeptos não estão, em maioria, com o treinador e a paciência vai esgotar-se rapidamente.

O que é certo é que, a confirmar-se a permanência do técnico holandês, o Benfica está mesmo a arriscar-se a ter que mudar de treinador, logo após os primeiros deslizes da época.

domingo, abril 09, 2006

País do faz de conta(s)

Gostava de relembrar, para os mais distraidos, que vivemos em Portugal, um país com meio milhão de desempregados e com um ordenado mínimo que não chega aos 80 contos.

Para o caso de estarem a pensar que me enganei no blog (se calhar ele queria escrever isto no outro), esclareço já que esta introdução tem mesmo a ver com o "desporto rei".

Num país em que a economia está em crise e a maioria das pessoas mal tem dinheiro para pagar os empréstimos da casa ou do carro, o mundo do futebol também deveria ter esse aspecto em atenção.

Vem tudo isto a propósito dos e$candalo$o$ preços dos bilhetes praticados no Sporting - FC Porto deste sábado.

Acho lamentável (para não dizer coisa pior) que os clubes se aproveitem dos sócios e adeptos em momentos de euforia para, eventualmente, resolverem um problema de tesouraria.

Vender bilhetes (oficiais) a 220 (44 contos) e 185 (37 contos) euros é escandaloso - não há outra palavra para o qualificar (independentemente dos mais caros incluirem um jantar).

E a desculpa do "Só paga quem quer" e do "Quem não tem dinheiro, não tem vícios" não se aplica neste caso porque o futebol é um desporto de massas, que atravessa a sociedade de forma transversal (do rico ao pobre, do letrado ao iletrado).

Os clubes têm que ter noção em que país estão e adequar os seus gastos às receitas que conseguem, nem que isso tenha reflexos da Europa do futebol.

A "bola" não pode ser um "oásis", especialmente se este for uma "miragem".

E foi mesmo...

O FC Porto ganhou em Alvalade por 1-0 e está (muito) perto de conquistar mais um título nacional.

A vitória de hoje é justa até porque, num jogo intenso mas com poucas oportunidades, os "dragões" tiveram duas oportunidades (por Jorginho), mais o golo anulado, e os "leões" tiveram uma por João Moutinho.

O Sporting volta a falhar um "jogo do título", outra vez ao minuto 84, numa altura em que vinham numa fase de 10 vitórias, sete das quais sem sofrer golos.

Paulo Bento começou por apresentar a equipa e a táctica habituais, mas, na última substituição, foi à procura da vitória, como tinha prometido, arriscou... e perdeu. Acontece...

Já Co Adriaanse, que não teve Cech, deixou o 3-3-4 em casa e repetiu o 3-4-3 da Taça de Portugal, desta vez com Lisandro e Jorginho (como eu tinha sugerido).

Depois, ficou provado que ter banco é importantíssimo. Os "azuis e brancos" têm mais opções, isso nota-se e faz a diferença.

O holandês lá ganhou o primeiro derby em Portugal, o Sporting ficou-se, outra vez, pelo quase e... o campeonato está entregue:

Agora os "azuis e brancos" têm cinco pontos de avanço, que são na verdade seis, quando faltam disputar quatro jogos e há 12 pontos para conquistar. Neste momento, só uma hecatombe ou um milagre retiram ao FC Porto a vitória no campeonato.

sábado, abril 08, 2006

O jogo do título?

Esta noite, em Alvalade, vão estar frente a frente os primeiro e segundo classificados da Liga, a cinco jornadas do fim do campeonato.

O Sporting joga em casa, tem dois pontos de atraso, e vem de uma impressionante série de 10 vitórias consecutivas (que começaram precisamente contra o Benfica).

Já o FC Porto lidera e tem melhorado nos últimos tempos, à medida que a equipa se vai adaptando ao 3-3-4 de Co Adriaanse, e sabe que, se ganhar é campeão.

Na partida de logo não há favoritos (é claramente jogo de “tripla”), sendo que o Sporting para além do factor casa, tem a vantagem dos resultados nos jogos decisivos (o técnico holandês ainda não ganhou nenhum clássico) e vai ser interessante a luta táctica dos dois técnicos.

Adriaanse e Bento já começaram a troca de palavras sobre quem estava mais pressionado, mas não foi nada que não seja habitual.

Acredito que apesar de ser um jogo (quase) decisivo, os treinadores não vão alterar as tácticas mais habituais: o 4-4-2 losango de Paulo Bento contra o 3-3-4 elástico (muito por culpa de Cech e Assunçã0) de Adriaanse.

Claro que convém não esquecer que, para além da vitória, o empate serve mais aos "azuis e brancos".

SPORTING

Nos “leões” não me parece que haja grandes dúvidas:

Ricardo
Abel, Tonel, Polga e Caneira
Custódio, João Moutinho, Carlos Martins e Sá Pinto
Deivid e Liedson

A dúvida pode ser a posição do capitão Sá Pinto, que se despede dos clássicos: se jogar na frente, pode entrar João Alves (mais defensivo) ou Nani (mais ofensivo) para o meio campo.

No banco estarão ainda Koke e Douala para o caso de ser preciso virar um resultado.

FC PORTO

Nos “dragões” Cech e Lucho recuperaram e devem ser titulares:

Helton
Bosingwa, Pepe e Pedro Emanuel
Paulo Assunção, Raul Meireles e Lucho
Quaresma, Adriano, McCarthy e Cech

A titularidade de Cech pode ser determinante, graças à sua polivalência, já que pode jogar no ataque, no meio-campo e na defesa o que, só por si, transforma o 3-3-4, num 3-4-3 ou num 4-4-2.

Seja qual for o “11” são inúmeras as opções ofensivas que Adriaanse pode ter a seu lado no banco: Alan, Jorginho, Ivanildo, Lisandro e Hugo Almeida.

SURPRESAS?

Claro que surpresa (grande) seria os técnicos alterarem aquilo que é habitual e tentarem trocar as voltas ao adversário.

E se o Sporting entrasse em 4-3-3? Aí jogadores como Douala, Koke e, outra vez, Nani poderiam jogar de início.

E se o FC Porto entrasse em 4-3-3? Aí, Jorginho e Lisandro poderiam ser as novidades.

À ESPREITA

Entretanto, a sonhar com o impossível estará o Benfica que quererá o empate (para ambos perderem pontos). No entanto, por mim, acho que o mais avisado seria apostar na derrota do Sporting para ainda pensar, seriamente, no segundo posto que dá acesso directo à “Champions”.

quarta-feira, abril 05, 2006

Já (não) está

O Benfica caiu aos pés do Barcelona em Camp Nou e despediu-se da Liga dos Campeões por esta época. Nada a dizer quanto à justiça da eliminatória.

Antes de mais, gostaria de deixar já assinalado que a equipa da Luz, neste "regresso" à Europa dos grandes, cumpriu a sua obrigação, recuperou algum prestígio e respeito perdidos e ganhou bom dinheiro.

Venceu quem mais mereceu, com os catalães a provarem em campo a sua superioridade, mas a verdade é que fica a sensação que nos dois jogos, apesar do que sofreu, o Benfica poderia ter chegado mais longe.

É certo que nos dois jogos (especialmente no primeiro), o Barça falhou uma mão cheia de oportunidades claras de golo que poderiam ter desequilibrado a eliminatória... mas, na realidade, foram pormenores que resolveram a contenda.

Para além das arbitragens, que decidiram sempre a favor dos espanhóis (incluindo penalties, cartões, faltas à entrada das áreas), nota para estúpidos erros de meio campo, que deram os dois golos adversários, e para a total falta de eficácia ofensiva nas (poucas) oportunidades que foram criadas, com destaque para Simão que falhou uma em cada partida que daria, seguramente, outra cara à eliminatória.

Independetemente da sorte ou não, das "ajudas" ou da falta delas, o que realço no Benfica de hoje é a péssima exibição da primeira parte. Foi um zero completo, só com preocupações defensivas, sem conseguir esticar uma única vez para a frente, sem sequer conseguir trocar a bola e controlar o jogo.

O primeiro (e único) remate do Benfica aconteceu aos 48 minutos por Andersson, na sequência de um livre. Absolutamente lamentável.

Eu tinha escrito que, sim senhor, era preciso defender, mas não se podia perder de vista a baliza adversária; respeito sim, medo não - e isso não aconteceu.

Na segunda parte o Benfica esticou-se mais no campo - também não podia ser de outra forma - e tentou jogar futebol.

É verdade que não o conseguiu muitas vezes, mas aquele falhanço de Simão a passe de Miccoli decide a eliminatória. É, claramente, o momento do jogo.

A partir daqui destaque para um grande remate de Karagounis e para o segundo golo do Barcelona em contra-ataque depois de dois erros defensivos (primeiro Petit e depois Andersson).

Como escrevi antes da partida, eu teria colocado a equipa a jogar de outra forma e, passados os 90 minutos, reforço a ideia de que talvez tivesse razão.

Por outro lado, confesso que não entendi porque razão não foi o Beto o primeiro a sair, quando entrou Karagounis; não entendi porque Marcel não entrou mais cedo, quando se sabia que era preciso marcar um golo (entrou a 9 minutos do fim) e, já agora, não entendi porque raio é que entrou o Robert se não o deixaram marcar os livres.

E assim, a 5 de Abril, terminou a época "encarnada". Falta fazer cinco jogos, reforçar o terceiro lugar, sonhar com o segundo e delirar com o primeiro.

A partir desta noite Vieira e Veiga podem começar a preparar a próxima época, com Koeman, que tem contrato, ou sem ele; com Luisão e Simão ou sem eles.

Certo ou errado?

Ao que parece, a esta hora, o Benfica vai mesmo jogar no 4-3-3 "clássico" e não em 4-4-2 "losango", como era da minha preferência.

A confirmar-se, os "encarnados" vão defrontar o Barcelona, em Camp Nou, de igual para igual, no que diz respeito à disposição dos jogadores em campo. Quatro defesas, três médios, três avançados.

Continuo a achar que, para este jogo, Karagounis no vértice superior do losango, à frente dos três médios e nas contas de Simão e Geovanni, tinha duas vantagens: "desequilibrava" o meio campo (em relação ao trio do Barça) e dava mais liberdade aos avançados.

Por outro lado, "gastar" Miccoli e Geovanni, de início, quando se sabe que nenhum dos dois aguenta os 90 minutos, parece-me um risco desnecessário (e já nem estou a pensar na hipótese de prolongamento).

São as opções de Koeman e eu, apesar de não concordar, respeito e espero, sinceramente, que o técnico holandês tenha razão

Por fim, admitindo marcações individuais (a Ronaldinho e, eventualmente, a Deco), convém que o "11" que entre em campo não bloquei nessa "obrigatoriedade", saiba fazer as compensações e "jogar" o seu jogo, não esquecendo que tem que atacar e destabilizar o Barcelona.

Eu acredito... apesar de ter os pés bem assentes no chão, saber que o Barcelona é melhor, amplamente favorito e que o Benfica já cumpriu a sua missão, neste "regresso" à Europa.

Era bonito que se repetisse a final de 1961.

segunda-feira, abril 03, 2006

O losango das Bermudas

O Benfica vai ter que se transcender na quarta-feira para conseguir ultrapassar o Barcelona no Camp Nou. Só um conjunto de circunstâncias especiais pode dar o triunfo aos portugueses.

Obviamente, o favoritismo é dos catalães, por todas as razões: são (muito) melhores, mais experientes, jogam em casa, conseguiram um bom resultado na primeira mão… Enfim, tudo joga a favor da equipa “blau grana”.

É caso para dizer: ainda bem. É nestes jogos e nestes ambientes que os “encarnados” se transcendem. O jogo de Anfield Road é um bom exemplo.

Claro que as partidas não se repetem e, bem entendido, o Barcelona é mais forte que o Liverpool, especialmente em termos ofensivos, com Ronaldinho, Etoo, Deco e companhia.

O Benfica vai sofrer e vai ter que o saber fazer, vai ter que aguentar a pressão do jogo, do adversário, do ambiente, do resultado, do relógio.

O campeão nacional tem que ser uma equipa concentrada, unida, adulta, mas, sobretudo, sem medo de tentar ser feliz.

Os “encarnados” têm que defender, mas ter sempre em atenção a baliza adversária e não podem esquecer-se que têm que marcar na Catalunha.

Depois do que se passou na Luz, em que o Benfica demorou 45 minutos a “entrar em jogo”, os “encarnados” precisam da mesma sorte defensiva e da certeza atacante de Liverpool.

Para esta partida, em que o Barça deve trocar Puyol (que estava castigado), por Thiago Motta (que se lesionou), e repetir o clássico 4-3-3, que tal se o Benfica entrasse num 4-4-2 em losango?

Com os jogadores mais concentrados no meio-campo (para uma melhor cobertura e entre ajuda) e com dois homens (rápidos) soltos na frente, talvez seja possível controlar o miolo espanhol e explorar a defesa remendada do adversário.

Como se sabe, o Benfica não tem muitas opções defensivas (Alcides está lesionado e Nelson preso por arames à espera de uma operação) e no ataque já não há Manduca e vai faltar Nuno Gomes.

Por isso, não há grandes dúvidas:

Moretto
Ricardo Rocha, Luisão, Andersson e Leo
Beto (no vértice inferior), Petit e Manuel Fernandes (nos lados), Karagounis (na frente)
Simão (mais solto, a cair nas alas, mas também no apoio ao ponta de lança) e Geovanni ou Miccoli (apesar de eu preferir, dadas as condições físicas do italiano, poupá-lo para o segundo tempo).

Assim, teríamos quatro defesas para os três avançados do Barça, quatro médios centro do Benfica para três dos catalães e dois avançados para dois defesas-centrais.

O problema aqui é que a equipa não está rotinada para esta táctica “à Mourinho”, os jogadores podem amontoar-se no centro e não conseguir cobrir os espaços e fazer as compensações, até tendo em conta as subidas dos laterais adversários.

Claro que, se Koeman quiser manter um “11” mais clássico, sai Karagounis e entra um de dois: Miccoli ou Robert (com vantagem para o italiano) e, assim, teremos um 4-3-3.

Vamos esperar para ver… que os deuses do futebol estejam com o Benfica e se repitam as grandes noites europeias.

quarta-feira, março 29, 2006

"Anjo e Demónio"

Como têm reparado os (3) fiéis leitores deste blog, não tenho feito comentários às exibições de Moretto no Benfica.

Sabem os que me acompanham que eu sou, primeiramente, adepto do Moreira e, neste caso entre Moretto e Quim, fui defensor da titularidade do brasileiro.

Passando à frente de todos os jogos que realizou anteriormente, a exibição de Moretto, esta noite, frente ao Barcelona deveria ser transformada em "case study" e analisada por especialistas de várias áreas, do futebol e não só.

É inacreditável que, num mesmo jogo, o mesmo jogador, o mesmo guarda redes, seja "anjo" e "demónio", "herói" e "vilão", a "besta" e o "bestial".

O "31" "encarnado" comete dois erros gravissimos (agarrar a bola num atraso e a "desmarcação" para Etoo depois de uma defesa) que podiam ter acabado com a eliminatória.

Se o Benfica tem sofrido golos em algum destes lances, Moretto não tinha desculpa, seria, seguramente, crucificado e perderia, com naturalidade, a titularidade.

O que também é certo é que, para além desses casos inacreditáveis, que nem um jogador infantil pode cometer, Moretto fez uma exibição "cinco estrelas" - diria mesmo monumental - safando, pelo menos, uma média dúzia de "bolas impossíveis".

Já tenho pensado sobre o que se tem passado com o guarda-redes brasileiro e tenho uma teoria que, obviamente, é isso mesmo, uma teoria, sem qualquer base científica:

Moretto sofre do sindroma de "guarda-redes de equipa pequena": por um lado, precisa, para continuar concentrado, de estar sempre em acção, de ter (muito) trabalho; por outro lado, por ser jovem, mas especialmente não ter "escola" (veio do Brasil incógnito, depois Felgueiras, Setúbal e... salto meteórico para um Grande) falta-lhe adaptar-se à pressão de um clube grande.

Resumindo, para Camp Nou, o Benfica precisa das grandes defesas do Moretto, não das suas desconcentrações que matam sócios e adeptos de susto.

segunda-feira, março 27, 2006

A dúvida de Koeman

Admitindo que Ronald Koeman não vai enganar-se, pensar que é do Barcelona, e que vai mesmo orientar o Benfica amanhã, acredito que tenha uma dúvida: quem vai jogar no lugar de Nuno Gomes?

Para as outras posições não haverá, em princípio, dúvidas, sendo que há sempre a hipótese de Ricardo Rocha jogar para dar altura e peso à defesa:

Moretto
Nelson, Andersson, Luisão e Léo
Petit, Manuel Fernandes
Simão,...., Robert
Geovanni

Na vaga em aberto há, digo eu, três opções de características diferentes: um médio defensivo (Beto), um médio ofensivo (Karagounis) ou um avançado (Miccoli).

Koeman tem que pensar, bem, no que quer fazer e que resultado quer tentar sabendo que esta é uma eliminatória a duas mãos, que o primeiro jogo é em casa, que o adversário é, actualmente, a melhor equipa do mundo, mas sabendo também que o Barça vai jogar com debilidades defensivas difíceis de repetir.

Convém recordar que aos catalães faltam quatro titulares do meio-campo para trás [Puyol e Marquez (defesas-centrais), Edmilson (central ou trinco) e Xavi (trinco)], isto para além de Messi na frente.

Sabe-se, por outro lado, que a grande força do Benfica é a estrutura defensiva e é aí que os "encarnados" vão certamente voltar a basear o seu jogo contra um ataque temível com o melhor do mundo, o melhor africano e, se calhar, o melhor português.

No entanto, para além de não puder sofrer golos, a equipa da Luz tem que conseguir marcar para levar um resultado minimamente positivo para a segunda mão e o jogo de amanhã é o ideal para conseguir isso.

É preciso assumi-lo sem rodeios: o Benfica vai jogar frente ao Barça tal como as equipas da nossa Liga jogam contra os "encarnados": fechados e concentrados na defesa, rápidos e incisivos no contra-ataque, esperando um dia mau das estrelas adversárias.

Rijkaard, depois de poupar jogadores na última partida da Liga, vem jogar, seguramente, na máxima força possível, no 4-3-3 habitual.

Valdez
Belletti, Oleguer, Rodri, Gio
Mota, Van Boomell e Deco
Giuli, Etoo e Ronaldinho

Ora, sendo assim, o Benfica deveria, no tal pressuposto que é obrigatório marcar, jogar em 4-4-2 para ter maioria em todos os sectores do campo: Quatro defesas para três avançados, quatro médios para três e dois avançados para dois centrais.

Obviamente que esta táctica obrigaria a que, especialmente os quatro de meio-campo, tivessem um grande esforço quer defensivo quer ofensivo nas dobras, compensações e apoios.

Uma das dúvidas é saber, por exemplo, se Robert está disposto a ajudar o seu defesa lateral e, depois, ainda ter disponibilidade para sair para o ataque.

Posto isto, apesar de eu achar que vai acabar por entrar Beto (tal como no jogo em casa com o Liverpool), a minha escolha seria colocar Miccoli na frente com Geovanni.

quarta-feira, março 22, 2006

O oferecido

Já aqui escrevi noutros "posts" que acho que Koeman fala demais sobre determinados assuntos e, quase sempre, em alturas impróprias.

Aconteceu, por exemplo, no “caso Mantorras” (com o técnico a dizer, alto e bom som, que o angolano dificilmente voltaria a jogar. Aí está, pouco tempo depois, o mesmo jogador “deu-lhe” mais três pontos).

Voltou a acontecer após a partida com a Naval (Koeman atirou a toalha ao chão no que diz respeito ao campeonato, mas, dados os infelizes comentários, teve que voltar a trás e explicar-se melhor).

Agora, mais uma vez, o holandês falou em Barcelona e disse mais do que devia.

O desejo de Koeman é treinar em Espanha e, obviamente, uma equipa GRANDE como Real Madrid ou Barça.

Há vários pontos que merecem análise neste comentário do actual treinador do Benfica que, recorde-se, tem mais um ano de contrato com a equipa da Luz.

Por um lado, é perfeitamente legitimo que um treinador ou qualquer trabalhador queira melhorar a sua situação profissional ou financeira. Nada a opor quanto a isso.

O que já não me parece nada correcto é que o treinador se ande a “oferecer” a “merengues” ou a “blau grana” quando tem contrato em vigor com uma instituição desportiva e quando se sabe que um dos clubes citados como desejo/objectivo vai ser seu adversário directo dentro de poucos dias.

Para terminar - e isso já me parece vergonhoso – é que Ronald Koeman fale do Benfica como se estivesse a falar de um qualquer clubezinho lá da sua Holanda natal.

Alguém tem que explicar ao senhor Koeman o que é o Benfica e o que é que ele representa para o nosso país. Podia, por exemplo, ir informar-se com os dois últimos técnicos dos “encarnados” (Camacho e Trapattoni), que demonstraram bem mais respeito pela instituição.

O aperitivo

Joga-se, esta noite, a “final antecipada” da Taça de Portugal ou, melhor dizendo, o “ensaio geral” da decisão da Liga.

Este é um jogo a eliminar, tudo vai ficar resolvido… o que quer dizer que FC Porto e Sporting vão ter, ambos, que procurar o golo porque o empate não serve a ninguém.

FC PORTO

Os “dragões” começam a dar mostras (especialmente nas últimas três partidas) de que interiorizaram o 3-3-4 como “táctica de partida”, com a “nuance” da posição do Paulo Assunção (que faz de quarto defesa).

A adaptação de Pepe ao novo sistema, o (surpreendente) atrevimento atacante revelado, agora, por Raul Meireles (com tiros de fora da área e entradas como segundo avançado), a disponibilidade de Adriano para jogar um pouco mais atrás quando necessário e o regresso aos golos de McCarthy ajudaram o FC Porto a sair da “dependência” de Lucho e Quaresma.

Apesar de já ter resolvido estas “questões”, que melhoraram a equipa, Co Adriaanse tem outras posições que não estão ainda consolidadas: as laterais da defesa e o lado esquerdo do ataque.

Por exemplo, neste último caso, o técnico holandês já experimentou Lisandro Lopes, Alan, Ivanildo, César Peixoto e, agora, o miúdo Anderson.

Aposta para hoje:
Vítor Baia
Bosingwa, Pepe, Pedro Emanuel
Paulo Assunção, Raul Meireles e Lucho
Quaresma, Adriano, McCarthy e Anderson

SPORTING

Do lado do Sporting, dificilmente se pode pedir mais a uma equipa que leva 10 vitórias consecutivas (oito para a Liga, duas para a Taça).

Sem deslumbrar, longe disso, os “leões” têm demonstrado eficácia e unidade, o que lhes tem permitido marcar um golinho, sofrer o assédio do adversário e, depois, matar o jogo no contra-ataque.

Com Abel, Caneira e a titularidade de Tonel a defesa ganhou a consistência que nunca teve com Peseiro, o “losango” de meio-campo funciona melhor com Moutinho ao centro e o ataque, apesar de menos goleador, continua a cumprir.

Aposta para hoje
Ricardo
Abel, Tonel, Polga e Caneira
Custódio, Carlos Martins, João Moutinho e Sá Pinto
Liedson e Deivid

O JOGO

Ora, no papel, o que é que temos: um 3-3-4 dos “azuis”, um 4-4-2 dos “verdes”.

Sendo assim, a chave vai estar precisamente nas defesas: como é que os quatro defesas do Sporting (seguramente com o apoio de Custódio) se vão dar com os quatro avançados do FC Porto? Como é que o central Pepe se vai dar, sozinho ou com Paulo Assunção, com Liedson e Deivid?

Depois há os artistas que, individualmente, podem resolver a partida: O “levezinho”, mais Moutinho e Carlos Martins, por exemplo; Lucho, mais Quaresma e, quem sabe, Anderson e McCarthy.

Também no banco, ambos os técnicos têm boas opções ofensivas para virar o jogo, se necessário for: Lisandro e Hugo Almeida, Koke, Douala e Nani.
Hoje é a Taça, de aperitivos, para o prato principal da Liga dentro de alguns dias. Aí é outra “estória”.

segunda-feira, março 20, 2006

O bombom envenenado

O Benfica foi beneficiado esta noite em Vila do Conde, frente ao Rio Ave, e deve assumir-se isso sem traumas.

Há um golo mal anulado aos donos da casa (a bola dá toda a ideia de não ter saído), já bem perto do final da partida, e o golo dos “encarnados” é precedido de falta (Mantorras ainda não é judoca).

São, portanto, lances decisivos que ofereceram três pontos ao (ainda) campeão nacional.

O que gostava de notar é que, após uma época em que o Benfica tem sido muitíssimo prejudicado pelas arbitragens, de que são exemplo as três últimas partidas (Estrela da Amadora, Naval e Guimarães), os “encarnados” foram hoje claramente beneficiados.

Coincidência? Talvez não.

Se calhar não é coincidência que a mesma arbitragem que arredou o Benfica da luta pelo título e da Taça de Portugal, seja a mesma que, agora, lhe oferece três pontos importantes para a luta pelo… terceiro lugar.

Este benefício à equipa da Luz (claramente a mais prejudicada dos três grandes durante a época) deve estar a ser interpretado como um: “Estão a ver, vocês queixam-se, queixam-se, mas também são beneficiados”.

Pois, agora…

PS1: Para a semana há um decisivo Benfica - Sporting de Braga, na luta pelo... terceiro lugar.

PS2: Era bonito que, agora, os dirigentes "encarnados" admitissem o benefício.

O regresso

Cinco meses depois, mais cedo que o esperado, o guarda-redes Moreira voltou à baliza do Benfica num jogo oficial.

O jovem defendeu as redes da equipa B dos “encarnados” e, ao que consta, foi decisivo no difícil empate conseguido frente ao Louletano, líder do campeonato.

Foi uma recuperação em tempo recorde do miúdo que, agora, necessita de ganhar ritmo para, quem sabe, voltar à baliza da equipa principal.

O sistema

O FC Porto é o líder da Liga com dois pontos de vantagem sobre o Sporting e sete sobre o Benfica. A “nova” táctica parece estar a assentar e a dar frutos.

O 3-3-4 foi estreada na segunda parte do jogo da Estrela da Amadora, numa altura em que os “azuis e brancos” queriam virar um resultado.

A partir daí, o holandês Co Adriaanse manteve o sistema nos jogos seguintes, mas a equipa demorou a adaptar-se: vitórias magras, dois empates e a derrota na Luz.

Desde o clássico… três vitórias, zero golos sofridos e, mais do que isso, vitórias seguras e boas exibições.

O “tira-teimas” pode ser já na próxima quarta-feira, na meia-final da Taça de Portugal, naquele que será um aquecimento para o jogo decisivo do campeonato.

Vamos ver como é que os três defesas, os três médios (sem um claro camisa "10" e com um dos trincos a fazer de quarto defesa) e os quatro avançados (com dois alas e dois avançados-centro) se dá com Liedson e companhia.

O certo é que Pepe tem conseguido, neste novo formato, comandar a defesa de uma forma que me tem, claramente, surpreendido. McCarthy voltou aos golos, Lucho é isso mesmo e Quaresma até já nem parece tão importante.

Duas mãos cheias

O Sporting alcançou esta noite a 10ª vitória consecutiva em jogos oficiais e este facto é de assinalar.

É obrigatório dar mérito a quem o merece e os “leões” de Paulo Bento merecem que se realce este facto.

São 10 vitórias consecutivas (oito para a Liga, duas para a Taça), cinco das quais sem sofrer golos.

Tudo começou, curiosamente, no “derby” da Luz, na partida em que a equipa de Alvalade jogava o “tudo ou nada”.

A segurança defensiva e a união do grupo são as notas de destaque deste novo Sporting que, não jogando bem, privilegia os resultados.

Paulo Bento ganhou o grupo depois de dar uns puxões de orelha, tem tido sorte em alguns jogos, poucas lesões na estrutura base e conseguido gerir bem os amarelos num plantel curto.

Vamos ver até onde se aguentam estes “leões” que têm quarta-feira uma “final”, na meia-final da Taça de Portugal, frente ao FC Porto.

sábado, março 18, 2006

Quo Vadis Sporting?

Por uma unha, a proposta de Filipe Soares Franco não convenceu dois terços dos sócios presentes na Assembleia Geral do Sporting e a questão que se coloca é: E Agora?

O que vai fazer o presidente do clube? Confirma o que prometeu e avança para eleições antecipadas, sem se candidatar?

O que fazem os candidatos a candidatos que estavam contra a venda de património não desportivo?

Vai haver dinheiro para pagar os salários nos próximos meses?

O que se faz aos contratos com o BES?

quarta-feira, março 15, 2006

E depois do adeus?

O Benfica caiu esta noite na Luz para a Taça de Portugal diante do Vitória de Guimarães e reafirma a crise nos resultados internos.

Mais uma vez, foram vários os factores que justificam mais esta derrota do (ainda) campeão nacional:

- A equipa voltou a entrar mal, de forma lenta e que, só depois de ter sofrido o golo, é que verdadeiramente procurou o golo.

- Koeman demorou a ler o jogo, errou ao apostar em Mantorras, atrasou-se a colocar Robert e manteve muita gente atrás contra um Guimarães com 10.

- Continua a haver titulares em baixo de forma que jogam sem se perceber porquê mas, mais grave ainda, é que dá toda a ideia que o técnico já não manda na equipa e já não controla os jogadores.

- As lesões condicionaram a estratégia, já que a equipa, de repente, ficou sem Alcides, Léo, Petit, Simão e Miccoli.

- É verdade que a expulsão de Cléber é forçada, mas não percebo como é que Paito e Flávio Meireles ficaram em campo. Por outro lado, foi incrivel o anti-jogo vimaranense, que começou ainda no primeiro tempo.

- O guarda-redes Nilson, que já deu frangos monumentais esta época, terá feito o jogo da sua vida.

- Pelo terceiro jogo consecutivo, o Benfica foi prejudicado pela arbitragem. O golo de Dário foi irregular já que Flávio Meireles joga com o braço. Dá a sensação que quanto mais os “encarnados” se queixam, mais problemas têm.

Agora que disse adeus à Taça de Portugal, se atrasou na Liga portuguesa e vai defrontar “só” o Barcelona na Champions, a situação do futebol do Benfica, em geral, e de Koeman, em particular, é muito complicada.