segunda-feira, julho 31, 2006

As naturalizações, o precedente e a banalização

Há muitos anos (pelo menos desde a geração que esteve no Euro 84) que o futebol português tem falta de avançados.

Normalmente, em todas as gerações lá vai aparecendo um ou outro para ir disfarçando este problema estrutural do nosso futebol e “quando não houve cão caçou-se com gato” (por exemplo Rui Barros ou Sá Pinto).

Depois de Fernando Gomes, Manuel Fernandes, Jordão e Nené, que coexistiram na mesma altura, tivemos, basicamente, Rui Águas, Domingos e Cadete, mais Paulo Alves, que era a “arma secreta” e nunca se fixou como titular.

A situação agravou-se agora com a renuncia de Pauleta à selecção, o que deixa a equipa das quinas entregues a Nuno Gomes (já com 30 anos e não um ponta-de-lança), Hélder Postiga (demora a “dar o salto” e a jogar e marcar com regularidade) e Hugo Almeida (a eterna esperança com grande potencial que ainda não explodiu).

Falta um “matador” e isso já foi evidente no Mundial da Alemanha.

Vem tudo isto a propósito das declarações de Liedson que, há uns dias, admitiu a hipótese de se naturalizar português e jogar pela selecção nacional.

Claro que um jogador como o “levezinho” dava muito jeito à “equipa das quinas” e poderia ser uma mais valia para o conjunto nacional, mas é necessário ver todos os dados do problema e não nos cingirmos, apenas, ao imediatismo da necessidade imediata.

Os mais pragmáticos, por outro lado, vão lembrar que o ataque germânico tinha dois polacos, que a Espanha tem brasileiros e argentinos, que a Itália tem também um argentino, etc, etc.

Por outro lado, esses mesmos vão lembrar o basket, o andebol e o atletismo, modalidades em que já cedemos aos naturalizados.

De recordar que a polémica regressou quando, em 2004, o brasileiro Deco se estreou de “quinas” ao peito. Muitos portugueses não gostaram e até alguns jogadores “torceram o nariz”.

Se o caso Liedson avançar, qualquer dia vamos ter alguém a pedir também a “nacionalização” de Léo (porque não há laterais esquerdos) ou de Hélton e Pepe porque são grandes jogadores.

Entretanto, nos Sub-20 lá estão Ricardo Vaz-Tê, Moreira ou Furtado... será que vão a tempo de evoluir?

Este é um processo para acompanhar e decidir com calma. Um erro pode ser a morte do futebol português.

"Bola de Praia"

Estive três semanas de férias mas, apesar disso, fui acompanhando o que se foi passando no fabuloso mundo da bola. Tomei vários apontamentos no meu “Bloco de Notas”.

Em destaque continuaram e estão para durar os casos de que o nosso futebol é fértil, dentro e fora das “quatro linhas”.
  • O “caso Mateus” continua a dar que falar, com novos e velhos protagonistas, mas ainda sem decisões. Por mim, bastava ler os regulamentos aprovados pelos clubes.
  • Relacionado com este processo chegou já a falar-se num alargamento da Liga principal onde caberiam Belenenses e Gil Vicente.
  • Por falar em Liga, ao que parece, a (Valentim) Loureiro vai suceder (Hermínio) Loureiro.
  • Lei de Bases é que ainda não há.
  • Entretanto, chegou a ser proposto que os jogadores da selecção não pagassem impostos sobre os prémios, mas o assunto “morreu à nascença”, felizmente.
  • Já Luiz Felipe Scolari renovou por mais dois anos com a FPF. Decisão arriscada, mas...
  • Arriscada foi também a decisão do Beira-Mar de voltar a apostar em Jardel. Esperemos que o jogador venha mesmo para jogar e voltar a fazer aquilo que sabe que é marcar golos. Assim a cabeça o ajude.
  • Ainda por falar em Selecção, a incompetÊncia foi recompensada e José Couceiro é o novo técnico dos Sub-21 e da equipa B.
  • Moisés foi recambiado pelo Sporting porque o defesa-central brasileiro omitiu um caso em que estava envolvido que o levou a um castigo de quatro meses pela FIFA.
  • Pinto da Costa foi convidado pelos deputados do país para um jantar.
  • No Benfica, três grandes casos: Nuno Assis ilibado no caso de “doping”, apesar da polémica continuar com troca de argumentos entre os “encarnados” e o CNAD.
  • Manuel Fernandes continua às voltas com uma pubalgia que, para já, impediu a sua transferência para Inglaterra e em litígio, mais ou menos surdo, com o departamento médico da Luz.
  • A “novela” Simão continua e teve este fim-de-semana um episódio verdadeiramente surpreendente. O Benfica precisa de vender, o jogador quer sair, o Valência quer comprar. Parece simples, mas não é.
  • Lá por fora, já houve decisões no processo “Calciocaos”. A Juventus desceu à Série “B”, Milan, Fiorentina e Lázio foram castigados em pontos, o Inter é o novo campeão. Podia ser pior, mas o mais importante é que a decisão foi tomada de forma célere.
  • No ciclismo, a notícia continua a ser o doping que abriu e fechou o Tour de França deste ano.

segunda-feira, julho 10, 2006

"Doente da Bola"... a banhos

Nas próximas semanas, o "Doente da Bola" vai estar "numa praia perto de si" e incontactável por qualquer via informática.

Reabriremos nos primeiros dias de Agosto com "fome de bola" ao que se for passando "no país e no mundo".

Sim, porque eu "vou andar por aí"...

O pastilhas

Figo deixa a Selecção Nacional após 127 jogos de "quinas" ao peito, depois da partida frente à Alemanha, no jogo de terceiro e quarto lugar.

O capitão sai depois do Mundial, um grande certame, e, apesar de ter 33 anos, vai deixar um vazio na equipa.

O "7" continuava a ser titular, a jogar muito e bem, a levar a equipa para a frente, a controlar os ritmos da selecção, a ser a marca do grupo.

Também nos clubes por onde passou, Figo foi sempre dos melhores: idolo no Sporting, Barça, Real Madrid e Inter, mas por aquilo que jogava dentro das quatro linhas e não por aquilo que facturava fora delas.

Aliás, a saída dos "merengues" é um dos erros da equipa espanhola que escolheu mal o galáctico a deitar fora.

Agora, do pastilhas só em Itália, ao serviço do Inter.

Mais uma vez, é caso para dizer: Obrigado Figo, és grande e ficas na galeria dos "imortais".

PS: De Figo o único ponto negro da sua carreira foi aquela fobia das assinaturas de contrato. Primeiro, ainda como miúdo, quando assinou pelo Benfica e, depois, quando conseguiu a "proeza" de assinar por três equipas: Parma, Juventus e Barcelona.

Como diz o outro: "Não havia necessidade".

O açor

Nota também para Pauleta que também deixa a Selecção Nacional depois deste Mundial.

Destaque para os 47 golos marcados com a camisola das "quinas".

Um abraço a ambos.

Bola de Berlim (24)

ou... a vitória da "squadra azurra"

A Itália é a nova campeã do Mundo depois de uma vitória nos penaltyes na final de Berlim, frente à França.

É o "tetra" dos transalpinos curiosamente, outra vez, no ano em que estão envolvidos em polémicas internas, tal como em 1982 e até em 1934, esta por questões políticas.

Esta foi também, especialmente para nós, a derrota da França, aquela selecção que nos dá cabo dos nervos.

O jogo jogado não foi nada de especial, muito táctico, jogado a meio campo, com poucas oportunidades de golo. Apesar disso começou electrizante com dois golos nos primeiros minutos, de bola parada.

A vitória sorriu à "squadra azzurra", mas acabaram por ser os franceses a ter mais chances, mas Buffon não estava para brincadeiras.

Zizou

Zidane despediu-se esta noite do futebol.

É uma noite má para o desporto-rei porque perde um dos seus "reis magos", mas especialmente porque o perde de uma forma inacreditável.

Zidane agrediu um italiano num lance como muitos os que deve ter tido ao longo da sua carreira.
No entanto, este lance não apaga uma carreira brilhante, com muitos títulos nos clubes e na selecção e jogadas de génio de um jogador fino.

O futebol ficou mais pobre e apetece dizer: Merci Zizou

domingo, julho 09, 2006

Bola de Berlim (23)

ou... a vitória da eficácia

Portugal perdeu com a Alemanha (3-1) e fica no quarto posto do Campeonato do Mundo.

A selecção nacional foi derrotada porque não foi eficaz ofensivamente e, já agora, porque se desconcentrou em cinco minutos na segunda parte. Por exemplo, na segunda parte, os germânicos fizeram cinco remates à baliza e marcaram três golos... ora, uma média destas não dá grandes hipóteses.

Fora os falhanços e a eficácia alemã, o que mais destaco no jogo desta noite é a alteração táctica que Scolari, finalmente, utilizou pela primeira vez no Campeonato: 3-5-2.

Vendo-se a perder por 2-0, o técnico arriscou, não virou o jogo, mas a equipa melhorou.

Esta foi sempre uma das críticas que fiz a Scolari: Porque raio nunca se testou um "plano B", quer em jogadores, quer em "sistemas" de jogo.

Acabou o sonho e, agora, apetece dizer: "Foi bonita a festa, pá". Agora resta festejar o quarto lugar e, especialmente, esperar pelo fim do "tabu Scolari".

sábado, julho 08, 2006

Bola de Berlim (22)

ou... a grande final

A final do Mundial entre França e Itália vai, seguramente, ser muito táctica, forte defensivamente e em que vai vencer, quem for mais eficaz nas poucas ocasiões do jogo.

Estas são as duas selecções mais compactas deste torneio e, se calhar, por isso, é que chegaram ao jogo decisivo.

De um lado Thuram, Gallas, Makelele e Vieira; do outro Canavarro, Materazzi (falta Nesta), Pirlo, Gatuso, Perrotta - "dois blocos de cimento armado" (frase de homenagem a José Marinho).

Depois Henry e Toni, dois grandes avançados, mas com características muito diferentes, um mais móvel e rápido, outro mais fixo e possante.

Nas laterais, a "squadra azzurra" leva clara vantagem com o fantástico Zambrota e o grande (em todos os sentidos) Grosso contra Sagnol e Abidal.

Claro que os gauleses têm o "factor Zidane", que pode ser decisivo, mas eu aposto na Itália e a sua habitual matririce e cinismo para bater a nossa "besta negra".

Também não pode ser esquecida a final do Euro 2000, uns (os franceses) vão querer repetir e os outros vingar...

Bola de Berlim (21)

Ou… o positivo e o negativo

Numa altura em que está instalada a dúvida quanto à permanência de Luiz Felipe Scolari ao comando da selecção nacional, esta é a altura certa para fazer o balanço da presença portuguesa no Mundial.

E vou fazê-la já, antes do Portugal – Alemanha, para reforçar que, aconteça o que acontecer, hoje em Estugarda, a minha posição não se altera.

A análise que vou fazer divide-se, claro, nos aspectos positivos e nos aspectos negativos.

Sinal positivo

  • Aconteça o que acontecer, o balanço desta campanha é extremamente positivo, acima do esperado pelo comum dos mortais e fica na história
  • O espírito de grupo fantástico que Scolari conseguiu é algo que deveria ser estudado e recuperado como um exemplo a seguir
  • A equipa foi subindo de forma na competição e caiu apenas aos pés da sua “besta negra”
  • Defensivamente irrepreensível
  • Ricardo, Ricardo Carvalho, Miguel, Maniche e Figo foram os jogadores “mais”
  • Petit, Tiago e Simão eram os únicos com quem se podia contar naquele banco

Sinal negativo

  • Voltámos a ficar à porta do Olimpo (é só uma constatação de facto, já que lá chegámos)
  • Tremenda incapacidade ofensiva, poucos golos, mesmo contra 10 em algumas situações
  • Não conseguimos dar a volta na primeira vez que estivemos em desvantagem
  • A falta de alternativas (de jogadores e de tácticas)
  • Pauleta, Postiga e os veraneantes Boa Morte e Nuno Gomes estiveram ou mal (os dois primeiros) ou inexistentes. Deco também esteve abaixo do esperado

Scolari

  • Resultados históricos para um país como Portugal
  • Grande especialista na união de um grupo e de um país
  • Falta de um “plano B”
  • Teimosia que leva à “cegueira desportiva”

Neste aspecto aqui recupero algumas perguntas que já tinha feito antes do início do campeonato mundial:

  • Porque foram à Alemanha jogadores como Nuno Gomes e Boa Morte se não estavam em condições de jogar?
  • Não ficou provado que Quaresma e João Moutinho fizeram falta?
  • Porque nunca se treinou uma alternativa ao 4-2-3-1 (4-4-2 ou 3-5-2)?

Bola de Berlim (20)

ou… o jogo da “pequena final”

Estamos a poucas horas de jogar uma partida pouco menos que inútil e é pena a FIFA insistir nesta “coisa” do terceiro e quarto lugares.

Portugal vai tentar repetir o terceiro lugar conquistado em 1966 (nessa altura com menos equipas).

Era justo por aquilo que a selecção fez nestes seis jogos anteriores com o plantel mais curto dos semi-finalistas.

Neste jogo Scolari falou em três ou quatro alterações: duas são obrigatórias (Ricardo Carvalho castigado, Miguel lesionado), mas é possível que, pelo menos, Petit regresse ao “11”.

Do lado alemão também há baixas, pelo menos três: Ballack, Mertzacker e Friedrich não jogam, enquanto Borowski está em dúvida.

A equipa

Ricardo
Paulo Ferreira, Fernando Meira, Ricardo Costa e Nuno Valente
Petit, Maniche e Deco
Figo, Hélder Postiga e Cristiano Ronaldo

É esta a minha aposta para este sábado. Espero que Deco entre em campo e que Postiga consiga justificar o epíteto de “jogador de futebol”. Simão e Tiago, os dois “suplentes” mais utilizados também poderiam merecer uma chamada.

Atenção que, como já disse anteriormente, o mais certo é este ser o último jogo de Figo, Pauleta, Costinha e Nuno Valente na equipa das “quinas”.

Um desejo final

Entretanto, que Portugal seja terceiro e, já agora, que a Itália vença a França.

sexta-feira, julho 07, 2006

Embrulhos e nós à portuguesa

Com o Mundial a chegar ao fim, está na altura de começarmos (ou voltarmos) a pensar na Liga Portuguesa. Algumas equipas equipas já estão a trabalhar.

A análise aos plantéis dos "grandes" será feita mais tarde, quando já estivermos mais perto do início do campeonato.

Para já, duas notas:
  • o "caso Mateus" continua a dar que falar e é mais uma embrulhada em que o futebol português gosta de se envolver e que não tem fim à vista
  • o fim da limitação de estrangeiros, sem nenhuma quota para jovens das "canteras", é um erro

quinta-feira, julho 06, 2006

Prognóstico

Aqui fica a minha aposta: Luiz Felipe Scolari não vai renovar contrato com a Federação Portuguesa de Futebol.

Tenho pena se este meu palpite se confirmar, mas é, infelizmente, isso que me parece, não só pelas declarações de ontem, mas já desde a vitória sobre a Holanda e especialmente depois do jogo com a Inglaterra.

Quer Scolari, quer o seu assessor pessoal deixam subentendido que não estarão muito interessados em continuar.

Isto, apesar do técnico brasileiro, por um lado, garantir que se sente bem no nosso país e que a sua família está encantada em Lisboa e, por outro, reafirmar que não há ainda uma decisão tomada.

O certo é que a FPF e os próprios jogadores do seu grupo querem a permanência de Felipão até ao Euro 2008.

Falta de convites, bem mais agradáveis - financeiramente - não devem faltar a Scolari, vamos ver se ganha o dinheiro ou o apoio de um país.

Há ainda um outro porMAIOR que não pode ser esquecido...

Depois do Mundial é altura de fazer uma mini-remodelação no grupo de jogadores que têm vindo com Scolari há três anos e tal: Figo e Pauleta devem estar a preparar-se para abandonar a selecção, Nuno Valente e Costinha talvez também...

Falta saber se o treinador estará na disposição de reconstruir a "família Scolari"... Acho que não está, infelizmente.

Bola de Berlim (19)

ou... a "vitória do não há duas sem três"

A França voltou a ser a nossa "besta negra" e, mais uma vez, eliminou-nos de uma grande competição, outra vez de penalty, novamente por Zidane.

Não foi um grande jogo, foi equilibrado, com poucas ocasiões de golo de parte a parte, mas que Portugal terminou a dominar sem, no entanto, conseguir quebrar a muralha francesa.

Os gauleses, após o golo, preocuparam-se só em defender e aí estiveram insuperáveis com aquele quarteto central fantástico (Thuram, Gallas, Makelele e Vieira) a não dar hipóteses aos portugueses.

Basicamente, a equipa das "quinas" teve três boas oportunidades na segunda parte: Pauleta, Figo (a mais evidente) e Fernando Meira. Da primeira parte uns remates de longe.

Não concretizou nenhuma e, assim, sobra o jogo do terceiro e quarto lugar (aquele jogo que todos querem evitar e que, na verdade, de nada serve, a não ser, cansar jogadores desmotivados).

Se de Portugal não se viu muito (Deco fez um jogo miserável, Pauleta foi quase inexistente e Figo esteve abaixo do que tem feito, talvez por não estar a 100%), da França ainda se viu menos (salvando-se o rigor defensivo).

O árbitro não esteve bem: esqueceu-se dos cartões, deixou os franceses passarem tempo e há aquele lance (muito) duvidoso sobre o Cristiano Ronaldo.

Resumindo, voltámos a perder para a nossa "besta-negra", outra vez num jogo equilibrado, outra vez através de um penalty e a nossa conta continua a aumentar: 1984, 2000, 2006...

Apesar desta desilusão nada pode esconder o bom trabalho por Scolari e os seu grupo de jogadores. Aconteça o que acontecer fizeram história e, por isso, digo... obrigado.

Claro que há críticas e as que fiz continuam válidas, mas esse comentário fica para mais tarde.

terça-feira, julho 04, 2006

Bola de Berlim (18)

ou... aí está a Itália

A "squadra azurra" carimbou o passaporte para a final do Mundial e enviou a Alemanha para o jogo do 3º/4º lugar.

A vitória foi justa, quanto mais não fosse porque teve mais remates, mais cantos, mais posse de bola e mais ocasiões.

Foi, como se esperava, um jogo muito táctico, especialmente na primeira parte, com algumas ocasiões de ambos os lados.

Buffon fez duas defesas impressionantes, já a Itália enviou duas bolas aos ferros, já no prolongamento.

Aliás, no tempo extra, deu mais Itália que até fez duas substituições ofensivas, mas os golos até já apareceram numa altura em que já ninguém esperava, ou melhor, em que só os transalpinos acreditavam.

Foi, pode dizer-se, uma vitória à italiana... cínica, mortal, sem dar hipótese de resposta.

Bola de Berlim (17)

ou... a hora de acertar umas contas antigas

Estamos a pouco mais de 24 horas de reencontrar os franceses numa meia-final de uma grande competição internacional.

Para além do balanço negativo nos jogos particulares há ainda (especialmente) duas derrotas que custam a engolir e não se esquecem, por mais anos que passem.

Em 1984, Platini eliminou a equipa das "quinas" num dos jogos mais intensos de que tenho memória. Estivemos a perder, a ganhar (já no prolongamento com dois golos de Jordão) e acabámos por ser derrotados, muito por falta de força e experiência.

Em 2000, o "penalty dourado" de Zidane e um fiscal de linha muito zeloso voltaram a colocar os lusitanos fora da corrida. Também estivemos a ganhar (grande golo de Nuno Gomes), mas depois a "coisa" acabou mal.

Seis anos depois está na hora da vingança...

O jogo

Não vai ser uma partida nada fácil esta contra uns franceses que pareciam de "fim de estação" mas que, de repente, renasceram das cinzas com a vitória sobre os espanhóis, que cometeram o erro básico de picar o orgulho gaulês.

No geral é uma equipa forte, experiente, que sabe tudo de bola e com opções para todas as posições, especialmente de ataque.

A defesa é coesa, no centro quase intransponível com Thuram e Gallas.

O meio-campo tem um muro (com Makelele e Vieira), o que dá liberdade ao artista Zidane, que está a melhorar de jogo para jogo.

Nas alas dois jovens "leões", tecnicistas e rápidos, que podem criar problemas aos laterais portugueses.

Na frente, Henry, só um dos melhores do mundo.

Depois, no banco, ainda há, entre outros, Trezeguet, Saha, Govou e Wiltord.

Portugal vai ter que estar, uma vez mais, ao seu melhor nível desportivo e de concentração para ultrapassar este adversário complicadíssimo.

Com os regressos de Costinha e Deco, as esperadas recuperações de Figo e Ronaldo e sem Petit, a equipa das "quinas" não terá dúvidas quanto ao "11" a apresentar.

Vai ser uma luta de esquemas iguais (4-2-3-1) e aí ganha quem lutar mais e errar menos.

Fundamental vai ser parar alguns jogadores-chave dos franceses: o cérebro Zidane, as arrancadas de Vieira, as subidas de Sagnol, a irreverência de Ribery e o instinto de Henry. Por outro lado convém ter cuidado com as bolas paradas e a altura dos jogadores franceses.

FRANÇA

Barthez
Sagnol, Thuram, Gallas e Abidal
Makelele, Vieira e Zidane
Ribery, Henry e Malouda

PORTUGAL

Ricardo
Miguel, Fernando Meira, Ricardo Carvalho e Nuno Valente
Costinha, Maniche e Deco
Figo, Pauleta e Cristiano Ronaldo

Confesso que não grandes opções mas, face ao adversário, talvez fosse o jogo ideal para Petit (se pudesse) jogar ao lado de Costinha e Ronaldo jogar na frente no lugar de Pauleta, com Simão na ala.

Que os Deuses do futebol e, já agora, a Senhora de Fátima e do Caravagio nos ajudem.

Bola de Berlim (16)

ou... o balanço e a antevisão

Estamos a chegar ao momento decisivo do Mundial da Alemanha, já em dia da primeira meia-final. Mas ainda estamos a falar de falar sobre o que passou.

O Alemanha - Argentina sorriu aos donos da casa nas grandes penalidades, mas é verdade que num jogo excessivamente táctico (massador mesmo no primeiro tempo), os germânicos procuraram mais a vitória, talvez porque estiveram a perder.

Ficou a ideia de que a selecção das pampas não deu tudo o que podia e sabia, especialmente neste jogo, com o técnico com medo de arriscar quando se viu a ganhar com um golo no início da segunda parte.

No Itália - Ucrânia, os transalpinos não deram hipóteses, apesar do resultado ser exagerado. O jogo cínico da "squadra azzurra" continua a dar cartas.

Já no Brasil - França venceu quem jogou para isso. Dos campeões do mundo pouco ou nada se viu, com o primeiro remate perigoso a surgir já em tempo de descontos.

Foi pena, feitas as contas, ter-se visto pouco Messi e, especialmente, muito pouco Ronaldinho Gaucho.

Agora as meias finais

Face ao que tem acontecido, a Itália é, agora, a minha principal candidata ao título mundial. É uma equipa tacticamente irrepreensível, que defende muito e bem e que tem muitas e boas opções ofensivas. Depois tem aquilo que falta a muita boa gente: eficácia.

Mesmo sem Nesta e Rossi, a equipa de Lippi tem todas as condições para seguir em frente, mesmo jogando daquela forma que não entusiasma.

E que luxo deixar Del Piero a ver os jogos do banco.

Os alemães têm o "factor casa" a favor, estão moralizados e a exceder todas as expectativas, mas vão jogar sem Frings, o trinco que equilibra a equipa.

Tem a palavra o "chelseano" Ballack para servir os "polacos" da frente.

A França parece uma fénix, renascida das cinzas, depois de uma qualificação complicada, uma primeira fase difícil. Zidane está em grande e o bloco está, outra vez, forte e coeso.

Aquela mescla entre veterania e juventude acordou tarde, mas está agora mostrar resultados.

domingo, julho 02, 2006

Oficina

O Benfica volta amanhã ao trabalho para a época 2006/07.

É a primeira equipa a fazê-lo, pré-eliminatória da Liga dos Campeões "oblige", e, nesta altura, queria deixar apenas três notas:
  • Espero que o "caso" Manuel Fernandes não seja um novo "caso" Miguel
  • Estou curioso para perceber se o boato Miccoli-"dragão" tem algum fundamento
  • Claro que o plantel ainda não está formado como queria Fernando Santos

Bola de Berlim (15)

ou... "uns bifes bem passados"

Portugal está nas meias-finais de um Mundial, 40 anos depois da campanha dos "Magriços". Mais uma vez, sofremos mas passámos os ingleses nos penalties.

Foi mais uma tarde de glória e, a partir daqui, aconteça o que acontecer, já se fez "estória".

A equipa das "quinas" passou, mereceu passar, mas podia e devia ter jogado melhor, especialmente porque esteve uma hora com um jogador a mais.

É certo que não tinhamos Costinha e Deco e que Cristiano Ronaldo não estava a 100%, mas mesmo assim podia ter-se evitado o sofrimento do prolongamento e das grandes penalidades.

Também é verdade que as equipas estavam com medo de arriscar, mas a maior responsabilidade era dos portugueses.

Já agora, só uma nota, da mesma forma que Scolari já admitiu que preparou a equipa para jogar com 10, deveria fazer o mesmo para a situação de vantagem numérica.

Bom, mas como diz a outra, "isso agora não interessa nada".

O jogo

Jogou de início a equipa que eu teria colocado, para contrapor ao super-meio-campo inglês e a luta foi titânica.

Não houve muitas oportunidades de golo e o equilíbrio foi a nota dominante no primeiro tempo que chegou, obviamente, empatado a zero.

Na segunda parte, os ingleses entraram melhor e estavam a começar a ter ascendente quando ao quarto de hora o Rooney nos fez um grande favor.

Apesar da substituição do Pauleta que não percebi (não que ele estivesse a jogar bem, mas porque tinhamos um jogador a mais), a verdade é que os lusos foram aos poucos ganhando preponderância no jogo, especialmente através de remates de fora da área.

Sem conseguir criar perigo na área e com os jogadores a começarem a sentir dificuldades físicas, Portugal ainda apanhou alguns sustos, especialmente de bolas paradas.

As entradas de Hugo Viana (especialmente) e Postiga (que mal esteve, para além do penalty) ajudaram a reequilibrar a equipa e, quer no fim dos 90 quer no prolongamento, levaram a que Portugal estivesse mais perto do golo, o que poderia ter evitado o sofrimento final.

A equipa

Todos os 14 que estiveram em campo foram guerreiros, mas é impossível não destacar Ricardo que esteve absolutamente soberbo nos penalties, defendendo três e adivinhando o quarto. Foi "o homem do jogo", apesar da votação da FIFA.

A defesa esteve "cinco estrelas" com os centrais insuperáveis (Ricardo Carvalho voltou a provar que é dos melhores do mundo e Fernando Meira a cada jogo que passa vai apagando a má imagem do jogo frente a Angola) e uns laterais muito certos nas marcações e com Miguel a ter ainda força para ir à frente.

O meio-campo não esteve brilhante, também porque faltaram Costinha e Deco, mas lutaram muito. Petit entrou mal, mas recuperou, e Tiago deu tudo. Hugo Viana, desta vez, entrou bem.

No ataque, Pauleta não teve jogo enquanto Figo e Ronaldo tentaram, enquanto tiveram forças para isso. Simão não entrou tão bem como habitualmente.

De volta ao Ricardo só para dizer que tem estado a fazer um grande campeonato do Mundo, dando segurança à equipa, nos remates de fora da área, nos cruzamentos e, se calhar, vai estar no "11" da prova.

Agora, venham os franceses que nós temos duas contas para acertar com eles.

sexta-feira, junho 30, 2006

Bola de Berlim (14)

ou... a vingança dos novos Magriços

Estamos a poucas horas do Portugal - Inglaterra dos quartos de final do campeonato mundial da Alemanha.

É mais um encontro entre lusos e ingleses, o quinto em fases finais de europeus e mundiais: para já, o balanço é claramente favorável aos portugueses, mas falta vingar aquela (injusta) derrota de 1966.

E, atenção, apesar do balanço positivo e dos súbditos de Sua Majestade não estarem a jogar nada de especial neste torneio germânico, o certo é que o jogo não vai ser nada fácil e vai obrigar os potugueses a estarem concentrados e, obviamente, a evitarem os pontos fortes do adversário.

Há também o espírito de vingança que pode tornar os ingleses ainda mais fortes.

Os ingleses

Com a lesão de Owen e as más exibições dos primeiros jogos, Eriksson parece ter abandonado o clássico 4-4-2 para jogar num 4-3-3 que é praticamente um 4-5-1:

Robinson
Gary Neville, John Terry, Rio Ferdinand e Ashley Cole
Hargreaves, Lampard, Gerrard
Beckham e Joe Cole
Rooney

Olhando para este "11" o que é que se percebe: por um lado é formado por grandes jogadores e com poucos pontos fracos.

Na defesa, o elo mais fraco é claramente Gary Neville que os nossos alas podem aproveitar para explorar o mais possível. Pontos positivos, a dupla de centrais, possivelmente a melhor do torneio. Ponto de interrogação para Cole que não parece estar em forma.

No meio-campo, com três médios centros, incluíndo um trinco clássico (que também pode ser Carrick), há mais liberdade para Lampard e Gerrard, o que tem um aspecto positivo e um negativo:

O negativo é que estes dois jogadores, com menos preocupações defensivas, vão poder aparecer mais junto à nossa área e rematar muito (aspecto em que são fortíssimos). O positivo é que o balanço positivo pode deixar espaços que podem ser aproveitados no contra-ataque.

Na frente é obrigatório ter cuidado com os centros de Beckham e, claro, as bolas paradas, as penetrações e dribles do Joe Cole e a "velocidade terminal" de Rooney (a subir de forma de jogo para jogo).

Depois, se as coisas lhes estiverem a correr mal, lá vai entrar o Crouch e aí vai ser necessário ter um escadote, mas pode até vir a simplificar a nossa vida, apesar de tudo.

Portugal

Sem Deco e sem Costinha e com Cristiano Ronaldo quase em dúvida (tem que jogar), Scolari pode ter que adaptar ligeiramente a equipa, apesar de não haver muitas opções. Há, digamos, três cenários:

  • um meio campo (quase) normal com Petit a fazer de Costinha e Figo a fazer de Deco

Ricardo
Miguel, Ricardo Carvalho, Fernando Meira e Nuno Valente
Petit, Maniche e Figo
Cristiano Ronaldo, Pauleta e Simão

  • um meio campo mais operário

Ricardo
Miguel, Ricardo Carvalho, Fernando Meira e Nuno Valente
Petit, Maniche e Tiago
Cristiano Ronaldo, Pauleta e Figo

  • um ataque móvel

Ricardo
Miguel, Ricardo Carvalho, Fernando Meira e Nuno Valente
Petit, Maniche e Tiago
Figo, Cristiano Ronaldo e Simão

Seja qual for o "11" o certo é que Scolari não tem muitas opções de banco se tiver que alterar, especialmente em termos ofensivos.

Nuno Gomes e Luís Boa Morte estão com pouco ritmo devido às lesões que se arrastam, Hélder Postiga e Hugo Viana mostraram muito pouco quando entraram.

Espero como for, com quem for, que a equipa das "quinas" vença e possa mesmo chegar às meias finais.

Eu cá, das três hipóteses, a que gosto menos é a mais provável (a primeira hipótese).

Gelsenkirchen tem dado sorte... esperemos que não haja duas sem três.

CNADa a esconder

O alegado caso de doping de Nuno Assis continua a dar que falar e com alguns porMAIORES ainda por esclarecer.

Soube-se agora que a Comissão Técnica do Conselho Nacional Antidopagem recomendou em Abril o arquivamento do processo com base nos resultados da contra-análise.

No entanto, esta indicação não foi seguida depois de uma votação 4-3 dentro do CNAD. Entre os quatro que votaram contra a posição dos peritos estava o presidente e o director do instituto (partes interessadas na queixa dos "encarnados").

Esta situação só agora foi conhecida porque a acta esteve escondida e parece dar força à teoria do Benfica de que algo de estranho se passa com este processo.

De recordar que Nuno Assis foi apanhado em Dezembro nas malhas do doping, após o jogo com o Marítimo, já cumpiu os seis meses de castigo, mas continua a reclamar inocência.

Há muito ainda por explicar... a começar pelo Dr. Luís Horta que terá que dizer porque não seguiu o conselho dos peritos.

"Fora de jogo"

ou... "a limpeza do ciclismo"

Está em curso aquela que parece ser uma mega operação de moralização do ciclismo mundial e a começar por cima, afectando, desde já, a maior competição.

Por causa de uma alegada rede de doping em Espanha alguns dos melhores ciclistas mundiais já não vão participar na Volta a França em Bicicleta que amanhã começa.

Fora da bicicleta para o Tour já estão, entre outros, Ivan Basso e Jan Ullrich, os dois maiores favoritos à vitória final.

Convém recordar que este caso também já levou Manolo Saiz, um dos directores-desportivos mais influentes, a ser detido por algumas horas.

O mais certo é isto ser apenas a "ponta do iceberg" mas, seja como for, o fundamental é que se consiga "limpar" a modalidade e combater o doping.

Também é verdade que não deve haver desporto mais seguido, perseguido ou controlado pelos "vampiros" da UCI.

Face ao que se está a passar também era bom que os organizadores fizessem competições e etapas mais realistas, por forma a não "obrigar" os ciclistas a doparem-se para cumprir o que lhes é exigido etapa a etapa.

Não sei como vai ser o Tour deste ano, sem as principais figuras, mas se tiver que perder qualidade por alguns anos para recuperar credibilidade então que assim seja.

Se couber ao ciclismo dar o exemplo aos outros desportos, então que sejam mesmos os senhores das bicicletas a levar a "camisola amarela" da luta contra a batota do doping.

quarta-feira, junho 28, 2006

Bola de Berlim (13)

ou... o balanço e a antevisão

Nos oito jogos da segunda fase do Mundial não houve grandes surpresas: passaram os seis favoritos e os dois "outsiders" (se é que posso dizer isto) que apontei no "Bola de Berlim 9".

Não houve grandes jogos, longe disso, e a qualidade futebolistica até desceu com especial destaque (negativo) para o Itália - Austrália, Inglaterra - Equador e o Suíça - Ucrânia. A excepção acabou por ser o Espanha - França.

A Alemanha está mais forte do que eu pensava, a Argentina não está a confirmar o futebol espectáculo, a Itália continua "cínica", a França parece renascida e o Brasil, a meio gás, lá vai passando, mesmo sem samba.

A Espanha, que fez a melhor fase de grupos, voltou a falhar nos momentos decisivos e já está em casa, depois de muita euforia e excesso de confiança.

Agora, os quartos...

Vão ser quatro grandes jogos, com destaque para dois grandes clássicos mundiais. Esperemos que a qualidade futebolística suba.
  • Alemanha - Argentina
  • Itália - Ucrânia
  • Portugal - Inglaterra
  • Brasil - França

Bola de Berlim (12)

ou... "o grito dos guerreiros"

Continua a guerra psicológica de ingleses e brasileiros para pressionar a selecção nacional, mas hoje Pauleta deu a resposta à altura dos acontecimentos:

"Não temos medo de ninguém. Se conhecer um bocadinho da história de Portugal, verá que Portugal não tem medo de ninguém. Simplesmente somos um País que respeita toda a gente e que só quer ser respeitado. Nós, portugueses, não admitimos que nos faltem ao respeito ou que inventem informações falsas sobre os nossos jogadores ou sobre o nosso País", disse o avançado.

Estas declarações de um dos capitães são mais uma prova do fantástico espírito de grupo e união que reina no grupo de trabalho e que, diariamente, tem vindo a ser demonstrado e reafirmado por jogadores titulares e suplentes.

De recordar que Carlos Alberto Parreira falou sobre o Portugal - Holanda criticando a equipa das "quinas" e hoje há declarações falsas de Pauleta num jornal inglês.

Entretanto, o árbitro Ivanov fez acusações graves (e injustas) sobre os jogadores portugueses e convinha que a FIFA pusesse mão nisto.

Nota positiva apenas para o senhor Eriksson que colocou "água na fervura" e voltou a pôr os pontos nos "ii" ao dizer: "Claro que Portugal é uma equipa com fair play. Estive cinco anos em Portugal, conheço muitos jogadores, muita gente, é um país que adora futebol".

segunda-feira, junho 26, 2006

Bola de Berlim (11)

ou... "o jogo heróico de Nuremberga"

Portugal venceu a Holanda por 1-0 nos oitavos de final do Mundial da Alemanha. Foi uma partida louca, intensa, sofrida, inolvidável.

Foi uma partida incrível, de luta, entrega, entre-ajuda, espírito de sacrifício e, claro, alguma sorte e saber.

Foi mais um daqueles jogos tipo "missão impossível" que o "fado português" gosta e precisa. Parecido com este, nos últimos anos, recordo imediatamente, sem pesquisa, três jogos: Alemanha - Portugal (Estugarda), Portugal - Inglaterra (Euro 2000) e Portugal - Inglaterra (Euro 2004).

O jogo...

Portugal não entrou bem, mas voltou a ter a sorte do jogo ao marcar no primeiro remate que fez à baliza, outra vez, por Maniche e falhou o segundo por Pauleta mesmo em cima do intervalo.

Aguentando na defesa, a equipa das "quinas" jogou quase todo o segundo tempo em inferioridade numérica e teve que saber sofrer, levou uma bola à barra, mas, mesmo assim, podia ter "matado" o jogo com vários contra-ataques.

Contra a "laranja" e contra um árbitro russo que prejudicou Portugal e o futebol, a vitória lusa acabou por ser justa.

Nota para a lesão de Ronaldo que foi arrumado logo aos sete minutos e o senhor Ivanov só mostrou o amarelo.

Destaques positivos para Ricardo e Ricardo Carvalho, Miguel e Maniche, Figo e Simão...

Destaques negativos para a infantilidade de Costinha e para as grandes dificuldades de Nuno Valente sobre Van Persie.

Luiz Felipe Scolari continua de "pé quente", conseguindo e cultivando a união do grupo e dando lições de psicologia, até nas conferências de imprensa.

Está cumprido o objectivo primeiro (chegar aos 8), agora o que vier é lucro e tudo é possível. No sábado... venha a Inglaterra.

domingo, junho 25, 2006

Bola de Berlim (10)

ou... "o jogo mais importante"

A selecção portuguesa joga este domingo com a Holanda nos oitavos de final do Campeonato do Mundo de futebol, reeditando as meias-finais do Euro 2004.

Luiz Felipe Scolari já disse que este é "o jogo mais importante" da carreira da equipa das "quinas" em terras germânicas.

Claro que eu percebo a posição do técnico: este é o primeiro "mata-mata" e que, em caso de vitória", coloca Portugal nos oito mais... precisamente a fasquia mínima que Scolari impôs, mas tenho esperança que esta não seja a última partida.

Uma coisa é certa: a selecção lusa é experiente, está motivada, tem jogadores em boa forma e quase repete a equipa do Euro, enquanto do outro lado está uma "laranja" fresca, com "fome" de títulos e "sede" de vingança.

Aliás, este pode ser - como já referi - o maior adversário de Portugal: a vontade de desforrar a derrota de há dois anos.

A Holanda tem uma boa equipa, com grandes jogadores (destaque para Robben e Van Nistelrooij, no ataque, Sneijder no meio-campo e Van der Saar na baliza) e, por isso, o jogo não vai ser nada fácil.

A equipa

Ao que parece, Luiz Felipe Scolari vai repetir o "11" que defrontou e ganhou ao Irão e, assim, colocar o 4-2-3-1 português contra o 4-3-3 holandês.

Em relação à equipa escolhida, tendo em conta o adversário, tenho receio que Meira não aguente Van Nistelrroij e que Miguel se esqueça de defender Robben (talvez Paulo Ferreira fosse o mais indicado).

Se estes dois gomos da laranja forem neutralizados e Sneijder não puder rematar, é já meio caminho andado para a vitória.

Posto isto, acho que Costinha vai ter um papel fundamental nas compensações defensivas e na acção de cobertura.

Convém, já agora que o "trio mágico" (Figo, Deco, Ronaldo) funcione em pleno para aproveitar o ponto mais fraco da equipa de Van Basten: a defesa.

sábado, junho 24, 2006

Bola de Berlim (9)

ou... "o balanço e a antevisão"

Terminou esta sexta-feira a primeira fase do Mundial da Alemanha e, bem vistas as coisas, não houve grandes novidades. A bem dizer, no fim das três jornadas dos oito grupos, houve uma surpresa e meia.

No "grupo E", a República Checa acabou por ser a grande desilusão com uma eliminação precoce, especialmente depois de uma entrada de "leão" ao derrotar os Estados Unidos por 3-0.

Os problemas no ataque, com as lesões de Koller e Baros, podem ter contribuido decisivamente para este desfecho, mas convém não tirar mérito ao Gana que, apesar de estar a fazer a sua estreia num Mundial, tem uma equipa experiente, formada há vários anos, com muitos jogadores campeões nas camadas jovens.

Este mau resultado pode também representar o fim de uma grande geração de checos com Nedved e Poborsky à cabeça.

Já a "meia surpresa" foi a da Austrália que, no "Grupo F", acompanha o Brasil para os oitavos de final, enviando a Croácia mais cedo para casa.

Continuam os "milagres" de Guus Hiddink e oito anos depois das meias finais com a Holanda e quatro anos depois das meias finais com a Coreia do Sul, são agora os "Socceroos" a beneficiar da experiência e sabedoria do técnico holandês.

Nota final para as dificuldades da França para garantir a qualificação. Quatro anos depois da humilhação do Oriente, os gauleses tiveram que esperar pela segunda parte do último jogo para conseguir seguir em frente.

Agora, os oitavos...

Para além do jogo português, destaque evidente para o confronto entre espanhóis e franceses, duas equipas históricas que se encontram, quiçá, cedo de mais.

Os jogos são os seguintes:
  • Alemanha - Suécia
  • Argentina - México
  • Inglaterra - Equador
  • Portugal - Holanda
  • Itália - Austrália
  • Suíça - Ucrânia
  • Brasil - Gana
  • Espanha - França

Destaque teórico para as equipas da esquerda, mas atenção a ucranianos e franceses. À equipa africana saiu a "fava".

sexta-feira, junho 23, 2006

Bola de Berlim (8)

ou... "o jogo sombra-sol"

Portugal venceu o México por 2-1, conseguiu três jogos, três vitórias, fez nove pontos, ganhou o grupo e cumpriu a obrigação de passar aos oitavos de final.

Não pude ver o jogo mas, pelo relato, deu para perceber que tivemos que sofrer e tivemos mesmo alguma sorte para garantir o triunfo.

Scolari deu descanso a metade da equipa, os cinco "amarelados", e a equipa, nos primeiros 45 minutos, conseguiu dar boas indicações e fez dois golos.

Já no segundo tempo, a "coisa" não correu tão bem e a pressão dos mexicanos mostrou uma defesa a abanar e muito: Caneira e Miguel, por razões diferentes, a sentirem dificuldades nas alas e, especialmente, Fernando Meira a voltar a dar a impressão de não conseguir fazer esquecer Jorge Andrade.

Apesar disso, destaque para as exibições (muito positivas) de Ricardo, Maniche e Simão e nota menos para Hélder Postiga e Boa Morte.

O capitão Figo fez o jogo mais discreto deste Mundial e foi bem substituido para descansar.

Chá, café ou... laranjada

Confirma-se que o adversário lusitano nos oitavos de final vai ser a Holanda.

A "laranja mecânica", teoricamente, encaixa-se melhor no futebol português, com um 4-3-3 semelhante ao da equipa das "quinas".

Apesar de, nos últimos confrontos, sempre ter levado a melhor, este jogo está longe de ser "favas contadas" já que os holandeses têm um conjunto de jogadores de grande valor, com especial destaque para o "chelseano" Robben.

Os agora comandados pelo melhor avançado de todos os que já vi jogar (Marco Van Basten) têm uma equipa renovada, com "fome" de vitórias, e, ao mesmo tempo, uma "sede" de vingança, pelo baile que levaram há dois anos.

O (jogador) fetiche

Fernando Santos viu ontem confirmado o seu primeiro grande desejo à chegada ao Benfica: a contratação de Katsouranis.

O médio grego já tinha sido comandado pelo engenheiro no AEK e volta a segui-lo, agora, para a Luz.

Vi poucos jogos de Katsouranis (lembro-me da participação no Euro 2004) e, por isso, vou deixar para mais tarde uma análise mais profunda do jogador.

No entanto, há algumas notas que gostava de deixar desde já:
  • O Benfica dá confiança ao treinador ao contratar um "seu" jogador
  • O Benfica coloca pressão no treinador ao contratar um "seu" jogador
  • Os "encarnados" necessitavam de um jogador com estas características (médio defensivo com "cabedal" - 1m83)
  • A polivalência do jogador pode ser importante num meio campo que já tem jogadores de qualidade
  • Esta contratação e o namoro com D´Alessandro (deve chegar outro jogador para o lugar do argentino) "provam" que a equipa vai apostar num 4-4-2-losango
  • Assim, a saída de Simão estará para breve

Posto isto, tendo em conta o actual plantel que vai estar na Luz na época que se avizinha e o equilibrio desejado, faltam ainda algumas contratações:

  • um Defesa Esquerdo para dar luta a Léo
  • um Médio Interior Esquerdo (que faça de o que Karagounis fará na meia-direita e que seria D´Alessandro)
  • um ou dois Avançados (um sendo Miccoli e tendo em atenção a situação conhecida de Mantorras)
  • um Ala que jogue nos dois flancos (para além de Manu que deve ficar no plantel) (*)

(*) Convém não esquecer os flancos, apesar da táctica prioritária (4-4-2 losango) não os contemplar e de Simão estar a ser dado, pelo próprio clube, como transferível.

domingo, junho 18, 2006

Bola de Berlim (7)

ou... "o foguete teleguiado"

A selecção portuguesa ganhou e ganhou bem ao Irão.

A equipa das "quinas" controlou o jogo do princípio ao fim, criou várias oportunidades para marcar, voltou a falhar alguns golos, mas provou a sua superioridade em campo.

Sustos apenas dois logo a seguir ao primeiro golo português. Muito pouco para uma equipa como o Irão que parecia apostar tudo nas bolas paradas.

Deu para perceber que os comandados de Luiz Felipe Scolari estão a melhorar, como equipa, e individualmente. Convém, claro, que essa melhoria continue porque vêm aí jogos bem mais complicados.
  • Foi bom ver, outra vez, o "ministro" Costinha a controlar o meio-campo,
  • Foi bom voltar a ver "Art" Deco (grande golo),
  • Foi bom ver as arrancadas de Miguel pelo flanco e as compensações aos colegas de defesa
  • Foi bom ver que Fernando Meira começa a ganhar entrosamento com o resto do sector
  • Foi bom continuar a ver Figo em grande
  • Foi bom ver Cristiano Ronaldo a fazer uma segunda parte bem mais perto do seu valor habitual.

    Aquele meio-campo de "Mourinho dragão" está a ganhar fôlego e, se não houver lesões, a equipa tem tudo para continuar a evoluir.

    Petit, Tiago e Simão são, claro, as primeiras alternativas e são credíveis.

    A incógnita continua a ser o ataque. O que vai acontecer sem Pauleta (ai aquele falhanço completamente isolado!) ou se for preciso jogar com dois avançados?

    E a seguir?

    Nos oitavos de final, já sabemos, só temos duas hipóteses: Argentina ou Holanda.

    Dificilmente poderia ser pior... mas, do mal o menos: que nos calhe a "laranja" que nós até estamos habituados a espremer fruta.

    O "4-3-3" de Van Basten encaixa no nosso esquema e a Holanda sabe jogar à bola, joga aberto e isso pode dar-nos espaços desde que, claro, saibamos parar Robben, controlar Van Nistelrooy e impedir Schneider de rematar.

    Já o elástico "3-5-2" da Argentina parece uma máquina de jogar futebol: no primeiro jogo chegaram ao 2-0 e meteram travões e ontem esmagaram a Sérvia-Montenegro.

    Apesar de um achar que a equipa é desequilibrada, isso é compensado com a qualidade extrema da maior parte dos jogadores e, especialmente, pelas inúmeras opções que dão a Pekerman soluções para tudo... e ainda não jogou Júlio Cruz.

quinta-feira, junho 15, 2006

“Triângulo das Bermudas”

Como já é clássico nos meses de Verão, o Benfica inaugurou a habitual novela das contratações para a próxima temporada.

O nome da novela desta época chama-se "Triângulo das Bermudas".

Descontando os (muitos) nomes que vão sendo atirados para o ar, há dois que parecem interessar mesmo a Fernando Santos: o trinco Katsouranis e o médio ofensivo D´Alessandro.

Para já, não quero falar sobre os jogadores em si e a táctica que estará a ser preparada pelo novo técnico.

A questão que se coloca aqui tem a ver com as negociações e as dificuldades de contratação que o clube da Luz parece estar a sentir para fechar os negócios.

Claro que, sem vender nenhum dos seus jogadores nucleares (Simão está à espera que o telefone toca e Luís Filipe Vieira também), os "encarnados" não conseguem dinheiro fresco para fazer negócios.

Como se sabe, para se conseguir contratar um atleta é necessário chegar a acordo com o clube do jogador e com o próprio atleta.

Ao que parece, desta vez, o Benfica já convenceu os dois jogadores, mas está a sentir dificuldades para "dobrar" os clubes.

Em outras situações aconteceu exactamente o contrário, e já vários negócios abortaram por não se conseguir completar o "triângulo" com os jogadores a "desaparecerem" da órbita do Benfica e a "aparecerem" noutros clubes.

Alguém vai acabar por chegar, mas o mais certo é serem as terceiras ou quartas opções. O ano passado, por exemplo, aconteceu isso com os avançados: Tomasson e Kalou foram os dois nomes mais falados (e confirmados) até à chegada, já em cima da hora, de Miccoli.

O que não havia necessidade era estas novelas serem públicas, deixando à vista as dificuldades do Benfica em conseguir os jogadores que pretende e a dar aso a piadas dos adversários.

Claro que a situação se agrava por culpa dos dirigentes que tentam “tapar o sol com a peneira” e continuam a prometer contratações sonantes, apesar de saberem que não chegam lá.

O ideal seria conseguir blindar estes negócios até estarem 100% garantidos, mas, claro, isso não é fácil. Tirando o Chelsea nenhum outro clube consegue, sem medos, anunciar alto e bom som o que pretende e, mesmo assim, fechar os acordos.

segunda-feira, junho 12, 2006

Bola de Berlim (6)

ou... "cumpridos os serviços mínimos"

Portugal venceu Angola por 1-0, cumpriu a sua obrigação e entrou no Mundial a ganhar (ao contrário do que tinha acontecido em 2002 e 2004).

Pragmaticamente a selecção das "quinas" fez o que tinha a fazer, garantir os três pontos no jogo de abertura, frente a uma Angola estreante. Isso é o mais importante.

É verdade que se esperava mais e, que com um começo avassalador (falhanço aos 10 segundos, golo aos 4 minutos, ambos por Pauleta), a selecção nacional deixou os adeptos com "água na boca" que depois não saciou.

Na primeira parte, o jogo até nem foi mau, um golo, uma mão cheia de oportunidades falhadas e um susto, foi o sumo dos primeiros 45 minutos para os jogadores de Scolari.

Já na segunda parte, a "coisa" correu bem pior com Portugal a baixar o ritmo, a perder o controlo do jogo e a não ter, praticamente, chances de golo.

Os "palancas negras" também poucas vezes incomodaram Ricardo, mas pairava no ar aquela sensação desconfortável de que algo negativo podia acontecer se houvesse uma desconcentração ou um deslize.

Acabou por se salvar o resultado e mais uma grande exibição do capitão Luís Figo.

Portugal volta a entrar em campo no sábado, frente ao Irão, que este domingo perdeu 3-1 frente ao México, demonstrando alguma fragilidades defensivas.

A equipa

Luiz Felipe Scolari surpreendeu ao deixar Costinha no banco e ao poupar Deco. Tiago e Simão foram titulares e Figo jogou de "10".

Penso que o técnico fez bem e os primeiros 45 minutos provaram isso:
  • Costinha e Maniche necessitam de ganhar ritmo e é indiscutível que Petit e Tiago estão em melhor forma.
  • Tivemos um grande Figo, um bom Simão e pouco Ronaldo.
  • Pauleta marcou um, falhou dois ou três
  • Miguel melhor que Nuno Valente (que levou com o melhor dos angolanos)
  • Ricardo Carvalho melhor que Fernando Meira
  • Ricardo bem sempre que teve que entrar em acção (uma grande defesa no primeiro tempo)
  • Deco não estava a 100%, não jogou, convém que recupere

domingo, junho 11, 2006

Bola de Berlim (5)

ou... "a água na fervura"

A selecção nacional estreia-se este domingo no Mundial da Alemanha e é altura de deixar claro: Portugal é candidato a ganhar o Grupo "D", é obrigado a passar aos oitavos de final, mas nada mais.

Ganhar a Angola, ganhar ao Irão, não perder com o México, que, por acaso, está à nossa frente no ranking da FIFA, são resultados essenciais e - diria - normais.

Tudo o que vier para lá disso é (muito) bem vindo. Depois, na fase a eliminar, tudo é possível.

A equipa das "quinas" defrontará - se lá chegar - alguém do chamado "grupo da morte" e os principais candidatos são Argentina e Holanda.

Aqui a coisa já pia mais fino...

O próprio técnico já colocou um objectivo, ligeiramente mais optimista, ao lembrar que Portugal é o sétimo colocado a nível mundial e que, por isso, deve alcançar os quartos-de-final. Aliás, Scolari só renova com a selecção portuguesa se chegar, pelo menos, a esse objectivo.

Acho que não devemos exagerar nas expectativas, até porque há o risco do "excesso de confiança" - muito próprio dos portugueses - degenerar no "catastrofismo".

É necessário ter a cabeça no lugar e perceber que Brasil, Argentina, Itália, França - pelo menos estes - são superiores a Portugal e, portanto, não estamos na primeira linha de favoritos.

A equipa

Não há grandes dúvidas quanto ao "11" a apresentar pela equipa das "quinas" ou não fosse Luiz Felipe Scolari o treinador.

Ricardo
Miguel, Fernando Meira, Ricardo Carvalho e Nuno Valente
Costinha, Petit e Deco
Figo, Pauleta e Cristiano Ronaldo

A única alteração, para além da lesão de Jorge Andrade, é a "troca" de Maniche por Petit. Costinha, o nome de que se fala, mantém a confiança do "mister", apesar de não parecer ter ritmo para justificar a titularidade.

Parece-me óbvia a titularidade de Petit, já o facto de Tiago continuar no banco é bastante discutível.

Quanto a Nuno Valente... é como São Tomé: "Esperar para ver".

No resto não há novidades:
  • Só espero que Ronaldo esteja concentrado, apenas, em jogar à bola e a fazer miséria, futebolistica, nos adversários.
  • Que Figo continue em grande forma, como tem demonstrado
  • Que Deco volte aos grandes jogos, ao nível do Barça
  • Que Pauleta mantenha o espírito "matador"
  • Que Tiago e Simão entrem para somar sempre que for necessário
  • Que Nuno Gomes esteja em condições de ajudar
Primeiro balanço

Depois de cinco jogos, destaque para a primeira surpresa, o empate de Trinidade e Tobago diante da Suécia e para um futebol pouco atractivo, no geral.

O azarado da prova é o guarda-redes do Paraguai que esteve seis minutos em campo e conseguiu sofrer um auto-golo e lesionar-se, terminando a sua participação.

Exibições dignas de registo para as defesas de Trinidade e Tobago e Equador.

Grandes golos a abrir e a fechar o jogo alemão.

sexta-feira, junho 09, 2006

O caso... ou o caos

Ficou resolvido (?) esta sexta-feira mais um caso - ou um caos – do futebol português: afinal, o Gil Vicente vai, ao que parece, manter-se na primeira Liga.

São vários os tópicos que merecem atenção na análise de todo este “embróglio”.

Nota prévia: o Gil Vicente garantiu dentro das quatro linhas o direito a permanecer no principal escalão e, assim, o Belenenses desceria de divisão.

É no campo que os campeonatos devem decidir-se, estamos todos de acordo quanto a isso, mas também é verdade que conhecemos as regras do organizador do futebol mundial.

Diz a FIFA que qualquer clube que faça queixa aos tribunais civis desce, automaticamente, de divisão.

Pode (e deve) discutir-se se esta regra é legítima ou faz sentido. Por mim é, no mínimo, prepotente (já para não chamar fascisoide).

Mas, o certo é que a regra existe e é conhecida por todos, em todo o mundo e, até prova em contrário, deve (tem) que ser respeitada.

Ora, posto isto, no âmbito do chamado “caso Mateus”, três clubes queixaram-se do Gil Vicente por alegada inscrição irregular do jogador angolano.

Após Mateus ter feito quatro jogos e da equipa de Barcelos se ter queixado aos tribunais civis, o “caldo entornou-se” e a polémica durou meses.

Na semana passada, os jornais davam conta da decisão da Comissão Disciplinar da Liga que daria razão à queixa do Belém e, portanto, o Gil desceria ao segundo escalão, por ter envolvido os tribunais civis no caso.

Seria o cumprir da tal regra da FIFA e assim, à primeira vista, seriam cumpridos os regulamentos (apesar do que aconteceu dentro das quatro linhas).

No entanto, hoje foram conhecidos novos pormenores que “deram a volta ao texto”.

Segundo a decisão desta sexta-feira, afinal, o caso é arquivado e fica tudo na mesma, com os “galos” na primeira e o Belenenses na segunda.

O que se alterou entretanto?

Ao que parece, um dos elementos da comissão disciplinar que numa primeira instância tinha pedido escusa, por ser familiar de um dirigente do Gil, voltou atrás e foi mesmo votar dando o seu volto à turma de Barcelos, empatando o caso a 2-2.

Face à igualdade foi o presidente do órgão que usou o seu “voto de qualidade” e acabou por dar razão ao Gil, depois de numa primeira decisão ter decidido em sentido contrário.

Assim, em poucos dias, a decisão virou completamente porque dois dos quatro elementos mudaram as intenções de voto.

O que se passou entretanto para que isso acontecesse não se sabe.

O que parece estranho é que um familiar de uma parte envolvida (familiar de dirigente do Gil Vicente) tenha voto na matéria e que outro elemento mude de opinião de um dia para o outro.

No mínimo estranho.

Primeira consequência os elementos da Liga que acabaram por ser derrotados, face à cambalhota, decidiram apresentar a demissão, por uma questão de dignidade – digo eu.

É o futebol que temos. Uma palhaçada.

Claro que “isto” ainda não acabou. O Belenenses vai, seguramente, recorrer.

terça-feira, junho 06, 2006

Bola de Berlim (4)

ou... a (des)concentração de um grupo

O treino da tarde da selecção nacional na Alemanha fica para a "estória", com 12500 emigrantes em delírio nas bancadas esgotadas do estádio.

Segundo parece, foi batido o recorde de assistência de um treino da equipa das "quinas", com a loucura a passar das bancadas para o relvado, até com a presença da autarca da pequena cidade.

Eu entendo o entusiasmo dos emigrantes, mas convém não esquecer que os comandados de Scolari não estão em nenhuma feira ou romaria, estão a preparar um Mundial de futebol.

A menos de uma semana do primeiro jogo, é essencial que a equipa se deixe de brincadeiras e, finalmente, se concentre no essencial.

Está na altura de haver treinos à porta fechada, longe dos olhares dos emigrantes, para que se possa preparar convenientemente o jogo de Angola e todos os que se seguirem.

Aliás, a reacção de Scolari, terminando abruptamente o apronto porque uma bola demorou a regressar da bancada, é demonstrativa de que nem tudo está bem...

segunda-feira, junho 05, 2006

Tarde...

Confirmou-se aquilo que já se suspeitava há alguns meses: Nélson foi mesmo operado a uma hérnia inguinal.

A forma como este processo foi conduzido deixa-me, no entanto, várias interrogações:
  • Porque obrigou o Benfica o atleta a "jogar" até final da época quando era visivel que não estava em condições?
  • Porque o convocou a selecção de Sub-21?
  • Porque foi Nélson operado na mesma clínica onde correram mal as operações a Manuel Fernandes e Quim?
  • Porque foi o jogador operado em segredo?

Claro que, agora, dados os antecedentes, já ninguém arrisca tempos de recuperação.

Só espero que a operação, desta vez, tenha corrido mesmo bem e que o jogador esteja a 100% no início da época.

Bola de Berlim (3)

A selecção nacional chegou este domingo ao quartel-general de Marienfeld, na Alemanha.

Foi impressionante o apoio de muitos milhares de emigrantes desde o aeroporto e o centro de estágio da equipa das "quinas".

Alguns dos nossos compatriotas esperaram desde manhã para ver os craques e aí faltou algum bom senso aos responsáveis que podiam e deviam ter autorizado um contacto (ainda que breve) entre os jogadores e a claque lusa.

Duas nota ainda para o treino ligeiro realizado já realizado no campo do hotel: o apronto foi ligeiro para os titulares da partida frente ao Luxemburgo (à excepção de Costinha) e todos os 23 jogadores estiveram presentes (incluindo Boa Morte e Nuno Gomes).

Esta segunda-feira há dois treinos.

O primeiro jogo de Portugal é no domingo frente a Angola.

"O ovo ou a galinha?"

Esta é uma das dúvidas existenciais do mundo: quem nasceu primeiro, o ovo ou a galinha? Há várias teorias e as duas respostas são dadas como certas.

Numa transposição para o mundo do futebol, há também uma dúvida semelhante que costuma ocupar técnicos, jornalistas, comentadores e adeptos: É um treinador ou são os jogadores que definem a táctica de uma equipa?
  • Alguns defendem que um técnico chega a determinado clube e impõe as suas ideias, moldando os jogadores que tem à disposição.
  • Outros preferem dizer que os jogadores obrigam o treinador a adaptar-se ao grupo.

Vem isto a propósito daquela que parece ser a primeira dúvida séria de Fernando Santos no Benfica: que táctica utilizar (4-3-3 ou 4-4-2)?

No centro da "polémica" três jogadores: Simão, Rui Costa e Miccoli.

Aqui colocam-se dois cenários, partindo do princípio que o "maestro" é titular:

  1. Simão fica: aí a solução mais óbvia parece ser o 4-3-3 (a táctica favorita do "mister"), com o "20" numa ala e Rui Costa a pautar o jogo à frente de dois médios mais defensivos. Neste cenário, a continuidade de Miccoli deixará de ser fundamental já que o ponta-de-lança terá que ter outras características.
  2. Simão sai: sem o extremo já é mais provável que os "encarnados" joguem em 4-4-2 "losango" com Rui Costa na frente de um tridente que saiba fazer as compensações defensivas e ofensivas, sem extremos, mas que tenha dois avançados (um deles sendo Miccoli pela rapidez e facilidade de remate).

Não tenho certezas sobre qual é a posição correcta, mas prefiro que um treinador, especialmente na primeira época num clube, se adapte à "matéria prima" que tem à disposição.

Claro que, no treino, deve o técnico ter, pelo menos, um plano "A" e um plano "B" para as várias situações de jogo.

Esta é mais uma situação em que, por exemplo, "the special one" está bem preparado já que as suas equipas tanto jogam em 4-3-3 como 4-4-2 "losango". Mourinho tem ainda o plano "C", de emergência, em que joga apenas com três defesas.

domingo, junho 04, 2006

Bola de Berlim (2)

ou ... "Pior cego é o que não quer ver"

Ser teimoso é uma das características (defeitos) mais usuais do ser humano mas, como em tudo na vida, há limites. Quero acreditar que os limites do seleccionador chegaram esta noite, depois de ter visto o Portugal - Luxemburgo.

Após as exibições de alguns dos "intocáveis" do senhor Scolari por terras francesas, a uma semana do início do Mundial, parece-me que ficou claro para todos que alguns jogadores não estão em condições de começar a prova como titulares.

  • Só um cego não vê que Petit está melhor que Costinha
  • Só um inconsciente não percebe que Tiago bate aos pontos Maniche
  • Só um teimoso não entende que Nuno Valente está também fora de forma

Quero acreditar naqueles que defendem que estes jogadores, por terem jogado pouco ou nada, vão evoluir com os treinos e acabar por aparecer mais fortes nesta fase da época. Pois, é mesmo esperar para ver, mas lá que não parece...

Para além destes três casos mais evidentes, há outros - de outro tipo - que também merecem análise.

  • Cristiano Ronaldo tem que pôr - ou alguém por ele - a cabeça no lugar
  • Fernando Meira não está ainda bem entrosado com a equipa e nota-se muito a falta de Jorge Andrade
  • Deco terá feito o seu pior jogo desde que chegou à selecção
  • Boa Morte e Nuno Gomes vão à Alemanha para jogar ou vão ser o "Tiago do Euro 2004"?

As análises podem prosseguir ainda por outras questões, agora mais tácticas. Ficam duas interrogações:

  • Porque não experimentou Scolari jogar com dois pontas de lança?
  • Porque não experimentou Scolari jogar com três defesas?

Falta uma semana para o Portugal -Angola...

sábado, junho 03, 2006

"Bola de Berlim"

Estreia hoje mais uma rubrica aqui no "Doente da Bola", rubrica essa que vai acompanhar o Campeonato do Mundo na Alemanha.

Agora que a selecção já está no Luxemburgo, última paragem antes de Marienfeld, chegou a altura de fazer um balanço da primeira fase do estágio.

Basicamente, há dois tópicos que merecem análise: o calor de Évora e a fragilidade dos adversários nesta fase. Tomemos como exemplo a selecção brasileira.

  1. O "escrete canarinho" está na Suíça a adaptar-se ao frio e a treinar em altitude... Face a isto, realmente parece estranho que Portugal prepare uma competição na Alemanha na zona mais quente do país (o Alentejo). É que ainda não nos esquecemos do que aconteceu há quatro anos quando a equipa das "quinas" esteve em Macau.
  2. Nos últimos dois encontros de preparação, os "penta" campeões defrontaram os sub-2o do Fluminense e uma equipa suiça da segunda divisão... Portugal escolheu Cabo Verde e Luxemburgo. Outras selecções há que preferem adversários fortes: o México escolheu França e Holanda.

Sobre a escolha de Évora não há grandes justificações por parte da FPF e a única coisa que se sabe é que a ida para o Alentejo permitiu um grande desconto (a Federação paga 20 ou 25% da factura). Esta é uma boa justificação para alguns, agora resta saber se os treinos com 37 graus não destruiram as reservas dos jogadores.

Quanto aos adversários escolhidos, Scolari explica que prefere jogos acessíveis para não obrigar a equipa a dar o máximo e, ao mesmo tempo, tentar evitar (mais) lesões.

Aqui, como em muitos temas da vida, não há verdades absolutas, mas em minha opinião a "opção Évora" é discutível em termos de preparação da equipa e nem o preço de saldo pode servir de justificação.

Já quanto aos jogos, apesar de perceber, a justificação do seleccionador preferia adversários mais fortes que dessem estaleca à "equipa das quinas".

Como se vê não há consenso e, no fim de contas, o que vai contar são os resultados. Se a prova correr bem e se se provar que Scolari tinha razão, cá estarei para o reconhecer.

sexta-feira, junho 02, 2006

O que correu mal?

A selecção de sub-21 foi eliminada na primeira fase do Europeu da categoria disputado em casa, depois de duas derrotas e uma vitória.

A questão que se coloca é: O que é que aconteceu para termos passado de uma equipa vitoriosa na qualificação, para uma selecção banal na fase final?

Vamos então apontar razões para o descalabro:
  • "Chefe" desaparecido em combate (Jogadores nunca viram Scolari)
  • Seleccionador das "esperanças" furioso com o "Chefe" (Agostinho Oliveira desautorizado)
  • Jogadores fundamentais desmotivados (ex-Quaresma)
  • Jogadores titulares fora de forma (ex-Hugo Almeida)
  • Escolhas polémicas (porquê Nélson - lesionado - e não João Pereira ou Miguel Garcia?)
  • Escolhas estranhas (porquê Morais e não um defesa-esquerdo de raiz?)
  • Erros no banco durante as partidas
  • Excesso de confiança e não gestão de expectativas

Deste torneio pontos positivos:

  • Fantástico o apoio do público à selecção na hora da derrota, destaque para o público de Guimarães
  • Equipa francesa com uma grande equipa
  • Jogodores bem interessantes noutras selecções

Posto isto, o que vai acontecer?

  • Agostinho Oliveira vai continuar? Dificilmente depois do que aconteceu com Luiz Felipe Scolari

quinta-feira, maio 25, 2006

O Maestro

Agora já não há dúvidas: Rui Costa vai mesmo ser jogador do Benfica na próxima época e vai ser apresentado esta quinta-feira na Luz - notícia confirmada e avançada pela RR às 23h58.

O "maestro" está assim de regresso ao clube que o formou depois de sete anos na Fiorentina e cinco no AC Milan.

Depois deste "introito" deixem-me pôr as "cartas na mesa": sou favorável ao regresso de Rui Costa ainda como jogador.

Sim, eu sei que tem 34 anos, que já não aguenta o ritmo de três jogos por semana, que já não aguenta 90 minutos ao mesmo alto nivel, que não gosta muito de defender, que - se calhar - não vai gostar se tiver que ficar no banco em algum jogo.

Mas também sei que Rui Costa é, ainda, um grande jogador, sei que quando jogar vai jogar bem, sei que vai trazer experiência e carisma a um plantel com poucos jogadores experientes... e ainda, sei que vai trazer adeptos ao estádio e, já agora, ajudar a fazer dinheiro.

Se Fernando Santos e os capitães de equipa conseguirem voltar a unir o plantel como estava na época passada, Rui Costa pode ser uma grande ajuda.

Mas atenção, ainda mais importante que o "10", vai ser saber-se quem dos fundamentais vai ficar e quem vai ser contratado para equilibrar o plantel, de molde, a dar-lhe opções válidas para todas as posições.

quarta-feira, maio 24, 2006

Entrada com o pé esquerdo

A selecção de "esperanças" sofreu ontem uma derrota "sem espinhas" frente à França na primeira jornada do Campeonato Europeu de Sub-21.

O domínio francês foi tal que o resultado até foi escasso, dada a qualidade da exibição gaulesa, especialmente no primeiro tempo.

Foi a vitória (clara) do colectivismo contra o individualismo luso. O chutão para a frente e as arrancadas individuais foram mais que muitas e sempre sem efeitos práticos.

Não sei se foi excesso de euforia, nervosismo colectivo ou desmotivação de alguns, o certo é que a equipa das "quinas" não jogou aquilo que pode e sabe.

Eu não estava no "80" antes do Euro, mas também não passei para o "8".

Continuo a acreditar, espero é que a equipa se concentre, aproveite o factor casa, e volte a ganhar a força colectiva que demonstrou na qualificação.

Aposta ou "às postas"?

Depois de Sporting e FC Porto e ao que parece Vitória de Setúbal e Sporting de Braga, agora é o Benfica que se prepara para acabar com a equipa B.

São várias as justificações dos clubes: questões financeiras (quanto custa sustentar um outro plantel de 25 jogadores), questões desportivas (falta de competitividade nas divisões inferiores que não permitem que os jogadores jovens evoluam) e questões administrativas (as regras não permitem que os "B" cheguem à Divisão de Honra).

Acredito que sejam razões válidas e que devem ter sido devidamente ponderadas pelas administrações das SAD respectivas.

No entanto, pessoalmente, não concordo com esta decisão e não aceito estas justificações, pesados os prós e contras.

Um clube como o Benfica e um país como Portugal, que não nadam em dinheiro, têm que apostar nos jovens e na promoção dos seus miúdos para continuar a facturar e a evoluir.

No caso dos "encarnados" a decisão é ainda mais estranha por duas razões: primeiro porque nunca esteve em posição de subida para os campeonatos profissionais (e portanto não se pode queixar dos regulamentos) e, em segundo lugar, ao que parece, vão trocar o "Benfica B" (que está na II Divisão B) pelo regressado Alverca (da III), outra vez como "satélite".

Isto tudo numa altura em que, finalmente, está operacional o Centro de Estágio do Seixal e, por outro lado, se estão - bem - a realizar protocolos com vários pequenos clubes em Portugal e no estrangeiro.

De que vale apostar numa "maternidade", se se afastam as "mães"? Estranho.

O que vão os dirigentes fazer com os miúdos que estão na equipa secundária, alguns dos quais já contratados para esta época? Fica a pergunta.

PS: Num post anterior pedi o reforço da estrutura com a entrada de um coordenador técnico para as camadas jovens, pelo contrário, ao que parece nem esse homem vai aparecer e ainda cortam as vazas a Carraça.

segunda-feira, maio 22, 2006

"Santos da casa não fazem milagres"

Fernando Santos é o novo treinador do Benfica, notícia que apanhou 99% dos benfiquistas surpresos e de "boca aberta".

Eu ainda não estou recuperado do choque e, seguramente, o engenheiro não era a minha primeira escolha, nem a segunda, nem a terceira...

O senhor engenheiro já esteve, entre outros, no FC Porto e no Sporting e só nos “dragões” venceu (1) um campeonato em três épocas.

Mas, pior que os resultados fraquinhos, o que mais dúvidas me deixa no treinador Fernando Santos é, por um lado, a falta de pulso e a falta de carisma para comandar um plantel e, por outro, a instabilidade táctica e o esquecimento do banco.

Sinceramente, o que me parece é que o também ex-técnico de Estoril, Estrela da Amadora, Panathinaikos e AEK vai ser uma mistura de José Peseiro com Ronald Koeman... e isso não é nada positivo.

Espero, obviamente, estar enganado e estou preparado para dar o “braço a torcer”.

A primeira boa notícia que Fernando Santos me daria era a de não destruir (ou ver destruir) o plantel actual: vendas minimalistas (como nas últimas duas épocas) e poucas contratações, mas boas (jogadores que venham “somar” e equilibrar o grupo).

A segunda boa notícia era o treinador, ao contrário dos dois antecessores, apostar nas camadas jovens.

A terceira boa notícia era, desde logo, perceber qual o “plano A” e o “plano B” táctico da equipa.

PS: Digam o que disserem, não acredito que o falsamente chamado “engenheiro do penta” tenha sido a primeira escolha do Benfica.

quinta-feira, maio 18, 2006

Barça

O Barcelona, favorito incontestado, cumpriu o que dele se esperava e ganhou a Liga dos Campeões.

No entanto, o triunfo de Paris não foi fácil com o Arsenal a vender muito cara a derrota..

Com um Ronaldinho em sub-rendimento (se isso é possível), um Van Bommel apagado e um Oleguer com grandes dificuldades, os catalães sentiram dificuldades em pegar no jogo.

Aliás, foram os “gunners” as duas primeiras oportunidades, com Thierry Henry endiabrado que só não conseguiu bater o guarda-redes Valdez (grande exibição).

Depois veio o lance do jogo, com o árbitro como protagonista, a expulsar Lehman e a não validar o golo do Barça.

A partir daqui, o Arsenal encolheu-se, uniu-se na defesa, marcou de bola parada por Sol Campbell, e dificultou muitíssimo a vida ao Barça, apesar de ter jogado cerca de 70 minutos em vantagem numérica.

A equipa catalã ganhou o jogo também nas substituições, com Rijkaard a fazer entrar três que “somaram”, ao contrário de Wenger que não conseguiu aguentar a equipa.

No último quarto de hora, só deu Barça e deu-se a reviravolta justa. Ganharam os melhores.

Feitas as contas finais da UEFA: Espanha – 2 Inglaterra – 0

Geração Benfica

Numa altura em que o Benfica procura treinador para a equipa principal, convém que a administração da SAD não perca de vista todo o futebol do clube.

Não basta, por isso, encontrar um “mister” competente, com provas dadas, e que, de preferência, conheça os “encarnados” e o campeonato luso.

Parece essencial que seja também contratado um coordenador para todas as camadas jovens: experiente, conhecedor e com “carta branca” para avaliar e dar uma identidade às equipas desde os “BB” até às escolas.

Aqui, arrisco três nomes com curriculo nesta área: Nelo Vingada, Agostinho Oliveira ou Rui Caçador.

A equipa da Luz tem que restruturar todo esse departamento para poder rentabilizar os miúdos que tem.

Por exemplo, onde estão os juniores que foram campeões de juniores há duas épocas? Onde estão os atletas que subiram a equipa B à segunda divisão? Porque não aproveitou Koeman as camadas jovens? Será que, em três anos, só Manuel Fernandes era “aproveitável”?

Se calhar sim, se tivermos em consideração a última lista de convocados da selecção Sub-18. Em 26 jogadores, nem um do Benfica.

Preocupante...

quarta-feira, maio 17, 2006

Clube Scolari

A convocatória de Luiz Felipe Scolari tem vários ângulos de análise, todos eles discutíveis. Mas, vendo bem, a lista não tem novidades.

Nota prévia

O técnico brasileiro trabalha na selecção como se fosse um clube e, assim sendo, depois de ter encontrado o grupo de trabalho em 2004, só o altera se for obrigado.

É neste princípio que jogadores como Costinha, Maniche, Nuno Valente, Quim e até Hugo Viana são chamados, independentemente do que estejam a fazer nos seus clubes.

É também graças a este factor que jogadores como Tonel, Miguelito, Pedro Mendes ou João Tomás não foram convocados.

O Euro Sub-21 foi outro factor condicionador das escolhas do técnico. Ficou claro que Scolari não contou com Moutinho e Quaresma devido às “esperanças”.

Face a estes pressupostos vamos à análise.

O que fez Scolari

Na baliza, para além de Ricardo e Quim, chamou Bruno Vale (titular das “esperanças”), tal como tinha feito em 2004 com Moreira, em detrimento de Paulo Santos.

Na defesa, a dúvida era: “Quem vai ser o substituto de Jorge Andrade?”. Das opções disponíveis (Tonel, Ricardo Rocha, Nunes), Scolari escolheu Ricardo Costa, precisamente o que tem menos minutos, mas o que mais jogos tem nas selecções desde os jovens (mais uma vez “o grupo”).

No meio-campo, sabendo-se das polémicas chamadas de Costinha e Maniche, a dúvida era saber quem ia ser o suplente de Deco (João Moutinho ou Hugo Viana). “Ganhou” o segundo – novamente o mais experiente, apesar de menos rodado.

No ataque, mais uma dúvida: Quem seria o quarto extremo: Boa Morte ou Quaresma. Lugar para o primeiro, outra vez, pela mesma razão, tem mais jogos, participou na qualificação, está mais integrado.

Posto isto, Luiz Felipe Scolari tem um grupo restrito de jogadores (como um clube) e deles não abdica, independentemente do que estiver a acontecer à sua volta, independente da forma dos “seus” jogadores e dos “outros” que possam aparecer.

Análise

Esta forma de trabalhar de Felipão tem, claro, vantagens e inconvenientes:

O facto de ter um grupo fechado, cria espírito de grupo, moraliza os jogadores, dá-lhes confiança e “obriga” os “eleitos” a seguirem as indicações do técnico “até à morte”. Exemplos disso: a defesa que foi feita por Ricardo ou Costinha (precisamente dois dos mais criticados em alturas diferentes).

Não conheço nenhum outro técnico que defenda tanto os seus jogadores e isso trás, obviamente, efeitos positivos.

Por outro lado, o autismo, cegueira, do “mister” é injusto para os jogadores que apareçam em forma. Que motivação têm esses atletas para continuar a trabalhar e evoluir se souberem que o treinador nem sequer procura alternativas e vai aos jogos observá-los.

Já agora, deixo mais duas achas para a fogueira em jeito de pergunta: era melhor ter Quaresma e Moutinho suplentes nos “AA” ou titulares nos Sub-21? Não seria preferível ter os jogadores em melhor forma, independentemente de fazerem ou não parte do “Clube Scolari”?

Claro que as ausências de Quaresma e Moutinho tiram magia à selecção e deixam a equipa muito dependente de Cristiano Ronaldo e Deco. Se houver algum "azar"...

Se o homem quer convocar só e apenas os integrantes do “Clube Scolari”, isso é lá com ele... depois responde é pelos resultados que conseguir ou não conseguir.

Deixo aqui um caso, se calhar, O caso da selecção: Costinha. Não estando a jogar, não seria convocável, quem seria chamado? Custódio ou Raul Meireles das “esperanças”, Luís Loureiro que chegou a ser chamado, uma adaptação (tipo João Paulo), um “remendo” (tipo Manuel Fernandes que é um “8”) ou um trinco de uma equipa pequena que nunca tenha sido convocado (os caceteiros Tiago ou Flávio Meireles). Enfim, não seria fácil.

Vamos ver se nos entendemos, o currículum de Scolari fala por si, ele tem total legitimidade para escolher quem quiser... Eu até acabo por perceber a ideia, mas acho que é uma teoria que deveria ser aplicada num clube e não numa selecção.

O que faria eu?

Confesso que teria feito três ou quatro escolhas diferentes nos “23”, mas também compreendo que nem em todas as posições há muitas opções.

Em vez de Ricardo Costa, Tonel. Se o argumento é a polivalência então levaria Ricardo Rocha.

Em vez de Hugo Viana, João Moutinho

Em vez de Boa Morte, Quaresma

Em vez de Postiga, João Tomás

Depois, a minha maior dúvida: Costinha, Pedro Mendes poderia entrar e, no caso de ser necessário um segundo trinco, avançaria Fernando Meira.

Posto isto, não vale a pena bater mais no ceguinho, as escolhas estão feitas e agora é esperar...

Apesar de tudo, uma coisa é certa: estes 23 são, em teoria, mais fortes dos 23 que estiveram no Oriente.

segunda-feira, maio 15, 2006

"A cereja no topo da bola" (*)

Como se esperava, o FC Porto venceu a Taça de Portugal e conquistou a "dobradinha" na época 2005/06.

É a 13ª Taça de Portugal e a quinta dupla do historial dos "dragões".

A vitória "azul e branca", no Jamor, foi justa, com mais um golo de Adriano, após assistência de Quaresma, mas o Vitória (que defendia o título) vendeu cara a derrota.

O FC Porto dominou a maior parte do tempo, criou uma mão cheia de oportunidades e - apesar de ter apresentado o "11" mais ofensivo da época - voltou a falhar na concretização.

Do lado sadino destaque para o guarda-redes Rubinho, apesar do falhanço em alguns cruzamentos, e para Carlitos, "renascido das cinzas".

Nota final para Co Adriaanse, que conquistou o segundo título da época, e o dedicou aos adeptos, mas especialmente aos pais que morreram há poucas semanas no espaço de dois dias.

(*) Frase ouvida na Sporttv

domingo, maio 14, 2006

Balanço – Despromoções

Penafiel, Guimarães, Rio Ave e Belenenses foram os quatro clubes despromovidos na Liga.

Entre os “eleitos” estão dois históricos do campeonato português (Belenenses e Guimarães), clubes com grandes tradições e massas adeptas “intensas” (especialmente os minhotos).

Ainda hoje estou a tentar perceber o que aconteceu para clubes com as estruturas destes dois descerem de divisão. Assim se prova também que os orçamentos não ganham jogos.

Aliás, sou de opinião que o Vitória tinha equipa para lutar pela Europa: Geromel, Cleber, Paito(!), Svard, Otacílio, Neca, Benachour, Paulo Sérgio, Targino, Wesley, Antchouet, Saganowsky, entre outros, são jogadores de qualidade que deveriam conduzir o clube calmamente ao quinto, sexto lugar da tabela.

Então, o que aconteceu: demora na construção do plantel, equipa desequilibrada (defesa com poucas opções, meio campo sem extremos), treinadores com filosofias completamente opostas e, ao que parece, empresários metediços.

Do lado da turma do Restelo parece-me que o mais grave (para além dos ordenados em atraso) foi a precipitação no despedimento de Carlos Carvalhal e a falta de um avançado que pudesse compensar a ausência de Meyong na Taça de África.

Claro que, para a próxima época, estas duas equipas não têm outra hipótese que não seja subir de divisão, mas a coisa não vai ser fácil, dada a tremenda concorrência que todos os anos acontece na II Liga.

O Rio Ave foi, desde o início, uma das equipas que eu apontei como candidata à descida, tal como Naval, Paços de Ferreira e Gil Vicente, e, por isso, não me surpreendeu.

Do Penafiel, destaco o profissionalismo de todo o grupo de trabalho (desde o presidente aos jogadores, passando pelos jogadores). Luís Castro é um bom “mister” mas, claramente, não conseguiu suprir as baixas no plantel do ano passado. As lesões também não ajudaram.

E pronto… assim aconteceu.

Apito final na época 2005/06, o futebol regressa oficialmente lá para Agosto.

Chefe… mas pouco (*)

Foram esta noite conhecidos os 22 convocados da selecção de “esperanças” para o Europeu da categoria.

Analisando a convocatória de Agostinho Oliveira, que certamente passou pelo crivo do Chefe Scolari, assaltam-me algumas ideias.

· Portugal tem o dever e a obrigação de se apresentar na maior força possível, neste torneio organizado em casa.
· Obviamente que jogadores como Quaresma e João Moutinho são grandes reforços para as “esperanças” mas, se a ideia era dar todas as condições aos miúdos, então Cristiano Ronaldo deveria ter sido chamado.
· Pelo que se percebe, Hugo Viana vai ser convocado para a Alemanha e a minha pergunta é: o que é que ele jogou no último ano para merecer tal honra? Será que, por exemplo, João Moutinho não merecia mais essa convocatória?
· Havendo coincidência de datas entre o Europeu de Sub-21 e o Mundial de seniores (erro claro da FIFA), a prioridade tem que ser, sempre, a selecção principal.
· Será que Luiz Felipe Scolari ainda vai fazer a surpresa de “repetir convocatórias”, ou seja, será que vai haver “repetentes” (como aconteceu com Moreira em 2004)?
· Entretanto, não há um único lateral esquerdo de raiz entre os convocados.

Aqui estão eles:

GUARDA-REDES: Bruno Vale, Daniel Fernandes e Paulo Ribeiro.

DEFESAS: José Castro, Semedo, Nelson, Morais, Pedro Ribeiro e Rolando.

MÉDIOS: Bruno Amaro, Custódio, Diogo Valente, João Moutinho, Manuel Fernandes, Raul Meireles, Filipe Oliveira, Nani e Quaresma.

AVANÇADOS: Hugo Almeida, Lourenço, Ricardo Vaz Tê e Varela.

O Campeonato da Europa de Sub-21 vai decorrer entre os dias 23 de Maio e 4 de Junho.

PS1: Espero que esta polémica entre Agostinho Oliveira e Scolari não vá acabar com a saída do técnico português da Federação.

PS2: Se, por acaso, Portugal tiver um mau resultado neste Euro, será que é o treinador brasileiro que vai assumir as responsabilidades enquanto "Chefe dos Sub-21"?

(*) Lapidar a declaração do jogador Rolando que diz que o seu chefe é Agostinho Oliveira e que nunca viu Scolari junto da equipa.

sexta-feira, maio 12, 2006

Balanço - Europa

Terminou a Liga e foi o Braga que voltou a ganhar o "campeonato dos pequenos" pelo segundo ano consecutivo. Quem também vai à Europa é o Nacional da Madeira.

A "fava" calhou ao Boavista que, mais uma vez, "morreu na praia" e ficou no sexto lugar da classificação no campeonato.

Face ao que aconteceu nas quatro linhas durante as 34 jornadas, os resultados foram justas e vai à Taça UEFA quem merece.

Curiosamente, os dois clubes felizardos e o que ficou de fora vão mudar de treinador.

Faz alguma confusão a decisão da SAD bracarense de abdicar do professor Jesualdo Ferreira (depois de três anos e meio de trabalho e três idas à UEFA), naquele que é um passo bem arriscado, mas o sortudo acaba por ser a turma "axadrezada" que aproveitou a "oferta".

Os "insulares" também não conseguiram a renovação do técnico Manuel Machado, que decidiu regressar ao Continente, depois de dois anos a conduzir as suas equipas à Europa.

A primeira volta do Nacional chegou mesmo em aberto a hipótese da equipa sonhar com "voos mais altos" e que levaram até o presidente do clube a produzir declarações, no mínimo, precipitadas.

Ao que parece Machado vai, agora, tentar revigorar a Académica enquanto para a Madeira segue Carlos Brito, que deixou o Bessa.

Quem também vai jogar as competições europeias pelo segundo ano consecutivo, por via da Taça de Portugal, é o Vitória de Setúbal.

Depois de uma época muito complicada, com ordenados em atraso, saída de treinador e alguns jogadores, reconstrução do plantel e estreia de um técnico, o oitavo lugar final e a repetição da presença no Jamor já é um prémio merecido.

Em breve... as despromoções.

"Bola de Prata"

Final de época... Aqui ficam também as minhas escolhas:

JOGADOR: Lucho
CONFIRMAÇÃO: João Moutinho
REVELAÇÃO: Manu
DECEPÇÃO: Robert
TREINADOR: Jorge Jesus
CONFIRMAÇÃO: Manuel Machado
REVELAÇÃO: Paulo Bento
DECEPÇÃO: Couceiro e Pontes

quinta-feira, maio 11, 2006

Balanço – título

Como normalmente acontece, a classificação da Liga é, no final das contas, justa e, assim sendo, a vitória do FC Porto não merece contestação.

Há grande mérito de Co Adriaanse – que foi teimoso, manteve as suas ideias e melhorou os seus jogadores – mas também é justo dizer que os “dragões” tinham o melhor plantel.

Helton, Pepe, Paulo Assunção, Lucho, Quaresma e Adriano foram os principais responsáveis, dentro de campo, pelos triunfos.

Apesar de alguns percalços (especialmente na Champions), os “azuis e brancos” preparam-se para uma “dobradinha”.

O Sporting terminou no segundo lugar, depois de uma boa recuperação no campeonato, por culpa de Paulo Bento.

Os “leões” ganharam consistência, estabilidade e os resultados foram aparecendo.

A “verde esperança” terminou em casa na derrota frente ao FC Porto, mas o segundo posto foi garantido com alguma tranquilidade.

Para a próxima época a responsabilidade aumenta e vem aí a Liga dos Campeões.

No Benfica esta foi uma época com mais baixos que altos. O terceiro lugar no campeonato é um mau resultado e a SuperTaça não serve, obviamente, de compensação.

Por outro lado, a eliminação da Taça de Portugal em casa não ajudou e o sonho da Liga Milionária não pode servir para disfarçar uma época cinzenta.

Ronald Koeman perdeu o balneário em Janeiro e a equipa, em vez de melhorar, piorou... e, por isso, o técnico saiu.

Em breve a Europa e as Despromoções.

11 x 11

Terminou a Liga 2005/2006 e esta é a altura certa para fazer os habituais balanços da época.

Vou começar por escolher os dois melhores "onzes" (um só com "grandes", outro só com "pequenos"):

GUARDA-REDES: Hélton - Marcos
DEFESA DIREITO: Abel - Manuel José
DEFESA CENTRAL: Pepe - João Paulo
DEFESA CENTRAL: Luisão - Van der Gaag
DEFESA ESQUERDO: Leo - Miguelito
MÉDIO TRINCO: Paulo Assunção - Andrés Madrid
MÉDIO BOX-TO-BOX: Lucho - Júnior
MÉDIO DIREITO: Quaresma - Edson
MÉDIO OFENSIVO: João Moutinho - Benachour
MÉDIO ESQUERDO: Simão - Manu
AVANÇADO: Liedson - Saganowsky

quarta-feira, maio 10, 2006

“Esperanças”

Ao que parece Luiz Felipe Scolari já escolheu os 23 jogadores que vão ao Mundial da Alemanha.

O facto de ele ainda não ter revelado quem são os eleitos, isso é lá com ele, mas parece-me que, pelo menos, uma pessoa já deveria conhecer a lista.

Por uma questão de profissionalismo, por uma questão de boa gestão, por uma questão de eficácia, por uma questão de amizade, por uma questão de respeito… Agostinho Oliveira já tinha que saber quem vai à fase final do Mundial.

O técnico das “esperanças” merecia, por todas as razões e mais uma (o facto de jogar em casa), preparar o Europeu sub-21 nas melhores condições possíveis e sabendo, antecipadamente, com quem pode contar.

É que – é bom não esquecer – estamos a falar de uma boa mão cheia de jogadores que podem dar o contributo às duas selecções (e já nem estou a falar de Cristiano Ronaldo).

Bruno Vale, Raul Meireles, Hugo Viana, João Moutinho, Quaresma e Hugo Almeida são os seis que, em minha opinião, por uma razão ou por outra, aspiram chegar já aos “AA”.

Aliás, na minha escolha, João Moutinho e Quaresma teriam já – de caras - carimbado o passaporte para a Alemanha.

Scolari está a gerir mal este dossier e Agostinho Oliveira não merecia.

terça-feira, maio 09, 2006

Já está

O PSV veio mesmo buscar Ronald Koeman ao Benfica e ainda pagou por cima. Os sócios e adeptos "encarnados" estão agradecidos ao clube holandês.

Parece-me, como já escrevi, que Koeman não tinha condições para continuar e, por isso, aplaudo a decisão.

Agora, no entanto, é necessário calma e ponderação: é verdade que a época não correu bem (apesar da Liga dos Campeões), mas não se pode pensar que é necessário reconstruir tudo.

A SAD tem (algum) tempo para contratar o técnico e tem que o fazer bem. Depois não se pode "vingar" no plantel.

O Benfica tem que manter a estratégia que resultou nos últimos anos (aguentar a estrutura base da equipa, vender - no máximo - um titular, e conseguir 4/5 reforços que "somem").

Os "encarnados" não podem perder cinco ou seis titulares de uma vez só e comprar um "camião" de jogadores, a maioria de duvidosa qualidade.

Claro que sendo estrangeiro (obrigatoriamente), convinha que o novo "mister" conhecesse o Benfica e o futebol português. Com este perfil, são poucas as opções...

sábado, maio 06, 2006

Infelicidades, vulgaridades e "gravidades"

Nota Prévia: Alguém que me disse que os sportinguistas podem estar descansados quanto à Champions porque está tudo tratado para o Benfica não ganhar ao Paços de Ferreira. Será verdade? (*)

Está ao rubro a luta pelo segundo lugar na Liga, a disputa já começou fora de campo e com alguns contornos graves.

Depois das infelizes declarações de Ronald Koeman sobre os estranhos golos de Vila do Conde, surgiu um comentário também ele infeliz de Liedson.

Como se isto não bastasse, os dois presidentes dos clubes decidiram apimentar ainda mais a discussão com resposta e contra-resposta.

Luís Filipe Vieira chamou ao "levezinho" um "vulgar jogador" e Filipe Soares Franco truncou essas declarações ao dizer: "Se ele é vulgar o que dizer do plantel do Benfica".

Do presidente do Benfica são conhecidas as dificuldades no domínio da língua portuguesa, o que não se esperava era que o doutor/gestor Soares Franco não soubesse a diferença entre "vulgar jogador" e "jogador vulgar".

(*) Esta é a minha primeira incursão (e espero que última) pelo lado "escuro" do futebol portuguÊs. Espero, sinceramente, que seja só um boato.

quarta-feira, maio 03, 2006

A regra e a excepção

Eu sou a favor que os treinadores cumpram os seus contratos e, também por isso, dificilmente aceito uma "chicotada psicológica" (*).

Ao que parece, os holandeses do PSV estão interessados em contratar Ronald Koeman para o lugar de Guus Hiddink que decidiu ir treinar a Rússia.

De recordar que, neste caso, os dirigentes "encarnados" têm mantido um discurso coerente: "Koeman tem mais um ano de contrato, o Benfica não despede nem indemniza treinadores".

O clube da Luz tem duas hipóteses: ignora a oferta e mantém o holandês, cumpre o contrato e arrisca mais uma época; ou aceita este "brinde", transfere o técnico, ganha uns trocos e encontra novo "timoneiro" para a sua equipa de futebol.

Os defensores de Ronald Koeman no Benfica lembram que os seus comandados fizeram mais pontos que a equipa de Trapattoni no campeonato, ganharam duas vezes ao FC Porto e, ainda mais importante, fizeram uma boa campanha na Liga dos Campeões.

Estes são, obviamente, argumentos válidos que devem ser levados em consideração numa análise séria da situação mas há, no entanto, o outro "reverso da medalha".

A instabilidade táctica e exibicional, a dificuldade em "ler" o jogo e fazer substituições, a falta de comando e de solidariedade do grupo de trabalho em algumas situações...

Tudo isto junto levou a que a equipa não tivesse ganho nada e - não me lixem - isso é o que realmente interessa.

Resumindo, se alguém me perguntasse, eu diria que a decisão correcta seria: aceitar a proposta do PSV, escolher um novo "mister" depressa e bem e começar a preparar a nova época de maneira a ter um plantel mais forte e mais equilibrado.

(*) No entanto, todas as regras têm excepção...

terça-feira, maio 02, 2006

Dois em um

Mais uma vez Ronald Koeman voltou a errar e, desta vez, duplamente: primeiro dentro de campo, depois na sala de imprensa na Luz.

Vamos por partes:

Primeiro, não se percebe porque razão Ronald Koeman mudou a táctica habitual e, pior que isso, jogou com uma estratégia a que os jogadores não estão nem habituados (treinados) nem têm características para tal.

Segundo, independentemente do "castigo" a Robert e Geovanni (que desconheço e, por isso, não discuto), não entendo porque jogou Marco Ferreira e não Nélson (se está lesionado não devia ter sido convocado), porque jogou Manduca nas costas de Miccoli e não nas alas, porque jogou Beto e não Karagounis no meio-campo e, já agora, porque jogou o italiano sozinho na frente.

Terceiro: se está a fazer testes para a próxima temporada faz mal: ainda havia dois jogos oficiais para fazer e ganhar, as experiências fazem-se na pré-temporada e em jogos particulares.

Quarto, já na sala de imprensa, Koeman fez declarações infelizes sobre o jogo do Sporting e os profissionais do Rio Ave.

Porque, das duas uma: ou tem a certeza de que se passou alguma coisa e isso é grave e tem que ser provado ou foi só uma declaração em desespero de causa e, portanto, escusada e demonstrativa de que o técnico holandês não está a aguentar a pressão.

No mínimo, Ronald Koeman deveria pedir desculpa aos profissionais do Rio Ave que estão a lutar galhardamente pela permanência.

Estas são mais duas manchas no curriculum de Koeman na Luz, mas continua a ser garantido pelos dirigentes que o treinador se vai manter. Enfim...

segunda-feira, maio 01, 2006

The special one

José Mourinho confirmou o segundo título consecutivo do Chelsea na Premier League (o seu quarto depois de dois no FC Porto).

Logo desde o início do campeonato inglês que se esperava a vitória dos "blues", tal o arranque demolidor da "equipa dos portugueses".

Depois, segundo Mourinho, por "desmotivação", a equipa perdeu gás e deixou o Manchester United recuperar até aos nove pontos de atraso.

Realmente, a equipa de Stamford Bridge fez alguns jogos abaixo do que seria aceitável e vários jogadores estiveram, durante toda a época, abaixo do que podem e sabem fazer: por exemplo Duff e Robben.

No entanto, quando suou o alarme e foi preciso, o Chelsea voltou às vitórias e, este fim-de-semana, frente ao principal adversário, não deu a mínima hipótese. Grande exibição, defesa irrepreensível, pressing constante no meio-campo.

Mourinho voltou a demonstrar toda a sua valia e, agora, até pode tornar a bater o recorde de pontos que tinha alcançado na época passada.

Ficam, no entanto, dois amargos de boca - independentemente da valorização ou não que é feita pelos media ingleses -: um é a Taça de Inglaterra (único título que lhe falta) e outro a Liga dos Campeões (seguramente a prioridade das prioridades na próxima época).

Mantendo a estrutura fortíssima do plantel e mais quatro jogadores [um extremo que jogue nos dois flancos (Simão), um médio criativo (Ballack), um defesa (depende da "posição" de Gallas) e um avançado (Schevchenko seria a primeira opção)] pode continuar o domínio interno e a conquista europeia.

Dinheiro a Abramovich não falta, sabedoria a Mourinho também não